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Resumo do livro de Malaquias

Por Débora Arantes 12 min de leitura

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Em 30 segundos

Com o templo reconstruído e o culto funcionando, a geração que voltou do exílio esfriou: sacerdotes oferecem animais defeituosos, homens abandonam as esposas, os dízimos não chegam e muita gente diz que servir a Deus não adianta. Malaquias responde em seis discussões de mesma forma: Deus afirma, o povo retruca em quê?, e vem a prova. A primeira frase é eu vos amei. As seguintes cobram honra no altar, fidelidade no casamento e os dízimos na casa do tesouro, com a promessa das janelas do céu abertas. O livro anuncia um mensageiro que prepara o caminho, o Senhor chegando ao templo como fogo de ourives e o sol da justiça para os que o temem. Termina mandando lembrar Moisés e esperar Elias.

As seis discussões de Malaquias em cartões, cada uma com a afirmação de Deus e a resposta dada ao povo: amor, altar, casamento, juízo, dízimos e o valor de servir
Imagem: resumode.com.br

Um templo de pé e um povo cansado

Ageu e Zacarias falaram a quem precisava de ânimo para reconstruir a casa de Deus. Malaquias fala depois, quando a casa está pronta, os sacrifícios são oferecidos todos os dias e Judá é uma província do império persa, com um governador (1.8). As grandes promessas dos profetas não se cumpriram do jeito que se esperava, e o entusiasmo virou rotina.

Os problemas que o livro aponta são os mesmos que Neemias encontra em Jerusalém: dízimos que não chegam aos levitas, casamentos com mulheres de outros povos e de outros cultos, sacerdotes relaxados (Neemias 13). Por isso Malaquias costuma ser situado nessa época, por volta do século V a.C.

Do profeta não se sabe nada além do nome, que significa meu mensageiro. O livro tem quatro capítulos na maioria das edições e três nas que seguem a divisão hebraica; o texto é o mesmo.

E vós dizeis: em quê?

Malaquias não discursa: discute. O livro é feito de seis disputas, todas com o mesmo andamento. Deus afirma alguma coisa. O povo, ou os sacerdotes, retrucam com uma pergunta de quem não vê onde está o problema: em que nos amaste? Em que desprezamos o teu nome? Em que te roubamos? Então vem a resposta, com fatos.

A forma diz muito sobre os ouvintes. Ninguém ali adora ídolos nem abandonou o templo. É gente que cumpre o culto, acha que está em dia e se queixa de que Deus não cumpre a parte dele.

Jacó amei

A primeira afirmação é a base de todas as outras: eu vos amei, diz o Senhor (1.2). A objeção vem na hora: em que nos amaste?

A prova é a história dos dois irmãos, Jacó e Esaú, tomados como os dois povos que deles descendem. Israel voltou do exílio e está de pé. Edom, o vizinho que se alegrou com a queda de Jerusalém, como denuncia Abdias, teve os seus montes devastados, e o que reconstruir será derrubado (1.3-4). Os olhos de Israel verão isso e dirão: grande é o Senhor, também além das fronteiras de Israel (1.5).

Cegos e coxos no altar

A segunda disputa é a mais longa e se dirige aos sacerdotes. O filho honra o pai, e o servo, o seu senhor. Se eu sou pai, onde está a minha honra? Se sou senhor, onde está o temor que me é devido? (1.6).

O desprezo está nas ofertas. A lei pedia animais sem defeito, e chegam ao altar os cegos, os coxos e os doentes, o que ninguém queria no rebanho. Malaquias propõe um teste: ofereça isso ao governador, e veja se ele o recebe bem (1.8). O Senhor preferia que alguém fechasse as portas do templo, para que o fogo do altar não fosse aceso à toa (1.10). E acrescenta uma frase de horizonte largo: do nascente ao poente o meu nome é grande entre as nações (1.11).

O capítulo 2 lembra o que o sacerdote deveria ser. Deus fez com Levi uma aliança de vida e de paz. Os lábios do sacerdote guardam o conhecimento, e da sua boca se busca a instrução, porque ele é mensageiro do Senhor dos Exércitos (2.7). Os sacerdotes daquele tempo fizeram o contrário: desviaram-se, levaram muitos a tropeçar e aplicaram a lei com parcialidade (2.8-9).

