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Resumo da carta aos Efésios

Por Débora Arantes 13 min de leitura

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Em 30 segundos

Judeus e gentios, antes separados por um muro, formam agora um só corpo, e essa união é o mistério que Deus guardava desde antes da criação: esta é a ideia que sustenta Efésios. Escrita por Paulo na prisão, a carta tem duas metades iguais. Os três primeiros capítulos dizem o que Deus fez: escolheu, redimiu, deu vida a quem estava morto no pecado, salvou pela graça mediante a fé (Efésios 2.8) e derrubou a separação entre os povos. Os três últimos dizem como vive quem recebeu isso: a unidade da igreja, a vida nova, as relações da casa entre marido e esposa, pais e filhos, senhores e servos. O fecho é a armadura de Deus, para uma luta que não é contra carne e sangue.

Duas colunas ligadas por setas mostram cinco mudanças descritas em Efésios 2 a 5: o que os leitores eram antes e o que são em Cristo
Imagem: resumode.com.br

Uma carta sem incêndio para apagar

Quase todas as cartas de Paulo nascem de um problema: uma divisão, um ensino torto, uma notícia ruim. Efésios é a exceção. Não cita adversário, não responde a pergunta, não saúda ninguém pelo nome. É uma exposição serena, escrita por um homem preso (3.1; 4.1), que se descreve como embaixador em cadeias (6.20).

A falta de recados pessoais chama atenção porque Paulo conhecia bem a cidade. Éfeso era o grande porto da província da Ásia, e ele ficou ali mais tempo do que em qualquer outra etapa de suas viagens, como conta Atos dos Apóstolos. Alguns dos manuscritos mais antigos não trazem as palavras em Éfeso no primeiro versículo, e por isso muitos a leem como carta para circular entre as igrejas da região. O portador é Tíquico (6.21), o mesmo que leva a carta aos Colossenses, com a qual Efésios divide temas e frases inteiras. A tradição situa as duas na prisão de Roma, no início dos anos 60.

A construção é limpa. Três capítulos dizem o que Deus fez. Três dizem como andar. A dobradiça é uma palavra: rogo-vos, pois, que andeis de modo digno da vocação com que fostes chamados (4.1).

Bendito seja: uma frase só, do versículo 3 ao 14

Depois da saudação, Paulo abre com uma bênção que, no grego, é uma única frase de doze versículos. Ela percorre a obra de Deus em três tempos, e cada um termina com o mesmo refrão, para louvor da sua glória.

O Pai escolheu os seus antes da fundação do mundo e os destinou a serem filhos por adoção (1.4-5). No Filho há redenção pelo sangue e perdão, e nele Deus deu a conhecer seu plano: reunir em Cristo todas as coisas, as do céu e as da terra (1.7-10). O Espírito Santo é o selo posto sobre os que creram e a garantia da herança (1.13-14).

Segue uma oração. Paulo pede que os leitores tenham os olhos do coração iluminados (1.18) para enxergar a esperança, a herança e o poder que agiu quando Deus ressuscitou Cristo e o fez sentar à sua direita, acima de todo principado e de todo nome. Esse Cristo foi dado como cabeça à igreja, que é o seu corpo (1.22-23). A expressão nos lugares celestiais, que aparece cinco vezes na carta, marca o ponto de vista: tudo é olhado de cima.

Mortos que receberam vida

O capítulo 2 conta a mesma obra pelo lado de quem a recebeu. O ponto de partida é o pior possível: estáveis mortos em delitos e pecados, seguindo o curso deste mundo, e Paulo se inclui, todos nós éramos por natureza filhos da ira (2.1-3).

A virada cabe em duas palavras: mas Deus. Rico em misericórdia, ele deu vida com Cristo, ressuscitou e fez sentar com ele nos lugares celestiais (2.4-6). Vem então a frase mais conhecida da carta: pela graça sois salvos, mediante a fé; isso não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie (2.8-9). E o versículo que a completa: somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras que Deus preparou para que andássemos nelas (2.10).

O muro derrubado

A segunda metade do capítulo passa do indivíduo para os povos. Os leitores eram gentios, e Paulo lembra o que isso significava: sem Cristo, fora da comunidade de Israel, estranhos às alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo (2.12). Os que estavam longe foram trazidos para perto pelo sangue de Cristo.

