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Resumo do Livro de Josué

Por Débora Arantes 11 min de leitura

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Em 30 segundos

Josué conta a entrada do povo na terra prometida sob o comando do sucessor de Moisés. A primeira metade é de travessia e conquista: dois espiões são escondidos por Raabe em Jericó, o povo atravessa o Jordão com a arca à frente, as muralhas de Jericó caem depois de sete dias de voltas ao redor da cidade, a desobediência de Acã provoca uma derrota em Ai, os gibeonitas conseguem um pacto por meio de um disfarce e campanhas no sul e no norte vencem coalizões de reis. A segunda metade, menos lida e igualmente importante, é a partilha da terra entre as tribos, com as cidades de refúgio e as cidades dos levitas. O livro termina com Josué reunindo o povo em Siquém e renovando a aliança.

Josué dividido em entrada, partilha e despedida, com os episódios da entrada em sequência e a partilha mostrando as tribos, as cidades de refúgio e as dos levitas
Imagem: resumode.com.br

Da promessa à posse

O Pentateuco termina com o povo olhando a terra de fora e com Moisés morto no alto do Nebo. Josué começa no dia seguinte, por assim dizer: Deus fala ao sucessor, repete a promessa e manda atravessar o Jordão.

O livro tem uma pergunta simples por trás: a terra prometida desde Abraão passa, enfim, às mãos do povo? Ele responde em três movimentos. Primeiro, entrar e tomar. Depois, dividir. Por fim, lembrar o que isso exige.

Como nos livros anteriores, a tradição associa o texto à figura de que ele trata, e o estudo moderno o descreve como obra composta ao longo do tempo. Pesquisadores discutem também a relação entre o relato e os dados arqueológicos de cidades como Jericó e Ai, com posições bem diferentes entre si.

A entrada

Raabe

Antes de atravessar, Josué envia dois espiões a Jericó. Eles se hospedam na casa de Raabe, e o rei da cidade descobre. Ela os esconde no telhado, sob feixes de linho, despista os soldados e faz um pedido: que sua família seja poupada quando a cidade cair. O sinal combinado é um cordão vermelho na janela.

A figura é importante justamente pelo que tem de inesperado. Uma estrangeira, identificada pela profissão, é quem reconhece primeiro que a terra seria entregue a Israel.

O Jordão

Na travessia, os sacerdotes entram no rio levando a arca da aliança, e as águas que desciam param, acumulando-se rio acima. O povo passa a seco. Doze homens, um por tribo, tiram do leito doze pedras, que são erguidas em Gilgal como memorial.

A cena ecoa de propósito a passagem pelo mar no Êxodo. A geração que não viu aquela travessia vê esta.

Em Gilgal, os homens nascidos no deserto são circuncidados, o povo celebra a Páscoa e, no dia seguinte, o maná cessa. A partir dali, comem do que a terra produz. O deserto terminou.

Jericó

A queda de Jericó é narrada como liturgia. Durante seis dias, o povo dá uma volta por dia ao redor da cidade, em silêncio, com sete sacerdotes tocando trombetas à frente da arca. No sétimo dia, são sete voltas. Ao último toque, o povo grita, e a muralha desaba.

A cidade é consagrada à destruição, com exceção de Raabe e de sua família, que são poupadas como prometido.

Acã e Ai

O ataque seguinte, contra a pequena cidade de Ai, fracassa. A explicação vem logo: Acã guardou para si uma capa, prata e ouro de Jericó, o que estava proibido. O caso é descoberto por sorteio, tribo por tribo, família por família, até chegar a ele, e Acã é executado. Na segunda tentativa, com uma emboscada, Ai é tomada.

O episódio mostra algo que o livro repete: a posse da terra depende da fidelidade do povo, e a falta de um afeta todos.

Logo depois, Josué ergue um altar no monte Ebal e lê a lei diante do povo, cumprindo o que Deuteronômio havia determinado.

Os gibeonitas

Os habitantes de Gibeom usam outra estratégia. Aparecem com sacos velhos, sandálias remendadas e pão seco, dizendo vir de muito longe, e pedem um tratado. Israel aceita sem consultar a Deus. Três dias depois, descobre que eram vizinhos. O juramento é mantido, e os gibeonitas passam a servir como rachadores de lenha e carregadores de água.

O sol sobre Gibeom

A aliança logo é testada. Cinco reis amorreus atacam Gibeom, e Josué marcha para defendê-la. É nessa batalha, no capítulo 10, que ele pede que o sol pare sobre Gibeom e a lua sobre o vale de Aijalom. O texto cita como fonte o Livro do Justo, uma obra poética que não se conservou.

Seguem-se as campanhas do sul e depois a do norte, contra uma coalizão liderada pelo rei de Hazor. O capítulo 12 fecha essa parte com a lista dos reis vencidos.

Em detalhe: as muralhas de Jericó.

A partilha

Do capítulo 13 ao 21, o livro muda de gênero. Em vez de narrativa, fronteiras e listas de cidades.

Ele começa com uma frase que convém guardar: Josué estava velho, e ainda restava muita terra a tomar. Ao longo da partilha aparecem, aqui e ali, cidades que determinadas tribos não conseguiram ocupar.

A distribuição tem etapas:

  • Rúben, Gade e metade de Manassés confirmam as terras a leste do Jordão, já concedidas por Moisés;
  • Calebe, o companheiro de Josué na missão dos espiões, recebe Hebrom, como lhe fora prometido;
  • Judá e os filhos de José recebem suas porções;
  • as demais tribos recebem as suas por sorteio, em Siló, onde o tabernáculo é armado;
  • são definidas as seis cidades de refúgio;
  • os levitas, que não recebem território próprio, recebem quarenta e oito cidades espalhadas entre as outras tribos.

