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Resumo do livro de Provérbios

Por Débora Arantes 13 min de leitura

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Em 30 segundos

Viver bem se aprende, e Provérbios é a escola. Os nove primeiros capítulos são discursos em que um pai instrui o filho e em que a própria Sabedoria aparece como mulher que chama nas praças, em contraste com a mulher que seduz para a ruína. Do capítulo 10 em diante vêm as coleções de ditos curtos, quase sempre de duas linhas, sobre trabalho e preguiça, palavra e silêncio, riqueza e pobreza, amigos, filhos, ira e justiça. Parte leva o nome de Salomão, parte o dos sábios, de Agur e do rei Lemuel. O fio que une tudo está dito logo no começo: o temor do Senhor é o princípio do conhecimento (Provérbios 1.7). O fecho é o poema alfabético da mulher de valor.

As seis coleções de Provérbios em cartões, com os capítulos de cada uma: discursos do pai, ditos de Salomão, palavras dos sábios, homens de Ezequias, Agur e Lemuel
Imagem: resumode.com.br

A arte de viver, ensinada em casa

Provérbios não narra a história de Israel nem registra leis ou oráculos. Seu assunto é o dia comum: como falar, trabalhar, escolher amigos, lidar com dinheiro, criar filhos, governar a própria ira. A convicção de fundo é que o mundo foi feito com ordem e que é possível aprender a viver de acordo com ela.

O prólogo declara a finalidade sem rodeios: dar prudência aos simples e conhecimento aos jovens, e fazer o sábio crescer ainda mais (Provérbios 1.2 a 6). Logo vem o lema: o temor do Senhor é o princípio do conhecimento (1.7). Temor, aqui, é reverência, a atitude de quem sabe diante de quem vive. Sem ela, a habilidade vira esperteza.

O livro se liga a Salomão, o rei cuja sabedoria 1 Reis celebra, mas é uma coleção de coleções. Os títulos internos marcam seis blocos, e cada um tem um jeito próprio.

Filho meu: os discursos dos capítulos 1 a 9

A primeira parte é a mais contínua. Um pai (e, com ele, a mãe, citada em 1.8) fala ao filho em poemas longos, quase todos abertos por filho meu. O jovem está diante de dois caminhos, e os discursos descrevem cada um com suas companhias.

De um lado, o bando que convida a emboscar inocentes para dividir o saque (1.10 a 19) e a mulher alheia, de palavras doces, cuja casa desce para a morte. O capítulo 7 conta a cena inteira: um rapaz sem juízo passa pela esquina dela ao cair da tarde e a segue como o boi vai ao matadouro.

De outro lado, os conselhos que ficaram entre os mais citados do livro. Confia no Senhor de todo o coração e não te apoies no teu próprio entendimento (3.5). Não rejeites a disciplina do Senhor, porque ele repreende a quem ama (3.11 e 12), frase que a carta aos Hebreus retoma. Acima de tudo, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida (4.23). Há também avisos bem práticos: não ser fiador às pressas, e ir ter com a formiga, que trabalha sem ninguém mandar (capítulo 6).

A Sabedoria toma a palavra

No meio desses discursos, a sabedoria deixa de ser assunto e passa a falar. É uma mulher que grita nas ruas e nas portas da cidade, chamando os simples e os zombadores (1.20 a 33). Quem a encontra acha a vida; ela é árvore da vida para os que a alcançam (3.18).

O capítulo 8 é o ponto mais alto. A Sabedoria diz que por ela os reis reinam e que seu fruto vale mais que o ouro. Depois recua para antes de tudo: o Senhor a possuía no princípio dos seus caminhos, antes das fontes, dos montes e dos campos. Quando ele firmava os céus e marcava o limite do mar, ela estava ao seu lado, alegrando-se diante dele e achando as suas delícias com os filhos dos homens (8.22 a 31). O Novo Testamento usa linguagem próxima quando fala de Cristo, por meio de quem tudo foi feito (João 1; Colossenses 1).

O capítulo 9 fecha a seção com duas mesas. A Sabedoria construiu sua casa de sete colunas, preparou carne e vinho e mandou convidar os simples. A Insensatez senta à porta da sua e faz o mesmo convite, com outro cardápio: as águas roubadas são doces. Quem entra ali não sabe que os convidados dela já estão no reino dos mortos (9.18).

Duas linhas, um contraste

Em 10.1 o livro muda de forma. Começam os provérbios de Salomão, centenas de ditos independentes, quase todos de duas linhas. Na maior parte, a segunda linha se opõe à primeira:

  • o filho sábio alegra o pai, mas o filho insensato é a tristeza da mãe (10.1);
  • a resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira (15.1);
  • o coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos (16.9).

