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Resumo do livro de Ageu

Por Débora Arantes 11 min de leitura

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Em 30 segundos

Dezoito anos depois do decreto de Ciro, os que voltaram do exílio moram em casas bem acabadas, e o templo de Jerusalém continua em ruínas. Em 520 a.C., segundo ano do rei Dario, o profeta Ageu entrega quatro mensagens datadas, em menos de quatro meses. A primeira liga a seca e as colheitas fracas à casa abandonada e manda subir ao monte buscar madeira. O governador Zorobabel, o sumo sacerdote Josué e o povo obedecem, e a obra recomeça em vinte e três dias. A segunda anima quem acha o novo templo pobre: a glória desta casa será maior que a da primeira. A terceira promete bênção a partir daquele dia. A última chama Zorobabel de anel de selar do Senhor.

As quatro mensagens de Ageu em cartões, cada uma com a sua data no segundo ano de Dario: o chamado à obra, a glória da casa, a bênção e o anel de selar
Imagem: resumode.com.br

Casas forradas e uma casa em ruínas

Em 538 a.C., o decreto de Ciro permitiu que os exilados de Judá voltassem da Babilônia e reconstruíssem o templo. O livro de Esdras conta o começo: o altar reerguido, os alicerces lançados, a festa misturada ao choro dos mais velhos. Conta também a parada. A oposição dos vizinhos interrompeu a obra, que ficou suspensa até o segundo ano de Dario, rei da Pérsia (Esdras 4.24).

É nesse ano, 520 a.C., que Ageu fala. O templo que Salomão ergueu, descrito em 1 Reis, tinha sido queimado em 586 a.C. Mais de sessenta anos depois, o lugar continuava em ruínas, e a comunidade tinha se acostumado.

O livro é um dos mais curtos do Antigo Testamento, com dois capítulos e 38 versículos, quase todo em prosa. A sua marca são as datas: cada mensagem vem com dia e mês. São quatro, entregues em menos de quatro meses, e dirigidas a duas pessoas pelo nome: Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá e descendente de Davi, e Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote. De Ageu, o texto só diz que é o profeta.

Considerai os vossos caminhos

A primeira mensagem é do primeiro dia do sexto mês (1.1). Começa citando o que o povo anda dizendo: ainda não chegou o tempo de reconstruir a casa do Senhor (1.2). A resposta é outra pergunta sobre o tempo: e é tempo de morar em casas forradas, enquanto esta casa fica em ruínas? (1.4).

Ageu pede que olhem para a própria vida, com o refrão considerai os vossos caminhos (1.5 e 1.7). Semeiam muito e colhem pouco. Comem e não se fartam, bebem e não se saciam, vestem-se e não se aquecem. Quem recebe salário o põe num saco furado (1.6).

O profeta liga uma coisa à outra. Esperavam muito, e veio pouco; o pouco que levaram para casa, Deus dissipou com um sopro. Por quê? Por causa da minha casa, que está em ruínas, enquanto cada um corre para a sua (1.9). O céu retém o orvalho, a terra retém o fruto, e a seca atinge os campos, o trigo, o vinho, o azeite, os homens e os animais (1.10-11).

A ordem é prática e curta: subi ao monte, trazei madeira e edificai a casa; dela me agradarei e nela serei glorificado (1.8). Não há pedido de dinheiro nem de grandeza. Há um pedido de prioridade.

Vinte e três dias

O que acontece em seguida é raro nos livros proféticos: o povo obedece. Zorobabel, Josué e todo o resto do povo ouvem a voz do Senhor e as palavras de Ageu, e temem (1.12). O profeta, chamado aqui de mensageiro do Senhor, entrega então a fala mais curta do livro: eu sou convosco (1.13).

O texto diz que o Senhor despertou o espírito do governador, do sumo sacerdote e de todo o povo. Eles vieram e puseram mãos à obra no dia vinte e quatro do sexto mês (1.14-15). Entre a primeira palavra e o primeiro dia de trabalho passaram-se vinte e três dias.

Quem viu esta casa na primeira glória?

