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Resumo do livro de Joel

Por Débora Arantes 12 min de leitura

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Em 30 segundos

Uma praga de gafanhotos devora Judá até não sobrar nem a oferta do templo, e o profeta Joel lê nela um aviso: o dia do Senhor está perto. Ele descreve a nuvem de insetos como um exército que escurece o céu e escala os muros, e convoca todos, dos anciãos às crianças de peito, para um jejum. O pedido é rasgar o coração, e não as vestes, porque Deus é compassivo e tardio em irar-se. O Senhor responde: devolve a chuva e as colheitas e promete restituir os anos que o gafanhoto comeu. Depois vem a promessa maior, a de derramar o Espírito sobre toda carne, que Pedro cita no dia de Pentecostes. O livro termina com as nações julgadas no vale de Josafá e Jerusalém habitada para sempre.

Percurso do livro de Joel em cinco paradas: a praga de gafanhotos, o alarme do dia do Senhor, o jejum, a resposta de Deus e as promessas do fim
Imagem: resumode.com.br

Uma praga sem data

Joel, filho de Petuel, é apresentado em uma linha. O livro não nomeia rei, não conta nada da vida do profeta e não diz quando ele falou. O que se percebe pelo texto é o lugar: Judá, com Jerusalém no centro, os sacerdotes servindo no templo e os anciãos à frente do povo.

Essa falta de data combina com o livro. Joel parte de um desastre que qualquer geração de lavradores conheceria e chega ao fim da história. Ele mesmo pede que o caso seja passado adiante: contai isto a vossos filhos, e eles aos filhos deles, e estes à geração seguinte (Joel 1.3).

Uma informação prática: as Bíblias dividem o livro de dois modos. Umas têm três capítulos; outras, que seguem a divisão hebraica, têm quatro, porque separam o trecho sobre o Espírito num capítulo próprio. O texto é o mesmo.

O que o gafanhoto deixou

O capítulo 1 descreve a praga com quatro nomes de gafanhoto em fila: o que um deixou, o outro comeu, e assim até o quarto (1.4). Nada sobra. A vinha está devastada, a figueira descascada com os ramos brancos, o trigo e a cevada perdidos, o azeite em falta. Secam a romeira, a palmeira e a macieira, e seca a alegria dos homens.

Joel chama um grupo de cada vez para o lamento. Os bêbados, porque o vinho acabou. Os lavradores e vinhateiros, porque não há colheita. Os sacerdotes, porque a oferta de cereais e a libação foram cortadas da casa do Senhor (1.9): a praga atinge o campo e chega ao altar. Até o gado geme, e os animais do campo suspiram por água.

No meio do lamento aparece a frase que muda o tamanho do problema: ai daquele dia, porque o dia do Senhor está perto (1.15). Os gafanhotos são um começo.

O alarme soa em Sião

O capítulo 2 abre com a trombeta tocando no monte santo. É o sinal de inimigo à vista, e o inimigo vem da parte de Deus. Joel descreve um dia de trevas e de escuridão e um povo numeroso, como nunca houve. Diante dele a terra é como o jardim do Éden; atrás dele, um deserto (2.3).

A descrição mistura inseto e soldado. Eles têm aparência de cavalos, fazem ruído de carros, sobem os muros, cada um na sua fileira, e entram pelas janelas como ladrão. Mais adiante o próprio Deus chama os gafanhotos de meu grande exército (2.25), e muitos leitores veem na cena também a figura de uma invasão militar. O efeito é o mesmo: a terra treme, o sol e a lua escurecem, e o Senhor levanta a voz à frente da tropa. O trecho fecha com uma pergunta: o dia do Senhor é grande e muito terrível, e quem o poderá suportar? (2.11).

Ainda assim, agora mesmo

A saída é oferecida com urgência: ainda assim, agora mesmo, diz o Senhor, voltai para mim de todo o coração, com jejuns, com choro e com pranto (2.12). E a frase que ficou: rasgai o coração, e não as vestes (2.13).

