Resumo de 2 Crônicas
Por Débora Arantes 10 min de leitura
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Em 2 Crônicas a história dos reis é contada a partir do templo. Os nove primeiros capítulos mostram Salomão construindo e dedicando a casa de Deus, com fogo descendo do céu e a promessa de que Deus ouvirá o povo que se humilhar e orar. Do capítulo 10 em diante, o livro acompanha somente os reis de Judá, a linha de Davi, e ignora quase por completo o reino do norte. Cada reinado vira uma lição direta: quem busca o Senhor prospera, quem o abandona cai, e quem se arrepende é restaurado, até o pior deles, Manassés. Quatro reformadores recebem mais espaço: Asa, Josafá, Ezequias e Josias. O fim vem com a destruição de Jerusalém pelos babilônios, mas a última palavra é do persa Ciro, que autoriza a reconstrução do templo.
A história vista da porta do templo
2 Crônicas cobre o mesmo período de 1 e 2 Reis e tem um jeito próprio de olhar. Em Reis, o leitor acompanha dois reinos e termina com a pergunta por que caímos. Aqui, o leitor acompanha um edifício, o templo, e a pergunta é como se volta. O livro é a segunda metade de 1 Crônicas e foi escrito para a comunidade que retornou do exílio.
A chave está num verbo repetido do começo ao fim: buscar o Senhor. O profeta Azarias diz ao rei Asa a frase que resume o livro: o Senhor está convosco enquanto estais com ele; se o buscardes, ele se deixará achar; se o abandonardes, ele vos abandonará (2 Crônicas 15.2).
Salomão, construtor
Os capítulos 1 a 9 apresentam Salomão quase só como o homem do templo. A disputa pela sucessão, as execuções do início e a idolatria do fim, contadas em 1 Reis, ficam de fora. Ele pede sabedoria em Gibeão, negocia com Hirão de Tiro e ergue a casa no monte Moriá, nome que liga o lugar ao sacrifício de Abraão em Gênesis 22.
Na dedicação, os levitas cantores entoam com trombetas o refrão porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre, e a nuvem enche a casa. Salomão ora de joelhos sobre uma plataforma de bronze. Quando termina, fogo desce do céu e consome os sacrifícios.
De noite, Deus responde. A resposta inclui o versículo mais conhecido do livro: se eu fechar o céu, se mandar gafanhotos ou peste, e o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, orar, buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, eu ouvirei dos céus, perdoarei o seu pecado e sararei a sua terra (2 Crônicas 7.14). Os capítulos seguintes são, em boa medida, exemplos dessa frase funcionando.
Os reis de Judá, um por um
Com a divisão, o cronista fica em Jerusalém. Sacerdotes e levitas do norte, expulsos por Jeroboão, migram para Judá, e o livro registra isso com interesse. A cada rei, a pergunta é a mesma, e a consequência chega no próprio reinado.
- Roboão abandona a lei, e o faraó Sisaque invade. O rei e os chefes se humilham, e a destruição é contida.
- Abias discursa do alto de um monte para o exército do norte: nós não deixamos o Senhor. Judá vence em desvantagem.
- Asa remove ídolos e derrota um exército etíope imenso depois de orar. No fim, compra a ajuda da Síria com o ouro do templo, prende o profeta que o repreende e, doente dos pés, procura só os médicos.
- Josafá envia oficiais e levitas para ensinar a lei nas cidades e nomeia juízes. Seu erro é a aliança com Acabe. Seu grande momento é o capítulo 20: diante de três povos invasores, proclama jejum e ora, e o levita Jaaziel responde que a batalha não é vossa, mas de Deus. O exército sai com os cantores à frente, e os inimigos se voltam uns contra os outros.
- Jeorão, casado com Atalia, mata os irmãos; Atalia quase extingue a linhagem; Joás é salvo, restaura o templo com a coleta de uma arca posta à porta e, morto o sacerdote Joiada, se desvia e manda apedrejar o filho dele, Zacarias, no pátio do templo.
- Uzias prospera em guerras, obras e agricultura, até invadir o santuário com um incensário. Fica leproso até a morte.
- Acaz fecha as portas do templo.
Ezequias: as portas reabertas
O livro dá a Ezequias quatro capítulos, e três deles tratam de culto, não do cerco assírio que domina o relato de Reis. No primeiro mês do reinado ele reabre o templo, manda os levitas purificá-lo e restabelece sacrifícios e música.
Em seguida convoca uma Páscoa e envia mensageiros de Berseba a Dã, incluindo o território do norte, já devastado pela Assíria. Muitos zombam; alguns de Aser, Manassés e Zebulom se humilham e vêm. Como muitos não estavam purificados, Ezequias ora por eles: o Senhor, que é bom, perdoe todo aquele que dispõe o coração a buscá-lo, ainda que não segundo a purificação do santuário. E o Senhor ouve. A alegria é tanta que a festa é prolongada por mais sete dias.
