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Resumo do livro de Amós

Por Débora Arantes 12 min de leitura

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Em 30 segundos

Num tempo de riqueza e fronteiras seguras, um criador de gado de Tecoa, em Judá, é enviado ao reino do norte para dizer que o fim chegou. Amós começa condenando os crimes das nações vizinhas e fecha o cerco sobre Israel, que vende o justo por prata e o pobre por um par de sandálias. Ter sido escolhido por Deus aumenta a responsabilidade, não a diminui. O culto de Betel, cheio de festas e ofertas, é rejeitado enquanto a justiça não correr como rio. Cinco visões anunciam a sentença, e o sacerdote Amazias expulsa o profeta do santuário do rei. Os últimos versículos mudam de tom: Deus levantará a tenda caída de Davi e plantará o povo de novo na sua terra.

As três partes do livro de Amós em colunas: os oito oráculos contra as nações, as palavras contra Israel e as cinco visões que terminam em promessa
Imagem: resumode.com.br

De trás do rebanho para Betel

Amós não vem de família de profetas nem de escola de profetas. O primeiro versículo o põe entre os criadores de gado de Tecoa, povoado de Judá, e ele mesmo acrescenta que cuidava de sicômoros, uma espécie de figueira. A palavra que recebe o tira dali e o manda para o outro reino.

O tempo é o de Uzias em Judá e de Jeroboão II em Israel, dois anos antes de um terremoto que ficou na memória do povo. 2 Reis registra que Jeroboão II restaurou as fronteiras do norte. O livro de Amós mostra o que essa prosperidade produziu por dentro: casas de inverno e de verão, leitos de marfim, banquetes, e uma multidão de devedores vendidos por quase nada. O santuário de Betel vive cheio.

Amós fala como quem viu de perto o campo e o mercado. Suas imagens são o leão, o laço do passarinheiro, o carro carregado de feixes, a peneira, a balança adulterada.

Sete sentenças antes da que importa

O livro abre com um rugido: o Senhor ruge de Sião (1.2). Segue uma série de oráculos com a mesma fórmula: por três transgressões, e por quatro, não revogarei o castigo.

Os primeiros alvos são povos vizinhos, cada um por um crime de guerra. Damasco trilhou Gileade com instrumentos de ferro. Gaza e Tiro levaram populações inteiras cativas e as entregaram a Edom. Edom perseguiu o irmão à espada. Amom rasgou o ventre das grávidas para alargar o território. Moabe queimou os ossos do rei de Edom. Nenhum desses povos recebeu a lei de Moisés, e todos respondem diante de Deus pela crueldade.

O sétimo é Judá, acusado de rejeitar a lei do Senhor. Quem ouvia em Betel devia estar de acordo com tudo. Então vem o oitavo, e o mais longo: Israel. A acusação não é de guerra, é do dia a dia. Vendem o justo por prata e o necessitado por um par de sandálias (2.6). Pisam a cabeça dos pobres. Deitam-se junto aos altares sobre roupas tomadas em penhor. Deus lembra o que fez por eles, do Egito à terra, e o que fizeram com os que ele levantou: deram vinho aos nazireus e mandaram os profetas calar.

Só a vós escolhi

Os capítulos 3 a 6 reúnem discursos que começam por ouvi esta palavra. O primeiro derruba a segurança mais antiga de Israel: de todas as famílias da terra, só a vós escolhi; por isso vos punirei por todas as vossas iniquidades (3.2). Ser escolhido é responder por mais.

Vem uma fila de perguntas sobre causa e efeito. Andam dois juntos sem estarem de acordo? Ruge o leão sem ter presa? A conclusão explica por que Amós fala: o Senhor não faz coisa alguma sem revelar o seu segredo aos profetas; o leão rugiu, quem não temerá? O Senhor falou, quem não profetizará? (3.7 e 3.8).

O capítulo 4 se dirige às mulheres ricas de Samaria, as vacas de Basã, e depois ironiza a religião: vinde a Betel e pecai. Em seguida Deus enumera os avisos que mandou, a fome, a seca, as pragas da lavoura, a peste, a destruição, e cinco vezes repete o mesmo refrão: contudo, não vos convertestes a mim. A série termina numa convocação: prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus (4.12).