O motivo para voltar é quem Deus é. Joel repete a descrição que Deus fez de si mesmo a Moisés no Sinai: compassivo e misericordioso, tardio em irar-se e grande em amor. Em seguida vem uma frase de quem não presume nada: quem sabe se ele não voltará atrás e deixará uma bênção? (2.14). A mesma descrição e o mesmo quem sabe aparecem em Jonas, ali na boca do rei de Nínive e do próprio profeta.

A trombeta toca outra vez, agora para reunir. Ninguém é dispensado: os anciãos, as crianças, os bebês de peito, o noivo e a noiva, que deixam o quarto. Os sacerdotes choram entre o pórtico e o altar e dizem a oração do dia: poupa o teu povo, Senhor; por que diriam entre os povos: onde está o Deus deles? (2.17).

Os anos que o gafanhoto comeu

O versículo 18 é a dobradiça do livro. Então o Senhor teve zelo pela sua terra e se compadeceu do seu povo. Daí em diante, quem fala é Deus, e cada perda do capítulo 1 recebe resposta.

Ele manda o trigo, o vinho e o azeite. Diz à terra que não tema, e aos animais do campo que os pastos vão reverdecer. Dá aos filhos de Sião a chuva temporã e a serôdia, as eiras se enchem e os lagares transbordam. E promete o que parecia impossível de devolver: restituirei os anos que o gafanhoto comeu (2.25). O sinal de que tudo voltou ao lugar é o povo saber que Deus está no meio de Israel (2.27).

O Espírito sobre toda carne

Depois disso, continua o texto, virá algo que não é devolução, é novidade: derramarei o meu Espírito sobre toda carne (2.28). Os filhos e as filhas profetizarão, os velhos terão sonhos, os jovens terão visões. O dom alcança até os servos e as servas, gente que não tinha voz em assembleia nenhuma.

A promessa vem acompanhada de sinais no céu e na terra: sangue, fogo e colunas de fumaça, o sol convertido em trevas e a lua em sangue, antes que venha o grande dia. E termina com uma porta aberta: todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo, porque no monte Sião haverá livramento (2.32).

O vale de Josafá

O capítulo 3 mostra o outro lado do dia. Deus reúne todas as nações no vale de Josafá, nome que significa o Senhor julga, e entra em juízo com elas por causa de Israel, sua herança. A acusação é concreta: espalharam o povo, repartiram a terra, lançaram sortes sobre as pessoas, deram um menino em troca de uma prostituta e venderam uma menina por vinho (3.3). Tiro, Sidom e a Filístia são citadas por terem levado a prata e o ouro e vendido os filhos de Judá aos gregos.

A convocação é feita em tom de desafio. Proclamai a guerra, forjai espadas das relhas de arado, diga o fraco: sou forte. As nações sobem ao vale e encontram ali um juiz sentado. A imagem passa a ser de colheita: lançai a foice, porque a seara está madura; pisai, porque o lagar está cheio. Multidões no vale da decisão (3.14).

Para o povo de Deus, o mesmo dia é abrigo. Os montes destilarão vinho novo, as colinas manarão leite, os ribeiros de Judá correrão cheios, e uma fonte sairá da casa do Senhor. A última frase do livro diz onde tudo isso se apoia: o Senhor habita em Sião.

Do templo vazio ao dia de Pentecostes

Joel começa com um templo sem oferta e termina com uma fonte saindo do templo. Entre uma coisa e outra, o dia do Senhor troca de direção: o que era ameaça contra Judá se torna, depois da volta, juízo sobre quem a oprimiu e promessa para quem invoca o nome.

É essa promessa que o Novo Testamento vê cumprir-se. Em Atos dos Apóstolos, quando os discípulos falam em outras línguas e alguns na multidão zombam, dizendo que estão bêbados, Pedro se levanta e explica a cena com o texto de Joel, do Espírito derramado até a frase sobre invocar o nome do Senhor. Paulo usa essa mesma frase em Romanos 10.13 para dizer que não há diferença entre judeu e grego.

No conjunto dos doze profetas, Joel prepara a leitura do livro que vem logo depois dele. Perto do fim, ele diz que o Senhor ruge de Sião e faz ouvir a sua voz de Jerusalém (3.16). Amós começa com essas mesmas palavras.

