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Resumo da história de José do Egito

Por Débora Arantes 13 min de leitura

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Em 30 segundos

Vendido pelos próprios irmãos aos dezessete anos, José chega ao Egito como escravo e, treze anos depois, governa o país abaixo apenas do faraó. No caminho, serve na casa de Potifar, é preso por uma acusação falsa da mulher do patrão e interpreta sonhos no cárcere. Quando explica os sonhos do faraó, sete anos de fartura seguidos de sete de fome, recebe o encargo de armazenar o trigo. A fome traz os irmãos ao Egito para comprar alimento; José os reconhece, põe-nos à prova e se revela. Jacó desce com toda a família e se instala em Gósen. A frase que resume tudo está no fim: vós intentastes o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem (Gênesis 50.20).

O percurso de José em cinco paradas, da cisterna em Canaã à casa de Potifar, ao cárcere, ao palácio do faraó e à terra de Gósen, com a frase de Gênesis 50.20 no fecho
Imagem: resumode.com.br

Catorze capítulos para o filho de Raquel

A história de José ocupa o fim de Gênesis, do capítulo 37 ao 50, e é a narrativa contínua mais longa do livro. O apelido José do Egito não está na Bíblia: é o jeito de distingui-lo de outros Josés, como o esposo de Maria.

Ele é o décimo primeiro dos doze filhos de Jacó e o primeiro de Raquel, a esposa amada, que morreu ao dar à luz Benjamim. Isso explica a preferência do pai e boa parte do que vem a seguir. Diferente das histórias de Abraão e de Jacó, aqui Deus quase não fala nem aparece. Age por trás dos acontecimentos, e é o próprio José quem o diz no final.

A túnica, os sonhos e a cisterna

José tem dezessete anos, apascenta os rebanhos com os irmãos e leva ao pai más notícias sobre eles (Gênesis 37.2). Jacó o ama mais que aos outros, por ser filho da sua velhice, e lhe faz uma túnica especial, que as traduções chamam de túnica de várias cores ou de túnica longa. Os irmãos passam a odiá-lo e já não conseguem falar com ele em paz.

Dois sonhos pioram tudo. No primeiro, os feixes dos irmãos se curvam diante do feixe de José. No segundo, o sol, a lua e onze estrelas se inclinam diante dele. Até Jacó o repreende, mas guarda o caso na memória.

Um dia o pai o envia a ver como estão os irmãos, que pastoreiam longe. Ele os encontra em Dotã. Ao vê-lo de longe, combinam matá-lo: lá vem o sonhador. Rúben, o mais velho, convence os outros a não derramar sangue e a lançá-lo numa cisterna vazia, pensando em tirá-lo depois e devolvê-lo ao pai. Arrancam-lhe a túnica e o jogam ali. Enquanto comem, passa uma caravana de ismaelitas a caminho do Egito, e Judá propõe: que proveito há em matar nosso irmão? Vendamo-lo. José é vendido por vinte peças de prata (Gênesis 37.28).

Rúben volta à cisterna, não o encontra e rasga as roupas. Os irmãos mergulham a túnica no sangue de um cabrito e a mandam ao pai. Jacó reconhece a peça, conclui que um animal feroz devorou o filho e se recusa a ser consolado.

Da casa de Potifar ao cárcere

No Egito, José é comprado por Potifar, oficial do faraó e capitão da guarda. O capítulo 39 repete uma frase como refrão: o Senhor estava com José. Tudo o que ele faz prospera, e Potifar lhe entrega a administração da casa inteira.

A mulher de Potifar insiste, dia após dia, para que ele se deite com ela. José recusa: como eu faria tamanha maldade e pecaria contra Deus? Num dia em que a casa está vazia, ela o agarra pela roupa; ele foge e deixa a peça na mão dela. Com a roupa como prova, ela o acusa, e José vai para a prisão onde ficam os presos do rei.

O refrão volta: o Senhor estava com ele ali também. O carcereiro lhe confia os outros presos. Dois deles são funcionários do faraó, o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros, e cada um tem um sonho na mesma noite. José avisa de quem é o mérito, pois as interpretações pertencem a Deus (Gênesis 40.8), e explica: em três dias o copeiro voltará ao cargo, e o padeiro será executado. Assim acontece. José pede ao copeiro que se lembre dele diante do faraó. O copeiro se esquece.

