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Resumo das viagens missionárias de Paulo

Por Débora Arantes 12 min de leitura

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Em 30 segundos

De Antioquia da Síria, a igreja envia Barnabé e Saulo, e daí em diante Atos acompanha Paulo por quatro percursos. No primeiro, ele atravessa Chipre e funda igrejas no interior da Ásia Menor. No segundo, com Silas e Timóteo, passa à Macedônia e à Grécia: Filipos, Tessalônica, Bereia, Atenas e um ano e meio em Corinto. No terceiro, fixa-se por mais de dois anos em Éfeso, revisita a Macedônia e a Grécia e sobe a Jerusalém levando a coleta. Ali é preso. Depois de dois anos detido em Cesareia, apela a César e segue para Roma como prisioneiro, com um naufrágio em Malta no caminho. As cartas nascem nessas estradas: são o modo de Paulo continuar presente nas igrejas que deixou.

Quatro colunas em sequência com os percursos de Paulo em Atos: as três viagens missionárias e a ida a Roma como preso, cada uma com suas paradas principais
Imagem: resumode.com.br

Separai-me Barnabé e Saulo

A segunda metade de Atos começa em Antioquia da Síria, a primeira grande igreja formada por judeus e não judeus. Entre os seus profetas e mestres estão Barnabé e Saulo, que ali trabalha desde alguns anos depois da conversão no caminho de Damasco. Enquanto a comunidade jejua e ora, o Espírito Santo diz: separai-me Barnabé e Saulo para a obra a que os chamei (13.2). Impõem-lhes as mãos e os despedem.

Daí em diante o livro segue Paulo por quatro percursos. Os três primeiros saem de Antioquia e são o que se costuma chamar de viagens missionárias. O quarto sai de Cesareia, e ele o faz acorrentado.

Chipre e as cidades da Galácia

A primeira viagem ocupa os capítulos 13 e 14. Barnabé e Saulo levam João Marcos como auxiliar e navegam para Chipre. Atravessam a ilha de Salamina a Pafos, onde o procônsul Sérgio Paulo quer ouvi-los e um mago, Elimas, tenta impedir. Elimas fica cego por um tempo, e o procônsul crê. É nesse ponto que o texto passa a dizer Paulo, e o nome dele começa, na maior parte das vezes, a vir antes do de Barnabé.

De Chipre sobem ao continente. Em Perge, João Marcos os deixa e volta a Jerusalém. Os dois seguem para Antioquia da Pisídia, onde Paulo faz na sinagoga o seu primeiro discurso registrado. No sábado seguinte, quase a cidade inteira se junta, a oposição cresce, e ele anuncia o princípio que valerá para todo o caminho: era preciso falar primeiro aos judeus; como recusam, voltamo-nos para os gentios (13.46).

Vêm depois Icônio, Listra e Derbe. Em Listra, Paulo cura um homem coxo de nascença, e o povo toma os dois por deuses, a ponto de querer oferecer-lhes sacrifício. Pouco depois, com a multidão instigada por judeus vindos de Antioquia e de Icônio, ele é apedrejado e arrastado para fora da cidade, dado por morto. Ele se levanta e, no dia seguinte, parte para Derbe.

A volta é pelas mesmas cidades, de propósito. Em cada cidade, fortalecem os discípulos e constituem presbíteros (14.23). Embarcam em Atália e contam em Antioquia como Deus abrira aos gentios a porta da fé.

Uma assembleia entre duas viagens

O resultado da viagem cria um problema: os gentios que creram precisam ser circuncidados? Paulo e Barnabé sobem a Jerusalém, e a assembleia do capítulo 15 decide que não se deve impor esse peso. A carta com a decisão é levada a Antioquia por Judas Barsabás e por Silas, que será o novo companheiro de Paulo.

Passa à Macedônia e ajuda-nos

A segunda viagem (15.36 a 18.22) começa com uma separação. Barnabé quer levar João Marcos outra vez; Paulo recusa, por causa da desistência em Perge. Barnabé e Marcos vão para Chipre. Paulo segue por terra com Silas, revisita Derbe e Listra e ali toma consigo Timóteo, filho de mãe judia e pai grego.

O plano era continuar pela Ásia Menor, e duas vezes o Espírito o impede. Chegam a Trôade, à beira do mar. De noite, Paulo tem uma visão: um macedônio, de pé, pede que ele passe à Macedônia e os ajude (16.9). No versículo seguinte, o narrador começa a dizer nós.

