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Resumo do livro de Naum

Por Débora Arantes 12 min de leitura

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Em 30 segundos

Nínive, capital do império que destruiu Samaria e humilhou Judá, vai cair, e Naum anuncia essa queda como boa notícia para todos os que ela oprimiu. Os três capítulos são poesia de guerra. O primeiro é um hino ao Senhor, tardio em irar-se e grande em poder, que não deixa o culpado sem castigo e é refúgio no dia da angústia. O segundo põe o leitor dentro da cidade no dia do ataque: escudos vermelhos, carros nas ruas, o palácio que se desfaz, o saque. O terceiro explica o motivo, sangue, mentira e rapina, e lembra que Tebas, tão forte quanto ela, também caiu. Nínive foi tomada em 612 a.C. O livro termina com uma pergunta: quem não sofreu a sua maldade?

Os três capítulos de Naum em colunas: o retrato do juiz, o ataque a Nínive e os motivos da queda, com as imagens principais de cada um
Imagem: resumode.com.br

Consolo com endereço certo

O título é duplo: sentença contra Nínive, livro da visão de Naum, o elcosita (1.1). Do profeta não se sabe mais nada. Elcós, a sua terra, não é localizada com segurança, e o nome Naum significa consolo. Os três capítulos mostram para quem é o consolo.

Nínive era a capital da Assíria, o império que tomou Samaria em 722 a.C., espalhou as tribos do norte e, anos depois, devastou as cidades de Judá e cercou Jerusalém, como narra 2 Reis. Por gerações, Judá viveu sob o seu tributo. A fama assíria era a do terror: deportações, cidades arrasadas, povos inteiros trocados de lugar.

O próprio livro permite situá-lo. Ele fala da queda de Tebas, no Egito, como fato conhecido (3.8-10), o que aconteceu por volta de 663 a.C., e trata a de Nínive como futura. Nínive foi tomada em 612 a.C. por babilônios e medos. Naum fala entre uma data e outra, quando o império ainda parecia inteiro.

Há uma ausência que distingue o livro entre os profetas: nenhuma acusação contra Judá. Naum não chama o seu povo ao arrependimento. Fala do opressor, e aos oprimidos diz que o jugo vai quebrar.

Tardio em irar-se, e não inocenta o culpado

Antes de qualquer palavra sobre a cidade, o livro apresenta o juiz. O Senhor é Deus zeloso e vingador (1.2); é tardio em irar-se e grande em poder, e não trata o culpado como inocente (1.3). Quem conhece o Êxodo reconhece a fonte: é a declaração que Deus faz de si mesmo a Moisés no Sinai (Êxodo 34.6-7), aqui citada pelo lado da justiça. A paciência existe e tem fim.

O hino descreve a chegada desse Deus com as imagens da tempestade. O seu caminho é o vendaval, e as nuvens são a poeira dos seus pés. Ele repreende o mar e o seca; Basã, o Carmelo e o Líbano, as regiões mais verdes, murcham; os montes tremem (1.3-5). A pergunta vem em seguida: quem pode ficar de pé diante da sua indignação? (1.6).

No meio do poema está o versículo mais citado do livro: o Senhor é bom, é fortaleza no dia da angústia e conhece os que nele se refugiam (1.7). As duas coisas valem juntas. A mesma força que desfaz os montes é abrigo para quem não tem outro. As linhas iniciais do hino seguem, em parte, a ordem do alfabeto hebraico, recurso que aparece também em Salmos.

Uma fala para Judá, outra para Nínive

Do versículo 9 em diante, o profeta se dirige ora a uma, ora a outra, sem avisar a troca. A Nínive: de ti saiu quem trama o mal contra o Senhor (1.11). A Judá: eu te afligi, mas não te afligirei mais; quebrarei o jugo que pesa sobre ti e arrebentarei as tuas correntes (1.12-13). De novo ao lado assírio: o teu nome não terá descendência, as imagens da casa dos teus deuses serão destruídas, e eu preparo a tua sepultura (1.14).

O capítulo fecha com um mensageiro correndo pelas montanhas: eis sobre os montes os pés do que anuncia boas-novas, do que proclama a paz. Judá é chamada a celebrar as suas festas e cumprir os seus votos, porque o perverso não passará mais por ela (1.15; em algumas edições, 2.1). A mesma imagem aparece em Isaías 52.7, e Paulo a retoma em Romanos 10.15 ao falar dos que são enviados a anunciar.