Ele é a nossa paz: de dois povos fez um, derrubando o muro de separação (2.14). A imagem lembra a barreira que, no templo de Jerusalém, impedia os não judeus de passar do pátio externo; o próprio Paulo foi preso sob a acusação de ter levado além dela um efésio, Trófimo (Atos 21.28-29). Na cruz, Cristo criou dos dois um só homem novo e reconciliou ambos com Deus num só corpo.

O resultado é dito com três imagens seguidas. Os gentios já não são estrangeiros, são concidadãos dos santos. São família de Deus. E são pedras de um edifício assentado sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, com Cristo como pedra angular, que cresce para ser templo santo (2.19-22).

No capítulo 3, Paulo dá nome a isso: é o mistério, oculto em outras gerações e agora revelado, de que os gentios são coerdeiros e membros do mesmo corpo (3.6). Ele, que se chama o menor de todos os santos, recebeu a tarefa de anunciá-lo. A metade doutrinal termina de joelhos: Paulo pede que os leitores, enraizados no amor, compreendam a largura, o comprimento, a altura e a profundidade, e conheçam o amor de Cristo, que ultrapassa o conhecimento (3.14-19).

Sete vezes um só

A segunda metade começa pela unidade, que é a consequência direta do muro derrubado. Paulo pede humildade, mansidão e paciência, e sustenta o pedido numa lista:

  • um só corpo e um só Espírito;
  • uma só esperança;
  • um só Senhor, uma só fé, um só batismo;
  • um só Deus e Pai de todos (4.4-6).

Unidade não é uniformidade. Cristo distribuiu dons diferentes: uns como apóstolos, outros como profetas, evangelistas, pastores e mestres (4.11). A função deles é preparar os demais para o serviço, até que o corpo chegue à maturidade e deixe de ser como crianças levadas por qualquer vento de doutrina. O método é dito em quatro palavras: a verdade em amor (4.15).

Roupa velha, roupa nova

A conduta é descrita como troca de roupa: despir o homem velho, que se corrompe, e vestir o novo, criado segundo Deus (4.22-24). Paulo desce logo ao concreto, sempre no mesmo formato, o que largar e o que pôr no lugar. Deixar a mentira e falar a verdade. Não deixar o sol se pôr sobre a ira. Quem furtava passa a trabalhar, para ter o que repartir. Da boca, só a palavra que edifica (4.25-29).

O capítulo 5 muda a imagem para a luz. Outrora éreis trevas, agora sois luz no Senhor (5.8). O trecho inclui o que parece um fragmento de hino, desperta, tu que dormes (5.14), e uma oposição: não se embriagar com vinho, e sim encher-se do Espírito, com salmos, hinos e cânticos (5.18-19).

Dentro de casa

A vida nova é levada para dentro de casa, em três pares. A frase que abre o conjunto vale para todos: sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo (5.21).

A parte mais longa é a do casamento. A esposa é chamada a ser submissa ao marido como a igreja a Cristo. O marido recebe a exigência maior: amar como Cristo amou a igreja e se entregou por ela (5.25), cuidar da esposa como do próprio corpo. Paulo cita Gênesis, os dois serão uma só carne, e declara que esse mistério é grande e se refere a Cristo e à igreja (5.31-32).

Os filhos devem obedecer, com apoio no mandamento de honrar pai e mãe; os pais não devem provocar os filhos à ira (6.1-4). Os servos devem servir como a Cristo, e os senhores ouvem que o Senhor de uns e de outros está no céu e não faz diferença entre pessoas (6.5-9). Nos três pares, o lado mais forte também recebe ordem.

A armadura de quem fica de pé

O último bloco chama a carta de volta aos lugares celestiais. A luta não é contra carne e sangue, e sim contra principados e forças espirituais do mal (6.12). Para ela, Paulo descreve o equipamento de um soldado, peça por peça:

  • o cinto da verdade;
  • a couraça da justiça;
  • os pés calçados com a prontidão do evangelho da paz;
  • o escudo da fé, que apaga os dardos inflamados;
  • o capacete da salvação;
  • a espada do Espírito, que é a palavra de Deus (6.14-17).

O verbo que domina o trecho é ficar firme. E a armadura vem ligada à oração, em todo tempo e por todos; Paulo pede uma para si: que lhe seja dada a palavra para anunciar com coragem o mistério (6.18-20). Depois apresenta Tíquico e se despede com paz e graça.

A mesma igreja, uma geração adiante

Efésios dá ao Novo Testamento a sua visão mais larga da igreja: um corpo, um templo, uma esposa, e o lugar onde a reconciliação de todas as coisas começa a aparecer. A carta termina desejando graça a todos os que amam o Senhor Jesus com amor que não se apaga (6.24).

