Resumo de 1 Reis
Por Débora Arantes 12 min de leitura
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Metade de 1 Reis pertence a Salomão, e a outra metade ao reino partido que ele deixou. Salomão vence a disputa pela sucessão de Davi, pede a Deus sabedoria em vez de riqueza, constrói e consagra o templo de Jerusalém e leva Israel ao auge. No fim da vida, suas muitas mulheres estrangeiras inclinam seu coração a outros deuses. Com seu filho Roboão, dez tribos se separam e formam o reino do norte, Israel, sob Jeroboão, que ergue bezerros de ouro em Betel e Dã; ao sul fica Judá, com Jerusalém e a casa de Davi. O livro passa então a alternar os reis dos dois reinos, julgando cada um pela fidelidade a Deus, até chegar a Acabe e Jezabel, enfrentados pelo profeta Elias no monte Carmelo.
Do auge à rachadura
1 Reis começa com Davi velho, sem conseguir se aquecer, e termina cerca de cento e vinte anos mais tarde com dois reinos rivais e um profeta fugindo da rainha. É o livro em que Israel chega ao ponto mais alto e, no mesmo fôlego, começa a descer. Ele continua a história de 2 Samuel e, como os dois de Samuel, formava com 2 Reis uma obra só.
O livro tem um critério e o aplica a todos: cada rei é avaliado pela fidelidade ao Senhor e ao culto em Jerusalém, não pelo sucesso militar ou econômico. Onri, por exemplo, foi um governante forte, fundou Samaria e é citado em inscrições de povos vizinhos; o livro lhe dá seis versículos e o veredito de que fez o mal mais que todos os anteriores.
A sucessão: Adonias ou Salomão
Com Davi acamado, o filho mais velho vivo, Adonias, se proclama rei com o apoio de Joabe e do sacerdote Abiatar. O profeta Natã e Bate-Seba vão ao rei e lembram o juramento em favor de Salomão. Davi manda ungir Salomão na fonte de Giom, montado na mula real, e a festa de Adonias se desfaz.
Antes de morrer, Davi recomenda ao filho que guarde a lei de Moisés e lhe deixa contas a acertar. Salomão consolida o trono eliminando Adonias (que pedira por esposa Abisague, a jovem que cuidara de Davi na velhice), Joabe e Simei, e afastando Abiatar.
A sabedoria de Salomão
Em Gibeão, Deus aparece a Salomão em sonho e diz: pede o que queres. Salomão se reconhece jovem e pede um coração que saiba ouvir, para distinguir o bem do mal ao julgar. Deus se agrada, concede a sabedoria e acrescenta o que ele não pediu, riqueza e glória.
A prova vem em seguida. Duas mulheres disputam um bebê, cada uma dizendo que o filho morto é da outra. Salomão manda trazer uma espada e dividir a criança viva. A mãe verdadeira cede o filho para que ele viva, e o rei reconhece nela a mãe. O capítulo 4 descreve a administração do reino em doze distritos, a paz, cada um debaixo da sua videira e da sua figueira, e a fama de Salomão como autor de provérbios e cânticos.
O templo
Salomão faz acordo com Hirão, rei de Tiro, que fornece cedro do Líbano e artesãos. A obra começa no quarto ano do reinado e leva sete anos. O texto detalha as medidas: o santuário, dividido em lugar santo e Santo dos Santos, onde ficará a arca sob dois querubins; as paredes revestidas de cedro e ouro; as duas colunas de bronze à entrada, Jaquim e Boaz; o grande tanque chamado mar de bronze.
Na dedicação (1 Reis 8), a arca é levada ao interior e uma nuvem enche a casa, de modo que os sacerdotes não conseguem permanecer. A oração de Salomão é um dos textos mais importantes do livro. Ele admite que os céus dos céus não podem conter Deus, quanto menos aquela casa, e pede que Deus ouça as orações feitas ali ou voltadas para ali: do injustiçado, do povo derrotado, do estrangeiro, e até dos que um dia forem levados cativos para outra terra. Deus responde em nova aparição com uma promessa e um aviso: se o rei e o povo se desviarem, Israel será tirado da terra e o templo virará ruína.
A glória e a queda
Os capítulos 9 e 10 mostram o esplendor: frota no mar Vermelho, ouro de Ofir, carros e cavalos, a visita da rainha de Sabá, que fica sem fôlego diante do que vê. Só que o próprio brilho já contraria as regras para o rei escritas em Deuteronômio 17, que proibiam acumular cavalos, mulheres e ouro.
