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Resumo da história de Moisés

Por Débora Arantes 12 min de leitura

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Em 30 segundos

Nascido sob a ordem de morte contra os meninos hebreus, Moisés é escondido num cesto entre os juncos do Nilo, recolhido pela filha do faraó e criado por ela como filho. Adulto, mata um egípcio que espancava um hebreu e foge para Midiã, onde se torna pastor. Diante da sarça que arde sem se consumir, no Horebe, Deus o envia de volta. Aos oitenta anos, com o irmão Arão, enfrenta o faraó, tira Israel do Egito, atravessa o mar, recebe a lei no Sinai e intercede pelo povo depois do bezerro de ouro. Conduz a caminhada de quarenta anos pelo deserto, mas não entra na terra: morre aos cento e vinte anos no monte Nebo, depois de vê-la de longe.

A vida de Moisés em cinco paradas: o cesto no Nilo, os anos de pastor em Midiã, o confronto no Egito, as tábuas no Sinai e a morte no monte Nebo, com Deuteronômio 34.10 no fecho
Imagem: resumode.com.br

Um menino levita sob a ordem do faraó

A vida de Moisés ocupa quatro livros, do Êxodo ao Deuteronômio, e começa numa hora ruim. Os descendentes de Jacó, instalados no Egito desde os dias de José, tornaram-se numerosos. Um novo rei os reduz a trabalho forçado e, por fim, manda lançar ao Nilo todo menino hebreu que nascer.

Um casal da tribo de Levi tem um filho nesse tempo. A mãe vê que o menino é formoso e o esconde por três meses. Quando já não pode ocultá-lo, prepara um cesto de junco, veda-o com betume e piche e o põe entre os juncos da margem do rio (Êxodo 2.3). A irmã do menino fica de longe, observando.

A filha do faraó desce para se banhar, vê o cesto, abre-o e encontra a criança chorando. Reconhece que é um dos meninos dos hebreus e tem compaixão. A irmã se aproxima e oferece chamar uma ama hebreia. Traz a própria mãe, que amamenta o filho recebendo salário da princesa. Quando o menino cresce, é levado à filha do faraó, que o adota e lhe dá o nome de Moisés: porque das águas o tirei (Êxodo 2.10). Os nomes dos pais, Anrão e Joquebede, só aparecem adiante, na genealogia de Êxodo 6.

O egípcio morto e os anos em Midiã

Já homem, Moisés sai para ver os seus irmãos e os fardos que carregam. Vê um egípcio espancar um hebreu, olha para os lados, mata o egípcio e o esconde na areia. No dia seguinte tenta apartar dois hebreus que brigam, e um deles responde: quem te pôs por chefe e juiz sobre nós? Pensas matar-me, como mataste o egípcio? (Êxodo 2.14). O caso é conhecido, o faraó procura matá-lo, e Moisés foge.

Chega à terra de Midiã e senta-se junto a um poço. Defende de uns pastores as sete filhas do sacerdote do lugar e dá de beber ao rebanho delas. O pai, chamado Reuel nessa cena e Jetro no capítulo seguinte, o acolhe e lhe dá por esposa a filha Zípora. Nasce Gérson, nome que Moisés explica: fui peregrino em terra estranha. O homem criado no palácio passa a apascentar as ovelhas do sogro.

A sarça que ardia sem se consumir

Conduzindo o rebanho, Moisés chega ao Horebe, o monte de Deus. O anjo do Senhor lhe aparece numa chama de fogo, no meio de uma sarça que arde e não se consome. Ele se aproxima para ver, e Deus o chama pelo nome, duas vezes. Tira as sandálias dos pés, porque o lugar em que estás é terra santa (Êxodo 3.5).

Deus se apresenta como o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, diz que viu a aflição do seu povo e desceu para livrá-lo, e envia Moisés ao faraó. Moisés resiste com cinco objeções: quem sou eu? Qual é o teu nome? E se não crerem em mim? Não sei falar. Envia outro.

À pergunta sobre o nome, Deus responde Eu sou o que sou (Êxodo 3.14). Para a desconfiança do povo, dá três sinais: a vara que vira serpente, a mão que fica leprosa e sara, a água do rio que se torna sangue. Para a boca pesada de Moisés, dá o irmão Arão como porta-voz. Moisés volta ao Egito com a vara na mão.

