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Resumo de 2 Coríntios

Por Débora Arantes 13 min de leitura

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Em 30 segundos

Entre as duas cartas a Corinto, quase tudo deu errado: uma visita que terminou em tristeza, uma ofensa dentro da comunidade, uma carta escrita entre lágrimas. Quando Tito volta com a notícia de que a igreja se arrependeu, Paulo escreve da Macedônia, aliviado. Os sete primeiros capítulos explicam o seu ministério: um tesouro carregado em vasos de barro, a serviço da reconciliação que Deus fez em Cristo. Os capítulos 8 e 9 organizam a coleta para os pobres de Jerusalém. Nos quatro últimos o tom endurece. Diante de pregadores que se recomendavam a si mesmos, Paulo se defende com o que tem de menos glorioso, açoites, naufrágios e um espinho na carne, e chega à frase que resume a carta: quando sou fraco, então é que sou forte.

Três colunas em sequência com as partes de 2 Coríntios: a reconciliação com a igreja, a coleta para Jerusalém e a defesa do apostolado
Imagem: resumode.com.br

O que aconteceu depois da primeira carta

1 Coríntios não resolveu a situação. O que veio depois se reconstrói pelas alusões desta segunda carta. Paulo fez a Corinto uma visita que acabou em tristeza (2.1). Alguém da comunidade o ofendeu, e a igreja não reagiu. Ele tinha prometido voltar, desistiu para não repetir a cena e, no lugar da visita, mandou uma carta escrita com muita aflição e muitas lágrimas (2.4). Essa carta não foi conservada.

Tito foi a Corinto, e Paulo ficou esperando por ele. Em Trôade havia trabalho aberto, mas ele não teve sossego por não encontrar Tito e seguiu para a Macedônia. Ali, enfim, Tito chega com a notícia: os coríntios se entristeceram, puniram o ofensor e desejam rever o apóstolo (7.5-7).

2 Coríntios é escrita nesse momento, com Timóteo, provavelmente no ano seguinte ao da primeira. É a carta em que Paulo mais fala de si. Não por gosto: precisa explicar que tipo de apóstolo é, a uma igreja que tinha duvidado dele.

O consolo de quem quase morreu

A abertura bendiz o Deus de toda consolação, que consola na tribulação para que o consolado possa consolar outros (1.3-4). Paulo sabe do que fala. Na província da Ásia, passou por um aperto além das forças, a ponto de desesperar da própria vida, e aprendeu a confiar no Deus que ressuscita os mortos (1.8-9).

Depois explica a mudança de planos. Tinham-no acusado de dizer sim e não ao mesmo tempo. Ele responde que não veio para poupá-los (1.23), e que em Cristo todas as promessas de Deus têm o seu sim.

Sobre o ofensor, pede que a punição pare. A pena imposta pela maioria já basta; agora é hora de perdoar e consolar, para que o homem não seja engolido pela tristeza e para que Satanás não leve vantagem (2.6-11).

Uma carta escrita em corações

Em 2.14 começa uma longa explicação do ministério apostólico, que vai até o capítulo 7. Deus conduz os apóstolos como num cortejo e espalha por meio deles o perfume do conhecimento de Cristo.

Outros pregadores chegavam a Corinto com cartas de recomendação. Paulo diz que não precisa delas: vós sois a nossa carta, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em corações (3.2-3).

A imagem das tábuas leva à comparação entre as duas alianças. A antiga foi gravada em letras sobre pedra, e mesmo assim veio com tanta glória que o rosto de Moisés brilhava, como narra Êxodo no capítulo 34. A nova é do Espírito e tem glória maior, porque permanece. A letra mata, o Espírito dá vida (3.6). Moisés cobria o rosto com um véu; quem se volta para o Senhor tem o véu retirado, e onde está o Espírito do Senhor há liberdade (3.16-17).

Tesouro em vasos de barro

Um ministério tão glorioso é exercido por gente frágil, e Paulo vê nisso um propósito. Temos este tesouro em vasos de barro, para que se veja que o poder vem de Deus (4.7). Segue uma série de contrastes: atribulados, mas não esmagados; perplexos, mas não desesperados; perseguidos, mas não abandonados; derrubados, mas não destruídos (4.8-9).

