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Resumo dos milagres de Jesus

Por Débora Arantes 12 min de leitura

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Em 30 segundos

Mais de trinta episódios, espalhados pelos quatro evangelhos, mostram Jesus curando doentes, expulsando espíritos impuros, acalmando o mar, repartindo pão a multidões e devolvendo mortos à vida. As curas são a maioria: leprosos, cegos, paralíticos, uma mulher doente havia doze anos. Mateus, Marcos e Lucas chamam esses gestos de atos de poder e os ligam à chegada do reino de Deus. João escolhe sete, chama-os de sinais e os usa para mostrar quem Jesus é. A fé aparece de muitos modos: a do doente, a dos amigos, a de uma estrangeira, e às vezes nenhuma. O que nunca aparece é milagre por encomenda: a quem exige uma prova, Jesus recusa. A resposta que ele manda a João Batista dá o sentido de todos: os cegos veem, os coxos andam.

Seis blocos sobre os milagres de Jesus: os quatro tipos de relato, com exemplos de cada um, os sete sinais de João e o lugar da fé
Imagem: resumode.com.br

Atos de poder, sinais, obras

Os evangelhos têm palavras próprias para o que chamamos de milagre. Mateus, Marcos e Lucas falam em atos de poder. João prefere sinais e obras. Os três nomes dizem o que os relatos querem mostrar: uma força que age, um gesto que aponta para além de si, o trabalho que o Pai confiou ao Filho.

São mais de trinta episódios contados um a um, fora os resumos em que muitos doentes são curados numa só tarde. Eles ocupam boa parte da narrativa. No Evangelho de Marcos, o mais breve, tomam boa parte dos dez primeiros capítulos. Costuma-se reuni-los em quatro grupos.

Curas: a maior parte dos relatos

O grupo mais numeroso é o das curas. Há leprosos, cegos, surdos, paralíticos, um homem de mão atrofiada, uma mulher que perdia sangue havia doze anos, a sogra de Pedro com febre.

Jesus cura de vários modos. Com uma palavra: levanta-te, toma o teu leito e anda. Com o toque: estende a mão e toca o leproso, que ninguém tocava (Marcos 1.41). Com saliva, no caso de um surdo e de dois cegos. À distância, sem ver o doente, como o servo do centurião. A mulher do fluxo de sangue é curada ao tocar-lhe a roupa no meio da multidão.

Dois traços se repetem. O primeiro é a compaixão: os textos dizem que Jesus se comove diante do leproso, da multidão, da viúva que enterra o filho. O segundo é o sábado. Várias curas acontecem no dia de descanso, a mão atrofiada, a mulher encurvada, o paralítico de Betesda, o cego de nascença, e são elas que abrem o conflito com os fariseus. A cura vem sempre junto com uma pergunta sobre para que serve o sábado.

Muitos dos curados eram mantidos à parte. O leproso vivia fora do povoado, a mulher com hemorragia era tida por impura, o cego mendigava à beira da estrada. Curar, nos evangelhos, é também devolver a pessoa ao convívio: vai, mostra-te ao sacerdote.

Espíritos que sabem quem ele é

O segundo grupo são os exorcismos, frequentes nos três primeiros evangelhos e ausentes em João. O primeiro ato de poder de Jesus em Marcos é desse tipo: na sinagoga de Cafarnaum, um homem com espírito impuro grita, e Jesus ordena: cala-te e sai dele (Marcos 1.25). Seguem o homem de Gerasa, que vivia entre os túmulos, a filha de uma mulher siro-fenícia, o menino que os discípulos não conseguiram libertar.

Nesses relatos não há ritual nem fórmula longa. Há uma ordem, e ela é obedecida. Os espíritos reconhecem Jesus antes dos discípulos e são mandados calar.

Os adversários não negam os fatos. Dão outra explicação: ele expulsa demônios por Belzebu. Jesus responde que um reino dividido não se sustenta e dá a sua leitura: se é pelo Espírito de Deus que expulso os demônios, então o reino de Deus chegou até vós (Mateus 12.28). O exorcismo é o reino avançando sobre terreno ocupado.

O mar, o vento e o pão

O terceiro grupo reúne os atos sobre a natureza. Jesus repreende o vento e o mar, e vem a calmaria. Caminha sobre as águas ao encontro do barco. Alimenta multidões com poucos pães. Enche as redes de pescadores que nada tinham apanhado. Transforma água em vinho num casamento.

