Resumo das dez pragas do Egito
Por Débora Arantes 12 min de leitura
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Dez golpes atingem o Egito entre a primeira recusa do faraó e a noite em que ele manda Israel embora. Moisés e Arão pedem, em nome do Senhor, que o povo saia para servi-lo no deserto. A cada recusa vem um sinal: as águas do Nilo em sangue, rãs, piolhos, moscas, peste nos animais, úlceras, saraiva, gafanhotos e três dias de trevas. O faraó promete, recua e endurece o coração. A décima praga, a morte dos primogênitos à meia-noite, é precedida pela primeira Páscoa: cada família imola um cordeiro e marca a porta com o sangue, e o Senhor passa por cima dessas casas. O texto repete o propósito do começo ao fim: para que saibais que eu sou o Senhor.
Quem é o Senhor, para que eu lhe obedeça?
As pragas ocupam os capítulos 7 a 12 do Êxodo, mas a disputa começa dois capítulos antes. Moisés e Arão se apresentam ao faraó com um pedido em nome de Deus: deixa ir o meu povo, para que me celebre uma festa no deserto, a três dias de caminho (Êxodo 5.1 e 3). A resposta é uma pergunta: quem é o Senhor, para que eu ouça a sua voz? Não conheço o Senhor (Êxodo 5.2). E o trabalho dos hebreus é agravado.
Tudo o que vem depois responde a essa pergunta. Deus avisa Moisés de que o faraó não ouvirá e de que os sinais serão multiplicados, até que os egípcios saibam quem ele é (Êxodo 7.3 a 5). Há um prelúdio: diante do trono, a vara de Arão vira serpente. Os magos do Egito fazem o mesmo com as suas, e a vara de Arão as engole. O faraó não cede.
Sangue, rãs e piolhos
A série se organiza em três grupos de três, seguidos de uma praga à parte. Em cada grupo, a primeira é anunciada ao faraó pela manhã, e a terceira chega sem aviso.
A primeira é o sangue. Moisés espera o faraó à beira do Nilo. Arão estende a vara, e as águas se tornam sangue: os peixes morrem, o rio cheira mal, e os egípcios cavam junto às margens para achar o que beber. Os magos repetem o sinal. Passam-se sete dias. A segunda são as rãs. Elas sobem do rio e entram nas casas, nos quartos, nos fornos e nas amassadeiras. Os magos também as fazem subir. Pela primeira vez o faraó pede que Moisés ore, e promete soltar o povo. Moisés deixa que ele marque a hora, e ele responde: amanhã. As rãs morrem e são juntadas em montões. Vendo o alívio, o faraó endurece o coração. A terceira são os piolhos. Arão fere o pó da terra, e o pó se torna piolhos sobre homens e animais; algumas traduções trazem mosquitos. Os magos tentam e não conseguem. Dizem ao faraó: isto é o dedo de Deus (Êxodo 8.19).
Moscas, peste e úlceras
A quarta são as moscas. Enxames enchem as casas e arruínam a terra. Aqui o texto anuncia uma novidade: a terra de Gósen, onde mora Israel, fica separada, sem moscas (Êxodo 8.22). A quinta é a peste nos animais. Morrem cavalos, jumentos, camelos, bois e ovelhas dos egípcios. O faraó manda verificar, e do gado de Israel não morreu nenhum. A sexta são as úlceras. Moisés lança ao céu cinza de forno, que se torna tumores em homens e animais. Os magos já nem conseguem ficar de pé diante de Moisés. É a primeira vez que o relato de uma praga termina com a frase o Senhor endureceu o coração de Faraó (Êxodo 9.12).
Saraiva, gafanhotos e trevas
A sétima é a saraiva. Antes dela vem o discurso mais longo: Deus diz que poderia ter eliminado o faraó e o manteve para mostrar o seu poder e para que o seu nome seja anunciado em toda a terra (Êxodo 9.16). Há um prazo, e os servos do faraó que temem a palavra recolhem gente e gado. Cai pedra com fogo misturado, menos em Gósen. O linho e a cevada se perdem; o trigo, mais tardio, escapa. O faraó admite: desta vez pequei; o Senhor é justo (Êxodo 9.27). Quando os trovões param, volta atrás. A oitava são os gafanhotos. Os próprios conselheiros protestam: ainda não sabes que o Egito está destruído? (Êxodo 10.7). Um vento oriental traz a nuvem, que cobre o chão e come o que a saraiva deixara. O faraó chama Moisés às pressas, confessa de novo o pecado e pede que lhe seja tirada esta morte. Um vento ocidental leva os gafanhotos, e ele não solta o povo. A nona são as trevas. Por três dias há uma escuridão que se pode apalpar. Ninguém se levanta do lugar. Nas casas dos filhos de Israel há luz.