Diante do faraó, aos oitenta anos

A primeira audiência piora tudo: o faraó responde que não conhece o Senhor e manda que os hebreus façam tijolos sem receber a palha. O povo se volta contra Moisés, e Moisés se queixa a Deus. O texto registra então a idade dos dois irmãos: Moisés tem oitenta anos e Arão, oitenta e três (Êxodo 7.7).

Segue-se a série de sinais sobre o Egito, das águas do Nilo à morte dos primogênitos, com a primeira Páscoa na noite da saída. São as dez pragas, em que Moisés fala e o faraó negocia, cede e volta atrás.

Livre, o povo é alcançado pelos carros egípcios diante do mar. Moisés estende a mão, as águas se dividem durante a noite, Israel passa em seco, e pela manhã o mar cobre o exército perseguidor. É a travessia do mar Vermelho, que termina com um cântico.

No monte, com as tábuas e sem elas

No terceiro mês, o povo acampa diante do Sinai. Deus proclama ali os dez mandamentos aos ouvidos de todos, e depois Moisés sobe para receber as tábuas de pedra e o restante da lei. Fica no monte quarenta dias e quarenta noites.

Embaixo, o povo faz um bezerro de ouro. É nesse episódio que aparece o Moisés intercessor. Deus fala em consumir o povo e fazer dele, Moisés, uma grande nação; ele recusa a oferta e suplica. Desce, quebra as tábuas ao pé do monte, pune os culpados e volta a pedir: perdoa o pecado deles; se não, risca-me do livro que escreveste (Êxodo 32.32).

O capítulo seguinte dá a medida da proximidade entre os dois: o Senhor falava com Moisés face a face, como quem fala com o seu amigo (Êxodo 33.11). Moisés pede para ver a glória de Deus e é posto numa fenda da rocha enquanto ela passa. Recebe novas tábuas. Quando desce, a pele do seu rosto resplandece, e ele passa a cobri-lo com um véu depois de falar ao povo. O livro termina com Moisés levantando o tabernáculo.

Quarenta anos de queixas

Em Números, o povo parte do Sinai, e a liderança pesa. Moisés diz a Deus que não consegue carregar sozinho aquela gente, e setenta anciãos recebem parte do encargo (Números 11). Os próprios irmãos, Miriã e Arão, o contestam. O texto comenta que Moisés era muito manso, mais que todos os homens da terra (Números 12.3), e Deus responde que com ele fala boca a boca.

Quando os enviados a Canaã desanimam o povo, Moisés intercede outra vez, e a sentença passa a ser de quarenta anos no deserto. Ele enfrenta a revolta de Corá. Em Meribá, fere a rocha em vez de falar a ela, e ouve que não fará o povo entrar na terra (Números 20.12). Mais adiante, levanta a serpente de bronze para os que tinham sido mordidos. Miriã e Arão morrem no caminho. Por ordem de Deus, Moisés impõe as mãos sobre Josué e o apresenta como sucessor (Números 27).

O Nebo e a terra vista de longe

Deuteronômio é a despedida: os discursos de Moisés à geração nascida no deserto, nas planícies de Moabe. Ele conta que pediu para atravessar o Jordão e ouviu a recusa: basta, não me fales mais nisso (Deuteronômio 3.26).

No último capítulo, sobe ao monte Nebo, e o Senhor lhe mostra a terra inteira: eu te fiz vê-la com os teus olhos, mas não passarás para lá (Deuteronômio 34.4). Moisés morre ali, em Moabe, aos cento e vinte anos, sem que a vista se tivesse escurecido nem o vigor abatido. É sepultado num vale, em lugar que ninguém conhece, e o povo o chora por trinta dias.

Aquele com quem os profetas são medidos

A última frase do Pentateuco é um veredito: nunca mais se levantou em Israel profeta como Moisés, a quem o Senhor conheceu face a face (Deuteronômio 34.10). O mesmo livro guarda a promessa de um profeta semelhante a ele (Deuteronômio 18.15), e a Bíblia passa a medir por essa régua.

Os Salmos lhe atribuem uma oração, o Salmo 90. Jeremias o cita ao lado de Samuel como o intercessor por excelência (Jeremias 15.1), e Malaquias encerra os profetas mandando lembrar a lei de Moisés (Malaquias 4.4).