O capítulo 11 dá o nome ao problema. Salomão teve setecentas esposas e trezentas concubinas, muitas delas alianças políticas com povos vizinhos, e construiu altares para os deuses delas diante de Jerusalém. Deus anuncia que rasgará o reino e o dará a um servo seu, mas não em seus dias e não por inteiro, por amor de Davi. Levantam-se adversários: Hadade em Edom, Rezom em Damasco e, de dentro, Jeroboão, chefe dos trabalhos forçados da casa de José. O profeta Aías o encontra no caminho, rasga a capa em doze pedaços e lhe dá dez.
Em detalhe: o rei Salomão.
Siquém: dez tribos vão embora
Morto Salomão, o filho Roboão vai a Siquém para ser aclamado. O povo, com Jeroboão à frente, pede alívio do trabalho pesado. Os conselheiros velhos recomendam ceder; os jovens, endurecer. Roboão responde com a frase que custou o reino: meu pai vos castigou com açoites, eu vos castigarei com escorpiões. As tribos do norte respondem com um grito antigo, que parte temos nós com Davi, e fazem Jeroboão rei.
Daqui em diante existem dois reinos. Israel, ao norte, com dez tribos. Judá, ao sul, com Jerusalém, o templo e a dinastia de Davi.
Jeroboão teme que as peregrinações a Jerusalém devolvam o povo a Roboão. Manda fazer dois bezerros de ouro, coloca um em Betel e outro em Dã, cria sacerdotes fora da tribo de Levi e uma festa em data própria. A fórmula ecoa a do bezerro do Êxodo: eis os teus deuses, Israel, que te tiraram do Egito. Esse ato passa a ser chamado no livro de o pecado de Jeroboão, e quase todo rei do norte será condenado por andar nele.
Reis em paralelo
Do capítulo 14 ao 16 o livro adota um formato fixo: quando o rei começou a reinar, em que ano do rei vizinho, quanto tempo reinou, a avaliação, onde está o resto de seus feitos e quem o sucedeu. No sul, Roboão vê o Egito saquear os tesouros do templo, e Asa é elogiado por remover ídolos. No norte, a instabilidade é a regra: a casa de Jeroboão é exterminada por Baasa, a de Baasa por Zinri, que reina sete dias, até que Onri se impõe e funda Samaria. Seu filho Acabe casa com Jezabel, princesa de Sidom, e ergue em Samaria um templo a Baal.
Elias
Sem apresentação nenhuma, Elias, o tesbita, aparece diante de Acabe e anuncia que não haverá orvalho nem chuva senão por sua palavra. Baal era cultuado como o deus da chuva e da fertilidade, e a seca é um desafio direto a ele. Elias é alimentado por corvos, depois por uma viúva de Sarepta, cuja farinha e cujo azeite não acabam e cujo filho ele devolve à vida.
No terceiro ano, Elias convoca o povo e os 450 profetas de Baal ao monte Carmelo. A pergunta dele resume o livro: até quando vocês vão mancar entre dois lados? Os profetas de Baal clamam da manhã à tarde, sem resposta. Elias reconstrói o altar com doze pedras, encharca a lenha três vezes e ora. O fogo desce e consome tudo, e o povo cai de rosto em terra. A chuva volta.
Ameaçado de morte por Jezabel, Elias foge para o deserto e pede para morrer. Um anjo o alimenta, e ele caminha quarenta dias até o Horebe, o monte de Moisés. Ali passam um vento forte, um terremoto e um fogo, e o Senhor não está em nenhum deles. Depois vem o murmúrio de uma brisa suave. Elias recebe três tarefas, entre elas ungir Eliseu como sucessor, e ouve que não está sozinho: restam sete mil que não dobraram os joelhos a Baal.
Em detalhe: o profeta Elias.
Nabote e o fim de Acabe
Acabe quer a vinha de Nabote, vizinha do palácio. Nabote recusa vender a herança dos pais. Jezabel escreve cartas em nome do rei, arranja duas testemunhas falsas, e Nabote é apedrejado. Quando Acabe desce para tomar posse, Elias o espera com a sentença: onde os cães lamberam o sangue de Nabote, lamberão o teu.
