Ir direto para o conteúdo
Resumo De
Letra maior em loja segura Capa da Bíblia Sagrada, tradução Nova Almeida Atualizada, letra maior, capa dura Comprar Bíblia SagradaTradução Almeida, letra maior e capa dura. Boa para ler todo dia. Melhor escolha. Site seguro

Link patrocinado

Resumo dos doze apóstolos

Por Débora Arantes 12 min de leitura

WhatsApp
Mais opções
Facebook Telegram E-mail

Em 30 segundos

Doze homens, como as doze tribos de Israel: Jesus os escolhe entre os discípulos para estarem com ele e para serem enviados. O Novo Testamento traz quatro listas, em Mateus 10, Marcos 3, Lucas 6 e Atos 1. Em todas, Simão Pedro vem primeiro, os nomes se arrumam em três grupos de quatro, e Judas Iscariotes fecha as dos evangelhos. A única diferença de nome é o décimo ou décimo primeiro: Tadeu em Mateus e Marcos, Judas de Tiago em Lucas e em Atos. De alguns os evangelhos contam muito, como Pedro, Tiago, João e Tomé; de outros, só o nome. Depois da traição, Matias é escolhido para completar o número. Sobre o fim deles, o texto narra apenas duas mortes: a de Judas e a de Tiago, filho de Zebedeu.

Seis cartões com os doze apóstolos nos três grupos das listas: Pedro e André, Tiago e João, Filipe e Bartolomeu, Tomé e Mateus, os três de quem só ficou o nome, Judas e Matias
Imagem: resumode.com.br

Doze, como as tribos

No meio do trabalho na Galileia, com multidões à volta, Jesus sobe a um monte e chama os que ele quer. Marcos diz para quê: constituiu doze para estarem com ele e para enviá-los a pregar, com autoridade sobre os demônios (3.14-15). Lucas acrescenta que ele tinha passado a noite em oração e que escolheu os doze dentre os discípulos, dando-lhes o nome de apóstolos, isto é, enviados (6.12-13).

O número não é acaso. Israel era o povo das doze tribos, e Jesus liga uma coisa à outra: os que o seguiram se sentarão em doze tronos para julgar as doze tribos de Israel (Mateus 19.28). O grupo é um sinal de que o povo de Deus está sendo reunido de novo. Por isso o número importa tanto que, quando um falta, é preciso completá-lo.

Em Mateus, a lista vem no momento do envio. Os doze saem com instruções precisas: anunciar que o reino está próximo, curar, não levar dinheiro nem duas túnicas. Marcos informa que foram de dois em dois.

Quatro listas, três grupos de quatro

Os nomes estão em Mateus 10.2-4, Marcos 3.16-19, Lucas 6.14-16 e Atos 1.13. Postas lado a lado, as listas mostram um desenho fixo.

Grupo Mateus 10 Marcos 3 Lucas 6 Atos 1
Primeiro Simão Pedro, André, Tiago, João Simão Pedro, Tiago, João, André Simão Pedro, André, Tiago, João Pedro, João, Tiago, André
Segundo Filipe, Bartolomeu, Tomé, Mateus Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus
Terceiro Tiago de Alfeu, Tadeu, Simão, o cananeu, Judas Iscariotes Tiago de Alfeu, Tadeu, Simão, o cananeu, Judas Iscariotes Tiago de Alfeu, Simão, o Zelote, Judas de Tiago, Judas Iscariotes Tiago de Alfeu, Simão, o Zelote, Judas de Tiago

O que não muda:

  • Simão Pedro é sempre o primeiro, e Mateus chega a escrever primeiro, Simão;
  • cada grupo começa pelo mesmo nome: Pedro, Filipe e Tiago de Alfeu;
  • dentro de cada grupo, a ordem varia, mas ninguém passa de um grupo para outro;
  • Judas Iscariotes fecha as três listas dos evangelhos, sempre com a lembrança de que foi ele quem traiu. Na de Atos, já não está.

O Evangelho de João não traz lista. Fala dos doze como grupo conhecido (6.67-71) e conta episódios de vários deles, como fazem os quatro evangelhos cada um a seu modo.

Os nomes que mudam de uma lista para outra

A única troca de nome está no terceiro grupo. Mateus e Marcos dizem Tadeu; Lucas e Atos dizem Judas de Tiago, expressão que pode indicar filho ou irmão de um Tiago. Como o número é sempre doze e os outros onze coincidem, a leitura tradicional entende que é o mesmo homem com dois nomes, coisa comum na época. João parece conhecê-lo: na última ceia, quem faz uma pergunta a Jesus é Judas, não o Iscariotes (14.22).

Simão, o cananeu, de Mateus e Marcos, é o Simão, o Zelote, de Lucas. Não há troca aqui, só tradução. Cananeu, neste caso, não tem a ver com Canaã: vem da palavra aramaica para zeloso.