A segunda mensagem vem no dia vinte e um do sétimo mês (2.1), menos de um mês depois do recomeço, nos dias da festa dos Tabernáculos. O entusiasmo já encontrou o seu limite, e Ageu põe em voz alta a comparação que todos faziam: quem resta entre vocês que viu esta casa na sua primeira glória? E como a veem agora? Não é como nada aos seus olhos? (2.3).

A resposta repete três vezes a mesma ordem, sê forte, para Zorobabel, para Josué e para o povo, e a completa: trabalhai, porque eu sou convosco. O meu Espírito permanece no meio de vós, conforme a aliança da saída do Egito; não temais (2.4-5).

Então vem a promessa. Ainda uma vez, dentro em pouco, farei tremer o céu e a terra, o mar e a terra seca. Farei tremer todas as nações, e as riquezas de todas elas virão, e encherei de glória esta casa (2.6-7). Minha é a prata, meu é o ouro (2.8): quem constrói com pouco não precisa temer que falte a Deus com que adornar a sua casa. A glória desta última casa será maior que a da primeira, e neste lugar darei a paz (2.9).

A carta aos Hebreus cita o ainda uma vez de Ageu para falar de um abalo final, depois do qual permanece o reino que não pode ser abalado (Hebreus 12.26-28).

Uma consulta aos sacerdotes

A terceira mensagem é do dia vinte e quatro do nono mês (2.10), dois meses depois. Ageu manda fazer aos sacerdotes duas perguntas de lei, do tipo tratado em Levítico. Se alguém leva carne consagrada na dobra da roupa, e a roupa toca pão, cozido, vinho ou azeite, o alimento fica consagrado? Não. E se alguém impuro por ter tocado um morto encosta nessas coisas, elas ficam impuras? Ficam (2.12-13).

A conclusão é que a impureza se transmite pelo contato, e a santidade não. Assim é este povo, diz o Senhor, e assim é a obra das suas mãos e o que ali oferecem (2.14). O altar em uso desde a volta não santificava, por proximidade, o resto da vida deles.

Ageu pede de novo que considerem, agora olhando para trás e para a frente. Antes de se pôr pedra sobre pedra no templo, quem ia a um monte de grãos esperando vinte medidas achava dez; quem ia ao lagar tirar cinquenta achava vinte. Houve pragas na lavoura e granizo, e ninguém se voltou para Deus (2.15-17). A videira, a figueira, a romãzeira e a oliveira ainda não deram fruto. Mas a data fica marcada: desde este dia vos abençoarei (2.19).

O anel de selar

No mesmo dia, uma segunda palavra chega, só para Zorobabel (2.20). Deus fará tremer o céu e a terra, derrubará tronos, destruirá a força dos reinos, virará carros e cavaleiros (2.21-22). E naquele dia tomará Zorobabel, seu servo, e fará dele um anel de selar, porque o escolheu (2.23).

O anel de selar era o sinete com que o dono autenticava documentos: carregava a sua autoridade. A imagem tem história. Zorobabel era neto de Joaquim, também chamado Jeconias, o rei levado preso para a Babilônia. Sobre esse rei, Jeremias tinha dito que, ainda que fosse o anel de selar na mão direita de Deus, seria arrancado dali (Jeremias 22.24). Ageu anuncia o gesto inverso. A linhagem de Davi, que 2 Reis deixa viva num único parágrafo final, volta a ser posta no dedo.

Zorobabel é governador nomeado pela Pérsia, sem coroa nem trono. O livro termina com a promessa em aberto.

O sexto ano de Dario

Ageu não conta o fim da obra. Quem conta é Esdras: os anciãos dos judeus construíram e prosperaram com a profecia de Ageu e de Zacarias, e a casa ficou pronta no sexto ano de Dario, em 516 a.C. (Esdras 6.14-15). Zacarias começa a pregar no oitavo mês daquele mesmo segundo ano, entre a segunda e a terceira mensagem de Ageu, e os dois são lembrados juntos.