A cidade volta a receber uma carta no Apocalipse, a primeira das sete enviadas às igrejas da Ásia. O elogio é grande: trabalho, perseverança, zelo contra os falsos apóstolos. A queixa é uma só, e conversa com aquela última linha de Paulo: abandonaste o teu primeiro amor (Apocalipse 2.4).

Os pontos centrais

  1. A divisão em duas metades: capítulos 1 a 3, o que Deus fez em Cristo; capítulos 4 a 6, como andar de modo digno desse chamado.
  2. A salvação pela graça, mediante a fé, como dom de Deus e não resultado de obras, seguida das boas obras para as quais fomos criados (2.8-10).
  3. Cristo como a paz que derruba o muro de separação e faz de judeus e gentios um só homem novo (2.14-16).
  4. A igreja descrita como corpo de que Cristo é a cabeça, como templo em construção e como esposa (1.22-23; 2.21; 5.25-32).
  5. A lista dos sete um só: corpo, Espírito, esperança, Senhor, fé, batismo e Deus e Pai de todos (4.4-6).
  6. As seis peças da armadura de Deus, do cinto da verdade à espada do Espírito, que é a palavra de Deus (6.14-17).

Leituras que se afastam do texto

Se a salvação é pela graça, as boas obras não têm importância

A frase mais citada da carta diz que a salvação é dom de Deus e não vem de obras, para que ninguém se glorie (2.8-9). O versículo seguinte completa: somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras que Deus preparou de antemão (2.10). As obras não são a causa da salvação, são o seu destino. O engano nasce de parar a leitura no versículo 9.

A armadura de Deus serve para enfrentar as pessoas que atacam a fé

Antes de listar as peças, o texto define o adversário: a luta não é contra carne e sangue, e sim contra principados, potestades e forças espirituais do mal (6.12). Nenhuma pessoa é apontada como inimiga. As peças são verdade, justiça, evangelho da paz, fé, salvação e palavra de Deus, e a ordem que se repete é ficar firme, não avançar sobre alguém (6.13-14).

Efésios só fala de submissão para a esposa

O trecho começa com uma ordem a todos: sujeitai-vos uns aos outros no temor de Cristo (5.21). A instrução à esposa ocupa três versículos; a instrução ao marido ocupa nove e pede mais: amar como Cristo amou a igreja e se entregou por ela, cuidar dela como do próprio corpo (5.25-33). Quem cita só o versículo 22 corta a frase que o introduz e a parte mais longa.

Paulo escreveu Efésios para corrigir problemas da igreja de Éfeso

A carta não cita nenhum problema local, nenhum adversário e nenhum nome além do portador, Tíquico, embora Paulo tenha passado cerca de três anos em Éfeso (Atos 20.31). Alguns dos manuscritos mais antigos nem trazem as palavras em Éfeso no primeiro versículo. Por isso muitos a entendem como carta para circular entre várias igrejas da região. Ela expõe, não apaga incêndio.

Perguntas para estudo

8 perguntas

Em que situação Paulo está quando escreve Efésios?
Está preso: chama a si mesmo de prisioneiro de Cristo Jesus e de embaixador em cadeias (3.1; 6.20).
Que expressão se repete três vezes na bênção de abertura?
Para louvor da sua glória, que fecha cada uma das três partes da bênção, com pequena variação na primeira (1.6, 12, 14).
O que é o mistério revelado a Paulo, segundo o capítulo 3?
Que os gentios são coerdeiros, membros do mesmo corpo e participantes da promessa em Cristo (3.6).
Quais dons Cristo deu à igreja em Efésios 4.11?
Apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres, para preparar os santos para o serviço.
Que conselho a carta dá sobre a ira?
Irai-vos e não pequeis; que o sol não se ponha sobre a vossa ira (4.26).
Que texto do Antigo Testamento é citado no trecho sobre o casamento?
Gênesis 2.24, os dois serão uma só carne, que Paulo aplica a Cristo e à igreja (5.31-32).
Qual é o mandamento que Efésios chama de primeiro com promessa?
Honra teu pai e tua mãe, lembrado na instrução dirigida aos filhos (6.2).
Qual é a única peça de ataque da armadura de Deus?
A espada do Espírito, que o texto identifica com a palavra de Deus (6.17).
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Débora Arantes

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