Outras duas identificações são dos leitores, não do texto. Bartolomeu costuma ser identificado com Natanael, o amigo que Filipe leva a Jesus em João 1, porque Bartolomeu vem logo depois de Filipe nas listas dos evangelhos e Natanael só aparece em João. E Mateus, que o primeiro evangelho chama de publicano e mostra sentado na coletoria (9.9; 10.3), é chamado Levi no relato paralelo de Marcos e de Lucas.

Quatro pescadores

Do primeiro grupo os evangelhos contam muito. São dois pares de irmãos, pescadores do mar da Galileia, chamados à beira da água.

Pedro se chamava Simão; o nome Pedro, ou Cefas, pedra, foi dado por Jesus. É quem fala pelos outros: confessa que Jesus é o Cristo, protesta contra o anúncio da paixão, promete não fugir e nega três vezes. Depois da ressurreição, recebe o encargo de apascentar as ovelhas.

André, seu irmão, era discípulo de João Batista. No Evangelho de João, é ele quem leva Simão a Jesus, e mais tarde quem aponta o menino dos cinco pães.

Tiago e João, filhos de Zebedeu, deixam o pai no barco para seguir Jesus. Recebem o apelido de Boanerges, filhos do trovão. Querem pedir fogo do céu sobre uma aldeia samaritana e pedem os lugares à direita e à esquerda na glória. Com Pedro, formam o círculo mais próximo: só os três entram na casa de Jairo, sobem ao monte da transfiguração e ficam perto de Jesus no Getsêmani.

Filipe, Tomé, Mateus e os de quem só ficou o nome

Do segundo grupo, é o Evangelho de João que dá voz a dois. Filipe, de Betsaida, calcula que duzentos denários de pão não bastariam para a multidão e, na ceia, pede: Senhor, mostra-nos o Pai. Tomé, chamado Dídimo, o Gêmeo, convida os outros a ir morrer com Jesus, pergunta pelo caminho e, depois da ressurreição, quer ver as marcas dos cravos. Quando vê, diz: meu Senhor e meu Deus (João 20.28).

De Mateus conta-se o chamado na coletoria e o jantar com publicanos e pecadores. De Bartolomeu, de Tiago de Alfeu e de Simão, o Zelote, o Novo Testamento guarda o nome e mais nada. De Tadeu, ou Judas de Tiago, a pergunta única da ceia. Metade dos doze quase não fala no texto. Foram escolhidos, enviados, estiveram presentes, e isso é tudo o que se lê.

Judas Iscariotes

O último nome das listas vem sempre com a mesma nota: o que o traiu. João acrescenta que ele guardava a bolsa comum. Mateus registra o preço combinado com os chefes dos sacerdotes, trinta moedas de prata, e o remorso: Judas devolve o dinheiro e se enforca (27.3-5). Atos conta o fim com outra imagem, a queda no campo comprado com aquele dinheiro, chamado Campo de Sangue (1.18-19).

Os evangelhos insistem num ponto: ele era um dos doze. A expressão volta junto do nome dele nas cenas da traição. O texto não o trata como um intruso. Trata-o como um escolhido.

A vaga e o critério

Depois da ascensão, os onze estão em Jerusalém com as mulheres, com Maria e com os irmãos de Jesus. Pedro se levanta entre os irmãos, umas cento e vinte pessoas, e diz que a Escritura pede que outro tome o encargo de Judas.

O critério define o que é ser um dos doze: alguém que acompanhou o grupo todo o tempo, desde o batismo de João até a ascensão, para ser testemunha da ressurreição (Atos 1.21-22). Apresentam dois, José Barsabás e Matias. Oram, lançam sortes, e Matias é contado com os onze. O texto não volta a falar dele.

Dois fatos mostram como o grupo era entendido. Quando Tiago é morto, no capítulo 12, ninguém o substitui: a vaga de Judas veio da deserção, não da morte. E Paulo, que Atos e as cartas chamam de apóstolo, nunca é contado entre os doze. Ele mesmo faz a distinção ao listar as testemunhas da ressurreição: Cristo apareceu a Cefas, depois aos Doze, e, por último, a ele (1 Coríntios 15.5-8). Tiago, o irmão do Senhor, que dirige a igreja de Jerusalém, também é outro Tiago.

O que o texto diz do fim de cada um

Das mortes dos doze, a Bíblia narra duas. A de Judas, já contada. E a de Tiago, filho de Zebedeu, em uma linha: o rei Herodes mandou matá-lo à espada (Atos 12.2). Sobre Pedro há uma palavra de Jesus, no fim de João, de que outro o cingiria e o levaria para onde ele não queria, dita para indicar com que morte daria glória a Deus. A cena não é narrada.