Os pontos centrais

  1. A praga de gafanhotos do capítulo 1 é tratada como sinal: o desastre presente anuncia o dia do Senhor (Joel 1.15).
  2. O dia do Senhor, tema que atravessa o livro, vem primeiro como ameaça sobre Judá e só depois como juízo das nações.
  3. O chamado de Joel 2.12 e 2.13 pede volta de todo o coração e se apoia no caráter de Deus, compassivo e tardio em irar-se.
  4. A virada está em Joel 2.18: o Senhor tem zelo pela sua terra, devolve as colheitas e restitui os anos perdidos (2.25).
  5. A promessa do Espírito derramado sobre toda carne (Joel 2.28 a 2.32) é o texto que Pedro explica em Atos 2.
  6. Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo (Joel 2.32) é a frase que Paulo retoma em Romanos 10.13.

Leituras que se afastam do texto

A promessa de que filhos e filhas profetizarão é uma frase de Pedro

Pedro a pronuncia no dia de Pentecostes, mas avisa que está citando: isto é o que foi dito pelo profeta Joel (Atos 2.16). O texto vem de Joel 2.28 a 2.32, que nas edições com quatro capítulos é o capítulo 3. O engano nasce de a passagem ser muito mais lida em Atos do que no seu lugar de origem, onde aparece como desfecho de uma história de praga, jejum e restauração.

Joel anuncia que as espadas serão transformadas em arados

Joel diz o contrário: forjai espadas das vossas relhas de arado e lanças das vossas podadeiras (Joel 3.10). É uma convocação irônica às nações para a batalha em que serão julgadas. A imagem da paz, com espadas virando arados, está em Isaías 2.4 e em Miqueias 4.3. Como as três frases usam as mesmas ferramentas, é comum atribuir a Joel o sentido das outras duas.

Rasgai o coração e não as vestes condena o jejum e os sinais exteriores de luto

O mesmo trecho pede as duas coisas. O versículo anterior manda voltar com jejuns, com choro e com pranto (Joel 2.12), e os seguintes convocam uma assembleia solene com trombeta, jejum e sacerdotes chorando no templo. A frase não dispensa o gesto: exige que ele venha de dentro. É o modo hebraico de dar prioridade a um lado negando o outro.

O dia do Senhor, em Joel, é o castigo dos inimigos de Israel

Nos dois primeiros capítulos o dia vem contra Judá: ai daquele dia, grita o profeta diante da praga (Joel 1.15), e a trombeta de alarme soa em Sião, não em terra estrangeira (2.1). Só depois do jejum e da resposta de Deus o dia se volta contra as nações, no capítulo 3. Quem lê apenas o final perde o percurso que dá sentido ao livro.

Perguntas para estudo

8 perguntas

O que o livro informa sobre a pessoa de Joel?
Apenas que é filho de Petuel (Joel 1.1); não há rei, data nem lugar de nascimento.
Quantos nomes de gafanhoto aparecem em Joel 1.4?
Quatro nomes em sequência, cada um devorando o que o anterior deixou.
Por que os sacerdotes estão de luto no capítulo 1?
Porque a oferta de cereais e a libação foram cortadas da casa do Senhor (Joel 1.9).
Onde os sacerdotes choram durante o jejum?
Entre o pórtico e o altar, pedindo que o Senhor poupe o seu povo (Joel 2.17).
Que chuvas Deus promete devolver?
A chuva temporã e a serôdia, isto é, a do início e a do fim da estação (Joel 2.23).
Sobre quem o Espírito é derramado na promessa de Joel?
Sobre toda carne: filhos e filhas, velhos e jovens, e até os servos e as servas.
O que significa o nome Josafá, dado ao vale do julgamento?
Significa o Senhor julga, e o mesmo lugar é chamado de vale da decisão (Joel 3.14).
Que imagem de água aparece no final do livro?
Uma fonte que sai da casa do Senhor e rega o vale de Sitim (Joel 3.18).
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Débora Arantes

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