No último capítulo, Acabe e Josafá, rei de Judá, planejam retomar Ramote de Gileade. Quatrocentos profetas prometem vitória; só Micaías anuncia o desastre e é preso. Acabe vai disfarçado para a batalha, e uma flecha atirada ao acaso o acerta entre as juntas da armadura.
O critério do livro
1 Reis conta a política de dois Estados, mas a pergunta que faz a cada reinado é religiosa: o rei andou como Davi ou como Jeroboão? Por isso o templo ocupa quatro capítulos e reis poderosos ocupam linhas. E por isso, quando os reis falham, quem passa ao centro da narrativa são os profetas. A segunda metade da história, com Eliseu, a queda de Samaria e a de Jerusalém, está em 2 Reis.
Os pontos centrais
- O pedido de Salomão em Gibeão (1 Reis 3): um coração que saiba ouvir para julgar o povo, e a sabedoria demonstrada no caso das duas mães.
- A construção e a dedicação do templo (1 Reis 6 a 8), com a oração de Salomão reconhecendo que nem os céus podem conter Deus.
- A queda de Salomão (1 Reis 11): o coração dividido, e o anúncio de que o reino será rasgado, restando uma tribo por amor de Davi.
- A divisão do reino em Siquém (1 Reis 12), quando Roboão recusa aliviar o jugo e dez tribos seguem Jeroboão.
- O pecado de Jeroboão, os bezerros de Betel e Dã, que vira a medida com que todos os reis do norte são avaliados.
- Elias no Carmelo e no Horebe (1 Reis 18 e 19): o fogo que responde e, depois, a voz mansa e delicada.
Leituras que se afastam do texto
O reino se dividiu porque as tribos do norte abandonaram a fé
O motivo imediato em 1 Reis 12 é o trabalho forçado e os impostos: o povo pede a Roboão um jugo mais leve, e ele promete um mais pesado. A idolatria do norte vem depois, quando Jeroboão cria santuários próprios para que o povo não suba a Jerusalém. O texto ainda apresenta a divisão como juízo sobre o pecado de Salomão.
Salomão pediu sabedoria e por isso foi sábio até o fim
O livro abre com o pedido e fecha a história dele com o contrário: na velhice, o coração de Salomão já não era inteiro para com o Senhor (1 Reis 11.4). Ele constrói lugares de culto para os deuses das esposas. O dom recebido não o protegeu das escolhas que fez.
No Horebe, Deus mostrou a Elias que estava no vento, no terremoto e no fogo
O texto diz três vezes o oposto: o Senhor não estava no vento, nem no terremoto, nem no fogo. Depois deles vem o som de uma brisa suave, e é então que Elias cobre o rosto e sai da caverna. A cena contrasta com o fogo do Carmelo, no capítulo anterior.
Israel e Judá são dois nomes para o mesmo reino
A partir do capítulo 12, Israel é o reino do norte, com dez tribos e capital por fim em Samaria, e Judá é o reino do sul, com Jerusalém e os descendentes de Davi. Cada um tem sua lista de reis, e o livro alterna entre os dois datando um pelo outro.
Perguntas para estudo
8 perguntas
- Quem disputa o trono com Salomão?
- Adonias, o filho mais velho de Davi ainda vivo, apoiado por Joabe e pelo sacerdote Abiatar.
- O que Salomão pede a Deus em Gibeão?
- Um coração sábio e capaz de discernir, para governar o povo com justiça.
- Quantos anos levou a construção do templo?
- Sete anos, segundo 1 Reis 6; o palácio de Salomão levou treze.
- Quem visita Salomão para testar sua sabedoria?
- A rainha de Sabá, que chega com perguntas difíceis e muitos presentes.
- Qual profeta anuncia a Jeroboão que ele reinará sobre dez tribos?
- Aías de Siló, que rasga uma capa nova em doze pedaços e lhe entrega dez.
- O que Jeroboão instala em Betel e em Dã?
- Dois bezerros de ouro, para que o povo do norte não vá adorar em Jerusalém.
- Quem sustenta Elias durante a seca?
- Primeiro os corvos junto ao ribeiro de Querite, depois uma viúva em Sarepta.
- O que é a vinha de Nabote?
- A herança que Acabe cobiça e que Jezabel obtém mandando matar o dono com falsas testemunhas.
Débora Arantes
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