Resumo de Pentecostes
Por Débora Arantes 12 min de leitura
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Cinquenta dias depois da Páscoa em que Jesus morreu e ressuscitou, os discípulos estão reunidos em Jerusalém, à espera do que ele prometeu. De repente vem do céu um som como de vento forte, línguas como de fogo pousam sobre cada um, e todos, cheios do Espírito Santo, começam a falar em outras línguas. Judeus de muitas nações, que estavam na cidade para a festa, ouvem cada um na própria língua as grandezas de Deus. Uns se espantam, outros dizem que é vinho. Pedro se levanta e explica: cumpre-se a profecia de Joel, e Jesus, que foi crucificado, Deus ressuscitou e fez Senhor e Cristo. Os ouvintes perguntam o que fazer, cerca de três mil são batizados, e nasce a comunidade de Jerusalém.
Cinquenta dias depois da Páscoa
Pentecostes é palavra grega e quer dizer quinquagésimo. Era o nome que os judeus de língua grega davam à festa das Semanas, marcada pela lei para cinquenta dias depois da Páscoa, quando se ofereciam os primeiros frutos da colheita do trigo (Levítico 23.15-21). Era uma das três festas em que Israel subia a Jerusalém.
O capítulo 2 de Atos começa nesse dia, e o que vem antes explica a espera. Depois da ressurreição, Jesus se mostrou vivo aos apóstolos durante quarenta dias e deu uma ordem: não sair de Jerusalém e aguardar a promessa do Pai. João batizou com água; eles seriam batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias (1.5). Receberiam poder e seriam testemunhas em Jerusalém, na Judeia, em Samaria e até os confins da terra (1.8).
Então ele foi elevado, e o grupo voltou para a cidade. Os onze, as mulheres, Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele perseveravam juntos em oração. Eram umas cento e vinte pessoas. Nesse intervalo, Matias foi escolhido para o lugar de Judas, e os doze estavam de novo completos.
Um som como de vento, línguas como de fogo
Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. O que acontece cabe em três versículos.
De repente vem do céu um som, como de um vento impetuoso, e enche toda a casa onde estavam sentados. Aparecem línguas como de fogo, que se repartem e pousam uma sobre cada um. Todos ficam cheios do Espírito Santo e começam a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concede.
A narração é econômica. Lucas diz o que se ouviu e o que se viu por comparação, como de vento, como de fogo, e não se demora em nenhuma das duas. Nada é dito sobre o que os discípulos sentiram. O sinal dura um instante, e o peso do capítulo recai sobre o que vem depois: quem ouviu e o que Pedro disse.
Cada um os ouvia na sua própria língua
Por causa da festa, moravam ou estavam em Jerusalém judeus piedosos de todas as nações debaixo do céu. O barulho junta uma multidão, e ela fica perplexa, porque cada um ouve os discípulos falarem no idioma da sua terra. Não são galileus todos esses? Como os ouvimos, cada um, na língua em que nascemos?
Segue a lista dos povos, que começa pelo Oriente e dá a volta pelo mapa: partos, medos e elamitas; gente da Mesopotâmia, da Judeia, da Capadócia, do Ponto e da Ásia, da Frígia e da Panfília, do Egito e da Líbia perto de Cirene; romanos, tanto judeus como convertidos ao judaísmo; cretenses e árabes. O assunto que todos entendem é um só: as grandezas de Deus (2.11).
A cena é o avesso da torre de Babel. Lá, a língua única foi confundida e os povos, espalhados. Aqui, gente de todos os povos está junta numa cidade e se entende, sem que as línguas deixem de ser muitas. O próprio vocabulário faz a ponte: o verbo que Atos usa para a multidão que fica confusa (2.6) é o mesmo com que a antiga tradução grega de Gênesis conta a confusão de Babel.
A reação se divide. Uns perguntam o que aquilo quer dizer. Outros zombam: estão cheios de vinho doce.
Pedro começa pelo profeta Joel
Pedro se põe de pé com os onze e levanta a voz. É a primeira pregação pública de Atos, e ele responde primeiro à zombaria: não estão embriagados, é só a terceira hora do dia, por volta das nove da manhã.
