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Resumo de Caim e Abel

Por Débora Arantes 11 min de leitura

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Em 30 segundos

O primeiro homem nascido na Bíblia mata o segundo. Caim, lavrador, e Abel, pastor, levam cada um a sua oferta ao Senhor, que atenta para Abel e para a oferta dele, e não para a de Caim. Antes de qualquer violência, Deus fala com Caim e o avisa: o pecado está à porta, e cabe a ele dominá-lo. Caim leva o irmão ao campo e o mata. Interrogado, responde que não é guarda do irmão. O sangue de Abel clama desde a terra, e Caim é amaldiçoado a vagar sem que o solo lhe dê fruto. Ele teme ser morto, e o Senhor põe nele um sinal que o protege. Caim funda uma cidade, sua linhagem chega ao violento Lameque, e Eva dá à luz Sete, no lugar de Abel.

Os quatro blocos de Gênesis 4: as duas ofertas e o aviso de Deus, o crime no campo com o interrogatório, a sentença com o sinal protetor e as duas linhagens, a de Caim e a de Sete
Imagem: resumode.com.br

Dois filhos, dois ofícios

O capítulo 4 de Gênesis começa do lado de fora do jardim, logo depois da expulsão de Adão e Eva. Eva concebe e dá à luz Caim, e explica o nome com uma frase de alegria: adquiri um homem com o auxílio do Senhor. Em hebraico, Caim soa como o verbo adquirir.

Depois nasce Abel. Para ele o texto não registra nenhuma frase da mãe. O nome, em hebraico, é a mesma palavra usada para sopro, coisa que passa depressa.

Cada um tem o seu trabalho: Abel é pastor de ovelhas, Caim é lavrador, como o pai. Em todo o capítulo, Abel não diz uma palavra.

O Senhor olha para um e não para o outro

Passado algum tempo, os dois trazem ofertas. Caim traz do fruto da terra. Abel traz das primícias do seu rebanho e da gordura delas.

O texto junta cada homem à sua oferta: o Senhor atentou para Abel e para a sua oferta, mas para Caim e para a sua oferta não atentou (Gênesis 4.4-5). Como isso se deu a conhecer, o relato não conta. Conta a reação: Caim se ira muito, e o seu rosto se abate.

O pecado deitado à porta

Antes de qualquer violência, Deus procura Caim e fala com ele. Faz duas perguntas, por que estás irado, por que o teu rosto está abatido, e põe diante dele uma escolha: se procederes bem, não serás aceito?

Em seguida vem o aviso, e com ele a primeira vez que a palavra pecado aparece na Bíblia. O pecado é descrito como um animal à espreita: jaz à porta, o seu desejo é contra ti, e a ti cabe dominá-lo (4.7). Desejo e dominar são as mesmas palavras da sentença dita à mulher no capítulo anterior.

Caim não responde. A fala seguinte dele é dirigida ao irmão.

No campo

O crime ocupa meia frase. Caim fala com Abel, e, estando os dois no campo, levanta-se contra ele e o mata (4.8). Não há descrição de luta nem de arma.

O que o narrador faz questão de repetir é uma palavra. Abel quase nunca é só Abel: é Abel, seu irmão. Do aviso ao interrogatório, o parentesco volta a cada linha.

A voz do sangue

Como no jardim, Deus chega com uma pergunta: onde está Abel, teu irmão? O pai de Caim, perguntado, tinha confessado o medo. Caim mente e devolve: não sei; acaso sou eu o guarda do meu irmão?

A segunda fala de Deus já não pergunta. Que fizeste? A voz do sangue do teu irmão clama a mim desde a terra (4.10).

A sentença sai dessa mesma terra. Ela abriu a boca para receber o sangue derramado pela mão de Caim, e por isso ele é maldito a partir dela. Quando a lavrar, ela não lhe dará mais a sua força. O lavrador perde o chão: será fugitivo e errante.

Um sinal para o fugitivo

Caim fala então pela última vez, e é para se queixar. O castigo é maior do que ele pode suportar. Expulso do solo e escondido da face de Deus, será morto por qualquer um que o encontrar.

A resposta surpreende. Quem matar Caim será vingado sete vezes, diz o Senhor, e põe em Caim um sinal, para que ninguém o fira ao encontrá-lo (4.15). O assassino é punido e, no mesmo gesto, guardado. Deus não entrega a vida dele à vingança dos outros.

Caim sai da presença do Senhor e vai habitar na terra de Node, nome que em hebraico lembra a palavra errante, ao oriente do Éden.

A cidade de Enoque e o canto de Lameque

O homem condenado a vagar constrói uma cidade e lhe dá o nome do filho, Enoque. O texto percorre a descendência em poucas linhas até Lameque, o primeiro homem da Bíblia a tomar duas mulheres, Ada e Zilá.

Dos filhos de Lameque nascem os ofícios:

  • Jabal, pai dos que moram em tendas e criam gado;
  • Jubal, pai dos que tocam harpa e flauta;
  • Tubalcaim, que forja instrumentos de bronze e de ferro.

Junto com a técnica cresce a violência. Lameque canta para as suas mulheres um poema de vanglória: matou um homem por uma ferida, um rapaz por uma pisadura. E torce a palavra que protegia o antepassado: se Caim é vingado sete vezes, Lameque o será setenta e sete (4.24). A proteção dada por Deus virou, na boca dele, licença para matar.

No lugar de Abel

Os dois últimos versículos voltam a Adão e Eva. Nasce um terceiro filho, Sete, e desta vez a mãe explica o nome lembrando os dois primeiros: Deus me concedeu outro descendente no lugar de Abel, a quem Caim matou.

