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Resumo da travessia do mar Vermelho

Por Débora Arantes 11 min de leitura

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Em 30 segundos

Entre o mar à frente e os carros do faraó atrás, Israel se vê sem saída logo depois de deixar o Egito. Foi Deus quem o conduziu até ali, pelo caminho do deserto, numa coluna de nuvem e de fogo. O faraó, arrependido de ter soltado os escravos, persegue-os com seiscentos carros escolhidos. O povo se desespera, e Moisés responde: o Senhor pelejará por vós. A coluna se põe entre os dois acampamentos, Moisés estende a mão, e um forte vento oriental sopra a noite inteira e divide as águas. Israel atravessa em seco, com as águas como muro dos dois lados. Os egípcios entram atrás, e ao amanhecer o mar volta sobre eles. Na outra margem, Moisés e Miriã cantam.

A noite da travessia em duas séries lado a lado: o que acontece com Israel e o que acontece com o exército do faraó, da saída ao romper da manhã, com Êxodo 14.14 no fecho
Imagem: resumode.com.br

O caminho mais longo, por ordem de Deus

A travessia encerra a saída do Egito, logo depois de as dez pragas, e ocupa os capítulos 13 a 15 do Êxodo. O povo parte na noite da Páscoa, e o texto para um instante para explicar a rota. Havia um caminho curto para Canaã, pela terra dos filisteus. Deus não o toma, para que o povo não se arrependa ao ver a guerra e volte ao Egito (Êxodo 13.17). Faz Israel rodear pelo caminho do deserto, na direção do mar Vermelho.

Dois detalhes acompanham a partida. Moisés leva os ossos de José, cumprindo o juramento feito séculos antes. E o Senhor vai adiante do povo numa coluna de nuvem de dia e numa coluna de fogo de noite, para que possam caminhar a qualquer hora.

Acampados entre Migdol e o mar

A ordem seguinte parece um erro de estratégia. Deus manda o povo voltar e acampar diante de Pi-Hairote, entre Migdol e o mar. E explica o motivo: o faraó dirá que os filhos de Israel estão desorientados e que o deserto os encerrou. Irá atrás deles, e os egípcios saberão que eu sou o Senhor (Êxodo 14.4).

Assim acontece. Passado o susto da última praga, o faraó e os seus servos mudam de ideia: que fizemos, deixando ir Israel, para que não nos sirva? Ele apronta o seu carro, toma seiscentos carros escolhidos e todos os outros carros do Egito, e alcança o povo acampado junto ao mar.

O Senhor pelejará por vós

Os filhos de Israel levantam os olhos, veem os egípcios marchando e têm muito medo. Clamam ao Senhor e, no mesmo fôlego, acusam Moisés: não havia sepulcros no Egito, para nos tirares de lá e morrermos no deserto? Melhor seria servir aos egípcios. É a primeira das muitas queixas da caminhada.

Moisés responde com quatro frases curtas. Não temais. Ficai firmes e vede o livramento que o Senhor vos fará hoje. Os egípcios que hoje vedes, nunca mais os tornareis a ver. O Senhor pelejará por vós, e vós vos calareis (Êxodo 14.13 e 14).

A palavra de Deus a Moisés vai em outra direção, a do movimento: por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem. Levanta a tua vara, estende a mão sobre o mar e divide-o.

A noite do vento oriental

Antes de o mar se mover, move-se a coluna. O anjo de Deus, que ia à frente do acampamento, passa para trás, e a nuvem com ele. Ela se põe entre os egípcios e Israel: é escuridão para uns e clareia a noite para os outros. Durante a noite toda, um acampamento não se aproxima do outro.

Moisés estende a mão sobre o mar. O Senhor faz o mar recuar com um forte vento oriental, que sopra a noite inteira, e o fundo se torna terra seca. As águas se dividem. Os filhos de Israel entram pelo meio do mar em seco, e as águas lhes são como muro à direita e à esquerda (Êxodo 14.22).

A vigília da manhã

Os egípcios vão atrás: cavalos, carros e cavaleiros entram até o meio do mar. Na vigília da manhã, o Senhor olha para o acampamento egípcio do alto da coluna de fogo e de nuvem e o põe em confusão. Trava as rodas dos carros, que passam a avançar com dificuldade. Os soldados dizem então, com outras palavras, o que Moisés dissera na véspera: fujamos de Israel, porque o Senhor peleja por eles (Êxodo 14.25).

Moisés estende a mão outra vez. Ao romper da manhã, o mar retoma a sua força, e os egípcios fogem ao encontro dele. As águas cobrem os carros e os cavaleiros de todo o exército do faraó que tinha entrado no mar. Não fica nem um só.

Israel vê os egípcios mortos na praia. O capítulo fecha com o efeito sobre o povo que horas antes pedia para voltar: temeu ao Senhor e creu no Senhor e em Moisés, seu servo (Êxodo 14.31).

O cântico na outra margem

A prosa dá lugar à poesia. Moisés e os filhos de Israel cantam: cantarei ao Senhor, porque triunfou gloriosamente; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro (Êxodo 15.1).

A primeira parte do cântico conta a noite em imagens. O Senhor é homem de guerra. Os carros do faraó afundam como pedra, como chumbo em águas impetuosas. O inimigo dizia perseguirei, alcançarei, repartirei os despojos, e um sopro de Deus bastou. No centro está a pergunta: quem é como tu entre os deuses, ó Senhor? (Êxodo 15.11).

A segunda parte olha para a frente. Os povos do caminho ouvem e tremem: a Filístia, Edom, Moabe, os moradores de Canaã. O povo resgatado é conduzido e plantado no monte da herança de Deus, no lugar do seu santuário. O último verso é uma aclamação: o Senhor reinará eterna e perpetuamente.