Depois dá a explicação: isto é o que foi dito pelo profeta Joel. Deus derramaria o seu Espírito sobre toda carne. Filhos e filhas profetizariam, os jovens teriam visões, os velhos, sonhos, e até sobre servos e servas o Espírito seria derramado. Haveria sinais no céu e na terra antes do grande dia do Senhor, e todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo (2.21).
Pedro faz um ajuste na citação. Onde Joel diz depois disto, ele diz nos últimos dias. Para quem ouve, o sentido é claro: o tempo que o profeta via de longe começou naquela manhã. Em Joel, a promessa fecha uma história de praga, jejum e restauração em Judá. Em Atos, ela abre a história da igreja.
Davi morreu, e o túmulo dele está aqui
A citação termina em invocar o nome do Senhor, e o resto do discurso diz quem é esse Senhor.
Pedro fala de Jesus de Nazaré, homem aprovado por Deus com milagres e sinais que os ouvintes conheciam. Ele foi entregue segundo o plano de Deus, e eles o mataram, crucificando-o por mãos de gente sem lei. Deus o ressuscitou, porque não era possível que a morte o retivesse (2.24).
A prova vem da Escritura, em dois salmos. No Salmo 16, Davi diz que Deus não abandonaria a sua alma na morte nem deixaria o seu Santo ver a corrupção. Pedro raciocina diante de todos: Davi morreu, foi sepultado, e o túmulo dele está entre nós até hoje. Logo, não falava de si. Como profeta, falava da ressurreição do Cristo, seu descendente. E acrescenta o testemunho: a este Jesus Deus ressuscitou, e todos nós somos testemunhas disso (2.32).
O segundo é o Salmo 110: disse o Senhor ao meu Senhor, senta-te à minha direita. Davi não subiu aos céus; Jesus, sim. Exaltado à direita de Deus, recebeu do Pai o Espírito prometido e derramou isto que vedes e ouvis (2.33). É a resposta à pergunta da multidão. O que acontecia na rua era o efeito visível de Jesus entronizado.
A frase final recolhe tudo: saiba toda a casa de Israel que Deus o fez Senhor e Cristo, a esse Jesus que vós crucificastes (2.36).
Que faremos, irmãos?
O texto diz que a palavra lhes atravessou o coração. Perguntam a Pedro e aos outros apóstolos: que faremos, irmãos?
A resposta tem dois verbos e duas promessas. Arrependei-vos, e cada um seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo (2.38). A promessa, diz Pedro, é para vós, para os vossos filhos e para todos os que estão longe, quantos o Senhor chamar.
Os que acolhem a palavra são batizados, e naquele dia se juntam ao grupo cerca de três mil pessoas (2.41). De manhã eram umas cento e vinte.
O dia seguinte dos três mil
O capítulo não acaba no número. Os últimos versículos mostram em que deu aquela manhã.
Os batizados perseveravam em quatro coisas: no ensino dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações (2.42). Muitos sinais eram feitos pelos apóstolos. Os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum; vendiam propriedades e bens e repartiam conforme a necessidade de cada um. Iam todos os dias ao templo, partiam o pão nas casas e comiam com alegria e simplicidade de coração. E o Senhor acrescentava a cada dia os que iam sendo salvos.
Pentecostes, em Atos, termina numa mesa. O dom que desceu com som e fogo aparece, no fim do capítulo, como uma comunidade que aprende, reparte e ora.
De Jerusalém para os que estão longe
A frase de Pedro sobre os que estão longe vira o roteiro do livro. O dom daquela manhã volta a ser dado a cada fronteira que a mensagem atravessa: em Samaria, quando Pedro e João impõem as mãos (8.17); em Cesareia, na casa do centurião Cornélio, onde o Espírito desce sobre não judeus e Pedro reconhece que eles o receberam como nós (10.47); em Éfeso, com Paulo (19.6).
Entre os peregrinos da lista estavam romanos. O livro que começa com eles ouvindo em Jerusalém termina com Paulo pregando em Roma. E a linha de Joel que encerra a citação de Pedro reaparece na carta aos Romanos, aplicada a judeus e gregos sem distinção: todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo (Romanos 10.13).
