Resumo de Jacó e Esaú
Por Débora Arantes 12 min de leitura
Em 30 segundos
Dois gêmeos brigam desde o ventre da mãe, e o mais novo passa à frente por caminhos tortos. Esaú, caçador e preferido de Isaque, vende a primogenitura a Jacó por um cozido de lentilhas. Mais tarde, guiado por Rebeca e vestido com as roupas do irmão, Jacó engana o pai cego e recebe a bênção. Esaú decide matá-lo, e Jacó foge para Harã. No caminho, em Betel, sonha com uma escada que chega ao céu e ouve a promessa feita a Abraão. Passa vinte anos com o tio Labão, que o engana por sua vez, e volta com duas esposas, onze filhos e rebanhos. Na véspera do reencontro, luta até o amanhecer com um homem, sai mancando e recebe o nome de Israel. Esaú corre ao seu encontro e o abraça.
Duas nações no ventre de Rebeca
Isaque, o filho de Abraão, casa-se aos quarenta anos com Rebeca, e ela, como Sara, não consegue ter filhos. Ele ora, e ela concebe gêmeos, que se empurram dentro dela. Aflita, Rebeca consulta o Senhor e ouve um oráculo: há duas nações no teu ventre, uma será mais forte que a outra, e o mais velho servirá ao mais moço (Gênesis 25.23).
O primeiro a nascer é ruivo e coberto de pelos, e recebe o nome de Esaú. O segundo sai segurando o calcanhar do irmão: é Jacó, nome que lembra a palavra calcanhar. Isaque tem sessenta anos.
Os meninos crescem diferentes. Esaú é caçador, homem do campo; Jacó é tranquilo e vive nas tendas. Uma frase explica boa parte do que vem depois: Isaque amava Esaú, porque gostava de comer da sua caça, e Rebeca amava Jacó.
Um cozido vermelho
Certo dia Jacó prepara um cozido, e Esaú chega do campo exausto. Pede: deixa-me comer desse vermelho. Por isso ele também é chamado Edom, vermelho.
Jacó põe preço: vende-me primeiro a tua primogenitura, o direito do filho mais velho. Esaú responde que está a ponto de morrer e que o direito não lhe serve de nada. Jacó exige juramento, e só então lhe dá pão e cozido de lentilhas.
O texto despacha a saída de Esaú em quatro verbos, comeu, bebeu, levantou-se e foi embora, e acrescenta o seu juízo: assim Esaú desprezou a primogenitura (25.34). Jacó se aproveita da fome do irmão. O narrador, aqui, condena apenas o descaso de Esaú.
A voz de Jacó, as mãos de Esaú
Isaque envelhece e já não enxerga. Chama Esaú e lhe pede uma caça bem preparada, para abençoá-lo antes de morrer. Rebeca escuta e monta outro plano: Jacó trará dois cabritos, ela fará o prato, e ele o levará ao pai.
Jacó hesita por medo, e não por escrúpulo: o irmão é peludo, ele é liso, e o pai pode amaldiçoá-lo. Caia sobre mim a tua maldição, responde a mãe. Ela o veste com as melhores roupas de Esaú e cobre as mãos e o pescoço dele com a pele dos cabritos.
Isaque desconfia três vezes. Quem és, meu filho? Sou Esaú, teu primogênito. Como achaste a caça tão depressa? O Senhor, teu Deus, a pôs no meu caminho. Então o apalpa: a voz é a voz de Jacó, mas as mãos são as mãos de Esaú (27.22). O cheiro das roupas o convence, e ele abençoa: o orvalho do céu, a fartura da terra, povos que o servem, senhorio sobre os irmãos.
Mal Jacó sai, Esaú entra com a caça. Isaque estremece e diz a frase que torna tudo irreversível: eu o abençoei, e ele será abençoado. Esaú solta um grito amargo e chora. Recebe uma palavra menor: viverá da espada, servirá ao irmão e um dia sacudirá o jugo. Decide matar Jacó quando o pai morrer. Rebeca manda o filho preferido para a casa do irmão dela, Labão, em Harã, por alguns dias. O texto não registra reencontro entre os dois.
A pedra de Betel
Jacó viaja sozinho. Ao pôr do sol, deita-se com uma pedra por cabeceira e sonha com uma escada apoiada na terra, com o topo no céu, e anjos de Deus subindo e descendo por ela.
