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Resumo de 2 Reis

Por Débora Arantes 11 min de leitura

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Em 30 segundos

Dois reinos entram em 2 Reis, e nenhum sai de pé. O livro abre com Elias levado ao céu num redemoinho e com Eliseu herdando seu manto e multiplicando sinais: o azeite da viúva, o filho da sunamita, a cura do sírio Naamã. No norte, Jeú extermina a casa de Acabe, mas os reis seguem no pecado de Jeroboão, e em 722 a.C. a Assíria toma Samaria e deporta Israel. O capítulo 17 explica a queda como resultado de séculos de infidelidade. Judá dura mais 136 anos. Ezequias resiste ao cerco de Senaqueribe com o apoio do profeta Isaías; Manassés desfaz tudo; Josias encontra o livro da lei no templo e promove a maior reforma. Não basta: Nabucodonosor destrói Jerusalém e o templo em 586 a.C. e leva o povo para a Babilônia.

Linha de 2 Reis em cinco paradas: Eliseu, a revolta de Jeú, a queda de Samaria, as reformas de Ezequias e Josias e a queda de Jerusalém
Imagem: resumode.com.br

O livro que explica o exílio

2 Reis responde à pergunta mais dolorosa do Antigo Testamento: como o povo da aliança perdeu a terra, o rei e o templo? A resposta é dada de dentro, por quem aceita o desastre como juízo. O livro retoma 1 Reis no ponto exato em que ele parou e segue a mesma técnica, alternando os reis de Israel e de Judá e avaliando cada um com a mesma régua.

Vale ter em mente o cenário. Durante quase todo o livro, dois impérios pressionam os pequenos reinos: primeiro a Assíria, com capital em Nínive, depois a Babilônia. Entre eles e o Egito, Israel e Judá tentam sobreviver trocando alianças e pagando tributo. Os profetas condenam essas manobras, e o livro lhes dá razão.

Elias sobe, Eliseu fica

Elias sabe que vai ser levado e tenta três vezes deixar Eliseu para trás, em Gilgal, em Betel e em Jericó. Eliseu se recusa a soltá-lo. Elias bate com o manto no Jordão, as águas se abrem e os dois passam a seco. Eliseu pede porção dobrada do espírito do mestre. Surge um carro de fogo com cavalos de fogo, que separa os dois, e Elias sobe ao céu num redemoinho. Eliseu rasga as próprias roupas, apanha o manto caído e repete o gesto no rio. As águas se abrem de novo.

Os sinais de Eliseu

Os capítulos 2 a 8 reúnem as histórias de Eliseu. Elas são numerosas e, diferentemente das de Elias, em geral acontecem entre gente comum:

  • uma viúva endividada enche de azeite todas as vasilhas que consegue emprestar e paga o credor;
  • a sunamita, que hospedava o profeta, recebe um filho; o menino morre, e Eliseu o devolve vivo;
  • a comida envenenada da panela se torna boa, e vinte pães alimentam cem homens, com sobra;
  • Naamã, comandante do exército da Síria, sofre de lepra; uma menina israelita cativa indica o profeta; ele se irrita com a ordem de se lavar no Jordão, cede a conselho dos servos e sai curado, confessando que não há Deus senão em Israel;
  • Geazi, servo de Eliseu, corre atrás de Naamã para cobrar o presente recusado e fica leproso;
  • o ferro de um machado emprestado flutua;
  • em Dotã, cercado por tropas sírias, Eliseu ora para que seu servo veja, e o monte aparece cheio de cavalos e carros de fogo;
  • Samaria, sitiada e faminta, amanhece livre quando o exército sírio foge de um ruído que ouviu de noite.

Em detalhe: o profeta Eliseu.

Jeú: a casa de Acabe acaba

Um discípulo enviado por Eliseu unge em segredo o comandante Jeú e sai correndo. Jeú dispara no seu carro, e a condução furiosa dele vira característica registrada pelo sentinela. Ele mata o rei Jorão de Israel e joga o corpo no campo de Nabote; fere de morte Acazias, rei de Judá; manda atirar Jezabel da janela, e os cães a comem, conforme a palavra de Elias. Depois elimina os setenta filhos de Acabe e os adoradores de Baal.

