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Resumo da carta aos Romanos

Por Débora Arantes 12 min de leitura

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Em 30 segundos

Paulo escreve a uma comunidade que não fundou nem visitou, e por isso expõe com ordem o evangelho que prega. A tese vem logo: o evangelho é poder de Deus para salvar todo aquele que crê, e nele se revela a justiça de Deus, pois o justo viverá pela fé (Romanos 1.16-17). O argumento tem quatro passos. Judeus e gentios estão igualmente sob o pecado. Deus justifica de graça, pela fé em Jesus Cristo, como fez com Abraão. Quem foi justificado vive uma vida nova, livre da condenação e conduzida pelo Espírito. Israel, que em grande parte não creu, não foi rejeitado, e os gentios são ramos enxertados na sua oliveira. Os capítulos finais mostram o que isso muda na vida comum da comunidade.

Quatro blocos com os passos do argumento de Romanos: todos sob o pecado, justificados pela fé, a pergunta sobre Israel e a vida da comunidade
Imagem: resumode.com.br

Carta a uma igreja que Paulo não conhecia

A maioria das outras cartas de Paulo responde a problemas de comunidades que ele fundou. Esta é diferente. Em Roma já havia cristãos, de origem judaica e gentia, e Paulo nunca tinha estado lá. Ele escreve de passagem pela Grécia, no fim das viagens contadas em Atos, provavelmente em Corinto, por volta do ano 57.

Os planos estão no capítulo 15. Paulo considera encerrado o seu trabalho no Oriente. Vai a Jerusalém entregar a coleta que as igrejas da Macedônia e da Acaia fizeram para os pobres de lá, e depois quer seguir para a Espanha, passando por Roma. A carta o apresenta antes da chegada. Como não tem crise local a resolver, expõe o seu evangelho do começo ao fim, e o resultado é o texto mais ordenado que ele deixou.

A tese cabe em dois versículos. O evangelho é poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego; nele se revela a justiça de Deus, de fé em fé, como está escrito em Habacuque: o justo viverá pela fé (1.16-17).

Ninguém fica de fora da acusação

Antes da boa notícia, o diagnóstico. Paulo começa pelos gentios. Deus se dá a conhecer pelas coisas criadas, de modo que são indesculpáveis; mas trocaram a glória do Deus imortal por imagens, e Deus os entregou aos próprios desejos. Segue uma lista longa de desordens (1.18-32).

O leitor judeu que aplaudia é surpreendido no capítulo 2: tu, que julgas, fazes as mesmas coisas. Ter a lei não basta, é preciso cumpri-la, e a circuncisão que conta é a do coração. Há gentios que, sem a lei, fazem o que ela manda, porque a trazem escrita por dentro.

A conclusão junta os dois grupos com uma série de citações, quase todas dos Salmos: não há justo, nem um sequer (3.10). A lei não resolve o problema, apenas o torna visível: pela lei vem o conhecimento do pecado (3.20).

Justificados de graça

No versículo 3.21 a carta vira com duas palavras: mas agora. A justiça de Deus se manifestou sem a lei, embora a lei e os profetas deem testemunho dela. Todos pecaram e estão privados da glória de Deus, e todos são justificados gratuitamente, pela graça, por meio da redenção que há em Cristo Jesus (3.23-24). Justificar é termo de tribunal: declarar justo. Paulo conclui que o homem é justificado pela fé, sem as obras da lei (3.28), e que por isso ninguém tem do que se gloriar.

A prova vem da própria Escritura. Gênesis diz que Abraão creu, e isso lhe foi contado como justiça. Paulo pergunta quando: antes ou depois da circuncisão? Antes. Logo, Abraão é pai de todos os que creem, circuncidados ou não (4.9-12). Ele creu contra toda esperança, velho e com Sara estéril, e a mesma fé é pedida de quem crê naquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos.

Adão e Cristo

O capítulo 5 mede o alcance do que foi dado. Justificados pela fé, temos paz com Deus (5.1). A prova do amor é que Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores (5.8).

Paulo então põe duas figuras lado a lado. Por um só homem, Adão, o pecado entrou no mundo, e pelo pecado a morte, que passou a todos. Por um só homem, Jesus Cristo, vêm a graça e a vida. A comparação não é entre iguais: onde o pecado abundou, a graça superabundou (5.20).