As paradas, na ordem:

  • Filipos: Lídia, a vendedora de púrpura, é batizada com os de sua casa. Paulo e Silas são açoitados e presos; à meia-noite, cantam; um terremoto abre as portas, e o carcereiro pergunta o que fazer para ser salvo.
  • Tessalônica: três sábados na sinagoga, um tumulto, e a acusação de que eles transtornam o mundo (17.6).
  • Bereia: os ouvintes conferem tudo nas Escrituras, até que os adversários de Tessalônica chegam.
  • Atenas: Paulo fala no Areópago a partir de um altar ao deus desconhecido. Poucos creem.
  • Corinto: ele trabalha com Áquila e Priscila fabricando tendas e fica um ano e seis meses (18.11). Levado ao procônsul Gálio, vê a causa ser rejeitada.

Na volta, toca em Éfeso, promete retornar, desembarca em Cesareia e desce a Antioquia.

Mais de dois anos em Éfeso

A terceira viagem (18.23 a 21.17) tem um centro: Éfeso. Paulo ensina três meses na sinagoga e, depois, dois anos na escola de um certo Tirano, de modo que toda a província da Ásia ouve a palavra (19.10). Gente que praticava magia queima os seus livros em público.

O sucesso fere um negócio. Demétrio, ourives que fazia miniaturas de prata do templo de Ártemis, amotina os colegas, e a multidão grita no teatro, por cerca de duas horas, grande é a Ártemis dos efésios. O escrivão da cidade dispersa o povo.

Paulo parte para a Macedônia e passa três meses na Grécia (20.3). Uma cilada o faz voltar por terra. Em Trôade, o jovem Êutico cai da janela durante a pregação. Em Mileto, Paulo manda chamar os presbíteros de Éfeso e se despede: sabe que o esperam prisões e que eles não verão mais o seu rosto.

Em Cesareia, o profeta Ágabo amarra os próprios pés e mãos com o cinto de Paulo, para mostrar o que o aguarda em Jerusalém. Ele sobe assim mesmo.

De Jerusalém a Roma, acorrentado

No templo, judeus da Ásia o reconhecem e levantam a multidão. O comandante romano o arranca do linchamento. Seguem os discursos e as audiências: ao povo, ao Sinédrio, ao governador Félix, que o mantém preso dois anos em Cesareia, e ao sucessor, Festo. Para não ser levado de volta a Jerusalém, Paulo usa o direito de cidadão romano: apelo a César (25.11). O rei Agripa, depois de ouvi-lo, comenta que ele poderia ser solto se não tivesse apelado.

A travessia está nos capítulos 27 e 28. O navio costeia Chipre, troca-se por outro em Mirra e alcança Creta já fora da estação. Paulo aconselha a não seguir e não é ouvido. Um vento de tempestade arrasta o navio por catorze noites. Um anjo garante a Paulo que ninguém se perderá. Todos os duzentos e setenta e seis chegam à praia de Malta, onde uma víbora se prende à mão de Paulo sem lhe fazer mal.

Três meses depois, outro navio os leva por Siracusa e Régio até Putéoli. Dali, por terra, a Roma. Paulo fica dois anos numa casa alugada, sob guarda, recebendo quem o procura.

Cada etapa e as suas cartas

Etapa Paradas principais Cartas ligadas
Primeira viagem Chipre, Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra, Derbe Gálatas, dirigida às igrejas da Galácia
Segunda viagem Filipos, Tessalônica, Bereia, Atenas, Corinto 1 Tessalonicenses e 2 Tessalonicenses, situadas pouco depois da fundação da igreja
Terceira viagem Éfeso, Macedônia, Grécia, Trôade, Mileto 1 Coríntios, de Éfeso; 2 Coríntios, da Macedônia; Romanos, antes de subir a Jerusalém
Prisão e Roma Jerusalém, Cesareia, Malta, Roma Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom, as cartas da prisão

Algumas ligações vêm das próprias cartas. Em 1 Coríntios, Paulo diz que ficará em Éfeso até Pentecostes. Em 1 Tessalonicenses, Timóteo acaba de voltar com notícias da igreja, como em Atos 18.5. Em Romanos, ele está de partida para Jerusalém com a coleta das igrejas da Macedônia e da Acaia. As quatro cartas da prisão são situadas pela tradição nos dois anos de Roma; o texto delas diz apenas que Paulo está preso. As cartas a Timóteo e a Tito supõem deslocamentos que Atos não narra.

O caminho inverso também funciona. Filipos, Tessalônica e Corinto são igrejas da segunda viagem, e quem lê as cartas a elas depois de Atos 16 a 18 já conhece Lídia, o carcereiro, Jasão e Gálio.

