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Resumo do livro de Jonas

Por Débora Arantes 11 min de leitura

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Em 30 segundos

Mandado a pregar em Nínive, a grande cidade assíria, Jonas embarca na direção oposta. Uma tempestade ameaça o navio, os marinheiros o lançam ao mar a pedido dele mesmo, e um grande peixe o engole por três dias e três noites. Do ventre do peixe ele ora, é devolvido à terra firme e recebe a mesma ordem pela segunda vez. Em Nínive, anuncia que a cidade será destruída em quarenta dias. O povo crê, o rei decreta jejum, e Deus desiste do castigo. Jonas se enfurece: fugiu justamente por saber que Deus é misericordioso. O último capítulo, com a planta que nasce e seca em um dia, termina numa pergunta de Deus sobre a compaixão por cento e vinte mil pessoas, deixada sem resposta.

As quatro cenas do livro de Jonas em colunas, uma por capítulo: no mar, no ventre do peixe, em Nínive e sob a planta fora da cidade
Imagem: resumode.com.br

Um profeta conhecido, uma história diferente

Jonas, filho de Amitai, aparece em outro lugar da Bíblia. 2 Reis 14.25 o cita como profeta de Gate-Hefer que anunciou a recuperação das fronteiras de Israel, realizada por Jeroboão II. Era, portanto, um profeta do reino do norte com uma boa notícia para o seu próprio povo.

O livro que leva o seu nome não traz nenhum oráculo desse tipo. Entre os doze profetas menores, é o único que é quase inteiramente narrativa. Não reúne discursos: conta o que aconteceu quando Jonas recebeu uma ordem que não queria cumprir.

A ordem diz respeito a Nínive, a grande cidade da Assíria, o império que mais tarde destruiria o reino de Jonas. Levanta-te, vai à grande cidade de Nínive e clama contra ela, porque a sua maldade subiu até mim (Jonas 1.2).

Para Társis, longe da presença do Senhor

Jonas se levanta, mas para fugir. Vai ao porto de Jope, encontra um navio de partida para Társis, paga a passagem e embarca. O versículo diz duas vezes do que ele foge: da presença do Senhor.

O narrador marca a fuga com um mesmo verbo. Jonas desce a Jope, desce ao navio, desce ao porão, e ali dorme. Mais tarde, na oração, dirá que desceu até a base dos montes.

O Senhor lança um grande vento sobre o mar. Os marinheiros, apavorados, clamam cada um ao seu deus e jogam a carga fora. O capitão encontra Jonas dormindo e lhe cobra o que os outros já faziam: levanta-te, invoca o teu Deus. O único a bordo que conhece o Deus que fez o mar é o único que não ora.

As sortes apontam Jonas. Interrogado, ele responde com uma profissão de fé: sou hebreu e temo ao Senhor, o Deus do céu, que fez o mar e a terra seca (1.9). E propõe a solução: lançai-me ao mar. Os marinheiros não aceitam logo. Remam com força para alcançar a terra, não conseguem, e antes de fazer o que ele pediu oram ao Senhor para que não lhes cobre sangue inocente. Jonas é lançado, o mar se acalma, e aqueles homens temem ao Senhor, oferecem sacrifício e fazem votos (1.16).

O primeiro capítulo já desenha o contraste do livro inteiro. Os estrangeiros tentam salvar a vida do profeta. O profeta, ao fugir, estava disposto a deixar uma cidade inteira sem aviso.

Três dias e três noites

O Senhor preparou um grande peixe para engolir Jonas, e ele ficou no ventre do peixe três dias e três noites. O peixe é o resgate, não o castigo: quem estava se afogando é guardado vivo.

O capítulo 2 é a oração de Jonas ali dentro, em versos, no estilo dos Salmos. Ela não pede socorro; agradece um socorro já recebido. Jonas descreve o afogamento: as águas o cercaram até a alma, o abismo o envolveu, as algas se enrolaram na sua cabeça. Clamou, e foi ouvido. A oração termina com uma promessa de sacrifício e uma frase que resume o livro: ao Senhor pertence a salvação.

