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Resumo da paixão e crucificação de Jesus

Por Débora Arantes 13 min de leitura

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Em 30 segundos

Depois da ceia, Jesus ora no Getsêmani, no monte das Oliveiras, enquanto os discípulos dormem. Judas chega com gente armada e o entrega com um beijo. Na mesma noite, o sumo sacerdote e o Sinédrio o interrogam e o declaram réu de morte, e Pedro o nega três vezes. De manhã, levam-no a Pilatos, o governador romano, que não acha crime nele, solta Barrabás e o entrega para ser crucificado. Jesus é levado ao lugar chamado Gólgota e crucificado entre dois condenados, sob um letreiro que o chama de rei dos judeus. Morre por volta da hora nona, e José de Arimateia o sepulta antes do sábado. Os quatro evangelhos contam essa sequência, e cada um guarda cenas e palavras que os outros não têm, como as sete frases ditas na cruz.

Linha com cinco paradas da paixão em menos de um dia: o Getsêmani à noite, o Sinédrio, Pilatos pela manhã, o Gólgota até a hora nona e o sepulcro antes do sábado
Imagem: resumode.com.br

Não o que eu quero

Terminada a última ceia, Jesus sai com os discípulos para o monte das Oliveiras. Mateus e Marcos dão o nome do lugar, Getsêmani. Ele leva consigo Pedro, Tiago e João, diz que a sua alma está triste até a morte e se afasta para orar: Pai, afasta de mim este cálice; contudo, não o que eu quero, mas o que tu queres (Marcos 14.36). Volta três vezes e três vezes encontra os discípulos dormindo.

Lucas resume numa só oração, feita de joelhos, e acrescenta um anjo que o conforta e o suor que se torna como gotas de sangue caindo na terra (22.43-44). João não narra a oração. O cálice aparece nele mais adiante, na hora da prisão: não beberei o cálice que o Pai me deu? (18.11).

O beijo e a espada

Judas chega com gente armada, enviada pelos chefes dos sacerdotes. Nos três primeiros evangelhos, ele se aproxima para beijar Jesus; Mateus e Marcos dizem que o beijo era o sinal combinado. Em Lucas, Jesus pergunta: Judas, com um beijo entregas o Filho do Homem? (22.48). João não fala do beijo. Nele, Jesus se adianta e pergunta a quem procuram; ao ouvir sou eu, os soldados recuam e caem por terra (18.4-6).

Um dos que estavam com Jesus puxa a espada e corta a orelha de um servo do sumo sacerdote. Cada evangelho acrescenta algo: Mateus traz a frase todos os que tomam a espada pela espada perecerão (26.52); Lucas conta que Jesus toca a orelha e cura o homem (22.51); João dá os nomes, Pedro e Malco. Em Mateus e Marcos, a cena termina em poucas palavras: todos o abandonaram e fugiram.

A casa do sumo sacerdote e o pátio

João diz que Jesus foi levado primeiro a Anás e depois a Caifás. Os sinóticos contam o interrogatório diante do sumo sacerdote e do Sinédrio. As testemunhas não concordam entre si. O sumo sacerdote pergunta então diretamente: és tu o Cristo, o Filho do Deus bendito? Em Marcos, a resposta é eu sou, seguida do anúncio de que verão o Filho do Homem sentado à direita do Poder (14.62). O sumo sacerdote rasga as vestes, e todos o julgam réu de morte.

No pátio, ao mesmo tempo, Pedro se aquece junto ao fogo. Interpelado três vezes, nega três vezes conhecer Jesus, e o galo canta. A negação está nos quatro evangelhos. Lucas guarda um detalhe: o Senhor se voltou e olhou para Pedro (22.61). Ele sai e chora amargamente.

Mateus é o único evangelho que diz o que foi feito de Judas. Ao ver Jesus condenado, ele devolve as trinta moedas, dizendo que entregou sangue inocente, e se enforca (27.3-5).

Pilatos, Herodes e Barrabás

De manhã, Jesus é levado a Pilatos, o governador romano. A pergunta muda: és tu o rei dos judeus? A resposta é breve, tu o dizes, e depois dela, em Mateus e Marcos, Jesus se cala, a ponto de Pilatos se admirar.

Lucas tem um episódio a mais. Ao saber que Jesus é galileu, Pilatos o envia a Herodes, que o interroga longamente, não obtém resposta e o devolve (23.6-12). Em Lucas, Pilatos declara três vezes não achar nele culpa alguma.

João conta o diálogo mais longo, dentro do pretório. Jesus diz que o seu reino não é deste mundo; Pilatos pergunta o que é a verdade e mais tarde o apresenta, coroado de espinhos e vestido de púrpura: eis o homem (19.5).