Quem presencia essas cenas são quase sempre os discípulos, e a reação deles é medo e pergunta: quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem? Para um leitor dos Salmos, a pergunta já traz a resposta, porque quem acalma a tempestade e aquieta as ondas é o Senhor (Salmo 107.29).

Os pães têm um lugar à parte. A refeição para cinco mil é o único milagre que os quatro evangelhos contam, com os mesmos números: cinco pães, dois peixes, doze cestos de sobra. Os gestos de Jesus, tomar o pão, dar graças, partir e dar, são os mesmos da última ceia.

Três mortos devolvidos à vida

O quarto grupo é o menor. A filha de Jairo, chefe de sinagoga, tem doze anos e morre enquanto Jesus ainda está a caminho; ele entra, toma a menina pela mão e a levanta. O filho único da viúva de Naim já está sendo levado para o enterro; Jesus toca o caixão, manda o rapaz levantar-se e o entrega à mãe (Lucas 7.11-17). Lázaro está no túmulo há quatro dias quando ouve o chamado: vem para fora.

Há uma progressão de um caso para o outro, do leito ao cortejo e do cortejo ao túmulo fechado. Em Naim, o povo tira a conclusão que o gesto sugeria: um grande profeta se levantou entre nós. A cena lembrava Elias e Eliseu, que também devolveram filhos vivos a suas mães.

Os sete sinais de João

O Evangelho de João narra poucos milagres e os escolhe com cuidado. São sete até a Paixão, do vinho de Caná à ressurreição de Lázaro, passando pelo filho de um oficial, pelo paralítico de Betesda, pelos pães, pela caminhada sobre o mar e pelo cego de nascença.

A diferença está no uso. Nos outros evangelhos, o milagre costuma terminar no espanto da multidão. Em João, ele abre uma conversa. Depois dos pães vem o discurso do pão da vida. Antes de dar a vista ao cego, Jesus diz que é a luz do mundo. Antes de chamar Lázaro do túmulo, que é a ressurreição e a vida. O sinal mostra em ponto pequeno aquilo que a palavra declara.

João também registra a ambiguidade dos sinais. Muitos creem por causa deles, e Jesus não se fia nessa fé (João 2.23-24). A multidão saciada o procura no dia seguinte, e ele diz que ela veio pelo pão, e não por ter entendido o sinal (6.26). O mesmo milagre que leva uns a crer leva o conselho a decidir a morte dele.

A tua fé te salvou

Nos três primeiros evangelhos, a frase que mais acompanha as curas é a tua fé te salvou. Jesus a diz à mulher do fluxo de sangue, ao cego de Jericó, ao leproso samaritano que voltou para agradecer. Fé, nesses relatos, não é uma doutrina aceita. É o movimento de quem vai até Jesus certo de que ele pode: a mulher que abre caminho na multidão, os amigos que desmontam o telhado, o centurião que dispensa a visita e pede só uma palavra.

Os casos mais elogiados são de estrangeiros. Do centurião, Jesus diz que não achou fé assim em Israel. À mulher siro-fenícia, que insiste mesmo depois de uma recusa, diz que a filha está curada por causa daquela resposta.

O avesso também é contado. Em Nazaré, entre os que o conheciam desde menino, ele não faz quase nada e se admira da incredulidade (Marcos 6.5-6). E quando lhe exigem um sinal do céu como condição para crer, ele suspira e vai embora.

Os cegos veem, os coxos andam

O sentido do conjunto é dado pelo próprio Jesus. João Batista, preso, manda perguntar se ele é aquele que havia de vir. A resposta não traz título nenhum: ide contar a João o que ouvis e vedes; os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam, e aos pobres é anunciada a boa notícia (Mateus 11.4-5).

A lista vem de Isaías, que descreve assim o dia em que Deus vem salvar o seu povo: os olhos dos cegos se abrirão, e o coxo saltará como um cervo (Isaías 35.5-6). Os milagres são lidos como esse dia chegando. Mostram quem Jesus é pelo que acontece em volta dele.

A história não termina nos evangelhos. Nos Atos dos Apóstolos, Pedro resume a vida de Jesus como a de um homem aprovado por Deus com milagres, prodígios e sinais (Atos 2.22), e pouco depois diz a um coxo, na porta do templo: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda. O gesto continua, agora feito em nome dele.