O que o faraó oferece a cada recuo
Entre uma praga e outra corre uma negociação, e ela mostra o que está em jogo. Nas moscas, o faraó aceita que sacrifiquem, desde que dentro do Egito; depois, que saiam, mas não para longe. Nos gafanhotos, pergunta quem iria e, ao ouvir que todos, com filhos, filhas e rebanhos, autoriza só os homens. Nas trevas, libera também as crianças, contanto que o gado fique.
Moisés recusa cada oferta. A última resposta ficou famosa: nem uma unha ficará (Êxodo 10.26). O faraó o expulsa e o proíbe de voltar a ver o seu rosto.
A noite do cordeiro
A décima praga é anunciada antes e separada das outras por um capítulo de instruções. O mês da saída passa a ser o primeiro do ano. No dia dez, cada casa escolhe um cordeiro ou cabrito sem defeito, macho de um ano. No dia catorze, à tarde, ele é imolado. O sangue é posto nos dois umbrais e na verga da porta. A carne é comida assada, com pães sem fermento e ervas amargas, às pressas: cinto nos lombos, sandálias nos pés, cajado na mão. É a Páscoa do Senhor.
A promessa acompanha o gesto: vendo eu o sangue, passarei por cima de vós (Êxodo 12.13). O dia deve ser celebrado para sempre, e o texto prevê a pergunta das crianças, que rito é este?, e a resposta dos pais.
À meia-noite, o Senhor fere todos os primogênitos do Egito, do filho do faraó ao filho do preso no cárcere, e os primogênitos dos animais. Há um grande clamor, porque não há casa sem um morto. Ainda de noite, o faraó chama Moisés e Arão: saí, vós e os filhos de Israel, levai ovelhas e bois, e abençoai-me também a mim. Os egípcios apressam o povo, que leva a massa ainda sem fermentar e os objetos de prata e de ouro pedidos aos vizinhos. Saem cerca de seiscentos mil homens a pé, sem contar as crianças (Êxodo 12.37).
Para que saibais que eu sou o Senhor
A frase atravessa a narrativa. É dita ao faraó, aos egípcios e a Israel, e responde à pergunta do capítulo 5. As pragas são apresentadas como juízo e como revelação, e o próprio texto diz que os juízos recaem também sobre os deuses do Egito (Êxodo 12.12).
Duas outras ênfases se repetem. A primeira é a distinção: da quarta praga em diante, o relato insiste em que o Senhor faz diferença entre o Egito e Israel. A segunda é a memória: os sinais acontecem para que contes a teus filhos e aos filhos de teus filhos (Êxodo 10.2). Por isso a última praga já nasce com uma festa.
Há ainda o retrato do faraó, traçado sem pressa. Ele pede oração, promete, confessa duas vezes que pecou e recua sempre que o alívio chega. Os que o cercam enxergam antes dele: primeiro os magos, depois os servos que recolhem o gado, por fim os conselheiros que lhe pedem para ceder. O rei é o último a reconhecer o que todo o Egito já viu.
Dos Salmos às taças do Apocalipse
A série termina com Israel na estrada, e o capítulo seguinte leva à travessia do mar Vermelho. Dali em diante, as pragas viram memória. Deuteronômio as resume na fórmula da mão forte e do braço estendido (Deuteronômio 26.8). Os Salmos 78 e 105 as cantam. Séculos depois, os filisteus ainda as temem, e seus sacerdotes aconselham não endurecer o coração como fizeram os egípcios e o faraó (1 Samuel 6.6).
O Novo Testamento retoma os dois lados da noite final. Paulo cita a palavra dita ao faraó antes da saraiva (Romanos 9.17) e chama Cristo de nossa Páscoa (1 Coríntios 5.7). João, ao narrar a crucificação, lembra a regra do cordeiro, de quem nenhum osso seria quebrado (João 19.36, com Êxodo 12.46). E no Apocalipse as sete taças repetem a linguagem do Egito: úlceras, águas em sangue, trevas, rãs e saraiva (Apocalipse 16).
