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Resumo da carta a Filemom

Por Débora Arantes 10 min de leitura

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Em 30 segundos

Onésimo, escravo de um cristão chamado Filemom, afastou-se da casa do seu senhor, encontrou Paulo na prisão e ali abraçou a fé. A carta acompanha a sua volta. Em 25 versículos, Paulo elogia o amor de Filemom, renuncia ao direito de dar ordens e pede por aquele que chama de meu filho e meu próprio coração. O pedido é que Onésimo seja recebido não mais como escravo, mas como irmão amado (v. 16), do mesmo modo que o próprio apóstolo seria recebido. Qualquer prejuízo fica por conta de Paulo, que assina a promessa de próprio punho: eu pagarei. A carta é lida diante da igreja que se reúne na casa de Filemom e termina com Paulo confiante de que ele fará ainda mais do que foi pedido.

Duas colunas ligadas por setas mostram Onésimo antes e na volta, em quatro pares tirados da carta a Filemom, de inútil a útil e de escravo a irmão amado
Imagem: resumode.com.br

Três homens e uma casa

A carta tem três personagens. Paulo está preso. Não diz onde; a tradição pensa em Roma, onde Atos o mostra em prisão domiciliar, recebendo quem o procurava. Filemom é um cristão de posses, dono de uma casa grande o bastante para abrigar as reuniões de uma igreja, e deve a fé ao próprio Paulo (v. 19). Onésimo é escravo dessa casa.

O que aconteceu entre eles só se conhece pelas frestas do texto. Onésimo esteve separado do seu senhor, chegou até Paulo e, na prisão, tornou-se cristão. Paulo o chama de filho. Agora o envia de volta, com esta carta.

A cidade não é nomeada. Colossenses ajuda: ali Onésimo é apresentado como um dos vossos e viaja com Tíquico, e Arquipo recebe um recado (Colossenses 4.9, 17). Por isso se situa a casa de Filemom em Colossos, na Ásia.

O que significava voltar

Para medir o pedido, é preciso lembrar o que era um escravo no mundo romano. Pela lei, era propriedade. Podia ser comprado, vendido, herdado e castigado pelo senhor, e pouco podia fazer contra ele. Ninguém era escravo por causa da cor da pele: chegava-se a essa condição pela guerra, pelo nascimento de mãe escrava, pelo abandono na infância. Havia escravos no campo e nas minas, e havia escravos que administravam os negócios da casa e ensinavam os filhos do dono.

O escravo que deixava a casa sem licença ficava em posição muito arriscada. O senhor podia açoitá-lo, marcá-lo, vendê-lo para trabalho pesado. Quem o abrigasse respondia por isso. A alforria existia e não era rara, mas dependia da vontade do senhor, e o liberto continuava ligado a ele por obrigações.

É nesse quadro que Onésimo bate à porta de Filemom com uma carta na mão. Tudo depende de como ela será recebida.

Lida diante de todos

Paulo começa de um jeito diferente do habitual. Não se apresenta como apóstolo, e sim como prisioneiro de Cristo Jesus. O título que vale aqui é o das algemas.

O endereço também importa. A carta vai para Filemom, o amado colaborador, para Áfia, a irmã, para Arquipo, companheiro de lutas, e para a igreja que se reúne na casa (v. 1-2). Costuma-se entender que Áfia era a esposa de Filemom, mas o texto não diz. O que ele diz é suficiente: o assunto de um senhor e seu escravo será ouvido pela comunidade inteira.

O elogio que prepara o pedido

Como nas outras cartas, vem primeiro a ação de graças. Paulo agradece pelo amor e pela fé de Filemom para com o Senhor Jesus e para com todos os santos, e pede que a comunhão dessa fé se torne eficaz (v. 4-6).

O parágrafo termina numa frase que voltará: os corações dos santos têm sido reanimados por ti, irmão (v. 7). Filemom é conhecido por aliviar os outros. Paulo vai pedir que ele faça exatamente isso mais uma vez.

Pedir em vez de mandar

O pedido começa com uma renúncia. Paulo diz que teria toda a liberdade em Cristo para ordenar o que convém, mas prefere pedir por amor, sendo quem é: Paulo, o velho, e agora também prisioneiro (v. 8-9).

Só então o nome aparece, retardado até o fim da frase: peço-te por meu filho, que gerei entre algemas, Onésimo (v. 10). E logo um jogo de palavras. Onésimo quer dizer útil. Ele antes te foi inútil, escreve Paulo, mas agora é útil a ti e a mim (v. 11).

Paulo confessa que gostaria de ficar com ele, para que o servisse na prisão em lugar de Filemom. Não quis fazer nada sem o consentimento do dono, para que o bem que ele fizesse não fosse forçado, e sim espontâneo (v. 13-14). Envia-o de volta, e define o que está enviando: o meu próprio coração (v. 12).

Mais que escravo

Os dois versículos seguintes são o centro da carta. Paulo relê a ausência de Onésimo com um talvez: talvez ele tenha sido afastado de ti por algum tempo para que o tivesses de volta para sempre (v. 15). O verbo está na voz passiva. Paulo não diz que Onésimo fugiu; sugere que outra mão conduzia a história.

E diz como ele deve ser recebido: não mais como escravo, mas como mais que escravo, como irmão amado. Amado por Paulo, e muito mais por Filemom, tanto na carne como no Senhor (v. 16). As duas expressões cobrem tudo: a vida comum da casa e a vida da igreja. A nova relação não vale só na hora do culto.