O dia em que a cidade é tomada

O capítulo 2 é uma das descrições de batalha mais vivas da Bíblia. Começa com ordens irônicas aos defensores: guarda a fortaleza, vigia o caminho, reúne todas as forças (2.1). Nada adiantará.

O ataque é contado em frases curtas, como quem vê de perto. Os escudos dos guerreiros são vermelhos, os soldados vestem escarlate, os carros brilham como fogo. Eles correm furiosos pelas ruas, cruzam as praças, parecem tochas e relâmpagos (2.3-4). Os oficiais tropeçam a caminho da muralha. Então as comportas dos rios se abrem, e o palácio se desfaz (2.6). A cidade, erguida junto ao rio Tigre, é comparada a um açude cujas águas escapam: alguém grita parem, parem, e ninguém olha para trás (2.8).

Vem o saque: tomem a prata, tomem o ouro, os tesouros não têm fim (2.9). E, em três palavras que no hebraico têm som parecido, o resultado: vazio, desolação, ruína. Corações derretem, joelhos tremem, rostos perdem a cor (2.10).

Onde está o covil dos leões?

O capítulo termina com uma pergunta de zombaria. Onde está a toca dos leões, o lugar em que o leão andava com a leoa e os filhotes sem que ninguém os assustasse? Ele despedaçava o bastante para as crias, estrangulava para as leoas, enchia de presas as cavernas (2.11-12). É o retrato de um império que vivia de trazer para casa o que arrancava dos outros.

A resposta é a frase que o livro diz duas vezes: eis que estou contra ti, diz o Senhor dos Exércitos (2.13; 3.5). Os carros virarão fumaça, a espada devorará os leõezinhos, e a voz dos mensageiros assírios não será mais ouvida. O leitor de 2 Reis lembra uma dessas vozes: a do oficial que desafiou Jerusalém diante da muralha, no tempo de Ezequias.

Ai da cidade sanguinária

O terceiro capítulo diz por quê. Ai da cidade de sangue, toda cheia de mentira e de roubo, que nunca larga a presa (3.1). Segue outra rajada de sons e imagens: o estalo do chicote, o estrondo das rodas, o cavalo a galope, o carro que salta, a espada que brilha, e mortos tantos que se tropeça nos corpos (3.2-3).

A segunda acusação usa a figura da prostituta sedutora, mestra de feitiços, que vendia nações com os seus encantos (3.4). Nínive dominou pela espada e também pela atração que exercia sobre os povos. A pena é a exposição pública: ela será mostrada às nações como é, e quem a vir fugirá dizendo que Nínive está destruída. Quem vai chorar por ela? Onde achar quem a console? (3.7). O livro cujo autor se chama consolo não encontra consoladores para a cidade.

És melhor do que Tebas?

O argumento seguinte é de história recente. Tebas, que o texto chama de Nô-Amom, ficava junto ao Nilo, tinha as águas por muralha e contava com a Etiópia e o Egito como força sem limite. Mesmo assim foi levada para o cativeiro, com as crianças mortas nas esquinas e os nobres sorteados e acorrentados (3.8-10). Quem a tomou foi a própria Assíria. Naum devolve a Nínive o que ela fez: também tu ficarás embriagada e procurarás refúgio contra o inimigo (3.11).

As defesas não valerão. As fortalezas são figueiras carregadas de figos maduros: basta sacudir, e eles caem na boca de quem quer comer (3.12). As portas da terra se abrem ao inimigo, e o fogo consome as trancas. Com sarcasmo, o profeta manda a cidade se preparar: tira água para o cerco, amassa o barro, pega a forma dos tijolos (3.14). Os comerciantes, mais numerosos que as estrelas do céu, e os oficiais são como gafanhotos pousados nos muros em dia frio: sai o sol, eles voam, e ninguém sabe para onde foram (3.16-17).

A pergunta que encerra

As últimas palavras se dirigem ao rei da Assíria. Os seus pastores dormem, os seus nobres descansam, o povo está espalhado pelos montes sem que ninguém o reúna. A ferida não tem cura. Todos os que ouvirem a notícia baterão palmas, e o livro termina perguntando: sobre quem não passou continuamente a tua maldade? (3.18-19).

Dois dos doze profetas menores acabam em pergunta, e os dois tratam de Nínive. Em Jonas, a cidade se arrepende, e Deus pergunta ao profeta se não deveria ter compaixão dela. Em Naum, gerações depois, a violência voltou, e a pergunta é sobre as vítimas. Os dois livros citam a mesma declaração do Sinai, um pelo lado da misericórdia, o outro pelo lado da justiça.