Os pontos centrais

  1. Os relatos se agrupam em quatro tipos: curas, exorcismos, atos sobre a natureza e mortos devolvidos à vida.
  2. A multiplicação dos pães para cinco mil é o único milagre narrado pelos quatro evangelhos (Mateus 14; Marcos 6; Lucas 9; João 6).
  3. Jesus liga os exorcismos à chegada do reino: se expulso os demônios pelo Espírito de Deus, o reino de Deus chegou até vós (Mateus 12.28).
  4. João chama os milagres de sinais, narra sete até a Paixão e declara o propósito: para que creiais que Jesus é o Cristo (João 20.30-31).
  5. Em Nazaré, Jesus não pôde fazer nenhum milagre além de curar alguns doentes, e admirou-se da incredulidade deles (Marcos 6.5-6).
  6. A resposta a João Batista, em Mateus 11.4-5, lê os milagres como cumprimento do que Isaías anunciou para o tempo da salvação.

Leituras que se afastam do texto

Jesus fazia milagres para provar aos incrédulos quem ele era

Quando lhe pedem uma prova, ele recusa. No deserto, não transforma pedras em pão nem se atira do alto do templo (Mateus 4). Aos fariseus que exigem um sinal, responde que nenhum será dado, a não ser o de Jonas (Mateus 12.39). Diante de Herodes, que esperava ver algum prodígio, fica calado (Lucas 23.8-9). Os milagres respondem a quem pede socorro; a quem pede espetáculo, o texto mostra silêncio.

Jesus só curava quem tinha fé

A fé aparece em muitos relatos, mas não como condição fixa. O paralítico é perdoado e curado quando Jesus vê a fé dos quatro que o carregam (Marcos 2.5); o servo do centurião e a filha da siro-fenícia, pela fé de quem pede por eles. Em Naim ninguém pede nada, e Jesus age por compaixão da viúva (Lucas 7.13). O homem de Betesda, depois de curado, nem sabia dizer quem o curara (João 5.13).

A multiplicação dos pães aconteceu uma vez só

Mateus e Marcos contam duas. Na primeira, cinco pães e dois peixes alimentam cinco mil, e sobram doze cestos; é a que os quatro evangelhos registram. Na segunda, sete pães e alguns peixinhos alimentam quatro mil, e sobram sete cestos (Marcos 8.1-9). O próprio Jesus distingue as duas ao perguntar aos discípulos quantos cestos recolheram em cada uma (Marcos 8.19-20).

Lázaro e a filha de Jairo ressuscitaram como Jesus ressuscitou

Os evangelhos contam esses casos como volta à vida de antes. Jesus manda dar de comer à menina (Marcos 5.43). Lázaro reaparece à mesa, num jantar em Betânia, e os chefes dos sacerdotes planejam matá-lo também (João 12.2 e 12.10). Eles voltariam a morrer. Da ressurreição de Jesus o Novo Testamento fala de outro modo: Cristo, ressuscitado dentre os mortos, já não morre (Romanos 6.9).

Perguntas para estudo

8 perguntas

Qual é o único milagre contado pelos quatro evangelhos?
A multiplicação dos pães e dos peixes para cinco mil, com doze cestos de sobra.
Que tipo de milagre não aparece no Evangelho de João?
O exorcismo: João não narra nenhuma expulsão de espírito impuro, frequente nos outros três.
Quem são os três mortos que Jesus devolve à vida?
A filha de Jairo, o filho único da viúva de Naim e Lázaro, de Betânia.
Que palavra aramaica Jesus diz ao curar o surdo que mal falava?
Efatá, que o próprio evangelho traduz por abre-te (Marcos 7.34).
Há quanto tempo andava encurvada a mulher que Jesus cura num sábado, na sinagoga?
Havia dezoito anos, sem conseguir endireitar-se de modo algum (Lucas 13.11).
A quem os fariseus atribuem o poder de Jesus sobre os demônios?
A Belzebu, o chefe dos demônios, acusação que Jesus desmonta com a imagem do reino dividido (Mateus 12.24-26).
Que cura Jesus realiza à distância, a pedido de um oficial estrangeiro?
A do servo do centurião de Cafarnaum, que pede apenas uma palavra (Mateus 8.5-13).
Onde Jesus manda Pedro buscar a moeda para pagar o imposto do templo?
Na boca do primeiro peixe que ele fisgar ao lançar o anzol no mar (Mateus 17.27).
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Débora Arantes

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