A mulher da tua mocidade

A terceira disputa começa por uma pergunta do próprio profeta: não temos todos um mesmo Pai? Não nos criou um mesmo Deus? Por que somos desleais uns com os outros? (2.10).

A deslealdade tem duas faces. Homens de Judá se casam com a filha de um deus estranho (2.11), e com ela entra em casa outro culto. E homens abandonam a esposa com quem se casaram jovens. Depois cobrem o altar de lágrimas, sem entender por que a oferta não é aceita. A resposta: o Senhor foi testemunha entre ti e a mulher da tua mocidade, a tua companheira, a mulher da tua aliança (2.14). O casamento é tratado como aliança, com Deus por testemunha, e o trecho se fecha com a ordem de não ser desleal (2.16).

O mensageiro e o fogo do ourives

Na quarta disputa, o povo cansa a Deus com duas frases: quem faz o mal é bem-visto pelo Senhor, e onde está o Deus do juízo? (2.17).

A resposta é o anúncio mais citado do livro. Eis que envio o meu mensageiro, que preparará o caminho diante de mim. E de repente virá ao seu templo o Senhor a quem buscais (3.1). Quem pede o juízo deve saber o que pede: quem suportará o dia da sua vinda? Ele é como o fogo do ourives e como o sabão dos lavandeiros. Vai sentar-se como quem refina prata e purificar os filhos de Levi, até que a oferta volte a ser agradável (3.2-4).

O juízo começa pelo templo e alcança os feiticeiros, os adúlteros, os que juram falso e os que defraudam o salário do trabalhador, oprimem a viúva e o órfão e torcem o direito do estrangeiro (3.5).

As janelas do céu

A quinta disputa abre com uma garantia: eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, filhos de Jacó, não sois consumidos (3.6). Segue o mesmo convite de Zacarias: tornai-vos para mim, e eu me tornarei para vós (3.7). O povo pergunta em que deve voltar.

Roubará o homem a Deus? Vós me roubais, nos dízimos e nas ofertas (3.8). O dízimo era a décima parte da colheita e dos rebanhos, que sustentava os levitas e o serviço do templo. Sem ele, os depósitos ficavam vazios. A ordem é trazer todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e vem com um desafio raro na Bíblia: provai-me nisto. Deus abrirá as janelas do céu, derramará bênção sem medida e repreenderá o devorador, para que ele não consuma o fruto da terra (3.10-11).

O livro de memórias e o sol da justiça

A última disputa enfrenta a frase mais amarga: é inútil servir a Deus. De que adiantou guardar os seus preceitos? Os soberbos é que são felizes; fazem o mal, põem Deus à prova e escapam (3.14-15).

Desta vez a resposta começa por uma cena. Os que temiam o Senhor conversaram entre si, o Senhor prestou atenção e ouviu, e um memorial foi escrito diante dele em favor deles (3.16). No dia que ele prepara, serão o seu tesouro particular, e voltará a ser visível a diferença entre quem serve a Deus e quem não serve.

Esse dia arde como fornalha. Os soberbos serão palha, sem raiz nem ramo. Mas para os que temem o nome do Senhor nascerá o sol da justiça, trazendo cura nas suas asas, e eles sairão saltando como bezerros soltos do curral.

Moisés, Elias e a página seguinte

Os três últimos versículos funcionam como assinatura. Um olha para trás: lembrai-vos da lei de Moisés, dada em Horebe para todo o Israel. Os outros olham para a frente: eis que vos envio o profeta Elias, antes que venha o grande e terrível dia do Senhor. Ele converterá o coração dos pais aos filhos e o dos filhos aos pais.

Nas Bíblias cristãs, Malaquias é a última página do Antigo Testamento, e a página seguinte retoma essas palavras. O Evangelho de Marcos abre com o mensageiro que prepara o caminho (Marcos 1.2). O anjo que anuncia o nascimento de João Batista diz que ele irá no espírito e no poder de Elias, para converter o coração dos pais aos filhos (Lucas 1.17), e Jesus aplica a João o texto do mensageiro (Mateus 11.10). No monte da transfiguração aparecem ao lado de Jesus justamente os dois nomes do fim do livro, Moisés e Elias (Mateus 17.3).