Morrer com Cristo, lutar consigo mesmo

A frase anterior provoca uma objeção, e Paulo a formula por conta própria: vamos então continuar no pecado, para que a graça aumente? De modo nenhum (6.1-2). Quem foi batizado em Cristo foi batizado na sua morte, sepultado com ele, para andar em novidade de vida. Mudou de senhor: era escravo do pecado, agora serve à justiça.

O capítulo 7 trata da lei. Ela é santa, e o mandamento é santo, justo e bom (7.12). O problema é que o pecado se aproveita dela. Paulo descreve a divisão de quem conhece o bem e não o realiza: não faço o bem que quero, mas o mal que não quero (7.19). O trecho termina num grito, quem me livrará deste corpo de morte?, e numa ação de graças a Deus por Jesus Cristo.

Nenhuma condenação

O capítulo 8 é a resposta, e o ponto mais alto da carta. Agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus (8.1). O que a lei não conseguiu, Deus fez enviando o Filho, e a vida passa a ser conduzida pelo Espírito. Os que são guiados por ele são filhos e clamam: Aba, Pai. Se são filhos, são herdeiros.

A esperança inclui o mundo inteiro. A criação geme como em dores de parto, à espera de ser libertada; os fiéis gemem com ela, e o Espírito intercede com gemidos que palavras não dizem (8.22-26).

O final é uma sequência de perguntas sem adversário à altura. Se Deus é por nós, quem será contra nós? Quem acusará, quem condenará, quem separará? Nem morte nem vida, nem presente nem futuro, nem altura nem profundidade poderão nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus (8.38-39).

A oliveira e os ramos

Fica uma pergunta que Paulo não pode evitar. Se o evangelho cumpre as promessas feitas a Israel, por que a maior parte de Israel não creu? A palavra de Deus falhou? Ele abre o assunto com dor: aceitaria ser separado de Cristo em favor dos seus irmãos de sangue (9.3).

A resposta ocupa três capítulos e avança por etapas:

  • a promessa nunca dependeu só da descendência física: nem todos os que vêm de Israel são Israel (9.6), e Deus é livre como o oleiro diante do barro;
  • Israel buscou a justiça pelas obras e tropeçou; a palavra, porém, está perto, e todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo (10.13), frase tomada de Joel;
  • Deus não rejeitou o seu povo: há um resto, e o próprio Paulo é israelita (11.1-5).

A imagem final é uma oliveira. Alguns ramos naturais foram cortados; os gentios, ramos de oliveira brava, foram enxertados no lugar e se alimentam da mesma raiz. Não têm de que se orgulhar, e os ramos naturais podem ser enxertados de novo. Paulo anuncia que todo o Israel será salvo (11.26) e encerra com um hino: ó profundidade da riqueza, da sabedoria e do conhecimento de Deus (11.33).

O sacrifício de todos os dias

A palavra portanto, em 12.1, liga a doutrina à prática. Diante de tanta misericórdia, o culto é oferecer o próprio corpo como sacrifício vivo e deixar-se transformar pela renovação da mente.

O que isso significa vem em frases curtas. A comunidade é um só corpo com muitos membros e dons diferentes. O amor é sem fingimento; abençoa-se quem persegue; não se paga o mal com o mal, vence-se o mal com o bem (12.21). Às autoridades se deve respeito e imposto (13.1-7), e a ninguém se deve nada, a não ser o amor, que é o cumprimento da lei (13.8-10).

Os capítulos 14 e 15 tratam de uma tensão real em Roma: uns comem de tudo, outros só legumes; uns guardam certos dias, outros não. Paulo não manda uniformizar. Os fortes não devem desprezar, os fracos não devem julgar, e ninguém deve fazer o irmão tropeçar por causa de comida. A regra é acolher uns aos outros como Cristo acolheu (15.7).

Vinte e tantos nomes no último capítulo

A carta mais doutrinária de Paulo termina numa lista de pessoas. Febe, da igreja de Cencreia, é recomendada aos romanos. Priscila e Áquila, que arriscaram a vida por ele, recebem a primeira saudação, junto com a igreja que se reúne na casa deles. Seguem mais de vinte nomes, homens e mulheres, judeus e gentios, e até o escriba se apresenta: eu, Tércio, que escrevi esta carta.