Buscai-me e vivei

O capítulo 5 começa como um canto fúnebre por alguém que ainda está vivo: caiu a virgem de Israel, e não tornará a levantar-se. No meio do lamento, a saída é dita três vezes com poucas variações: buscai-me e vivei (5.4); buscai o bem e não o mal; aborrecei o mal, amai o bem e estabelecei o juízo na porta (5.15). A porta da cidade era o lugar dos julgamentos, e é ali que Amós localiza o pecado: suborno, testemunha honesta odiada, pobre afastado do seu direito.

Dois trechos desse capítulo ficaram entre os mais conhecidos dos profetas.

O primeiro trata do dia do Senhor. O povo o esperava como o dia em que Deus derrotaria os inimigos. Amós diz que será trevas e não luz, como alguém que foge do leão e dá com o urso, entra em casa, encosta a mão na parede e é mordido por uma cobra (5.18 a 5.20). Em Joel, o tema volta com o mesmo peso.

O segundo é a recusa do culto. Aborreço, desprezo as vossas festas; afasta de mim o barulho dos teus cânticos. E a exigência: corra o juízo como as águas, e a justiça como ribeiro perene (5.24).

O capítulo 6 pronuncia um ai sobre os que vivem tranquilos em Sião e seguros no monte de Samaria, que cantam ao som da harpa e não se afligem com a ruína de José. Serão os primeiros da fila dos deportados.

Gafanhotos, fogo e prumo

A partir do capítulo 7, Amós conta o que viu. Na primeira visão, uma nuvem de gafanhotos se forma quando a erva começa a brotar. Amós pede: Senhor, perdoa; como subsistirá Jacó? Ele é pequeno. O Senhor volta atrás. Na segunda, um fogo consome o grande abismo e começa a devorar a terra. Amós pede de novo, e de novo é atendido.

Na terceira, o Senhor está junto a um muro com um prumo na mão, o instrumento que mostra se a parede está torta. Desta vez não há intercessão. Nunca mais passarei por ele, diz Deus, e anuncia a espada contra a casa de Jeroboão.

Vai-te, vidente

É nesse ponto que o livro para de citar oráculos e conta uma cena. Amazias, sacerdote de Betel, manda dizer ao rei que Amós conspira e que a terra não pode suportar as suas palavras. Depois fala ao profeta: vai-te, vidente, foge para a terra de Judá, come lá o teu pão e profetiza lá. Em Betel não, porque é o santuário do rei e o templo do reino.

A resposta de Amós é a sua única fala sobre si mesmo. Eu não era profeta nem filho de profeta; era boiadeiro e cultivador de sicômoros. O Senhor me tomou de trás do rebanho e me disse: vai, profetiza ao meu povo Israel (7.14 e 7.15). A autoridade dele não vem do santuário nem do rei. E ele entrega a Amazias uma sentença pessoal, que termina com o que o sacerdote não queria ouvir: Israel será levado cativo para fora da sua terra.

O cesto de frutos e a fome da palavra

A quarta visão é um cesto de frutos de verão. O nome do fruto, em hebraico, soa como a palavra fim, e é isso que Deus declara: chegou o fim para o meu povo Israel (8.2). O capítulo volta aos comerciantes que esperam o sábado acabar para vender trigo com medida menor, peso maior e balança enganosa. A pena é uma fome nova: não de pão, mas de ouvir as palavras do Senhor (8.11). Quem mandou os profetas calar vai procurar a palavra de mar a mar sem encontrar.

Na quinta visão o Senhor está de pé junto ao altar e manda ferir os capitéis para que o santuário desabe sobre todos. Não há esconderijo, nem no fundo do mar nem no alto do Carmelo. E vem uma frase que tira de Israel o último privilégio imaginado: não tirei eu Israel do Egito, e os filisteus de Caftor, e os sírios de Quir? (9.7). O êxodo não funciona como salvo-conduto.

A tenda caída de Davi

Depois de nove capítulos de sentença, cinco versículos mudam de direção. Deus já tinha dito que a casa de Jacó não seria destruída de todo: seria sacudida como grão na peneira (9.8 e 9.9). Agora promete: naquele dia levantarei a tenda caída de Davi, repararei as suas brechas e a reedificarei (9.11). A terra voltará a produzir tanto que quem lavra alcançará quem colhe, e o povo será plantado no seu chão para não ser mais arrancado.

