Ir direto para o conteúdo
Resumo De
Letra maior em loja segura Capa da Bíblia Sagrada, tradução Nova Almeida Atualizada, letra maior, capa dura Comprar Bíblia SagradaTradução Almeida, letra maior e capa dura. Boa para ler todo dia. Melhor escolha. Site seguro

Link patrocinado

Resumo da torre de Babel

Por Débora Arantes 10 min de leitura

WhatsApp
Mais opções
Facebook Telegram E-mail

Em 30 segundos

Nove versículos bastam para explicar por que os povos falam línguas diferentes e vivem espalhados. Depois do dilúvio, toda a terra tem uma só língua. Os homens chegam a uma planície na terra de Sinear, fabricam tijolos e decidem erguer uma cidade e uma torre com o topo no céu, para fazer um nome e não se dispersar. O Senhor desce para ver a obra, reconhece que, unidos assim, nada do que planejarem lhes será impossível, e confunde a língua deles. Sem se entender, param de construir a cidade e são espalhados por toda a terra. O lugar recebe o nome de Babel. Logo depois, o texto segue a linhagem de Sem até Abrão, a quem Deus promete dar o nome que Babel quis fabricar.

Duas listas lado a lado: o que os construtores planejam na planície de Sinear e o que acontece com cada plano depois que o Senhor desce
Imagem: resumode.com.br

Entre a lista dos povos e a família de Abrão

O relato é curto: os nove primeiros versículos de Gênesis 11. Ele vem depois da arca de Noé e do dilúvio e de um capítulo inteiro de nomes, o 10, que distribui os descendentes de Sem, Cam e Jafé pela terra. Três vezes esse capítulo repete que cada grupo vive segundo a sua língua, a sua terra e a sua nação.

O leitor chega ao capítulo 11, portanto, já sabendo que os povos estão espalhados e falam línguas diferentes. O que o texto faz agora é voltar um passo e contar como isso aconteceu. Em seguida vem outra lista, a dos descendentes de Sem, que termina em Terá e em seu filho Abrão. A torre fica entre duas genealogias, como a cena que explica a passagem de uma para a outra.

Tijolo em vez de pedra

Toda a terra tinha uma só língua e as mesmas palavras. Em sua migração, os homens encontram uma planície na terra de Sinear e se estabelecem ali.

A primeira fala é técnica. Dizem uns aos outros: vamos fazer tijolos e queimá-los bem. O narrador explica que o tijolo lhes serviu de pedra, e o betume, de argamassa. O detalhe situa a cena numa planície sem pedreiras, onde só se constrói com material fabricado, e mostra o que aquela gente tem de sobra: técnica, acordo e disposição para o trabalho.

Uma cidade, uma torre e um nome

A segunda fala revela o projeto: vamos edificar para nós uma cidade e uma torre cujo topo chegue ao céu, e façamos para nós um nome, para que não sejamos espalhados pela face de toda a terra (Gênesis 11.4).

São dois objetivos, e nenhum deles é a torre em si. O primeiro é a fama: um nome feito pelas próprias mãos, que dure. O segundo é permanecer juntos, num só lugar. A torre e a cidade são o meio.

O segundo objetivo bate de frente com o que Deus tinha dito ao sair da arca. A bênção dada a Noé e aos filhos era: sede fecundos, multiplicai-vos e enchei a terra (9.1). Os construtores de Sinear querem exatamente o contrário. Chama a atenção também o que falta na fala deles: ninguém consulta Deus, ninguém o menciona. O pronome que se repete é nós.

O Senhor desceu para ver

O centro do relato é uma frase carregada de ironia: o Senhor desceu para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam (11.5). A obra que deveria tocar o céu é tão pequena, vista de lá, que é preciso descer para enxergá-la.

O que o Senhor diz em seguida não é desprezo. Ele leva o projeto a sério: eis que o povo é um, e todos têm a mesma língua; isto é só o começo, e agora nada do que planejarem lhes será impossível. O texto reconhece a força de uma humanidade unida por uma língua e um propósito. O problema é a direção que essa força tomou.

A decisão responde às falas dos homens com a mesma fórmula. Eles tinham dito vinde, façamos; o Senhor diz vinde, desçamos e confundamos ali a língua deles, para que um não entenda o que o outro diz.

A cidade que ficou pela metade

O desfecho ocupa dois versículos. O Senhor os espalha dali pela face de toda a terra, e eles param de edificar a cidade. Não há destruição narrada. A obra simplesmente deixa de ser possível, porque quem não se entende não constrói junto.

Por isso o lugar se chamou Babel: porque ali o Senhor confundiu a língua de toda a terra. O verbo hebraico para confundir, balal, soa parecido com o nome, e o texto explora essa semelhança. Os construtores queriam fazer um nome, e de fato ficaram com um, só que escolhido por outro e lembrando o fracasso.

Um relato em espelho

A arte desta página está na simetria. Cada elemento da primeira metade reaparece virado na segunda:

  • no começo, uma só língua; no fim, a língua confundida;
  • eles se estabelecem ali; o Senhor os espalha dali;
  • vinde, façamos tijolos; vinde, desçamos e confundamos;
  • uma torre para subir; o Senhor que desce;
  • para não sermos espalhados; e foram espalhados;
  • façamos um nome; o nome dela é Babel.

No eixo do espelho está o versículo 5, a descida do Senhor. Antes dele, só os homens falam e agem. Depois dele, só Deus. O juízo não vem como catástrofe: vem como a concessão forçada daquilo mesmo que a ordem de encher a terra pedia.

