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Resumo de Sodoma e Gomorra

Por Débora Arantes 11 min de leitura

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Em 30 segundos

Dez justos bastariam para poupar Sodoma, e eles não são achados. Gênesis 18 e 19 começam com três visitantes na tenda de Abraão, em Manre, onde Sara ouve que terá um filho. Na despedida, o Senhor revela que o clamor contra Sodoma e Gomorra chegou até ele, e Abraão negocia: de cinquenta justos até dez. Dois anjos entram na cidade à tarde e são hospedados por Ló. À noite, os homens de Sodoma cercam a casa e exigem os hóspedes; os anjos os ferem de cegueira. De madrugada, Ló é tirado pela mão com a mulher e as duas filhas. Chove enxofre e fogo sobre a campina. A mulher de Ló olha para trás e se torna uma estátua de sal. De longe, Abraão vê a fumaça subir.

Duas cenas de hospitalidade postas lado a lado, passo a passo: Abraão recebendo os visitantes em Manre, em Gênesis 18, e Ló recebendo os anjos em Sodoma, em Gênesis 19
Imagem: resumode.com.br

Três visitantes no calor do dia

A cena começa longe de Sodoma, na tenda de Abraão, junto aos carvalhos de Manre. É a hora mais quente do dia. Ele ergue os olhos e vê três homens de pé. O narrador já avisou o leitor de que é o Senhor quem lhe aparece; Abraão vê viajantes.

A recepção é apressada e generosa. Ele corre, prostra-se, oferece água para os pés e um bocado de pão, e prepara muito mais do que prometeu: pães de farinha fina amassados por Sara, um novilho, coalhada e leite. Enquanto comem, fica de pé debaixo da árvore.

Os visitantes perguntam por Sara, e um deles marca prazo: daqui a um ano ela terá um filho. Atrás da porta da tenda, Sara ri consigo, pensando na própria idade. A resposta vem em forma de pergunta: há coisa difícil demais para o Senhor? (Gênesis 18.14). Ela nega ter rido. Não, tu riste.

Ocultarei a Abraão o que vou fazer?

Os homens se levantam e olham na direção de Sodoma. Abraão os acompanha um trecho, e o texto deixa ouvir o que o Senhor pondera: esconderei de Abraão o que estou para fazer? Ele foi escolhido para ensinar os filhos a guardar o caminho do Senhor, praticando a justiça e o direito.

Então a razão da viagem é dita: o clamor contra Sodoma e Gomorra é grande, e o pecado delas, muito grave. Descerei e verei se agem de fato conforme o clamor que chegou a mim (18.20-21). O juiz vai conferir antes de sentenciar.

Os homens seguem para Sodoma. Abraão fica onde está, diante do Senhor.

De cinquenta a dez

Abraão se aproxima e faz uma pergunta que é também um argumento: destruirás o justo com o ímpio? Supõe cinquenta justos na cidade e pede que, por causa deles, ela inteira seja poupada. Longe de ti fazer morrer o justo com o ímpio. Não fará justiça o Juiz de toda a terra? (18.25).

O Senhor concede: se achar cinquenta, poupará o lugar. Abraão, que se diz pó e cinza, continua. E se faltarem cinco? Quarenta e cinco. Quarenta. Trinta. Vinte. Por fim, pedindo que o Senhor não se ire por falar só mais uma vez: dez. A cada número a resposta é a mesma: não a destruirei.

Dois detalhes merecem atenção. Abraão não pede que os justos sejam retirados: pede que os muitos sejam poupados por causa dos poucos. E é ele quem para em dez, sem que o texto diga por quê. O Senhor se retira, e Abraão volta para casa.

Dois anjos à porta da cidade

Ao cair da tarde, dois anjos chegam a Sodoma. Ló, o sobrinho que anos antes armara as tendas perto dali, agora tem casa na cidade e está sentado à porta dela. Levanta-se, prostra-se e convida. Eles dizem que passarão a noite na praça. Ló insiste muito, leva-os para casa e lhes prepara um banquete, com pães sem fermento.

A cena repete, passo a passo, a acolhida do meio-dia em Manre. A diferença está no que há do lado de fora.