No Novo Testamento, Moisés aparece com Elias no monte da transfiguração, conversando com Jesus. O prólogo de João põe os dois nomes lado a lado: a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo (João 1.17). Pedro e Estêvão aplicam a Jesus a promessa do profeta semelhante (Atos 3.22 e 7.37). A carta aos Hebreus o elogia como servo fiel em toda a casa de Deus e apresenta Cristo como o Filho sobre essa casa (Hebreus 3.5 e 6). Na lista dos que viveram pela fé, é dele um dos retratos mais longos: preferiu ser maltratado com o povo de Deus a ser chamado filho da filha do faraó (Hebreus 11.24 e 25).

Os pontos centrais

  1. O nome dado pela filha do faraó e a explicação que o texto registra: porque das águas o tirei (Êxodo 2.10).
  2. O chamado na sarça, no Horebe, com as cinco objeções de Moisés e o nome Eu sou o que sou (Êxodo 3 e 4).
  3. A idade no confronto com o faraó: Moisés com oitenta anos e Arão com oitenta e três (Êxodo 7.7).
  4. A intercessão depois do bezerro de ouro, em que Moisés pede para ser riscado do livro se o povo não for perdoado (Êxodo 32.32).
  5. O retrato de Números 12: o homem mais manso da terra, com quem Deus fala boca a boca.
  6. O fim em Deuteronômio 34: a terra vista do Nebo, a morte aos cento e vinte anos e o elogio de que não houve profeta igual.

Leituras que se afastam do texto

O cesto de Moisés foi solto no Nilo e desceu o rio até o palácio

A mãe não entrega o filho à correnteza. Ela põe o cesto entre os juncos, à margem do rio (Êxodo 2.3), e a irmã do menino fica de longe para ver o que acontece. A filha do faraó o encontra ali mesmo, quando desce para se banhar. A imagem do cesto navegando rio abaixo vem das ilustrações e dos filmes, que precisam de movimento para a cena.

Moisés cresceu como irmão do futuro faraó, sem saber que era hebreu

O Êxodo não dá nome a nenhum faraó nem menciona um irmão de criação. E Moisés não é separado da família na infância: a própria mãe o amamenta, contratada pela princesa, até ele crescer (Êxodo 2.9 e 10). Quando adulto, o texto diz que ele saiu para ver os seus irmãos, os hebreus. A rivalidade com um príncipe criado ao lado dele é enredo de cinema.

Moisés era gago

Ele se descreve como pesado de boca e pesado de língua, alguém que nunca foi homem de falar bem (Êxodo 4.10). O texto não diz de que dificuldade se trata, e a gagueira é só uma das explicações que a tradição propôs. Daí em diante, Moisés discursa diante do faraó e do povo, e Estêvão o lembra como poderoso em palavras e obras (Atos 7.22).

O Êxodo divide a vida de Moisés em três períodos de quarenta anos

O Pentateuco dá duas idades: oitenta anos quando fala ao faraó (Êxodo 7.7) e cento e vinte ao morrer (Deuteronômio 34.7). Que ele tinha quarenta ao fugir do Egito e passou outros quarenta em Midiã quem diz é Estêvão, no discurso de Atos 7. A divisão em três partes iguais é correta e bíblica, mas só se completa lendo os dois Testamentos.

Perguntas para estudo

8 perguntas

Por quanto tempo a mãe de Moisés consegue escondê-lo em casa?
Por três meses; só então prepara o cesto de junco vedado com betume e piche.
Quem é a esposa de Moisés e quem é o pai dela?
Zípora, uma das sete filhas do sacerdote de Midiã, chamado Reuel e também Jetro.
Como se chama o primeiro filho de Moisés e por quê?
Gérson, porque Moisés diz ter sido peregrino em terra estranha.
Que três sinais Moisés recebe para convencer o povo?
A vara que vira serpente, a mão que fica leprosa e sara, e a água do rio que se torna sangue.
Quem sustenta as mãos de Moisés na batalha contra Amaleque?
Arão e Hur, um de cada lado, enquanto Josué combate Amaleque (Êxodo 17.12).
O que acontece com o rosto de Moisés quando desce com as novas tábuas?
A pele do rosto resplandece, e ele passa a cobri-lo com um véu depois de falar ao povo.
Que resposta Moisés recebe quando pede para atravessar o Jordão?
Basta, não me fales mais nisso; ele apenas veria a terra do alto do monte (Deuteronômio 3.26 e 27).
Por quanto tempo o povo chora a morte de Moisés?
Por trinta dias, nas planícies de Moabe, antes de seguir sob o comando de Josué.
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Débora Arantes

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