Na ordem dos doze, Naum vem logo depois de Miqueias, que termina louvando o Deus que perdoa, e antes de Habacuque, em que a pergunta passa a ser outra: o que fazer quando o império seguinte, a Babilônia, repete a Assíria.

Os pontos centrais

  1. O retrato de Deus em Naum 1.2-3, zeloso, tardio em irar-se e grande em poder, retoma a declaração de Êxodo 34.6-7 pelo lado da justiça.
  2. Naum 1.7 é o versículo mais lembrado: o Senhor é bom, fortaleza no dia da angústia, e conhece os que nele se refugiam.
  3. O mensageiro que corre sobre os montes anunciando a paz (1.15) usa a mesma imagem de Isaías 52.7, retomada em Romanos 10.15.
  4. O capítulo 2 descreve a tomada de Nínive em frases curtas e termina com a pergunta sobre o covil dos leões (2.11-13).
  5. A acusação do capítulo 3 é de sangue, mentira e rapina (3.1), e a queda de Tebas serve de prova de que nenhuma cidade é inatingível (3.8-10).
  6. O livro não traz nenhuma acusação contra Judá e termina em pergunta, sobre os que sofreram a maldade assíria (3.19).

Leituras que se afastam do texto

Naum contradiz Jonas, porque em Jonas Deus perdoa Nínive

Os dois livros falam de gerações diferentes da mesma cidade. Em Jonas, Nínive se arrepende e é poupada; em Naum, a violência voltou, e a paciência chega ao fim. Ambos citam a mesma declaração de Êxodo 34.6-7: Jonas 4.2 lembra o Deus misericordioso e tardio em irar-se, e Naum 1.3 lembra que ele não trata o culpado como inocente.

Naum é um livro de ódio contra os estrangeiros

A acusação não é ser estrangeira: é sangue, mentira e rapina (3.1), nações vendidas (3.4), uma maldade que passou sobre todos (3.19). Quem aplaude a queda são os povos que ela oprimiu, e não só Judá. E Judá não é chamada a pegar em armas: recebe a notícia e é convidada a celebrar as suas festas (1.15). O juízo fica nas mãos de Deus.

Naum descreve a queda de Nínive depois de ter assistido a ela

O livro se apresenta como sentença e visão (1.1) e fala da queda como coisa por vir: a de Tebas está no passado (3.8-10), a de Nínive, no futuro. A impressão de relato de testemunha vem da força do capítulo 2, com escudos vermelhos, carros nas ruas e o palácio desabando. A cidade foi tomada em 612 a.C.

Naum nasceu em Cafarnaum

O texto só o chama de elcosita (1.1), e Elcós não é localizada com segurança. Cafarnaum, na Galileia, quer dizer aldeia de Naum, e daí vem uma tradição que liga o profeta ao lugar. Outras tradições apontam o sul de Judá ou uma localidade próxima da antiga Nínive. Nenhuma delas vem do livro, que não dá pai, rei nem região.

Perguntas para estudo

8 perguntas

O que significa o nome Naum?
Significa consolo, e o livro consola Judá ao anunciar o fim do império que a oprimia.
Contra que cidade é a sentença de Naum?
Contra Nínive, capital da Assíria, o império que havia destruído Samaria em 722 a.C.
Como o primeiro versículo identifica o profeta?
Como Naum, o elcosita, isto é, natural de Elcós, sem citar pai nem rei.
Que cidade do Egito Naum usa como exemplo para Nínive?
Tebas, chamada no texto de Nô-Amom, protegida pelas águas do Nilo e mesmo assim levada ao cativeiro.
Que animal representa Nínive no fim do capítulo 2?
O leão, que enchia as cavernas de presas para a leoa e os filhotes, e cujo covil desaparece.
A que são comparadas as fortalezas de Nínive em Naum 3.12?
A figueiras com figos maduros: basta sacudi-las, e os figos caem na boca de quem quer comer.
Que frase o Senhor dos Exércitos diz duas vezes a Nínive?
Eis que estou contra ti, em Naum 2.13 e de novo em Naum 3.5.
Quem tomou Nínive, e quando?
Babilônios e medos tomaram a cidade em 612 a.C., pondo fim à capital assíria.
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Débora Arantes

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