O que este livro pequeno acrescenta à Bíblia é a vista de dentro de uma retomada. Sofonias, o livro anterior, termina prometendo trazer o povo de volta. Ageu mostra o povo de volta, cansado, com colheitas ruins e uma obra parada, e mostra uma palavra profética que não anuncia ruína: põe gente para trabalhar.

O nome de Zorobabel reaparece nas genealogias de Jesus (Mateus 1.12; Lucas 3.27), elo entre a promessa feita a Davi e o que o Novo Testamento vai narrar.

Os pontos centrais

  1. O livro reúne quatro mensagens com dia e mês, todas do segundo ano de Dario, entre o sexto e o nono mês.
  2. A primeira mensagem opõe as casas forradas do povo à casa do Senhor em ruínas (1.4) e repete o refrão considerai os vossos caminhos.
  3. O povo obedece, coisa rara nos profetas: a obra do templo recomeça vinte e três dias depois da primeira palavra (1.12-15).
  4. A promessa de Ageu 2.9 responde ao desânimo dos construtores: a glória desta última casa será maior que a da primeira, e ali haverá paz.
  5. A consulta aos sacerdotes (2.10-14) mostra que a impureza passa pelo contato e a santidade não; em seguida vem a promessa desde este dia vos abençoarei.
  6. Zorobabel, descendente de Davi, é chamado de anel de selar (2.23), o inverso da sentença de Jeremias 22.24 sobre o avô dele.

Leituras que se afastam do texto

Ageu promete riqueza a quem contribui com a obra de Deus

O profeta fala de uma seca concreta a uma comunidade concreta, e liga a escassez ao templo abandonado havia anos (1.9-11). A bênção prometida tem data, o dia vinte e quatro do nono mês, e diz respeito à colheita daquele povo (2.19). A frase minha é a prata, meu é o ouro (2.8) anima quem construía um templo modesto: Deus não depende dos recursos deles.

Toda Bíblia traz o Desejado de todas as nações em Ageu 2.7

A tradução latina leu Ageu 2.7 como a vinda de alguém desejado, e a expressão entrou em hinos de Natal e em traduções tradicionais, que leem ali o anúncio do Messias. No hebraico, o verbo está no plural, e por isso outras traduções entendem coisas preciosas: as riquezas das nações virão encher a casa, e o versículo seguinte fala de prata e ouro. As duas formas aparecem nas edições em uso: o Desejado de todas as nações e os tesouros de todas as nações.

Ageu e Neemias trabalharam juntos na reconstrução de Jerusalém

São duas obras e duas gerações. Ageu trata do templo, em 520 a.C., com o governador Zorobabel e o sumo sacerdote Josué, e o seu companheiro de profecia é Zacarias. Neemias reergue os muros da cidade mais de setenta anos depois, no reinado de Artaxerxes. A confusão vem de os dois episódios serem do período persa e de Esdras e Neemias serem lidos em sequência.

Perguntas para estudo

8 perguntas

A quem Ageu dirige a sua primeira mensagem?
A Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, sumo sacerdote.
Que frase o povo repetia para adiar a obra?
Ainda não chegou o tempo de reconstruir a casa do Senhor, citada em Ageu 1.2.
Para onde vai o salário de quem trabalha, segundo Ageu 1.6?
Para um saco furado: ganha-se, e o que se ganha não rende nem dura.
Em que dia a obra do templo recomeça?
No dia vinte e quatro do sexto mês, no segundo ano do rei Dario (1.15).
Que frase curta Ageu entrega como mensageiro do Senhor depois que o povo obedece?
Eu sou convosco, diz o Senhor, em Ageu 1.13, repetida na segunda mensagem.
Que outro profeta atua em Jerusalém ao mesmo tempo que Ageu?
Zacarias, citado ao lado de Ageu em Esdras 5.1 e 6.14 como incentivador da obra.
Quando o templo reconstruído ficou pronto?
No sexto ano do rei Dario, em 516 a.C., conforme Esdras 6.15.
Que carta do Novo Testamento cita Ageu 2.6?
A carta aos Hebreus, em 12.26, ao falar do abalo do céu e da terra.
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Débora Arantes

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