Os pontos centrais

  1. O livro avança por seis discussões: uma afirmação de Deus, a objeção do povo (em que nos amaste? em que te roubamos?) e a resposta.
  2. A primeira palavra é eu vos amei (1.2), provada pela escolha de Jacó e pelo destino de Edom, o povo descendente de Esaú.
  3. Os sacerdotes são acusados de desprezar o altar com animais cegos, coxos e doentes (1.6-14) e de quebrar a aliança de Levi (2.1-9).
  4. Malaquias 3.1 anuncia o mensageiro que prepara o caminho, texto que os evangelhos aplicam a João Batista (Marcos 1.2; Mateus 11.10).
  5. A ordem de trazer os dízimos à casa do tesouro vem com a promessa das janelas do céu abertas e da lavoura protegida (3.10-11).
  6. O livro termina com a lei de Moisés, a promessa do profeta Elias antes do dia do Senhor e o coração dos pais voltado aos filhos.

Leituras que se afastam do texto

Amei Jacó e aborreci Esaú, em Malaquias, fala dos dois irmãos de Gênesis

Em Malaquias 1.2-3, Jacó e Esaú são os nomes de dois povos, Israel e Edom, muitos séculos depois dos irmãos. A prova apresentada é a ruína da terra de Edom. Amar e aborrecer, nesse modo de falar, indicam a escolha de um em lugar do outro, como quando Gênesis diz que Lia era aborrecida e quer dizer menos amada (Gênesis 29.30-31). Em Gênesis, Esaú prospera e se reconcilia com o irmão.

As janelas do céu de Malaquias 3.10 são prosperidade financeira para quem dá o dízimo

O dízimo de que o texto fala era entregue em produtos da terra e sustentava os levitas e o serviço do templo; por isso a ordem fala em mantimento na minha casa. A promessa é do mesmo tipo: janelas do céu abertas são chuva, e o devorador repreendido é a praga que destrói a colheita (3.11). A palavra é dirigida à nação inteira, e o resultado prometido é uma terra agradável aos olhos dos outros povos (3.12).

Depois de Malaquias a Bíblia passa quatrocentos anos sem contar nada

Malaquias fecha os livros proféticos e por isso vem por último no Antigo Testamento, mas a ordem dos livros não é uma linha do tempo. As edições católicas e ortodoxas trazem 1 e 2 Macabeus, que narram o século II a.C., e as visões de Daniel alcançam os reinos que vieram depois da Pérsia. Nas edições sem esses livros, a narrativa para em Neemias, e daí vem a conta de cerca de quatro séculos até os evangelhos.

Perguntas para estudo

8 perguntas

O que significa o nome Malaquias?
Significa meu mensageiro, a mesma expressão usada em 3.1 para aquele que prepara o caminho.
A quem o profeta manda oferecer o animal defeituoso, para ver se seria aceito?
Ao governador: apresenta-o ao teu governador, e vê se ele se agradará de ti (1.8).
Com quem Deus fez a aliança de vida e de paz lembrada no capítulo 2?
Com Levi, o antepassado dos sacerdotes, em cuja boca estava a instrução verdadeira (2.4-6).
A que o Senhor é comparado quando chega ao seu templo?
Ao fogo do ourives e ao sabão dos lavandeiros, porque vem purificar os filhos de Levi (3.2-3).
Que frase de Malaquias 3.6 explica por que o povo não foi consumido?
Eu, o Senhor, não mudo; por isso vós, filhos de Jacó, não sois consumidos.
O que é escrito diante do Senhor quando os que o temem conversam entre si?
Um memorial, um livro de lembranças em favor dos que temem o Senhor e honram o seu nome (3.16).
Que carta do Novo Testamento cita amei Jacó e aborreci Esaú?
A carta aos Romanos, em 9.13, ao tratar da escolha de Israel.
Qual é a tarefa de Elias segundo o último versículo do livro?
Converter o coração dos pais aos filhos e o coração dos filhos a seus pais, antes do dia do Senhor.
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Débora Arantes

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