Então Miriã, a profetisa, irmã de Arão, toma um tamboril. Todas as mulheres saem atrás dela com tamboris e danças, e ela lhes responde com o refrão: cantai ao Senhor, porque triunfou gloriosamente.

Um mar que a Bíblia atravessa muitas vezes

Do cântico o povo vai para o deserto de Sur, e três dias depois já reclama da água amarga de Mara. O Salmo 106 resume a sequência sem piedade: creram nas suas palavras e cantaram o seu louvor; cedo, porém, se esqueceram das suas obras.

Nenhum outro acontecimento é tão relembrado no Antigo Testamento. Quando o Jordão se abre diante da arca, em Josué, a explicação dada aos filhos é que Deus fez ali o que tinha feito ao mar Vermelho (Josué 4.23). Os Salmos voltam à cena: o mar viu e fugiu (Salmo 114.3); pelo mar foi o teu caminho, e não se conheceram as tuas pegadas (Salmo 77.19). Isaías usa a travessia para anunciar a volta do exílio: o Deus que abriu caminho no mar fará coisa nova, um caminho no deserto (Isaías 43.16 a 19).

O Novo Testamento a lê em três chaves. Paulo vê nela uma figura do batismo: todos passaram pelo mar e foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar (1 Coríntios 10.1 e 2). Hebreus a põe na lista dos atos de fé (Hebreus 11.29). E o Apocalipse mostra os vencedores de pé junto a um mar de vidro, cantando o cântico de Moisés e do Cordeiro (Apocalipse 15.3).

Os pontos centrais

  1. A razão da rota longa: evitar a terra dos filisteus, para que o povo não visse a guerra e voltasse ao Egito (Êxodo 13.17).
  2. A coluna de nuvem e de fogo, que guia o povo e, na noite da travessia, se põe entre Israel e os egípcios.
  3. A palavra de Moisés ao povo em pânico: o Senhor pelejará por vós, e vós vos calareis (Êxodo 14.14).
  4. O modo da travessia: mão estendida, vento oriental a noite inteira, terra seca e águas como muro à direita e à esquerda (Êxodo 14.21 e 22).
  5. O fecho do capítulo 14: o povo temeu ao Senhor e creu no Senhor e em Moisés, seu servo (Êxodo 14.31).
  6. O cântico de Êxodo 15, que celebra a vitória no mar e já olha para a chegada ao monte do santuário.

Leituras que se afastam do texto

Moisés bateu com o cajado na água e o mar se abriu na mesma hora

Moisés estende a mão sobre o mar, como lhe foi ordenado, e quem age é o Senhor, que faz as águas recuarem com um forte vento oriental durante toda aquela noite (Êxodo 14.21). O texto não descreve golpe na água nem abertura instantânea. A cena do cajado que bate vem da mistura com outro episódio, o da rocha que Moisés fere para dar água ao povo, e das encenações.

Os hebreus foram parar diante do mar porque erraram o caminho na fuga

O relato apresenta o lugar como escolha de Deus, e o diz duas vezes. Primeiro, ele evita o caminho curto pela terra dos filisteus (Êxodo 13.17). Depois, manda o povo voltar e acampar entre Migdol e o mar, avisando que o faraó o julgará perdido (Êxodo 14.2 e 3). A impressão de beco sem saída é a do faraó e a do povo assustado, e o narrador a desmente antes de a cena começar.

Israel atravessou correndo, com os egípcios nos calcanhares

Durante a noite inteira os dois acampamentos ficam separados. A coluna de nuvem deixa a frente do povo e se põe atrás dele, escura para um lado e clara para o outro, de modo que um não se aproxima do outro (Êxodo 14.19 e 20). Os egípcios entram no leito do mar atrás de Israel e só na vigília da manhã são postos em confusão. A perseguição corpo a corpo pertence às encenações.

O cântico do mar foi composto e cantado por Miriã

O capítulo 15 abre dizendo que Moisés e os filhos de Israel entoaram o cântico, que ocupa dezoito versículos. Miriã, apresentada como profetisa e irmã de Arão, toma o tamboril, sai à frente das mulheres com danças e lhes responde com o refrão do primeiro verso (Êxodo 15.20 e 21). O costume de chamar o poema de cântico de Miriã vem dessa cena final, a mais retratada.

Perguntas para estudo

8 perguntas

O que Moisés leva consigo ao sair do Egito, por causa de um juramento antigo?
Os ossos de José, que tinha feito os filhos de Israel jurar que os levariam (Êxodo 13.19).
Como o Senhor guia o povo no caminho do deserto?
Numa coluna de nuvem durante o dia e numa coluna de fogo durante a noite, sempre adiante dele.
Quantos carros o faraó reúne para a perseguição?
Seiscentos carros escolhidos e os demais carros do Egito, com capitães sobre todos eles.
O que o povo diz a Moisés ao ver o exército egípcio?
Pergunta se faltavam sepulcros no Egito e diz que era melhor servir aos egípcios do que morrer no deserto.
Que ordem Deus dá quando Moisés clama?
Por que clamas a mim? Dize aos filhos de Israel que marchem (Êxodo 14.15).
O que acontece com os carros egípcios no meio do mar?
O Senhor trava as rodas, e os carros avançam com dificuldade, até os egípcios quererem fugir.
Com que frase termina o cântico de Moisés?
O Senhor reinará eterna e perpetuamente, último verso do poema, antes do refrão de Miriã.
Para onde o povo segue depois do mar?
Para o deserto de Sur, onde anda três dias sem achar água, até chegar a Mara.
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Débora Arantes

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