Sete tem um filho, Enos. A frase final do capítulo põe ao lado da cidade e do canto de Lameque outra novidade: então se começou a invocar o nome do Senhor (4.26). É por essa linhagem que a genealogia do capítulo 5 segue, de pai para filho, até Noé e a arca.

O sangue que fala melhor

Abel não diz nada em Gênesis, e o resto da Bíblia insiste em que ele continua falando. Jesus o chama de justo e faz dele o primeiro de uma lista de sangue inocente derramado sobre a terra (Mateus 23.35). A carta aos Hebreus abre com ele a galeria dos que viveram pela fé: por meio dela, mesmo depois de morto, ainda fala (Hebreus 11.4).

Caim vira advertência. A primeira carta de João pede aos irmãos que se amem, não como Caim, que matou o irmão porque as suas obras eram más e as do irmão, justas (1 João 3.12). A carta de Judas fala dos que seguiram o caminho de Caim.

Há ainda duas respostas diretas a este capítulo. Lameque queria vingança setenta e sete vezes; Jesus, perguntado por Pedro sobre quantas vezes perdoar, responde com um número que ecoa o de Lameque, agora para o perdão (Mateus 18.22). E Hebreus põe os dois sangues lado a lado: o de Abel clamava da terra; o de Jesus fala melhor do que o de Abel (Hebreus 12.24).

Os pontos centrais

  1. O texto une cada pessoa à sua oferta: o Senhor atentou para Abel e sua oferta, e para Caim e sua oferta não (Gênesis 4.4-5).
  2. Deus fala com Caim antes do crime: o pecado jaz à porta, deseja dominá-lo, e a ele cabe dominar o pecado (Gênesis 4.7).
  3. A pergunta onde está Abel, teu irmão repete a do jardim, onde estás, e recebe uma negação em vez de uma confissão (4.9).
  4. O sangue de Abel clama a Deus desde a terra, e é dessa terra que vem a maldição de Caim, o lavrador (Gênesis 4.10-12).
  5. O sinal de Gênesis 4.15 é posto depois da queixa de Caim e serve para que ninguém o mate ao encontrá-lo.
  6. O capítulo termina com Sete e Enos, e com a nota de que então se começou a invocar o nome do Senhor (Gênesis 4.26).

Leituras que se afastam do texto

Deus rejeitou a oferta de Caim porque era de frutos, e não de sangue

Gênesis 4 não dá essa razão. A lei de Moisés prevê ofertas de cereais ao lado das de animais, e nada no relato condena o fruto da terra. A única diferença que o texto registra é de cuidado: Abel traz das primícias do rebanho e da gordura delas; de Caim se diz apenas que trouxe do fruto da terra. E o olhar de Deus recai primeiro sobre a pessoa, depois sobre a oferta. Hebreus 11.4 resume: pela fé Abel ofereceu sacrifício melhor.

A marca de Caim é o castigo que Deus pôs nele pelo crime

O castigo está antes, em Gênesis 4.11-12: a terra não lhe dará mais a sua força, e ele será fugitivo e errante. O sinal vem depois, quando Caim se queixa de que qualquer um que o encontrar o matará. O Senhor responde que quem matar Caim será vingado sete vezes e põe nele um sinal para que ninguém o fira (4.15). É uma proteção. O texto não diz que sinal era, e tudo o que se afirma sobre a sua forma é acréscimo.

Caim arranjou esposa na terra de Node

O texto diz que Caim foi habitar em Node e, no versículo seguinte, que conheceu sua mulher e ela deu à luz Enoque (Gênesis 4.16-17). Não diz que a encontrou lá, não dá o nome dela nem a origem. A informação que Gênesis oferece está no capítulo 5: Adão gerou filhos e filhas (5.4). O relato segue só as pessoas que importam para a linhagem e não se detém em apresentar as demais.

Caim matou Abel com uma pedra

Nenhuma arma é mencionada. Gênesis 4.8 conta o crime em meia frase: estando os dois no campo, Caim se levantou contra Abel, seu irmão, e o matou. Pedra, porrete e queixada de animal vêm de pinturas e encenações, que precisam mostrar um gesto. O texto guarda os detalhes para o que vem antes e depois, a conversa de Deus com Caim e o interrogatório, e passa pelo assassinato sem descrevê-lo.

Perguntas para estudo

8 perguntas

O que Eva diz quando Caim nasce?
Que adquiriu um homem com o auxílio do Senhor; o nome Caim soa como o verbo adquirir (Gênesis 4.1).
Como Caim reage ao ver a oferta do irmão aceita?
Ele se ira muito e fica de rosto abatido, e é nesse estado que Deus lhe dirige a palavra.
O que Caim responde quando Deus pergunta por Abel?
Diz que não sabe e devolve outra pergunta: acaso sou eu o guarda do meu irmão? (Gênesis 4.9).
Qual é a sentença pronunciada contra Caim?
A terra não lhe dará mais a sua força quando ele a lavrar, e ele será fugitivo e errante.
O que Caim constrói depois de sair da presença do Senhor?
Uma cidade, à qual dá o nome de seu filho Enoque, segundo Gênesis 4.17.
Que ofícios nascem com os filhos de Lameque?
Jabal vive em tendas e cria gado, Jubal toca harpa e flauta, e Tubalcaim forja bronze e ferro.
O Lameque de Gênesis 4 é o pai de Noé?
Não: o pai de Noé é outro Lameque, da linhagem de Sete, apresentado em Gênesis 5.
Por que Eva dá ao terceiro filho o nome de Sete?
Porque Deus lhe concedeu outro descendente no lugar de Abel, a quem Caim matou (Gênesis 4.25).
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Débora Arantes

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