Havia o costume de soltar um preso na festa. A escolha é entre Jesus e Barrabás, e Marcos anota que Pilatos sabia que os chefes dos sacerdotes tinham entregado Jesus por inveja (15.10). Barrabás é solto. Jesus é açoitado e entregue para ser crucificado.

Os soldados o vestem com um manto, põem-lhe uma coroa de espinhos e o saúdam, zombando: salve, rei dos judeus. A coroa está em Mateus, Marcos e João. Lucas não a menciona; nele, a zombaria com uma veste vistosa é dos soldados de Herodes (23.11).

O lugar da Caveira

O lugar se chama Gólgota, palavra que os próprios evangelhos traduzem: lugar da Caveira. Calvário vem da tradução latina desse nome.

Os relatos são contidos. Do ato em si dizem uma frase, e o crucificaram, e passam ao que acontece em volta:

  • oferecem-lhe vinho com mirra, e ele não bebe (Marcos 15.23);
  • os soldados repartem as suas roupas, tirando a sorte; João explica que a túnica não tinha costura (19.23-24);
  • por cima fica o letreiro com a acusação, o rei dos judeus, com pequenas variações de um evangelho para outro; em João, os chefes dos sacerdotes pedem que seja corrigido, e Pilatos responde: o que escrevi, escrevi (19.22);
  • dois condenados são crucificados com ele, um de cada lado;
  • os que passam, os chefes dos sacerdotes e os escribas zombam: salvou os outros, a si mesmo não pode salvar.

João põe junto à cruz a mãe de Jesus, outras mulheres e o discípulo que ele amava. Nos sinóticos, as mulheres que o tinham seguido desde a Galileia observam de longe.

Sete palavras, quatro evangelhos

Palavra Onde está
Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem Lucas 23.34
Em verdade te digo: hoje estarás comigo no paraíso Lucas 23.43
Mulher, eis o teu filho. Eis a tua mãe João 19.26-27
Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Mateus 27.46; Marcos 15.34
Tenho sede João 19.28
Está consumado João 19.30
Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito Lucas 23.46

A tabela segue a ordem em que as frases costumam ser lembradas. Cada evangelho tem o seu conjunto, e o conjunto combina com o livro. Em Marcos e Mateus, a única palavra é o grito de abandono. Em Lucas, as três são de perdão e de confiança, e duas começam por Pai. Em João, Jesus cuida da mãe e declara terminada a obra.

A hora nona

Do meio-dia até a hora nona, três da tarde, há trevas sobre a terra, dizem os três sinóticos. Jesus dá um grande brado e expira. O véu do templo se rasga de alto a baixo.

Mateus acrescenta que a terra tremeu e as rochas se partiram (27.51). O centurião que estava diante da cruz diz, em Marcos e Mateus, que aquele homem era Filho de Deus; em Lucas, que era justo.

João conta o que os outros não contam. Para que os corpos não ficassem na cruz durante o sábado, os soldados quebram as pernas dos outros dois. A Jesus, já morto, não as quebram: um soldado lhe abre o lado com a lança, e saem sangue e água (19.31-34). O evangelista vê ali duas Escrituras cumpridas: nenhum osso lhe será quebrado, e olharão para aquele a quem traspassaram.

O túmulo de José de Arimateia

Era a véspera do sábado, e a tarde caía. José de Arimateia, membro do Sinédrio que esperava o reino de Deus, vai a Pilatos e pede o corpo. Pilatos se admira de que Jesus já tivesse morrido e confirma com o centurião (Marcos 15.44-45). José envolve o corpo num lençol de linho, deposita-o num túmulo cavado na rocha e rola uma pedra na entrada.

Mateus diz que José era rico e que o túmulo era dele, novo. João diz que ele era discípulo em segredo, que Nicodemos veio ajudá-lo com perfumes e que o túmulo ficava num jardim, perto do lugar da crucificação. As mulheres observam onde o corpo é posto. Só Mateus registra o pedido feito a Pilatos no dia seguinte: o túmulo é selado e recebe uma guarda (27.62-66).

O relato para aí, com a pedra no lugar e o sábado começando. A continuação está na manhã do primeiro dia da semana, na ressurreição de Jesus.

O salmo que os evangelistas ouviram

Os quatro relatos são escritos com as Escrituras de Israel à vista, e nenhuma aparece tanto quanto o Salmo 22. Dele vem o grito da hora nona, que é o seu primeiro versículo. Dele vem a partilha das roupas: repartem entre si as minhas vestes e lançam sortes sobre a minha túnica (Salmo 22.18), que João cita expressamente. Dele vêm os que passam meneando a cabeça. O livro de Salmos dá também a última palavra em Lucas, tirada do Salmo 31.5.