Sete vacas gordas, sete vacas magras

Passam-se dois anos. O faraó sonha que sete vacas magras saem do Nilo e devoram sete vacas gordas, e que sete espigas mirradas engolem sete espigas cheias. Nenhum sábio do Egito sabe explicar. O copeiro então se lembra do hebreu da prisão.

Trazido às pressas, José repete o que dissera no cárcere: isso não está em mim; Deus dará a resposta ao faraó (Gênesis 41.16). Os dois sonhos são um só: virão sete anos de fartura e, depois, sete anos de fome tão dura que a fartura será esquecida. Ele acrescenta um conselho: escolher um homem sábio e recolher a quinta parte das colheitas dos anos bons.

O faraó escolhe o próprio José. Entrega-lhe o anel, roupas de linho fino, um colar de ouro e o segundo carro do reino. Dá-lhe um nome egípcio e uma esposa, Asenate, filha de um sacerdote de Om. José tem trinta anos (Gênesis 41.46): treze se passaram desde a cisterna. Antes da fome nascem seus dois filhos, Manassés e Efraim.

Os irmãos diante do governador

A fome alcança Canaã, e Jacó manda dez filhos comprar trigo no Egito. Fica com Benjamim, o caçula, o outro filho de Raquel. Os dez se prostram diante do governador sem saber quem ele é, e José se lembra dos sonhos.

Ele os reconhece e fala com dureza, por meio de intérprete: são espiões. Eles se defendem contando a família: doze irmãos, o menor ficou com o pai, e um já não existe. José exige que tragam o menor e retém Simeão como garantia. Os irmãos comentam entre si, sem saber que ele entende, que estão pagando pelo que fizeram a José, cuja angústia viram sem atender. José se afasta e chora. Depois manda encher os sacos e devolver, escondido, o dinheiro de cada um.

Jacó resiste a soltar Benjamim até o trigo acabar. Judá se oferece como fiador, e eles voltam. José os recebe com um banquete e põe diante de Benjamim uma porção cinco vezes maior que a dos outros. Na partida, manda esconder sua taça de prata no saco do caçula. Alcançados no caminho, os irmãos rasgam as roupas e voltam todos juntos.

Eu sou José

É a prova final: resta saber se abandonarão outra vez o filho preferido do pai. Judá, o mesmo que propusera a venda, toma a palavra num longo discurso. Conta a dor do pai e pede para ficar como escravo no lugar do rapaz (Gênesis 44.33).

José não se contém. Manda sair todos os egípcios e chora tão alto que a casa do faraó ouve. Eu sou José; meu pai ainda vive? Os irmãos ficam sem voz. Ele os chama para perto e dá a sua leitura dos fatos: não vos entristeçais por me terdes vendido, porque foi para conservar vidas que Deus me enviou adiante de vós (Gênesis 45.5). Ainda restam cinco anos de fome. Que busquem o pai e venham todos.

Jacó em Gósen

Ao ouvir que José vive e governa o Egito, Jacó custa a crer. No caminho, em Berseba, Deus lhe fala de noite: não temas descer ao Egito, lá farei de ti uma grande nação. Descem setenta pessoas (Gênesis 46.27). José vai ao encontro do pai e chora longamente abraçado a ele.

A família recebe a terra de Gósen, boa para rebanhos. Jacó vive ali dezessete anos. Antes de morrer, adota os dois filhos de José como seus e os abençoa com as mãos cruzadas, pondo a direita sobre Efraim, o mais novo. Depois abençoa os doze filhos, um por um. A José cabe parte em dobro, porque seus dois filhos contam como duas tribos; a Judá, a palavra sobre o cetro que não se afastará dele (Gênesis 49.10). Jacó é sepultado em Canaã, no túmulo de Abraão.

O mal que Deus tornou em bem

Morto o pai, os irmãos temem a vingança e mandam pedir perdão. José chora outra vez e responde com a frase que interpreta a história inteira: estou eu no lugar de Deus? Vós intentastes o mal contra mim; Deus o tornou em bem, para conservar muita gente com vida (Gênesis 50.20).

O texto não diminui a culpa dos irmãos nem chama o mal de bem. Afirma as duas coisas ao mesmo tempo: eles quiseram o mal, e Deus conduziu o resultado. É por isso que a narrativa pode ser contada quase sem milagres. A túnica, a caravana que passa na hora, o esquecimento do copeiro, a fome: cada peça parece acaso e nenhuma é.

Há ainda a mudança de Judá. Quem vendeu um irmão por prata se oferece, anos depois, para ser escravo no lugar de outro. A reconciliação só acontece quando essa mudança aparece.