O Senhor fala ao peixe, e o peixe vomita Jonas em terra seca.

Ainda quarenta dias

A palavra vem a Jonas pela segunda vez, quase com as mesmas palavras da primeira. Agora ele vai.

Nínive é descrita como cidade muito grande, de três dias de caminho. Jonas entra, anda um dia e proclama: ainda quarenta dias, e Nínive será destruída (3.4). É tudo o que o texto registra da sua pregação.

A reação é imediata e vem de baixo para cima. Os ninivitas creem em Deus, proclamam um jejum e se vestem de pano de saco, do maior ao menor. A notícia chega ao rei, que se levanta do trono, tira o manto, cobre-se de saco e senta-se sobre cinza. O decreto dele inclui até os animais: nem homens nem rebanhos devem comer ou beber, todos se cubram de saco, clamem a Deus com força, e cada um se converta do seu mau caminho e da violência das suas mãos.

O rei não garante nada. Diz apenas: quem sabe se Deus não voltará atrás, e não se apartará do furor da sua ira, para que não pereçamos? (3.9). É a mesma esperança sem presunção que aparece em Joel, ali dita ao povo de Judá.

Deus viu o que fizeram, como se converteram do mau caminho, e desistiu do mal que tinha dito que lhes faria (3.10).

Era isso que eu dizia

Qualquer outro profeta contaria esse resultado como êxito. Jonas fica profundamente desgostoso e irado, e só agora explica a fuga do começo. Não era isso que eu dizia, Senhor, quando ainda estava na minha terra? Por isso me apressei a fugir para Társis: eu sabia que és Deus compassivo e misericordioso, tardio em irar-se, grande em amor, e que voltas atrás do mal (4.2).

As palavras são as que Deus usou para se revelar a Moisés no Sinai, depois do bezerro de ouro. Israel vivia dessa misericórdia. Jonas a recita como queixa, porque ela foi estendida a Nínive. E pede a morte.

A resposta de Deus é uma pergunta curta: é razoável essa tua ira? (4.4).

A planta, o verme e o vento

Jonas não responde. Sai da cidade, faz uma cabana do lado leste e senta-se à sombra para ver o que aconteceria com Nínive.

Deus então lhe dá uma lição com três coisas preparadas, uma depois da outra. Primeiro uma planta, que cresce sobre Jonas e lhe faz sombra; ele se alegra muito com ela. No dia seguinte, ao romper da manhã, um verme, que fere a planta, e ela seca. Depois um vento oriental abrasador, com o sol batendo na cabeça de Jonas até ele desfalecer e pedir de novo a morte.

A pergunta se repete, agora sobre a planta: é razoável essa tua ira? Jonas responde que sim, até a morte.

A pergunta que fecha o livro

O Senhor conclui com um argumento do menor para o maior. Tu tens pena da planta, que não te custou trabalho, que não fizeste crescer, que numa noite nasceu e numa noite pereceu. E eu não teria compaixão de Nínive, a grande cidade, onde há mais de cento e vinte mil pessoas que não sabem distinguir a mão direita da esquerda, e também muitos animais? (4.10 e 4.11).

O livro termina aí. A resposta de Jonas não é registrada.

O sinal de Jonas

Nos evangelhos, quando pedem a Jesus um sinal, ele responde que nenhum será dado senão o do profeta Jonas. Mateus 12 registra as duas comparações: como Jonas esteve três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem estará no coração da terra; e os ninivitas se levantarão no juízo contra aquela geração, porque se arrependeram com a pregação de Jonas, e ali estava quem é maior do que Jonas. Lucas 11 conta o mesmo dito com ênfase nos ninivitas. Entre os quatro evangelhos, só Mateus e Lucas trazem essa resposta com o nome de Jonas.

Dentro do Antigo Testamento, Jonas ocupa um lugar próprio. Os outros profetas falam contra as nações de longe, como Abdias contra Edom. Jonas é enviado a uma delas, e a história mostra a nação ouvindo. O profeta Naum, mais tarde, anunciará a queda de Nínive. O livro de Jonas guarda o momento em que a cidade teve a chance de ouvir e ouviu, e em que o profeta precisou aprender o tamanho da misericórdia que ele mesmo confessava.