O que Atos não chega a contar

O livro para em Roma, com Paulo pregando sem impedimento. As cartas mostram que o mapa dele era maior. Aos romanos, escreve que já tinha anunciado o evangelho desde Jerusalém até o Ilírico, região que Atos não menciona, e que pretendia passar por Roma a caminho da Espanha (Romanos 15.19, 24). Aos coríntios, enumera cinco vezes os trinta e nove açoites, três vezes as varas e três naufrágios (2 Coríntios 11.24-25), tudo isso antes da travessia para Roma. Até esse ponto, Atos tinha narrado só as varas de Filipos e nenhum naufrágio.

As viagens de Atos são, portanto, uma seleção. Lucas escolheu as estradas que levam de Antioquia a Roma, porque a história que ele conta é a da palavra que sai de Jerusalém e chega ao centro do Império.

Os pontos centrais

  1. As três viagens partem de Antioquia da Síria, a igreja que envia Barnabé e Saulo por ordem do Espírito (Atos 13.1-3).
  2. Onde há sinagoga, Paulo começa por ela e, diante da recusa, volta-se para os gentios, como declara em Antioquia da Pisídia (13.46).
  3. A passagem para a Macedônia nasce de uma visão em Trôade: um homem pede que Paulo atravesse o mar e os ajude (16.9).
  4. As paradas mais longas são Corinto, com um ano e seis meses (18.11), e Éfeso, com mais de dois anos (19.8-10).
  5. A ida a Roma não é viagem missionária: Paulo vai preso, por ter apelado a César diante de Festo (25.11-12).
  6. As cartas se encaixam no percurso: 1 Coríntios foi escrita em Éfeso (1 Coríntios 16.8), e Romanos, às vésperas da subida a Jerusalém (Romanos 15.25).

Leituras que se afastam do texto

A Bíblia fala em primeira, segunda e terceira viagem missionária de Paulo

Atos não numera nada. A divisão em três viagens é uma ajuda dos leitores, baseada nas saídas de Antioquia da Síria (13.1-3; 15.36-40; 18.23). A fronteira entre a segunda e a terceira é tão discreta que cabe em duas frases: Paulo desce a Antioquia, passa ali algum tempo e parte de novo pela Galácia e pela Frígia (18.22-23). O livro conta um só movimento, de Jerusalém para Roma, e os números vêm dos mapas.

Paulo viajava sozinho

Em Atos ele quase nunca está só. Sai com Barnabé e João Marcos, depois com Silas, a quem se juntam Timóteo e, nos trechos em que o narrador diz nós, o próprio autor. Em Corinto mora e trabalha com Áquila e Priscila. Na volta da terceira viagem, o texto lista sete acompanhantes pelo nome (20.4). As cartas confirmam: várias trazem Timóteo, Silas ou Sóstenes como remetentes ao lado de Paulo. A missão é de equipe.

A viagem a Roma foi a quarta viagem missionária

As três primeiras são decididas por Paulo e pelas igrejas. A última é uma transferência de preso: ele embarca em Cesareia sob a guarda de um centurião chamado Júlio, junto com outros detidos (27.1), porque apelou ao tribunal de César. O texto mostra Paulo dando testemunho a bordo, em Malta e em Roma, e Deus lhe tinha dito que isso aconteceria (23.11). Mas quem escolhe a rota, o navio e a data é o Império.

Perguntas para estudo

8 perguntas

Que nome os habitantes de Listra dão a Barnabé e a Paulo?
Chamam Barnabé de Zeus e Paulo de Hermes, porque era Paulo quem falava (Atos 14.12).
Onde João Marcos deixa a primeira viagem?
Em Perge, na Panfília, de onde volta para Jerusalém (Atos 13.13).
Por que Paulo e Barnabé se separam antes da segunda viagem?
Barnabé queria levar João Marcos de novo, e Paulo não aceitou; Barnabé vai a Chipre, e Paulo parte com Silas (15.37-40).
Quem é a primeira pessoa convertida em Filipos?
Lídia, vendedora de púrpura da cidade de Tiatira, que hospeda os missionários em casa (16.14-15).
Que elogio Atos faz aos judeus de Bereia?
Receberam a palavra com interesse e examinavam as Escrituras todos os dias para ver se era assim (17.11).
Em que ofício Paulo trabalha em Corinto?
Fabrica tendas, o mesmo ofício de Áquila e Priscila, com quem passa a morar (Atos 18.3).
O que acontece com o jovem Êutico em Trôade?
Adormece durante a longa fala de Paulo e cai do terceiro andar; Paulo o abraça, e o levam para casa vivo (20.9-12).
Quantas pessoas estavam no navio que naufraga em Malta?
Duzentas e setenta e seis, e todas chegam a salvo à terra (Atos 27.37, 44).
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Débora Arantes

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