A casa cercada

Antes que se deitem, os homens da cidade cercam a casa. O narrador faz questão do total: moços e velhos, todo o povo, de todos os lados. Depois da conta de Abraão, a frase soa como resposta. Não há dez.

Eles gritam por Ló: onde estão os homens que entraram em tua casa esta noite? Traze-os para fora, para que os conheçamos. O verbo conhecer tem aqui o sentido de possuir.

Ló sai e fecha a porta atrás de si. Chama-os de irmãos, pede que não façam aquele mal e, para proteger os que estão sob o seu teto, oferece as duas filhas solteiras. O texto registra a proposta sem a elogiar. A multidão nem a ouve: este veio morar aqui como estrangeiro e quer ser juiz? Avançam para arrombar a porta. Os anjos puxam Ló para dentro e ferem os de fora com cegueira, de modo que não acham a entrada.

Tirado pela mão

Os anjos revelam a missão: o Senhor os enviou para destruir o lugar. Ló deve reunir os seus. Ele sai para avisar os genros, e eles pensam que é brincadeira.

Ao romper da manhã, os anjos o apressam. Ló demora. Então eles pegam pela mão a ele, à mulher e às duas filhas e os põem fora da cidade, porque o Senhor teve misericórdia dele (19.16). A ordem é curta: escapa por tua vida, não olhes para trás, não pares em lugar nenhum da campina, foge para o monte.

Mesmo aí Ló negocia. O monte é longe; há uma cidade perto, e é pequena. O pedido é atendido, e a cidade recebe o nome de Zoar, pequena. O anjo diz que nada fará enquanto ele não chegar lá.

Enxofre, fogo e uma estátua de sal

O sol nasce quando Ló entra em Zoar. O Senhor faz chover enxofre e fogo sobre Sodoma e Gomorra e destrói as cidades, toda a campina, os moradores e o que brotava do chão.

A mulher de Ló, que vinha atrás dele, olha para trás e se torna uma estátua de sal. O texto diz isso num versículo e passa adiante.

A última imagem é de Abraão. De madrugada, ele volta ao lugar onde estivera diante do Senhor, olha para a campina e vê subir da terra uma fumaça como a de uma fornalha. O narrador fecha a conta aberta na véspera: quando destruiu as cidades, Deus se lembrou de Abraão e tirou Ló do meio da ruína (19.29).

A caverna acima de Zoar

Ló tem medo de ficar em Zoar e vai morar numa caverna, no monte, com as duas filhas. Convencidas de que não resta homem para elas, as duas embriagam o pai em noites seguidas e se deitam com ele. Dos filhos que nascem vêm dois povos vizinhos de Israel: Moabe, pai dos moabitas, e Ben-Ami, pai dos amonitas.

Ló não volta a aparecer em Gênesis. De Moabe, muitas gerações depois, virá Rute.

Sodoma na boca dos profetas e de Jesus

Depois de Gênesis, o nome da cidade vira medida, e quase sempre é usado contra o próprio povo de Deus. Isaías chama os chefes de Jerusalém de príncipes de Sodoma (Isaías 1.10). Ezequiel diz a Jerusalém que ela fez pior que a irmã e descreve qual foi a culpa de Sodoma: soberba, fartura de pão e tranquilidade despreocupada, sem estender a mão ao pobre e ao necessitado (Ezequiel 16.49).

Jesus usa a mesma medida. Para a cidade que rejeitar os seus enviados, haverá no dia do juízo mais rigor do que para Sodoma (Mateus 10.15). E no evangelho de Lucas ele lembra os dias de Ló, em que se comia, bebia, comprava, vendia, plantava e construía até a manhã da saída, e acrescenta uma ordem curta: lembrai-vos da mulher de Ló (Lucas 17.32).

A segunda carta de Pedro olha para o outro lado da história. Chama Ló de justo, afligido pelo que via na cidade, e tira dali uma certeza: o Senhor sabe livrar da provação os que são dele (2 Pedro 2.7-9).