Outros comparam com um melhor que: melhor é um prato de hortaliças onde há amor do que o boi cevado com ódio (15.17). Outros apenas observam, como a soberba precede a ruína (16.18) e o coração alegre é bom remédio (17.22).

Os ditos não vêm agrupados por assunto. A leitura pede pausa: cada frase foi feita para ser lembrada sozinha, na hora em que a situação aparecer.

Os assuntos que voltam

Lidos em conjunto, os ditos giram em torno de alguns temas.

  • Trabalho e preguiça. A mão diligente enriquece (10.4). O preguiçoso é figura quase cômica: um pouco de sono, um pouco de braços cruzados, e a pobreza chega como um ladrão.
  • A palavra. Morte e vida estão no poder da língua (18.21). No muito falar não falta transgressão (10.19), e até o tolo, calado, passa por sábio (17.28).
  • Riqueza e pobreza. O bom nome vale mais que muitas riquezas (22.1). Quem oprime o pobre insulta aquele que o criou (14.31); quem se compadece dele empresta ao Senhor (19.17).
  • Amizade. O amigo ama em todo tempo (17.17), e suas feridas são leais (27.6). Como o ferro afia o ferro, um homem afia o outro (27.17).
  • Domínio de si. Vale mais quem domina o próprio espírito do que quem toma uma cidade (16.32).
  • Justiça. A balança enganosa é abominação para o Senhor (11.1), e praticar a justiça lhe agrada mais do que o sacrifício (21.3).

Os sábios e os copistas de Ezequias

Em 22.17 o tom muda outra vez: inclina o ouvido e ouve as palavras dos sábios. São conselhos em sequência, mais longos que os ditos anteriores. Não removas os marcos antigos que teus pais puseram. Não te fatigues para enriquecer. O retrato do bêbado, com seus olhos vermelhos e suas feridas sem causa, ocupa o fim do capítulo 23. E o sábio que passa pelo campo do preguiçoso, tomado de espinhos e com o muro caído, tira dali a lição (24.30 a 34).

Os capítulos 25 a 29 trazem mais provérbios de Salomão, copiados pelos homens de Ezequias, rei de Judá. Aqui predominam as comparações: a palavra dita a seu tempo é como maçãs de ouro em bandeja de prata (25.11); o homem sem domínio próprio é cidade derrubada, sem muros (25.28); o tolo que repete a tolice é o cão que volta ao vômito (26.11). Desta coleção vem o conselho de dar pão ao inimigo com fome, que Paulo cita em Romanos, e a frase que resume um caminho inteiro: quem encobre as suas transgressões não prospera, mas quem as confessa e deixa alcança misericórdia (28.13).

Agur, Lemuel e a mulher de valor

Os dois últimos capítulos têm assinaturas próprias. Agur, filho de Jaque, começa confessando que não tem a sabedoria que gostaria e pergunta quem subiu ao céu e desceu. Sua oração pede duas coisas: distância da mentira e uma vida sem pobreza nem riqueza, só com o pão necessário (30.7 a 9). Depois vêm os ditos numéricos, que contam três coisas e acrescentam uma quarta. Três coisas são maravilhosas demais, quatro ele não entende: o caminho da águia no céu, o da cobra na rocha, o do navio no mar e o do homem com uma moça (30.18 e 19).

O capítulo 31 abre com as palavras do rei Lemuel, que sua mãe lhe ensinou: não gastar a força com mulheres nem com vinho, e abrir a boca em favor de quem não tem voz.

Segue-se o poema que encerra o livro. A mulher de valor vale mais que as joias. Ela se levanta ainda de noite, compra um campo, planta uma vinha, tece, vende, estende a mão ao pobre e ri do dia de amanhã. Os filhos se levantam para chamá-la feliz. Cada um dos vinte e dois versos começa com uma letra do alfabeto hebraico, em ordem, como quem diz tudo de A a Z. E o penúltimo verso volta ao lema da primeira página: enganosa é a graça e passageira a beleza, mas a mulher que teme o Senhor, essa será louvada (31.30).

A regra, à espera das exceções

Provérbios não cita Moisés, o Sinai nem a saída do Egito. Seu lugar na Bíblia é outro: mostrar que a fé no Senhor alcança a cozinha, a feira, o tribunal e a conversa entre amigos. O livro começa com a Sabedoria em figura de mulher, convidando para a sua mesa, e termina com uma mulher de carne e osso que vive o que aquela ensinou.

O que ele descreve é a regra: quem semeia com diligência colhe, quem anda com sábios fica sábio. Os livros vizinhos tratam do que a regra não cobre. Jó apresenta o justo que sofre sem ter merecido, e Eclesiastes observa que o sábio e o tolo morrem do mesmo modo. Os três se leem juntos, e é Provérbios que fornece o chão sobre o qual os outros dois fazem as suas perguntas. A mesma figura da Sabedoria reaparece, ampliada, no Eclesiástico e no livro da Sabedoria.