De Sinear à Babilônia dos profetas

Babel é, em hebraico, o nome da Babilônia. A cidade que aparece aqui inacabada volta séculos depois como o império que destrói Jerusalém e leva Judá para o exílio, e os profetas a descrevem com traços da primeira Babel. Em Isaías, o rei da Babilônia diz no coração: subirei ao céu (Isaías 14.13). Em Jeremias, ainda que a Babilônia subisse até o céu, de lá viriam os seus destruidores (Jeremias 51.53). O livro de Daniel começa com os utensílios do templo levados para a terra de Sinear, o mesmo nome da planície. No Apocalipse, Babilônia é a grande cidade cuja queda os capítulos 17 e 18 anunciam.

O nome dado e as línguas reunidas

A resposta de Gênesis a Babel está logo adiante. A genealogia que segue o relato é a de Sem, cujo nome em hebraico é a própria palavra nome, e ela desemboca em Abrão. A ele Deus diz: farei de ti uma grande nação e engrandecerei o teu nome; em ti serão benditas todas as famílias da terra (12.2-3). O que os construtores tentaram fabricar, Abrão recebe como promessa, e as famílias que Babel espalhou são as mesmas que essa promessa quer alcançar. É o ponto de partida da história de Abraão.

Os profetas esperam também o conserto da língua. Sofonias anuncia o dia em que Deus dará aos povos lábios puros, para que todos invoquem o nome do Senhor e o sirvam lado a lado (Sofonias 3.9).

No Novo Testamento, o avesso de Babel é o dia de Pentecostes. Em Jerusalém, gente de muitas nações ouve os discípulos falarem das grandezas de Deus, cada um em sua própria língua (Atos 2.6-11). As línguas não são apagadas nem voltam a ser uma só: o entendimento acontece através delas. E a última visão da Bíblia sobre os povos é uma multidão de todas as nações, tribos e línguas, reunida diante do trono (Apocalipse 7.9).

Os pontos centrais

  1. Os dois motivos declarados em Gênesis 11.4: fazer um nome para si e não ser espalhados pela face de toda a terra.
  2. O contraste com a ordem dada a Noé em Gênesis 9.1, de encher a terra: os construtores querem ficar juntos num só lugar.
  3. A ironia de Gênesis 11.5: a torre deveria ter o topo no céu, e o Senhor precisa descer para ver a obra.
  4. O juízo atinge a língua, não a construção: sem se entender, eles mesmos deixam de edificar a cidade (11.8).
  5. O nome Babel, explicado em Gênesis 11.9 pelo verbo confundir, é o mesmo nome hebraico da Babilônia.
  6. O contraponto de Gênesis 12.2, em que Deus promete a Abrão engrandecer o nome dele, sem cidade e sem torre.

Leituras que se afastam do texto

Deus derrubou a torre de Babel

Gênesis 11 não descreve queda, raio, vento nem ruína. O que o Senhor atinge é a língua, e a consequência é que os construtores, sem se entender, deixam de edificar a cidade (11.8). A torre nem é mencionada no desfecho. A cena da torre desabando vem de pinturas e de narrativas posteriores, que deram à história um final mais visível do que o texto dá.

Ninrode mandou construir a torre

O relato não cita nenhum nome: fala apenas de toda a terra e dos filhos dos homens. Ninrode aparece no capítulo anterior, como caçador valente e rei cujo domínio começa por Babel, na terra de Sinear (Gênesis 10.8-10). Por causa dessa proximidade, a tradição posterior fez dele o chefe da obra. É uma dedução antiga, não uma informação de Gênesis 11.

Os homens queriam subir ao céu para tomar o lugar de Deus

Os motivos estão ditos em 11.4: fazer um nome e não ser espalhados. Topo no céu é modo bíblico de falar de construção muito alta, como as cidades de Canaã fortificadas até o céu em Deuteronômio 1.28. A ambição de subir acima das estrelas é do rei da Babilônia em Isaías 14.13, texto que costuma ser lido de volta para dentro de Gênesis. Aqui o problema é o nome próprio e a recusa de se espalhar.

Babel quer dizer confusão

Babel é o nome hebraico da cidade da Babilônia, o mesmo usado em Reis, em Jeremias e em Daniel. Gênesis 11.9 não traduz o nome: explica-o pela semelhança de som com balal, o verbo confundir. É um jogo de palavras, recurso frequente nas explicações de nomes em Gênesis. O efeito é ligar a grande cidade, desde o começo da Bíblia, à memória dessa confusão.

Perguntas para estudo

8 perguntas

Em que terra fica a planície onde os homens se instalam?
Na terra de Sinear, a mesma região para onde Daniel será levado séculos depois.
Que materiais são usados na construção?
Tijolos bem queimados no lugar da pedra e betume no lugar da argamassa.
O que os homens decidem construir?
Uma cidade e uma torre cujo topo chegue ao céu; as duas coisas, e não só a torre.
O que o Senhor faz antes de agir?
Desce para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens estavam edificando.
O que os homens param de construir no fim do relato?
A cidade: o texto diz que cessaram de edificar a cidade e não volta a falar da torre.
Como o capítulo 10 já antecipa o resultado de Babel?
Ele lista os descendentes de Noé repetindo que cada grupo vive segundo a sua língua e a sua nação.
Que descendente de Sem tem o nome ligado à divisão da terra?
Pelegue, porque nos dias dele a terra foi repartida, segundo Gênesis 10.25.
O que Gênesis conta logo depois da dispersão?
A linhagem de Sem, geração por geração, até Terá e seu filho Abrão.
WhatsApp
Mais opções
Facebook Telegram E-mail

Débora Arantes

Resumos da Bíblia

Escreve os resumos da estante Bíblia, livro por livro, com estrutura, contexto e as leituras de cada tradição. Lê cada livro inteiro em mais de uma tradução antes de escrever e marca, capítulo por capítulo, onde o texto muda de gênero ou de voz. É desse mapa que sai a estrutura de cada resumo.

Voltar para Bíblia