Essa parte, que o leitor apressado pula, é a que transforma a promessa em endereço. Cada família sabe, a partir dali, onde está sua herança.

O altar e as despedidas

O capítulo 22 traz um episódio que quase vira guerra civil. As tribos da margem oriental constroem um grande altar junto ao Jordão, e as outras entendem aquilo como rompimento com o lugar único de culto. A explicação resolve a crise: o altar não era para sacrifícios, e sim uma testemunha de que também eles pertenciam ao mesmo povo.

Os dois últimos capítulos são despedidas. No capítulo 23, Josué, idoso, adverte os líderes contra misturar-se aos povos que ficaram e adotar seus deuses.

No capítulo 24, ele reúne as tribos em Siquém, relembra toda a história, de Abraão até ali, e pede que escolham a quem vão servir. A frase que ficou famosa vem desse momento: ele e sua casa serviriam ao Senhor. O povo responde que também serviria, e Josué registra a aliança e ergue uma pedra como testemunha.

O livro termina com três sepultamentos: o de Josué, aos cento e dez anos; o dos ossos de José, trazidos do Egito e enterrados em Siquém; e o de Eleazar, filho de Arão.

A promessa cumprida, e ainda aberta

Josué é o livro da promessa cumprida, e é também o livro que deixa o cumprimento em aberto. A terra foi recebida e dividida, e ao mesmo tempo ainda há território por tomar e povos por perto com outros deuses.

A pergunta de Siquém, a quem vocês vão servir, é exatamente a que o livro seguinte vai responder, e a resposta de Juízes não será a que o povo prometeu.

Os pontos centrais

  1. A estrutura em três partes: a entrada e a conquista, a partilha da terra e as despedidas de Josué.
  2. A travessia do Jordão com a arca, apresentada como paralelo da passagem pelo mar no Êxodo.
  3. A queda de Jericó e o modo como é narrada: sete dias, sete voltas no último dia, trombetas e grito.
  4. O episódio de Acã, que liga a derrota em Ai a uma desobediência individual.
  5. A tensão interna do livro entre frases que falam de conquista completa e listas de território ainda não tomado.
  6. A assembleia de Siquém e a frase de Josué sobre ele e sua casa servirem ao Senhor.

Leituras que se afastam do texto

As muralhas de Jericó caíram no primeiro toque das trombetas

O relato é construído em sete dias. Nos seis primeiros, o povo dá uma volta por dia ao redor da cidade, com sacerdotes carregando a arca e tocando trombetas. No sétimo, dá sete voltas, e só então, ao som das trombetas e do grito do povo, a muralha cai. A repetição do número sete é parte do sentido da cena, que é apresentada como obra de Deus e não como assalto militar.

Josué conquistou toda a terra de uma só vez

O próprio livro guarda as duas coisas. Há resumos que dizem que Josué tomou toda a terra, e há, logo no capítulo 13, a afirmação de que ainda restava muita terra a conquistar, além de listas de cidades que as tribos não conseguiram ocupar. Juízes começa exatamente por essa conquista incompleta. Ler só os resumos vitoriosos apaga metade do que o texto diz.

O sol parou durante a batalha de Jericó

O episódio está no capítulo 10 e acontece na defesa de Gibeom, cidade aliada atacada por cinco reis amorreus. Josué pede que o sol pare sobre Gibeom e a lua sobre o vale de Aijalom, e o texto cita como fonte um livro chamado Livro do Justo, que não chegou até nós. Jericó fica vários capítulos antes.

Josué aparece pela primeira vez neste livro

Ele já é personagem desde o Êxodo, onde comanda a batalha contra Amaleque e acompanha Moisés na subida ao monte. Em Números é um dos doze enviados a Canaã e, com Calebe, um dos dois que defendem a entrada. É designado sucessor em Números 27 e apresentado ao povo em Deuteronômio 31. O livro que leva seu nome é o fim de uma trajetória longa.

O livro trata só de batalhas

As batalhas ocupam principalmente os doze primeiros capítulos. Do 13 ao 21, o assunto é a divisão da terra: fronteiras de cada tribo, cidades, a herança de Calebe, as seis cidades de refúgio e as quarenta e oito cidades dos levitas. Essa parte, pouco lida, é a que dá ao livro a função de registro de posse e de pertencimento das tribos.

Perguntas para estudo

7 perguntas

Quem esconde os espiões em Jericó?
Raabe, que os esconde no telhado e pede proteção para a família, combinada por um cordão vermelho na janela.
Como o povo atravessa o Jordão?
Os sacerdotes entram no rio levando a arca, as águas param e o povo passa a seco. Doze pedras são erguidas como memorial.
Por que Israel é derrotado na primeira tentativa contra Ai?
Porque Acã tinha guardado para si objetos de Jericó que deveriam ser consagrados, e o texto liga a derrota a essa desobediência.
Como os gibeonitas conseguem um pacto?
Fingem vir de terra distante, com roupas gastas e pão seco, e Israel faz aliança com eles sem consultar a Deus.
Para que servem as cidades de refúgio?
Para acolher quem matou alguém sem intenção, protegendo-o da vingança até o julgamento.
Onde Josué renova a aliança no fim do livro?
Em Siquém, onde reúne as tribos, relembra a história do povo e pede que escolham a quem vão servir.
O que é enterrado em Siquém no último capítulo?
Os ossos de José, trazidos do Egito, no campo que Jacó havia comprado ali.
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Débora Arantes

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