Amós pregou num reino que durou só mais algumas décadas. Oseias, pouco depois, falou ao mesmo povo já em queda. Mas a promessa do fim olha para Judá e para a casa de Davi, e para mais longe. Em Atos dos Apóstolos, quando a igreja discute se os não judeus podem ser recebidos sem a circuncisão, Tiago cita a tenda de Davi levantada para que os outros povos busquem o Senhor. O profeta que começou julgando as nações termina servindo de argumento para acolhê-las.

Os pontos centrais

  1. Os oráculos dos capítulos 1 e 2 percorrem os povos vizinhos e Judá antes de chegar a Israel, o alvo que os ouvintes não esperavam.
  2. A eleição não protege: de todas as famílias da terra só a vós escolhi, por isso vos punirei (Amós 3.2).
  3. O dia do Senhor, que o povo desejava como vitória, é anunciado como trevas e não luz (Amós 5.18 a 5.20).
  4. O culto sem justiça é recusado: corra o juízo como as águas, e a justiça como ribeiro perene (Amós 5.24).
  5. No confronto de Betel (Amós 7.10 a 7.17), o sacerdote Amazias manda Amós embora, e Amós responde que foi o Senhor quem o tirou de trás do rebanho.
  6. A promessa final de levantar a tenda caída de Davi (Amós 9.11) é citada por Tiago no concílio de Jerusalém, em Atos 15.

Leituras que se afastam do texto

Amós era um pastor pobre e sem instrução

O texto não diz isso. A palavra usada para a ocupação dele em Amós 1.1 é a mesma aplicada ao rei de Moabe, criador de ovelhas em grande escala, em 2 Reis 3.4. Amós ainda se apresenta como boiadeiro e cultivador de sicômoros (7.14). O livro mostra um homem que conhece a política dos povos vizinhos e domina a poesia. A imagem do camponês rude vem de ler a origem rural como sinal de pobreza.

Amós pregou em Judá, a terra dele

Amós era de Tecoa, em Judá, mas foi enviado ao reino do norte: vai, profetiza ao meu povo Israel (Amós 7.15). O confronto do livro acontece em Betel, santuário real de Jeroboão II, e é por ser estrangeiro ali que o sacerdote Amazias o manda voltar para a terra de Judá. Há um oráculo contra Judá no capítulo 2, mas o destinatário do livro é Samaria.

Amós disse que não era profeta

A frase de Amós 7.14, eu não era profeta nem filho de profeta, responde à acusação de Amazias, que o tratou como vidente que ganha o pão com oráculos. Amós nega pertencer aos grupos de profetas e viver disso: tinha gado e sicômoros. O versículo seguinte afirma a missão com todas as letras: o Senhor me tomou de trás do rebanho e me disse: vai, profetiza.

Em Amós, Deus rejeita o culto e pede apenas justiça social

O que Deus rejeita em Amós 5.21 a 5.24 são as festas e as ofertas de gente que, saindo do santuário, pisa o pobre e aceita suborno no tribunal. O mesmo capítulo manda buscar o Senhor para viver (5.4 e 5.6). O livro não separa as duas coisas: a acusação é justamente que Israel as separou, mantendo o altar cheio e a porta da cidade, onde se julgava, corrompida.

Perguntas para estudo

8 perguntas

De que cidade era Amós?
De Tecoa, no reino de Judá, embora sua missão tenha sido no reino do norte.
Que acontecimento serve de data no primeiro versículo?
Um terremoto: as palavras de Amós são situadas dois anos antes dele (Amós 1.1).
Que fórmula abre cada oráculo contra as nações?
Por três transgressões, e por quatro, não revogarei o castigo, seguida do nome do povo.
Quem são as vacas de Basã?
As mulheres ricas de Samaria, que oprimem os pobres e pedem bebida aos maridos (Amós 4.1).
Que refrão se repete cinco vezes no capítulo 4?
Contudo, não vos convertestes a mim, depois de cada calamidade enviada como aviso.
Em quais visões Amós intercede e é atendido?
Nas duas primeiras, a dos gafanhotos e a do fogo, em que o Senhor desiste do castigo.
Que tipo de fome Amós anuncia no capítulo 8?
Fome de ouvir as palavras do Senhor, e não de pão nem de água (Amós 8.11).
Que jogo de palavras há na visão do cesto de frutos?
Em hebraico, fruto de verão soa quase como fim: chegou o fim para o meu povo Israel (Amós 8.2).
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Débora Arantes

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