Na conta de Paulo

Vêm então os imperativos, que a carta guardou para o fim.

  • Recebe-o como a mim mesmo, se me tens por companheiro (v. 17). Paulo põe Onésimo no seu próprio lugar.
  • Põe na minha conta o dano ou a dívida, se houver (v. 18). É linguagem de contabilidade.
  • Eu pagarei, escrito de próprio punho, como quem assina uma promissória (v. 19).
  • Reanima o meu coração em Cristo (v. 20).

No meio da garantia, um lembrete dito como quem não quer dizer: para não mencionar que tu me deves a ti mesmo. Filemom também tem uma dívida, e ela não se paga em dinheiro.

A palavra coração fecha o desenho. Filemom reanima o coração dos santos (v. 7); Onésimo é o coração de Paulo (v. 12); reanimar o coração de Paulo, agora, é receber bem Onésimo (v. 20).

A última frase do pedido vai além dele: escrevo confiado na tua obediência, sabendo que farás ainda mais do que digo (v. 21). Paulo não explica o que seria esse mais. Anuncia apenas que pretende visitar a casa e pede que lhe preparem hospedagem. A carta não registra a resposta de Filemom.

Um caso com nome próprio

Outras cartas falam de senhores e escravos em regras gerais. Colossenses e Efésios orientam uns e outros, e 1 Timóteo pede aos escravos que honrem os seus donos, sobretudo quando são irmãos na fé. Gálatas afirma que em Cristo não há escravo nem livre (Gálatas 3.28).

Filemom é o único lugar em que essa frase encontra um caso concreto, com nomes, endereço e uma dívida. A carta não discute a instituição. Coloca dentro de uma casa romana um vínculo que a lei romana desconhecia, o de irmãos, e deixa que esse vínculo trabalhe. Entre os que mandam saudações estão Marcos, Demas e Lucas, os mesmos nomes que voltam, em outra hora, no final de 2 Timóteo.

Os pontos centrais

  1. A carta é dirigida a Filemom, mas também a Áfia, a Arquipo e à igreja que se reúne na casa dele (v. 1-2).
  2. Paulo abre mão de ordenar e prefere pedir por amor, apresentando-se como velho e prisioneiro de Cristo Jesus (v. 8-9).
  3. O jogo com o nome Onésimo, que significa útil: antes inútil, agora útil a Filemom e a Paulo (v. 11).
  4. O centro do pedido: receber Onésimo não mais como escravo, mas como irmão amado, na carne e no Senhor (v. 16).
  5. A garantia assinada: se ele causou dano ou deve alguma coisa, põe na minha conta; eu pagarei (v. 18-19).
  6. A confiança final de que Filemom fará ainda mais do que Paulo diz, sem que esse mais seja explicado (v. 21).

Leituras que se afastam do texto

Onésimo roubou o patrão e fugiu

A carta não usa nenhum dos dois verbos. Diz que Onésimo foi afastado de Filemom por algum tempo (v. 15) e fala do prejuízo em forma de hipótese: se ele te causou algum dano ou te deve alguma coisa (v. 18). Que ele era um fugitivo é a leitura mais antiga e combina com o cuidado de Paulo; o furto é dedução a partir da palavra dívida. O texto deixa as circunstâncias da saída sem contar.

Paulo manda Filemom dar a liberdade a Onésimo

Não há ordem de alforria na carta, e Paulo declara que não quer ordenar nada (v. 8-9, 14). O que ele pede é que Onésimo seja recebido como irmão amado e como o próprio Paulo seria (v. 16-17). A frase sei que farás ainda mais do que digo (v. 21) deixa a porta aberta, e muitos leitores veem nela a liberdade. O texto, porém, entrega a decisão a Filemom e não registra qual foi.

Filemom é um bilhete particular entre dois amigos

Timóteo assina com Paulo, e o endereço inclui Áfia, Arquipo e a igreja que se reúne na casa (v. 1-2). No fim, o pronome passa ao plural: Paulo conta com as vossas orações e deseja a graça a todos (v. 22, 25). A carta seria lida em voz alta diante da comunidade, e a resposta de Filemom teria testemunhas. O engano vem do tom pessoal e do tamanho, menor que uma página.

Perguntas para estudo

8 perguntas

Quantos versículos tem a carta a Filemom?
Vinte e cinco, num único capítulo; por isso é citada só pelo número do versículo.
Quem escreve a carta ao lado de Paulo?
Timóteo, chamado de irmão logo na primeira linha (v. 1).
Como Paulo chama Onésimo ao apresentá-lo?
Meu filho, que gerei entre algemas, e pouco adiante meu próprio coração (v. 10, 12).
O que significa o nome Onésimo?
Significa útil ou proveitoso, e Paulo brinca com esse sentido no versículo 11.
Que frase Paulo faz questão de escrever com a própria mão?
Eu, Paulo, escrevo de próprio punho: eu pagarei (v. 19).
O que Paulo pede que Filemom deixe preparado?
Um lugar de hospedagem, pois espera ser devolvido a eles graças às orações (v. 22).
Quem manda saudações no final?
Epafras, companheiro de prisão, e os colaboradores Marcos, Aristarco, Demas e Lucas (v. 23-24).
Em que outra carta Onésimo é citado?
Em Colossenses 4.9, onde é chamado de fiel e amado irmão e de um dos da cidade.
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Débora Arantes

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