Os pontos centrais
- Pentecostes já era festa de Israel, a das Semanas, e por isso Jerusalém estava cheia de judeus de todas as nações (Atos 2.5).
- Os sinais são descritos por comparação: um som como de vento impetuoso e línguas como de fogo, uma sobre cada um (2.2-3).
- O espanto da multidão é entender: cada um ouve os galileus falarem das grandezas de Deus na sua própria língua (2.6-11).
- Pedro explica o acontecimento pela profecia de Joel sobre o Espírito derramado sobre toda carne (2.16-21).
- O centro do discurso é a ressurreição: a este Jesus Deus ressuscitou, e o fez Senhor e Cristo (2.32-36).
- A resposta pedida é arrependimento e batismo em nome de Jesus Cristo, e cerca de três mil pessoas a dão naquele dia (2.38-41).
Leituras que se afastam do texto
Pentecostes é uma festa criada pelos cristãos
Quando o Espírito desce, a festa já existe e é por causa dela que a cidade está cheia. Pentecostes é o nome grego, que quer dizer quinquagésimo, da festa das Semanas, marcada pela lei de Moisés para cinquenta dias depois da Páscoa, com a oferta dos primeiros frutos da colheita do trigo (Levítico 23.15-21). O que Atos 2 narra acontece dentro de uma festa de Israel, e o calendário cristão guardou o nome.
Um vendaval entrou na casa e chamas pousaram na cabeça dos apóstolos
O texto mede as palavras. Vem do céu um som como de um vento impetuoso, e o que enche a casa é o som (2.2). Aparecem línguas como de fogo, que se repartem e pousam sobre cada um (2.3). São duas comparações: Lucas descreve o que se ouviu e o que se viu por semelhança, sem falar em vento que sopra nem em fogo que queima. A pintura transformou a comparação em chamas, e a imagem tomou o lugar da frase.
O Espírito Santo desceu só sobre os doze apóstolos
Atos 2 diz que estavam todos reunidos e que todos ficaram cheios do Espírito Santo (2.1, 4), sem limitar aos doze. O grupo descrito pouco antes inclui os onze, as mulheres, Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele, numa reunião de umas cento e vinte pessoas (1.14-15). A profecia que Pedro cita vai na mesma direção: filhos e filhas, jovens e velhos, servos e servas (2.17-18). Os doze aparecem à parte quando Pedro se levanta com os onze.
Em Pentecostes os discípulos falaram uma língua que ninguém compreendia
Neste capítulo acontece o oposto. A multidão se reúne porque cada um os ouve falar na sua própria língua, e o texto repete isso três vezes (2.6, 8, 11), com a lista dos povos entre uma e outra. O que deixa os peregrinos perplexos é entender galileus falando o idioma da terra em que cada um nasceu. A zombaria sobre o vinho vem de uma parte dos presentes e é respondida por Pedro logo na abertura do discurso.
Perguntas para estudo
8 perguntas
- O que significa a palavra Pentecostes?
- É palavra grega e quer dizer quinquagésimo: a festa caía cinquenta dias depois da Páscoa.
- O que Jesus tinha mandado os discípulos fazerem antes de subir ao céu?
- Não sair de Jerusalém e esperar a promessa do Pai, o batismo com o Espírito Santo (Atos 1.4-5).
- De que região eram os que falavam, segundo a multidão?
- Da Galileia: os ouvintes perguntam se não são galileus todos aqueles que estão falando (Atos 2.7).
- Como parte da multidão explica o que vê?
- Com zombaria, dizendo que os discípulos estavam cheios de vinho doce (Atos 2.13).
- A que hora do dia Pedro faz o discurso?
- Na terceira hora do dia, por volta das nove da manhã, cedo demais para alguém estar embriagado (2.15).
- Que salmos Pedro cita depois da profecia de Joel?
- O Salmo 16, sobre o Santo que não veria a corrupção, e o Salmo 110, sobre o Senhor sentado à direita de Deus.
- Que pergunta os ouvintes fazem a Pedro e aos outros apóstolos?
- Que faremos, irmãos? O texto diz que a palavra lhes tinha atravessado o coração (Atos 2.37).
- Em que quatro coisas os batizados perseveravam?
- No ensino dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações (Atos 2.42).
Débora Arantes
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