A lista mostra o que os quinze capítulos anteriores afirmam: um só povo, formado de gente diferente, na mesma mesa. O vocabulário daqui, justiça, fé, graça, lei, volta em tom mais áspero na carta aos Gálatas, escrita no calor de uma crise. Em Romanos, o mesmo evangelho é exposto com calma, a quem ainda ia conhecer o autor.

Os pontos centrais

  1. A tese da carta está em Romanos 1.16-17: o evangelho é poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, e o justo viverá pela fé.
  2. O diagnóstico de 1.18 a 3.20 termina sem exceções: judeus e gentios pecaram e estão privados da glória de Deus (3.23).
  3. A justificação é dada de graça, pela fé, sem as obras da lei (3.24-28), e Abraão, que creu antes de ser circuncidado, é a prova (4).
  4. O paralelo entre Adão e Cristo (5.12-21): por um entrou o pecado e a morte; pelo outro, a graça que superabunda e a vida.
  5. O capítulo 8 vai de nenhuma condenação (8.1) a nada nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus (8.39).
  6. A imagem da oliveira (11.17-24): ramos naturais cortados, ramos bravos enxertados, e a raiz que sustenta os dois.

Leituras que se afastam do texto

Paulo fundou a igreja de Roma

A carta diz o contrário. Paulo afirma que muitas vezes quis ir a Roma e foi impedido (1.13; 15.22), e apresenta a visita como plano para depois da viagem a Jerusalém. A comunidade já existia e tinha fé conhecida em toda parte (1.8). O engano vem da importância da carta e de Atos terminar com Paulo em Roma, aonde ele chega anos depois, como prisioneiro.

Se a salvação é pela graça, tanto faz como a pessoa vive

Paulo levanta essa objeção por conta própria e a rejeita: permaneceremos no pecado para que a graça aumente? De modo nenhum (6.1-2). O capítulo 6 explica que o batizado morreu para o pecado com Cristo e passou a servir à justiça. A conclusão nasce de ler os capítulos 3 a 5 e parar ali, sem os capítulos 6 a 8 e sem a parte prática, do 12 em diante.

Tudo coopera para o bem de todo mundo

O versículo tem destinatário: todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, dos que são chamados segundo o seu propósito (8.28). E o contexto não promete vida sem dor. O mesmo capítulo fala dos sofrimentos do tempo presente, da criação que geme e de tribulação, fome e espada (8.18-35). A frase solta, citada como otimismo geral, perde as duas coisas.

Em Romanos, Deus rejeitou Israel e pôs a Igreja no lugar

Paulo faz exatamente essa pergunta e responde: acaso Deus rejeitou o seu povo? De modo nenhum (11.1). Ele fala de um endurecimento parcial, de um resto que creu e de ramos que podem ser enxertados de novo, e afirma que os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis (11.29). Aos gentios, avisa que não se gloriem: não és tu que sustentas a raiz, é a raiz que te sustenta (11.18).

Perguntas para estudo

8 perguntas

Que versículo de profeta Paulo cita na tese da carta?
Habacuque 2.4, o justo viverá pela fé, citado em Romanos 1.17.
Que frase de Gênesis sobre Abraão sustenta o capítulo 4?
Abraão creu em Deus, e isso lhe foi contado como justiça (Gênesis 15.6).
O que Romanos 6.23 opõe ao salário do pecado?
O salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus.
Com que palavra o Espírito faz os filhos clamarem a Deus?
Aba, Pai, porque receberam um espírito de filhos adotivos, e não de escravos (Romanos 8.15).
O que Romanos 10.9 pede para a salvação?
Confessar com a boca que Jesus é Senhor e crer no coração que Deus o ressuscitou dos mortos.
Como Paulo pede que os cristãos ofereçam o próprio corpo?
Como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, sem se conformar com este mundo (Romanos 12.1-2).
Quem Paulo recomenda aos romanos na abertura do capítulo 16?
Febe, que servia à igreja de Cencreia, porto de Corinto, e tinha ajudado muitos, inclusive Paulo.
Para onde Paulo pretendia ir depois de passar por Roma?
Para a Espanha, esperando ser ajudado pelos romanos nessa viagem (Romanos 15.24).
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Débora Arantes

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