Os pontos centrais

  1. A pergunta feita diante do riso de Sara, se há coisa difícil demais para o Senhor, abre os dois capítulos e vale para ambos (Gênesis 18.14).
  2. Antes de julgar, o Senhor declara que descerá para ver se a cidade age conforme o clamor que subiu até ele (18.20-21).
  3. A intercessão se apoia numa pergunta: não fará justiça o Juiz de toda a terra? (Gênesis 18.25).
  4. A contagem para em dez, e o capítulo seguinte insiste em que todos os homens, moços e velhos, cercaram a casa (19.4).
  5. Ló demora, e os anjos o tiram pela mão, porque o Senhor teve misericórdia dele (Gênesis 19.16).
  6. O narrador explica o livramento de Ló com uma frase: Deus se lembrou de Abraão (Gênesis 19.29).

Leituras que se afastam do texto

Abraão pediu a Deus que salvasse Ló

O nome de Ló não aparece na intercessão de Gênesis 18.23-32. Abraão pede pela cidade inteira, por causa dos justos que nela houver, e desce de cinquenta até dez. Ló escapa por outro caminho: os anjos o tiram pela mão, e o narrador explica que Deus se lembrou de Abraão (19.29). O engano nasce de supor que o tio só pensava no sobrinho. O pedido registrado é mais largo, e o que Deus faz por Ló não foi pedido em palavra nenhuma.

Só Sodoma e Gomorra foram destruídas

Gênesis 19.25 diz que o Senhor destruiu aquelas cidades e toda a campina. Deuteronômio 29.23 dá o nome de mais duas, Admá e Zeboim, que Oseias 11.8 também lembra. As cinco cidades da campina já aparecem juntas na guerra dos reis, em Gênesis 14. A quinta, Zoar, é a única poupada, porque Ló pede para se refugiar nela (19.20-22). O par famoso ficou no lugar do conjunto por ser o que o texto mais repete.

A mulher de Ló olhou para trás por curiosidade

O texto lhe dedica um versículo, sem nome e sem motivo: ela olhou para trás e se tornou uma estátua de sal (Gênesis 19.26). A ordem de não olhar tinha sido dada pouco antes (19.17). Quem dá uma pista é Jesus: ele manda lembrar a mulher de Ló ao falar de quem, no dia decisivo, quer voltar para buscar os bens deixados em casa (Lucas 17.31-32). Curiosidade, saudade e pena dos que ficaram são suposições de quem reconta.

O pecado de Sodoma foi só o que aconteceu naquela noite

A fama da cidade é anterior: Gênesis 13.13 já chama os seus homens de grandes pecadores, e o clamor de 18.20 sobe antes de os anjos chegarem. A noite mostra a cidade inteira disposta a violentar hóspedes. Ezequiel 16.49-50 completa o retrato: soberba, fartura de pão, tranquilidade despreocupada, nenhuma ajuda ao pobre e ao necessitado, e abominações. A carta de Judas fala de imoralidade. A Bíblia descreve Sodoma com vários traços.

Perguntas para estudo

8 perguntas

Onde Abraão está quando os visitantes aparecem?
Sentado à entrada da tenda, junto aos carvalhos de Manre, na hora mais quente do dia.
Como Sara reage ao anúncio de que terá um filho?
Ela ri consigo mesma, atrás da porta da tenda, e depois nega ter rido, por medo.
Quais são os números da intercessão de Abraão?
Cinquenta, quarenta e cinco, quarenta, trinta, vinte e dez justos, em seis pedidos seguidos.
Quantos visitantes chegam a Sodoma, e quando?
Dois anjos, ao cair da tarde, enquanto Ló está sentado à porta da cidade (Gênesis 19.1).
O que acontece com os homens que tentam arrombar a porta?
São feridos de cegueira e se cansam de procurar a entrada da casa de Ló.
Como os genros de Ló recebem o aviso?
Acham que ele está brincando e ficam na cidade, segundo Gênesis 19.14.
O que Abraão vê na manhã seguinte?
Do lugar onde tinha intercedido, vê subir da terra uma fumaça como a de uma fornalha.
Que povos descendem das filhas de Ló?
Os moabitas, de Moabe, e os amonitas, de Ben-Ami, vizinhos de Israel a leste do Jordão.
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Débora Arantes

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