Manassés, o caso extremo
Em 2 Reis, Manassés é a causa do exílio. Crônicas concorda com a lista de crimes e acrescenta um desfecho. Os assírios o levam com ganchos e correntes para a Babilônia. Na aflição, ele se humilha profundamente e ora, e Deus o faz voltar a Jerusalém. Então Manassés reconheceu que o Senhor é Deus, retirou os ídolos e restaurou o altar. Para leitores que tinham voltado de um cativeiro, a mensagem era direta.
Josias e o fim
Josias começa a buscar a Deus aos dezesseis anos, purifica a terra, e durante a restauração do templo o livro da lei é encontrado. A Páscoa que ele celebra é descrita com minúcia. Sua morte em Megido ganha uma explicação que Reis não dá: ele não deu ouvidos às palavras do faraó Neco, que vinham da boca de Deus. Jeremias compõe um lamento por ele.
O último capítulo passa rápido pelos quatro reis finais. A acusação é coletiva: Deus enviou mensageiros repetidas vezes, porque tinha compaixão do seu povo e da sua casa, e eles zombaram dos profetas até não haver mais remédio. Os babilônios queimam o templo e levam os sobreviventes. A terra, diz o texto, gozou os seus sábados durante setenta anos, cumprindo a palavra de Jeremias.
A última linha
Os dois versículos finais saltam o exílio inteiro. No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, sai o decreto: o Senhor me encarregou de lhe edificar uma casa em Jerusalém; quem dentre vós é do seu povo, o Senhor seu Deus seja com ele, e suba. Na Bíblia hebraica, essa é a frase que fecha o cânon inteiro, um convite para subir.
O livro de Esdras começa repetindo essas mesmas palavras e conta o que aconteceu com quem subiu.
Os pontos centrais
- A resposta de Deus à oração de Salomão (2 Crônicas 7.14): se o meu povo se humilhar, orar, me buscar e se converter, eu ouvirei, perdoarei e sararei a terra.
- O padrão do livro, chamado de retribuição imediata: a fidelidade ou a infidelidade de cada rei tem consequência dentro do próprio reinado.
- A oração de Josafá diante da invasão (2 Crônicas 20): não sabemos o que fazer, mas os nossos olhos estão postos em ti.
- A grande Páscoa de Ezequias (2 Crônicas 30), com convite enviado também às tribos do norte.
- O arrependimento de Manassés na Babilônia (2 Crônicas 33), ausente em Reis.
- O final com o decreto de Ciro (2 Crônicas 36.22 e 23), que é também a abertura do livro de Esdras.
Leituras que se afastam do texto
2 Crônicas conta a história dos dois reinos, como Reis
Depois da divisão, o livro segue apenas Judá. Elias aparece só numa carta, Eliseu não aparece, e a queda de Samaria não é narrada. Para o autor, a história que continua é a da casa de Davi e do templo de Jerusalém, embora ele insista em convidar o povo do norte a voltar.
2 Crônicas 7.14 é uma promessa feita a qualquer país que orar
No texto, a frase é resposta à oração de dedicação e fala de Israel, do templo e da terra prometida, em situações de seca, praga ou derrota. O princípio de que Deus atende quem se humilha percorre a Bíblia toda, mas o versículo descreve a aliança com um povo específico.
Manassés morreu como viveu, sem nunca se arrepender
Esse é o retrato de 2 Reis 21. Crônicas acrescenta que ele foi levado preso para a Babilônia, humilhou-se, orou, foi trazido de volta e removeu os ídolos que instalara. O cronista usa o pior rei de Judá para mostrar até onde alcança a promessa do capítulo 7.
Uzias foi castigado por ser um mau rei
O texto o descreve como rei bom e muito bem-sucedido durante décadas. A lepra vem quando, fortalecido, ele entra no santuário para queimar incenso, função reservada aos sacerdotes (2 Crônicas 26). O livro aponta o orgulho que nasce do êxito, e não uma vida de infidelidade.
Perguntas para estudo
8 perguntas
- Em que monte Salomão constrói o templo, segundo Crônicas?
- No monte Moriá, na eira de Ornã, lugar que Davi havia preparado.
- O que acontece quando Salomão termina de orar na dedicação?
- Desce fogo do céu sobre o sacrifício, e a glória do Senhor enche o templo.
- Como Judá vence a batalha no tempo de Josafá?
- Os cantores vão à frente louvando, e os exércitos inimigos se destroem entre si.
- Quem esconde o menino Joás de Atalia?
- Jeosabeate, sua tia, mulher do sacerdote Joiada; ele fica seis anos no templo.
- Por que Uzias fica leproso?
- Porque entra no templo para queimar incenso, tarefa exclusiva dos sacerdotes.
- O que Ezequias faz no primeiro mês do seu reinado?
- Reabre e purifica o templo, que seu pai Acaz havia fechado.
- Como o livro explica os setenta anos de exílio?
- Como o descanso da terra pelos anos sabáticos não guardados, conforme a palavra de Jeremias.
- Quem autoriza a volta dos exilados no último versículo?
- Ciro, rei da Pérsia, que convida quem for do povo de Deus a subir a Jerusalém.
Débora Arantes
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