O que se conta dos demais vem de tradições posteriores ao Novo Testamento, e por isso fica fora de um resumo do texto. Atos mesmo deixa os doze de lado depois dos primeiros capítulos e segue Pedro e, em seguida, Paulo.

A última menção a eles na Bíblia não é uma história. É uma imagem: a muralha da nova Jerusalém tem doze fundamentos, e sobre eles estão os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro (Apocalipse 21.14), ao lado das doze portas com os nomes das tribos. O grupo que começou num monte da Galileia aparece ali como alicerce.

Os pontos centrais

  1. Jesus constitui doze para estarem com ele e para enviá-los a pregar (Marcos 3.14); apóstolo quer dizer enviado.
  2. As quatro listas estão em Mateus 10.2-4, Marcos 3.16-19, Lucas 6.14-16 e Atos 1.13; o Evangelho de João fala dos doze sem enumerá-los.
  3. Pedro abre todas as listas, Filipe é sempre o quinto nome, Tiago de Alfeu o nono, e Judas Iscariotes o último.
  4. Mateus e Marcos trazem Tadeu onde Lucas e Atos trazem Judas de Tiago; a leitura tradicional vê nos dois nomes a mesma pessoa.
  5. O número doze responde às tribos de Israel: os doze se sentarão em tronos para julgar as doze tribos (Mateus 19.28).
  6. Matias é escolhido porque acompanhou Jesus desde o batismo de João e pode ser testemunha da ressurreição (Atos 1.21-22).

Leituras que se afastam do texto

A Bíblia conta como morreu cada um dos apóstolos

O texto narra duas mortes. Judas Iscariotes morre logo depois da traição (Mateus 27.5; Atos 1.18). Tiago, filho de Zebedeu, é morto à espada por ordem do rei Herodes (Atos 12.2). Há ainda uma palavra de Jesus que alude à morte de Pedro sem descrevê-la (João 21.18-19). Cruz invertida, cruz em forma de X, viagens à Índia e martírios em terras distantes pertencem a tradições posteriores, de valor desigual.

Os evangelhos dizem que Bartolomeu e Natanael são a mesma pessoa

Nenhum texto faz essa ligação. Bartolomeu só aparece nas quatro listas, sempre perto de Filipe. Natanael só aparece no Evangelho de João, levado a Jesus por Filipe (1.45) e presente na pesca depois da ressurreição (21.2); João não traz Bartolomeu, e os outros três não trazem Natanael. Dessas coincidências nasceu a identificação, que é antiga e razoável, mas é dedução dos leitores. O texto deixa os dois nomes separados.

Jesus teve doze discípulos

Os discípulos eram muitos mais. Lucas diz que Jesus chamou os discípulos e escolheu doze dentre eles (6.13), e mais adiante conta o envio de outros setenta, ou setenta e dois, conforme os manuscritos (10.1). Havia também as mulheres que o acompanhavam. Os doze são um grupo escolhido dentro do grupo maior, e recebem um nome próprio, apóstolos. Todo apóstolo é discípulo, mas a maioria dos discípulos não está entre os doze.

Perguntas para estudo

8 perguntas

O que Jesus faz na noite anterior à escolha dos doze, segundo Lucas?
Sobe ao monte e passa a noite inteira em oração a Deus (Lucas 6.12).
Que apelido Jesus dá a Tiago e a João?
Boanerges, que Marcos traduz por filhos do trovão (Marcos 3.17).
Quais são os três apóstolos mais próximos de Jesus?
Pedro, Tiago e João, os únicos dos doze presentes na casa de Jairo, na transfiguração e no Getsêmani.
Que quer dizer Dídimo, o outro nome de Tomé?
Quer dizer gêmeo; é a forma grega do mesmo sentido que Tomé tem em aramaico (João 11.16).
Por que Simão é chamado cananeu em Mateus e Marcos e Zelote em Lucas?
Porque cananeu vem da palavra aramaica para zeloso, e Lucas a traduz para o grego.
Que nome tem o cobrador de impostos em Marcos e em Lucas?
Levi; no primeiro evangelho, o homem chamado na coletoria se chama Mateus (Mateus 9.9).
Quem concorre com Matias ao lugar de Judas?
José, chamado Barsabás, que tinha o sobrenome de Justo (Atos 1.23).
Como a escolha entre os dois é decidida?
Depois de orar, lançam sortes, e a sorte cai sobre Matias (Atos 1.24-26).
WhatsApp
Mais opções
Facebook Telegram E-mail

Débora Arantes

Resumos da Bíblia

Escreve os resumos da estante Bíblia, livro por livro, com estrutura, contexto e as leituras de cada tradição. Lê cada livro inteiro em mais de uma tradução antes de escrever e marca, capítulo por capítulo, onde o texto muda de gênero ou de voz. É desse mapa que sai a estrutura de cada resumo.

Voltar para Bíblia