O veredito é misto. Jeú acabou com Baal em Israel, mas manteve os bezerros de Betel e Dã. Sua dinastia dura quatro gerações, e a violência daquele dia será condenada mais tarde pelo profeta Oseias.

Judá por um fio: Atalia e Joás

A matança de Jeú tem efeito no sul. Atalia, mãe de Acazias e filha de Acabe, toma o trono de Judá e manda matar toda a descendência real. A dinastia de Davi sobrevive num único bebê, Joás, escondido no templo por seis anos pela tia Jeoseba. No sétimo ano, o sacerdote Joiada o apresenta coroado, e Atalia é executada. Joás reina quarenta anos e restaura o templo.

A queda de Samaria

O norte vive um último período de força sob Jeroboão II, tempo em que pregam Amós e Oseias. Depois dele, seis reis em cerca de trinta anos, quatro assassinados. A Assíria avança. O rei Oseias deixa de pagar tributo e procura o Egito; Salmaneser cerca Samaria por três anos, e a cidade cai em 722 a.C. A população é deportada para regiões distantes do império.

O capítulo 17 interrompe a narrativa para explicar. Isso aconteceu, diz o texto, porque os filhos de Israel pecaram contra o Senhor que os tirou do Egito: seguiram os costumes das nações, ergueram altares em todo lugar, fizeram os bezerros, não ouviram os profetas. A Assíria traz povos de outras terras para ocupar Samaria. Eles passam a temer o Senhor e a servir também aos seus próprios deuses, mistura de que vem a desconfiança posterior entre judeus e samaritanos.

Ezequias e o cerco

Ezequias recebe do livro o elogio de ter confiado no Senhor como nenhum rei de Judá. Ele remove os altares das colinas e despedaça a serpente de bronze de Moisés, que o povo vinha tratando como objeto de culto.

Em 701 a.C., Senaqueribe toma as cidades fortificadas de Judá e manda a Jerusalém um oficial, o Rabsaqué, que discursa em hebraico diante das muralhas para desmoralizar o povo: nenhum deus livrou sua terra da mão da Assíria. Ezequias estende a carta de ameaças diante de Deus no templo e ora. O profeta Isaías responde que o rei da Assíria não entrará na cidade nem atirará nela uma flecha. Naquela noite o acampamento assírio é ferido, e Senaqueribe se retira.

Doente de morte, Ezequias ora e ganha quinze anos. Mas, ao receber enviados da Babilônia, mostra a eles todos os seus tesouros, e Isaías anuncia que um dia tudo aquilo será levado para lá.

Manassés e Josias

Manassés, filho de Ezequias, tem o reinado mais longo, cinquenta e cinco anos, e o pior: reconstrói os altares, põe ídolos dentro do templo, queima o próprio filho e derrama muito sangue inocente. É a ele que o livro atribui a sentença final sobre Judá.

Seu neto Josias sobe ao trono aos oito anos. No décimo oitavo ano do reinado, durante reparos no templo, o sacerdote Hilquias encontra o livro da lei. Ao ouvir a leitura, o rei rasga as roupas. A profetisa Hulda confirma: as maldições escritas virão, mas não em seus dias. Josias reúne o povo, renova a aliança, destrói os santuários, inclusive o altar de Betel erguido por Jeroboão trezentos anos antes, e celebra uma Páscoa como não se via desde os juízes. O conteúdo da reforma coincide de perto com as exigências de Deuteronômio.

Josias morre em Megido, tentando barrar o faraó Neco.

O fim de Jerusalém

Os quatro últimos reis são peças entre o Egito e a Babilônia. Em 597 a.C., Nabucodonosor leva para o exílio o jovem rei Joaquim, a corte, os artesãos e os tesouros do templo. Põe no trono Zedequias, que também se rebela. Depois de um cerco de cerca de um ano e meio, a muralha é rompida em 586 a.C. O templo, o palácio e as casas são queimados, os muros derrubados, os utensílios de bronze quebrados e levados. Ficam na terra os mais pobres, para cuidar das vinhas.