Os pontos centrais

  1. O lema do livro, posto no começo e repetido no fim dos discursos: o temor do Senhor é o princípio do conhecimento (Provérbios 1.7 e 9.10).
  2. A Sabedoria personificada, que fala em público (Provérbios 1 e 8) e afirma ter estado junto de Deus antes de a terra existir (8.22 a 31).
  3. As duas mulheres do capítulo 9, a Sabedoria e a Insensatez, que fazem o mesmo convite aos simples e levam a destinos opostos.
  4. O livro como coleção de coleções, com títulos internos que citam Salomão, os sábios, os homens de Ezequias, Agur e Lemuel.
  5. O dito de duas linhas como forma básica dos capítulos 10 a 29, muitas vezes em contraste entre o sábio e o tolo, o justo e o ímpio.
  6. O poema final da mulher de valor (Provérbios 31.10 a 31), um acróstico de vinte e dois versos, um para cada letra do alfabeto hebraico.

Leituras que se afastam do texto

Salomão escreveu o livro de Provérbios inteiro

O título geral leva o nome de Salomão (1.1), e duas grandes coleções são atribuídas a ele (10.1 e 25.1). Mas o próprio livro nomeia outras vozes: as palavras dos sábios (22.17 e 24.23), as de Agur (capítulo 30) e as do rei Lemuel, ensinadas por sua mãe (31.1). A segunda coleção de Salomão foi copiada pelos homens de Ezequias, rei de Judá, mais de dois séculos depois dele.

Ensina a criança no caminho certo e ela nunca se desviará: é promessa de Deus

Provérbios 22.6 é um provérbio, e provérbio descreve como a vida costuma andar, sem dar garantia para cada caso. O próprio livro mostra isso ao pôr lado a lado dois conselhos opostos: não respondas ao tolo segundo a sua tolice e responde ao tolo segundo a sua tolice (26.4 e 5). Cabe a quem lê discernir a hora de cada um. O engano nasce de ler dito de sabedoria como cláusula de aliança.

Deus ajuda quem cedo madruga, está lá em Provérbios

A frase não está em Provérbios nem em outro livro da Bíblia. É ditado popular, como a voz do povo é a voz de Deus. O que o livro traz sobre o assunto é o elogio da formiga, que junta o alimento no verão sem ter chefe (6.6 a 8), e o retrato do preguiçoso que vira na cama como a porta nas dobradiças (26.14). A confusão vem do formato: ditado popular e provérbio bíblico têm a mesma cara.

A mulher virtuosa de Provérbios 31 é a esposa recatada, que vive para dentro de casa

O poema descreve uma mulher que examina um campo e o compra, planta uma vinha com o que ganhou, fabrica tecidos e os vende a mercadores, dirige as servas e abre a mão ao pobre (31.10 a 31). A palavra hebraica traduzida por virtuosa é a mesma usada para força e valor. O marido aparece sentado entre os anciãos, à porta da cidade, e confia nela. O elogio final recai sobre o temor do Senhor (31.30).

Perguntas para estudo

8 perguntas

Onde a Sabedoria ergue a voz no primeiro capítulo?
Nas ruas, nas praças e junto às portas da cidade, onde todos passam (Provérbios 1.20 e 21).
Que animal o preguiçoso é mandado observar?
A formiga, que sem chefe nem capataz junta o seu alimento no verão (Provérbios 6.6 a 8).
Como o capítulo 9 descreve a casa da Sabedoria?
Uma casa que ela mesma edificou, com sete colunas, onde a mesa está posta para os simples.
Quem copiou a segunda coleção de provérbios de Salomão?
Os homens de Ezequias, rei de Judá, como informa o título de Provérbios 25.1.
O que Agur pede a Deus em sua oração?
Que não lhe dê pobreza nem riqueza, só o pão necessário, para não negar a Deus nem roubar (Provérbios 30.8 e 9).
Quem ensinou ao rei Lemuel as palavras do capítulo 31?
Sua mãe, que o adverte contra o vinho e o manda abrir a boca em favor do pobre e do necessitado.
Que provérbio Paulo cita em Romanos 12?
O de dar pão ao inimigo com fome e água ao inimigo com sede (Provérbios 25.21 e 22, em Romanos 12.20).
O que Provérbios 6 afirma que o Senhor detesta?
Sete coisas, entre elas os olhos altivos, a língua mentirosa e quem semeia discórdia entre irmãos (6.16 a 19).
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Débora Arantes

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