Os ossos que esperam a saída

José morre aos cento e dez anos, no Egito, e deixa um juramento: Deus certamente vos visitará, e levareis daqui os meus ossos (Gênesis 50.25). O livro termina com um caixão no Egito, à espera.

O resto da Bíblia acompanha esse caixão. Moisés o leva na saída do Egito (Êxodo 13.19), e os ossos são sepultados em Siquém, como se lê no fim de Josué. O Salmo 105 lembra José como o homem enviado adiante do povo. No Novo Testamento, Estêvão recorda sua história no discurso de Atos 7, e a carta aos Hebreus destaca justamente o pedido dos ossos como ato de fé (Hebreus 11.22). O Êxodo começa onde essa história para: um novo rei, que não conheceu José.

Os pontos centrais

  1. A venda por vinte peças de prata, proposta por Judá depois que Rúben impediu a morte (Gênesis 37.26 a 28).
  2. O refrão do capítulo 39, o Senhor estava com José, dito na casa de Potifar e repetido no cárcere.
  3. A resposta de José ao faraó: a interpretação não está nele, é Deus quem a dá (Gênesis 41.16).
  4. Os sete anos de fartura e os sete de fome, com o plano de guardar a quinta parte das colheitas.
  5. O discurso de Judá, que se oferece como escravo no lugar de Benjamim (Gênesis 44.33).
  6. A leitura final de José sobre a própria história: o mal que os irmãos quiseram, Deus tornou em bem (Gênesis 50.20).

Leituras que se afastam do texto

José foi vendido por trinta moedas de prata

O preço em Gênesis 37.28 é de vinte peças de prata. As trinta moedas pertencem a outra história, a de Judas no evangelho de Mateus, e a semelhança entre as duas cenas, um inocente entregue pelos seus em troca de prata, faz os números se trocarem na memória. Também não é venda feita por um só: a proposta parte de Judá, e os irmãos presentes concordam.

Rúben foi quem vendeu José aos mercadores

Rúben é o irmão que tenta salvá-lo. Ele convence os outros a não matar e sugere a cisterna, planejando tirar José dali e devolvê-lo ao pai (Gênesis 37.21 e 22). A ideia de vender é de Judá, e Rúben nem está presente: quando volta à cisterna e a encontra vazia, rasga as roupas. A confusão nasce de ele ser o mais velho e, por isso, parecer o responsável.

José interpretava sonhos por uma habilidade que era dele

O texto diz o contrário pela boca do próprio José. Aos presos, ele pergunta se as interpretações não pertencem a Deus (Gênesis 40.8). Ao faraó, que o elogia como intérprete, responde que isso não está nele e que Deus dará a resposta (Gênesis 41.16). A narrativa o apresenta como alguém que recebe e transmite, e não como dono de uma técnica própria.

Jesus descende de José do Egito, o filho preferido de Jacó

A linhagem dos reis e do Messias passa por Judá, quarto filho de Lia. José recebe parte em dobro, porque Efraim e Manassés contam como duas tribos, mas a palavra sobre o cetro é dita a Judá (Gênesis 49.10), e é dele que vêm Davi e a genealogia de Jesus em Mateus 1. O engano costuma nascer da confusão com outro José, o esposo de Maria.

Perguntas para estudo

8 perguntas

Em que lugar José encontrou os irmãos no dia em que foi vendido?
Em Dotã, para onde eles tinham levado os rebanhos depois de sair de Siquém.
Quem compra José no Egito?
Potifar, oficial do faraó e capitão da guarda, que lhe entrega a administração da casa.
O que José anuncia ao copeiro e ao padeiro na prisão?
Que em três dias o copeiro voltaria ao cargo e o padeiro seria executado, e assim aconteceu.
Quanto tempo José ainda espera na prisão depois que o copeiro sai?
Dois anos inteiros, até o faraó ter os sonhos das vacas e das espigas.
Como se chamam a esposa e os filhos de José?
A esposa é Asenate, filha de um sacerdote de Om; os filhos são Manassés e Efraim.
Qual dos irmãos fica retido no Egito como garantia?
Simeão, que permanece preso até os outros voltarem trazendo Benjamim.
Em que região do Egito a família de Jacó se instala?
Na terra de Gósen, boa para a criação de rebanhos, onde Jacó vive dezessete anos.
O que José pede antes de morrer?
Faz os filhos de Israel jurar que, quando Deus os tirasse do Egito, levariam seus ossos.
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Débora Arantes

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