Os pontos centrais
- A pergunta do faraó que a série inteira responde: quem é o Senhor, para que eu ouça a sua voz? (Êxodo 5.2).
- A ordem das dez: sangue, rãs, piolhos, moscas, peste nos animais, úlceras, saraiva, gafanhotos, trevas e primogênitos.
- O arranjo em três séries de três, cada uma aberta por um encontro com o faraó pela manhã e fechada por uma praga sem aviso.
- A confissão dos magos na terceira praga, quando não conseguem imitar o sinal: isto é o dedo de Deus (Êxodo 8.19).
- As quatro propostas do faraó, do culto dentro do Egito à saída sem os rebanhos, todas recusadas por Moisés.
- O sangue do cordeiro nos umbrais e a promessa da noite: vendo eu o sangue, passarei por cima de vós (Êxodo 12.13).
Leituras que se afastam do texto
O Êxodo diz que Deus mandou dez pragas
O número não está escrito em lugar nenhum da narrativa. O Êxodo conta os episódios um a um, chama o conjunto de sinais e maravilhas, e é o leitor quem soma dez. Quando a própria Bíblia relembra a série, nos Salmos 78 e 105, não cita todas nem segue a mesma ordem: o Salmo 105 começa pelas trevas. Dez é uma contagem fiel ao relato, mas é contagem de quem lê.
O anjo da morte passou pelo Egito na décima praga
A expressão anjo da morte não aparece no relato. Quem age é o próprio Deus: à meia-noite, o Senhor feriu todos os primogênitos na terra do Egito (Êxodo 12.29), e antes ele tinha dito eu passarei pela terra. Um versículo fala do destruidor, a quem o Senhor não deixa entrar nas casas marcadas (Êxodo 12.23). A figura do anjo vem dessa menção e das representações posteriores.
Deus endureceu o coração do faraó desde a primeira praga
O texto varia a frase, e a variação tem ordem. Nas cinco primeiras pragas, lê-se que o coração do faraó se endureceu ou que ele mesmo o endureceu, como depois das rãs (Êxodo 8.15). Só na sexta aparece o Senhor endureceu o coração de Faraó (Êxodo 9.12), e mesmo depois disso, na saraiva, o faraó volta a endurecer o próprio. Deus anuncia o desfecho antes, mas a narrativa mostra as duas mãos.
Os israelitas ficaram livres das dez pragas
O relato só registra a separação a partir da quarta, quando Deus diz que porá à parte a terra de Gósen, onde não haverá moscas (Êxodo 8.22). A distinção volta na peste, na saraiva, nas trevas e na morte dos primogênitos. Sobre o sangue, as rãs e os piolhos, o texto não afirma que Israel foi poupado. E na décima a proteção não é automática: depende do sangue posto na porta.
Perguntas para estudo
8 perguntas
- Que sinal Arão faz diante do faraó antes da primeira praga?
- Lança a vara, que vira serpente; os magos fazem o mesmo, e a vara de Arão engole as deles.
- Por quanto tempo as águas do Nilo ficam em sangue?
- Passam-se sete dias depois que o Senhor fere o rio, e os egípcios cavam poços para beber.
- Quais pragas os magos do Egito conseguem imitar?
- As duas primeiras, o sangue e as rãs; nos piolhos fracassam, e nas úlceras são atingidos.
- O que a saraiva destrói e o que ela poupa nos campos?
- Destrói o linho e a cevada, já crescidos; o trigo e o centeio escapam por serem tardios.
- Que ventos trazem e levam os gafanhotos?
- Um vento oriental os traz, e um vento ocidental muito forte os lança no mar Vermelho.
- Como é descrita a praga das trevas?
- Trevas espessas por três dias, em que ninguém via o outro; os israelitas tinham luz nas casas.
- Onde o sangue do cordeiro devia ser posto?
- Nos dois umbrais e na verga da porta, aplicado com um molho de hissopo.
- O que os israelitas pedem aos egípcios ao partir?
- Objetos de prata e de ouro e roupas, que os egípcios entregam de boa vontade.
Débora Arantes
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