O Senhor se apresenta como Deus de Abraão e de Isaque e repete ao fugitivo a promessa da família: a terra, a descendência numerosa, a bênção para todos os povos. Acrescenta uma palavra para a viagem: estou contigo, eu te guardarei por onde fores e te farei voltar a esta terra (28.15). Não há uma linha de repreensão.
Jacó acorda com medo: o Senhor está neste lugar, e eu não sabia. Ergue a pedra como coluna, derrama azeite sobre ela e chama o lugar de Betel, casa de Deus.
Sete anos, uma semana e mais sete
Em Harã, junto a um poço, Jacó conhece Raquel, filha de Labão, que chega com as ovelhas do pai. Oferece sete anos de trabalho para se casar com ela, e eles lhe parecem poucos dias, pelo amor que lhe tinha (29.20).
Na noite do casamento, Labão lhe entrega Lia, a filha mais velha. De manhã, Jacó protesta: por que me enganaste? A resposta cai sobre ele com peso dobrado: em nossa terra não se dá a mais nova antes da primogênita. O homem que passou à frente do irmão mais velho ouve a regra da boca do sogro. Raquel lhe é dada uma semana depois, em troca de mais sete anos.
A rivalidade muda de casa. Lia tem filhos e não é amada; Raquel é amada e não tem filhos. As duas entregam ao marido as servas, Bila e Zilpa. Em Harã nascem onze filhos e uma filha, Diná. O último deles, primeiro de Raquel, é José.
A volta em dois bandos
Depois de vinte anos, com o salário mudado dez vezes, Jacó ouve de Deus a ordem de voltar e parte sem avisar. Labão o alcança nos montes de Gileade, mas é advertido em sonho a não lhe fazer mal. Os dois firmam um pacto diante de um monte de pedras e se separam.
Falta Esaú. Os mensageiros enviados a Seir voltam com uma notícia sem explicação: ele vem ao teu encontro com quatrocentos homens. Jacó tem muito medo. Divide gente e rebanhos em dois bandos, para que um escape se o outro for atacado, e ora como não tinha orado antes: não sou digno de toda a bondade que tiveste com teu servo; atravessei este Jordão só com o meu cajado e agora sou dois bandos; livra-me da mão de meu irmão. Manda à frente rebanhos de presente, um atrás do outro.
A noite no vau do Jaboque
De noite, Jacó faz as mulheres, os filhos e os bens atravessarem o vau do Jaboque e fica só. Um homem luta com ele até o romper do dia.
Vendo que não o vence, o homem lhe toca a articulação da coxa, que se desloca. Deixa-me ir, porque o dia já rompe. Não te deixarei ir se não me abençoares.
O homem pergunta: qual é o teu nome? Diante do pai, a resposta a essa pergunta tinha sido Esaú. Agora é Jacó. Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, porque lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste (32.28). Jacó quer saber o nome do outro e não o recebe; recebe a bênção. Chama o lugar de Peniel, face de Deus. O sol nasce, e ele passa mancando.
O rosto de Esaú
Jacó põe a família em fila, com Raquel e José por último, vai à frente de todos e se prostra sete vezes. Esaú corre ao seu encontro, abraça-o, lança-se ao seu pescoço e o beija. Os dois choram.
Esaú recusa os rebanhos: tenho muito, meu irmão. Jacó insiste com uma frase que só faz sentido depois da noite anterior: vi o teu rosto como quem vê o rosto de Deus, e tu me recebeste bem (33.10). Esaú aceita, oferece escolta, e Jacó a dispensa. Um volta para Seir. O outro segue devagar até Siquém, em Canaã, e ergue ali um altar.
Israel e Edom, depois dos gêmeos
Os dois nomes passam aos povos. De Jacó vêm as doze tribos de Israel; de Esaú, Edom, nos montes de Seir. A lei manda não detestar o edomita, porque é teu irmão (Deuteronômio 23). A história dos povos, porém, é mais dura que a dos gêmeos: Abdias acusa Edom de violência contra o irmão Jacó no dia da ruína de Jerusalém.
Os profetas voltam a Jacó para falar a Israel. Oseias resume a vida dele em poucas linhas: no ventre pegou o irmão pelo calcanhar, adulto lutou com Deus, chorou e pediu favor, e em Betel Deus o achou (Oseias 12). Paulo, em Romanos 9, cita o oráculo dado a Rebeca para mostrar que a escolha veio antes do nascimento dos meninos e de qualquer obra deles.
E Jesus retoma a escada. A Natanael, promete: vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem (João 1.51).
Os pontos centrais
- O oráculo dado a Rebeca antes do parto: duas nações, e o mais velho servirá ao mais moço (Gênesis 25.23).