O que sustenta é a esperança. O homem exterior se desgasta, o interior se renova a cada dia. A tribulação de agora é leve e passageira diante do peso eterno de glória. O corpo é uma tenda que se desfaz, e há da parte de Deus uma casa eterna. Por enquanto, anda-se por fé, e não pelo que se vê (5.7), e todos comparecerão diante do tribunal de Cristo.

Embaixadores de Cristo

O trecho mais denso da carta está no fim do capítulo 5. O amor de Cristo impele: um morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si. Quem está em Cristo é nova criatura; o que era antigo passou (5.17).

Tudo isso vem de Deus, que em Cristo reconciliava o mundo consigo e confiou aos apóstolos a palavra da reconciliação. Eles são embaixadores, e o pedido é feito em nome de Cristo: reconciliai-vos com Deus (5.20). O fundamento cabe num versículo: aquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nele nos tornássemos justiça de Deus (5.21).

Paulo apresenta então as credenciais do embaixador, e são açoites, prisões, vigílias e jejuns, ao lado de pureza, paciência e amor sem fingimento. Tidos por pobres, enriquecem a muitos; nada têm e possuem tudo (6.10). Ele pede que os coríntios alarguem o coração como ele alargou o seu, e que não se ponham em jugo desigual com os que não creem.

O capítulo 7 retoma a chegada de Tito. A carta severa doeu, e Paulo não se arrepende de tê-la enviado, porque a dor produziu mudança. Há uma tristeza segundo Deus, que leva ao arrependimento, e uma tristeza do mundo, que leva à morte (7.10).

A coleta para os pobres de Jerusalém

Refeita a confiança, Paulo retoma um projeto antigo: a ajuda das igrejas gentias aos cristãos pobres de Jerusalém. Corinto tinha começado no ano anterior e precisava concluir o que começou (8.10-11).

O argumento não usa ordem. Usa exemplos. As igrejas da Macedônia, em extrema pobreza, deram além do que podiam e pediram como favor o direito de participar. E o próprio Cristo, sendo rico, se fez pobre por causa deles (8.9). A meta é a igualdade: a fartura de uns supre agora a falta de outros, como no maná, em que nada sobrou a quem colheu muito nem faltou a quem colheu pouco.

Paulo cuida também da lisura. Tito e dois irmãos enviados pelas igrejas levarão a oferta, para que ninguém possa levantar suspeita sobre a administração do dinheiro (8.20-21). O capítulo 9 fecha com a imagem da semeadura: quem semeia pouco colhe pouco, cada um dê o que decidiu no coração, porque Deus ama quem dá com alegria (9.7).

O discurso do insensato

No capítulo 10 a voz muda de repente, da gratidão para o combate. A mudança é tão brusca que muitos estudiosos veem aqui parte de outra carta; o texto foi transmitido como um só.

Havia chegado a Corinto um grupo de pregadores que se comparavam com Paulo e o diminuíam: as cartas dele são duras e fortes, diziam, mas a presença é fraca e a palavra não vale nada (10.10). Paulo os chama, com ironia, de superapóstolos, e sem ironia de falsos apóstolos, lembrando que o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz (11.14). Até o fato de ter pregado de graça em Corinto ele precisa justificar (11.7).

Já que a igreja admira quem se gloria, ele aceita o jogo e avisa que fala como insensato. São hebreus? Também eu. São servos de Cristo? Ele o é mais, e a prova é uma lista de derrotas: cinco vezes recebeu dos judeus quarenta açoites menos um, três vezes foi batido com varas, uma vez apedrejado, três vezes naufragou; perigos em rios, em cidades, no deserto, no mar; fome, frio e, todos os dias, a preocupação com todas as igrejas (11.24-28). A façanha que conta em seguida é uma fuga: descido num cesto pela muralha de Damasco.

Fala também de visões, e com evidente relutância. Um homem em Cristo foi arrebatado ao terceiro céu e ouviu o que não se pode repetir. Para que não se exaltasse, recebeu um espinho na carne. Três vezes pediu ao Senhor que o tirasse, e a resposta foi: a minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza (12.9). Daí a conclusão de todo o discurso: quando sou fraco, então é que sou forte (12.10).

A terceira visita

A carta termina olhando para a frente. Paulo irá a Corinto pela terceira vez. Não quer os bens deles, quer a eles, como pais que ajuntam para os filhos (12.14). Teme encontrar discórdia e pecados não abandonados, e avisa que desta vez não poupará. Antes disso, pede que cada um se examine para ver se está na fé (13.5), e explica por que escreve de longe: para não ter de usar com dureza uma autoridade que recebeu para edificar, e não para destruir.