O último parágrafo

O livro poderia terminar na ruína, e termina com um parágrafo de quatro versículos. No trigésimo sétimo ano do exílio, um novo rei da Babilônia tira Joaquim da prisão, fala-lhe com bondade e lhe dá lugar à mesa pelo resto da vida. É uma nota pequena, e é tudo o que resta da promessa feita a Davi: o descendente está vivo. A continuação dessa esperança aparece em Daniel, ambientado nesse exílio, e na volta contada em Esdras e Neemias.

Os pontos centrais

  1. A passagem de Elias para Eliseu (2 Reis 2), com o pedido de porção dobrada do espírito e o manto que divide o Jordão.
  2. A cura de Naamã (2 Reis 5): um general estrangeiro curado por um gesto simples, e o servo Geazi punido pela cobiça.
  3. O capítulo 17, a explicação teológica da queda de Samaria e a origem dos samaritanos, com os povos trazidos pela Assíria.
  4. O cerco de Jerusalém por Senaqueribe e a oração de Ezequias (2 Reis 18 e 19), narrados também em Isaías 36 e 37.
  5. O achado do livro da lei no reinado de Josias (2 Reis 22 e 23) e a reforma que centraliza o culto e celebra a Páscoa.
  6. A queda de Jerusalém (2 Reis 25) e o último parágrafo, com o rei Joaquim libertado da prisão na Babilônia.

Leituras que se afastam do texto

Elias subiu ao céu numa carruagem de fogo

O carro e os cavalos de fogo aparecem e separam Elias de Eliseu, mas o texto diz que Elias subiu ao céu num redemoinho (2 Reis 2.11). A imagem da carruagem como veículo vem da arte e dos hinos. Eliseu, ao ver, grita: meu pai, carros de Israel e seus cavaleiros.

Israel e Judá foram levados juntos para a Babilônia

São dois exílios, por dois impérios, com mais de um século de distância. O reino do norte cai diante da Assíria em 722 a.C. e é espalhado por terras assírias. Judá cai diante da Babilônia, em deportações que culminam em 586 a.C. A volta narrada em Esdras é a dos exilados de Judá.

A reforma de Josias salvou Judá do castigo

O livro elogia Josias como nenhum outro rei, e logo depois afirma que o Senhor não desistiu da sua ira por causa de tudo o que Manassés fizera (2 Reis 23.26). A profetisa Hulda já tinha dito que o desastre viria, só não nos dias dele. Josias morre em Megido, e pouco mais de vinte anos depois Jerusalém cai.

Eliseu pediu para ter o dobro do poder de Elias

Porção dobrada é a expressão da lei para a parte do filho primogênito na herança (Deuteronômio 21.17). Eliseu pede para ser reconhecido como herdeiro e sucessor de Elias, não para superá-lo. A confirmação vem quando o manto de Elias abre o Jordão em suas mãos.

Perguntas para estudo

8 perguntas

Qual foi a ordem de Eliseu a Naamã?
Lavar-se sete vezes no rio Jordão, o que o general a princípio considera humilhante.
Quem executa a queda da casa de Acabe?
Jeú, ungido rei por um enviado de Eliseu, que mata Jorão, Jezabel e os descendentes de Acabe.
Que império destrói o reino do norte?
A Assíria, que toma Samaria em 722 a.C. depois de três anos de cerco.
Quem é Atalia?
A filha de Acabe que usurpa o trono de Judá e mata os herdeiros, exceto o menino Joás.
O que acontece com o exército de Senaqueribe diante de Jerusalém?
O anjo do Senhor fere o acampamento assírio de noite, e Senaqueribe volta para Nínive.
Qual sinal Ezequias recebe ao ser curado?
A sombra recua dez degraus no relógio de Acaz, e ele ganha mais quinze anos de vida.
O que é encontrado no templo no tempo de Josias?
O livro da lei, achado pelo sacerdote Hilquias durante uma reforma do edifício.
Quem é o último rei de Judá?
Zedequias, que vê os filhos serem mortos, é cegado e levado acorrentado para a Babilônia.
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Débora Arantes

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