- O juízo do narrador sobre a troca pelo cozido recai sobre Esaú: assim ele desprezou a primogenitura (Gênesis 25.34).
- Em Betel, Deus não repreende o fugitivo: promete estar com ele, guardá-lo e fazê-lo voltar àquela terra (28.15).
- A frase de Labão, não se dá a mais nova antes da primogênita, devolve a Jacó o seu próprio engano (Gênesis 29.26).
- O nome Israel é dado em Peniel porque Jacó lutou com Deus e com os homens e prevaleceu (Gênesis 32.28).
- Jacó diz a Esaú que ver o rosto dele foi como ver o rosto de Deus, ligando o reencontro à noite de Peniel (33.10).
Leituras que se afastam do texto
Jacó roubou a primogenitura de Esaú enganando o pai cego
São dois episódios, separados por capítulos. A primogenitura, direito do filho mais velho, é vendida pelo próprio Esaú, com juramento, em troca de pão e cozido (Gênesis 25.29-34). O engano ao pai acontece depois e envolve outra coisa: a bênção que Isaque queria dar antes de morrer (capítulo 27). Esaú mesmo separa as duas perdas no seu desabafo: tirou-me a primogenitura e agora tira a minha bênção (27.36).
Jacó lutou com um anjo
Gênesis 32 não usa a palavra anjo para o adversário. Diz que um homem lutou com Jacó até o romper do dia, e esse homem não revela o próprio nome. Quem interpreta é o próprio Jacó, ao batizar o lugar de Peniel: vi Deus face a face, e a minha vida foi poupada (32.30). O anjo vem de Oseias 12, que relembra a cena dizendo que ele lutou com o anjo e prevaleceu, e das pinturas, que deram asas à figura.
Jacó trabalhou catorze anos antes de poder se casar com Raquel
Ele trabalha sete anos, e na noite do casamento recebe Lia. Labão então propõe que termine a semana de festa de Lia e receba também Raquel, em troca de mais sete anos de serviço. Jacó aceita, e Raquel lhe é dada ao fim daquela semana (Gênesis 29.27-30). Os sete anos seguintes são trabalhados já com as duas esposas em casa. A espera por Raquel é de sete anos e uma semana; a dívida é que dura catorze.
Esaú nunca perdoou Jacó
No reencontro, é Esaú quem corre, abraça o irmão, lança-se ao seu pescoço e o beija, e os dois choram (Gênesis 33.4). Ele recusa o presente dizendo que já tem muito, e só aceita por insistência. Mais tarde os dois sepultam juntos o pai (35.29). A inimizade duradoura é a dos povos que saem deles, Edom e Israel, denunciada pelos profetas. Ela costuma ser lida de volta para dentro da história dos gêmeos, que termina em paz.
Perguntas para estudo
8 perguntas
- Por que Esaú também é chamado de Edom?
- Edom quer dizer vermelho, a cor do cozido que ele pediu a Jacó ao voltar exausto do campo.
- O que o nome Jacó lembra?
- A palavra calcanhar, porque ele nasceu segurando o calcanhar do irmão; Esaú o liga ao verbo enganar.
- Como Rebeca disfarça Jacó diante de Isaque?
- Veste nele as roupas de Esaú e cobre as mãos e o pescoço dele com a pele dos cabritos.
- Que frase mostra a desconfiança de Isaque?
- A voz é a voz de Jacó, mas as mãos são as mãos de Esaú, dita ao apalpar o filho (Gênesis 27.22).
- O que Jacó promete em Betel?
- Se Deus o guardar e o trouxer de volta em paz, o Senhor será o seu Deus, e ele dará o dízimo de tudo.
- Quanto tempo Jacó passa com Labão?
- Vinte anos: catorze pelas duas filhas e seis pelos rebanhos, como ele mesmo diz em Gênesis 31.41.
- O que Raquel leva escondido ao sair de Harã?
- Os ídolos do lar que pertenciam a seu pai, Labão, sem que Jacó soubesse do furto.
- Que costume Gênesis liga à luta de Peniel?
- O de os filhos de Israel não comerem o nervo da articulação da coxa, ferida naquela noite.
Débora Arantes
Resumos da Bíblia
Escreve os resumos da estante Bíblia, livro por livro, com estrutura, contexto e as leituras de cada tradição. Lê cada livro inteiro em mais de uma tradução antes de escrever e marca, capítulo por capítulo, onde o texto muda de gênero ou de voz. É desse mapa que sai a estrutura de cada resumo.