A última linha é uma bênção em três nomes, a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo, repetida até hoje no culto cristão. A coleta foi concluída. Na carta aos Romanos, escrita pouco depois, Paulo conta que a Macedônia e a Acaia, região de Corinto, fizeram a sua oferta para os pobres de Jerusalém.

Os pontos centrais

  1. A carta nasce de uma crise: Paulo desistiu de uma visita para poupar a igreja e mandou em seu lugar uma carta entre lágrimas (1.23; 2.4).
  2. O contraste entre a letra, gravada em pedra, e o Espírito, que escreve nos corações, define o ministério da nova aliança (3.3-6).
  3. O tesouro em vasos de barro (4.7): a fraqueza do mensageiro mostra que o poder extraordinário vem de Deus, e não dele.
  4. O centro doutrinário está em 5.17-21: nova criatura, Deus reconciliando o mundo em Cristo, e os apóstolos como embaixadores.
  5. Os capítulos 8 e 9 fundam a coleta no exemplo de Cristo, que, sendo rico, se fez pobre para que outros se enriquecessem com a sua pobreza (8.9).
  6. A resposta ao espinho na carne, a minha graça te basta (12.9), é a chave da defesa que Paulo faz do seu apostolado.

Leituras que se afastam do texto

O espinho na carne de Paulo era uma doença nos olhos

O texto não diz o que era. Paulo fala de um espinho na carne, um mensageiro de Satanás para esbofeteá-lo, dado para que não se enchesse de orgulho pelas revelações; pediu três vezes que fosse afastado e ouviu que a graça lhe bastava (12.7-9). Doença dos olhos, epilepsia, perseguidores: são hipóteses de leitores. O silêncio do texto mantém o foco na resposta, e não no mal.

Deus ama quem dá com alegria é um versículo sobre o dízimo

A frase está em 9.7 e trata da coleta para os cristãos pobres de Jerusalém, assunto dos capítulos 8 e 9. Não há porcentagem nem obrigação: cada um dê conforme decidiu no coração, não com tristeza nem por constrangimento. Paulo chega a dizer que não fala como quem dá ordem (8.8). A palavra dízimo não aparece em nenhuma das duas cartas aos coríntios.

A letra mata quer dizer que não se deve levar o texto ao pé da letra

Em 3.6, letra não é o sentido literal de uma frase. É a lei escrita em tábuas de pedra, o ministério de Moisés, que Paulo compara com o ministério do Espírito, escrito nos corações. O capítulo inteiro contrasta as duas alianças, uma que condena e outra que justifica, e termina no véu que cobria o rosto de Moisés. Como regra de interpretação, a frase diz o que Paulo não disse.

Paulo conta a subida ao terceiro céu para provar que é maior que os rivais

Ele conta a contragosto e em terceira pessoa: conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado (12.2). Não descreve o que viu, diz que ouviu palavras que não é permitido repetir e passa logo ao espinho, dado para que não se exaltasse. A conclusão vai na direção contrária da vanglória: de boa vontade me gloriarei nas minhas fraquezas (12.9).

Perguntas para estudo

8 perguntas

De que região Paulo escreve 2 Coríntios?
Da Macedônia, para onde foi ao não encontrar Tito em Trôade (2 Coríntios 2.12-13).
Como Paulo chama Deus na abertura da carta?
Pai das misericórdias e Deus de toda consolação, que consola em toda tribulação (1.3-4).
O que a igreja deve fazer com o homem que causou a tristeza?
Perdoar e consolar, para que ele não seja consumido por tristeza excessiva (2.6-8).
Por que Moisés punha um véu sobre o rosto, segundo o capítulo 3?
Para que os israelitas não fixassem os olhos no fim de um brilho que era passageiro (3.13).
O que acontece com quem está em Cristo, segundo 2 Coríntios 5.17?
É nova criatura: as coisas antigas passaram, e eis que tudo se fez novo.
Que igrejas Paulo dá como exemplo de generosidade?
As da Macedônia, que deram além das suas posses, em meio a profunda pobreza (8.1-3).
Como Paulo escapou de Damasco?
Descido num cesto por uma janela da muralha, fugindo do governador do rei Aretas (11.32-33).
Como termina a carta?
Com uma bênção que reúne a graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo.
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Débora Arantes

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