Os pontos centrais

  1. Jonas é o único livro profético que é quase todo narrativa: conta o que aconteceu com o profeta, e sua pregação cabe em uma frase.
  2. A fuga para Társis é fuga da presença do Senhor (Jonas 1.3), e o texto a descreve como uma descida contínua, até o fundo do mar.
  3. Os estrangeiros respondem melhor que o profeta: os marinheiros temem ao Senhor (1.16) e os ninivitas creem em Deus (3.5).
  4. Deus viu o que os ninivitas fizeram e desistiu do mal que tinha anunciado (Jonas 3.10): a ameaça era também uma oportunidade.
  5. O motivo da fuga só aparece em Jonas 4.2: ele sabia que Deus é compassivo, tardio em irar-se e pronto a voltar atrás do castigo.
  6. Jesus fala do sinal de Jonas e dos ninivitas que se arrependeram, em Mateus 12.39 a 12.41 e em Lucas 11.29 a 11.32.

Leituras que se afastam do texto

Jonas foi engolido por uma baleia

O livro diz que o Senhor preparou um grande peixe para engolir Jonas, sem indicar a espécie. A baleia entrou na história por Mateus 12.40, em que Jesus retoma o episódio com uma palavra grega para grande animal marinho, traduzida como baleia em versões antigas. A arte e as histórias para crianças fixaram a imagem. O texto se interessa por quem mandou o peixe, não por qual peixe era.

Jonas fugiu porque tinha medo dos ninivitas

O próprio Jonas dá o motivo, e não é medo: foi por isso que me apressei a fugir para Társis, pois sabia que és Deus compassivo e misericordioso, tardio em irar-se (Jonas 4.2). Ele fugiu porque previa que Deus perdoaria a cidade, e não queria esse desfecho. A explicação pelo medo vem de ler só o primeiro capítulo, em que o texto ainda não revela a razão.

Jonas pregou longamente o arrependimento em Nínive

A pregação registrada é uma frase só: ainda quarenta dias, e Nínive será destruída (Jonas 3.4). Ela não menciona Deus, não explica a causa e não oferece saída. Jonas a diz no primeiro dia de caminhada por uma cidade que pedia três. O arrependimento parte dos ninivitas e do rei, que arrisca um quem sabe. O livro mostra o menor esforço possível do profeta e o maior resultado.

O livro termina com Jonas arrependido da sua raiva

A última fala de Jonas é uma insistência: tenho razão em me irar até a morte (Jonas 4.9). Depois disso só Deus fala, e o livro acaba na pergunta dele sobre a compaixão por Nínive, sem registrar resposta. Não se conta se Jonas concordou, se voltou para casa ou o que foi feito dele. O final em aberto é intencional: a pergunta fica com quem lê.

Perguntas para estudo

8 perguntas

Em que porto Jonas embarca, e para onde?
Em Jope, onde paga a passagem de um navio que ia para Társis (Jonas 1.3).
O que Jonas fazia durante a tempestade?
Dormia profundamente no porão do navio, até ser acordado pelo capitão.
Como os marinheiros descobrem quem causou a tempestade?
Lançam sortes, e a sorte cai sobre Jonas, que então confessa de quem está fugindo.
O que os marinheiros fazem quando o mar se acalma?
Temem ao Senhor com grande temor, oferecem sacrifício e fazem votos (Jonas 1.16).
Com que frase termina a oração de Jonas no ventre do peixe?
Com a declaração de que ao Senhor pertence a salvação, ao fim de um cântico de gratidão.
Quem participa do jejum decretado pelo rei de Nínive?
Homens e animais: ninguém come nem bebe, e todos são cobertos de pano de saco.
Onde Jonas se instala depois de pregar?
Do lado leste da cidade, numa cabana, à espera de ver o que aconteceria com ela.
Que quatro coisas o texto diz que Deus preparou?
O grande peixe, a planta, o verme que a seca e o vento oriental abrasador.
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Débora Arantes

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