A outra página é a do servo sofredor de Isaías, que não abre a boca diante dos que o julgam e é contado entre os transgressores (Isaías 53.7 e 53.12). Em Lucas, o próprio Jesus cita esse versículo à mesa, antes de sair para o monte (22.37).

O salmo que começa em abandono não termina nele: fecha anunciando o que o Senhor fez a um povo que ainda vai nascer (Salmo 22.31).

Os pontos centrais

  1. A paixão é o trecho mais longo que os quatro evangelhos contam na mesma ordem: oração, prisão, sumo sacerdote, Pilatos, cruz e sepulcro.
  2. O nome Getsêmani está em Mateus 26.36 e Marcos 14.32; Lucas fala do monte das Oliveiras, e João, de um jardim além do Cedrom (18.1).
  3. Há dois interrogatórios: diante do sumo sacerdote, a pergunta é se ele é o Cristo; diante de Pilatos, se é o rei dos judeus.
  4. As sete palavras da cruz são a soma de quatro relatos: uma em Mateus e Marcos, três em Lucas e três em João.
  5. Só Lucas conta o envio a Herodes (23.6-12) e o diálogo com o malfeitor (23.39-43); só João, a mãe ao pé da cruz e a lança (19.25-37).
  6. José de Arimateia, presente nos quatro evangelhos, pede o corpo a Pilatos e o sepulta antes de começar o sábado (Marcos 15.42-46).

Leituras que se afastam do texto

Os evangelhos registram as sete palavras de Jesus na cruz

Nenhum evangelho traz as sete. Mateus e Marcos registram uma só, o grito do Salmo 22; Lucas tem três, e João outras três. A lista é a soma dos quatro relatos, e a ordem em que costuma ser recitada é uma arrumação posterior, já que os textos não permitem dizer qual frase veio antes de qual. Quem lê só Marcos encontra um crucificado quase em silêncio; quem lê só Lucas não encontra o grito de abandono.

O bom ladrão, chamado Dimas, aparece nos quatro evangelhos

Os quatro dizem que Jesus foi crucificado entre dois, mas só Lucas distingue um do outro e conta o pedido lembra-te de mim (23.39-43). Em Mateus 27.44 e Marcos 15.32, os crucificados com ele também o insultam, sem exceção registrada. Lucas os chama de malfeitores; salteadores é palavra de Mateus e Marcos. Os nomes Dimas e Gestas não estão na Bíblia: vêm de escritos posteriores.

A mesma multidão que gritou hosana no domingo gritou crucifica-o na sexta

Nenhum evangelho identifica um grupo com o outro. A aclamação da entrada vem dos que acompanhavam Jesus na subida, a multidão dos discípulos em Lucas 19.37. Diante de Pilatos está uma multidão reunida de manhã cedo, que os chefes dos sacerdotes incitam a pedir Barrabás (Marcos 15.11). E Lucas registra, no mesmo dia, uma grande multidão do povo que o segue lamentando (23.27) e volta batendo no peito (23.48).

A caminho do Calvário, Jesus caiu três vezes, e Verônica lhe enxugou o rosto

As quedas e o véu de Verônica pertencem à via-sacra, devoção formada séculos depois, e não aos evangelhos. Do caminho, os textos contam três coisas: Simão de Cirene é obrigado a levar a cruz (Mateus, Marcos e Lucas); mulheres choram, e Jesus lhes fala (só Lucas 23.27-31); e João, sem mencionar Simão, diz que ele saiu carregando a própria cruz (19.17). O percurso ocupa poucos versículos.

Perguntas para estudo

8 perguntas

Que discípulos Jesus leva para perto de si no Getsêmani?
Pedro, Tiago e João, a quem pede que fiquem ali e vigiem enquanto ele ora (Marcos 14.33-34).
Como se chama o servo ferido na hora da prisão, e quem o fere?
Malco, servo do sumo sacerdote; só João diz o nome dele e que o golpe foi de Simão Pedro (18.10).
A quem Jesus é levado primeiro, segundo João?
A Anás, sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote naquele ano (João 18.13).
O que o sumo sacerdote faz ao ouvir a resposta de Jesus?
Rasga as próprias vestes, diz que não precisa de mais testemunhas e fala em blasfêmia (Marcos 14.63-64).
Por que Barrabás estava preso?
Por um motim em que houve homicídio, segundo Marcos 15.7; João diz que era salteador (18.40).
Em que línguas estava escrito o letreiro da cruz?
Em hebraico, latim e grego, e muitos o leram, porque o lugar ficava perto da cidade (João 19.20).
De que salmo vem a frase Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?
Do primeiro versículo do Salmo 22, que Marcos transcreve em aramaico (Marcos 15.34).
Quem ajuda José de Arimateia no sepultamento, segundo João?
Nicodemos, que traz cerca de cem libras de uma mistura de mirra e aloés (João 19.39).
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Débora Arantes

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