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Resumo do livro de Esdras

Por Débora Arantes 9 min de leitura

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Em 30 segundos

Dois retornos da Babilônia, separados por oitenta anos, formam o livro de Esdras. No primeiro, logo após o decreto de Ciro em 538 a.C., cerca de cinquenta mil pessoas sobem a Jerusalém com Zorobabel, descendente de Davi, e o sacerdote Jesua. Eles reerguem o altar, lançam os alicerces do templo entre gritos de alegria e choro dos mais velhos, enfrentam a oposição dos povos vizinhos, param a obra por anos e, animados pelos profetas Ageu e Zacarias, concluem o templo em 516 a.C. No segundo retorno, o próprio Esdras, sacerdote e escriba versado na lei de Moisés, chega com autorização do rei Artaxerxes para ensinar a lei. Encontra o povo misturado por casamentos com vizinhos idólatras, faz uma longa confissão e conduz a comunidade a se separar.

Os dois retornos do livro de Esdras em paralelo: o de Zorobabel, voltado ao templo, e o de Esdras, voltado à lei, com data, rei persa e desfecho
Imagem: resumode.com.br

Onde a história recomeça

2 Reis terminou com Jerusalém queimada, e 2 Crônicas com um convite: quem for do povo de Deus, suba. O livro de Esdras abre repetindo esse convite e conta o que veio depois. É o primeiro livro da Bíblia a narrar a vida depois do exílio, e o mundo mudou. A Babilônia caiu diante da Pérsia em 539 a.C., e a política persa, ao contrário da babilônica, era devolver povos deportados às suas terras e financiar seus templos.

Duas coisas ajudam a ler o livro. Primeira: ele cobre uns oitenta anos e dá um salto de quase sessenta entre os capítulos 6 e 7. Segunda: ele gosta de documentos. Há listas, inventários e cartas oficiais transcritas, algumas em aramaico, a língua da administração persa.

O primeiro retorno: Zorobabel e o templo

Ciro publica o decreto, devolve os utensílios do templo e os entrega a Sesbazar, príncipe de Judá. O capítulo 2 lista os que sobem, família por família: 42.360 pessoas, além de servos e cantores. À frente estão Zorobabel, neto do rei Joaquim, e o sumo sacerdote Jesua.

A primeira providência, no sétimo mês, é reerguer o altar sobre a base antiga e retomar os sacrifícios diários, mesmo com medo dos povos em volta. O culto volta antes das paredes.

No segundo ano, os pedreiros lançam os alicerces. Sacerdotes com trombetas e levitas com címbalos cantam o velho refrão, porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre. O povo grita de alegria. Mas muitos sacerdotes e chefes idosos, que tinham visto a primeira casa, choram em voz alta. O narrador registra que não se podia distinguir o som do júbilo do som do choro (Esdras 3.13). É a imagem que melhor define o período: alegria verdadeira, e a consciência de que não é mais como antes.

A obra parada

Os habitantes da região, descendentes dos povos assentados pela Assíria em Samaria, oferecem ajuda. Zorobabel e Jesua recusam. A partir daí eles desanimam o povo, subornam conselheiros e escrevem à corte. O capítulo 4 junta exemplos dessa hostilidade ao longo de vários reinados, inclusive uma carta ao rei Artaxerxes que chama Jerusalém de cidade rebelde. O resultado, para o templo, é que a obra fica parada cerca de dezesseis anos, até o segundo ano de Dario.

Quem destrava a situação são dois profetas, Ageu e Zacarias, que têm livros próprios. Eles pregam, e Zorobabel e Jesua recomeçam a construir sem esperar permissão. O governador persa da região, Tatenai, vem perguntar quem autorizou e escreve a Dario. Nos arquivos de Ecbátana é achado o decreto de Ciro. Dario responde confirmando a obra, mandando pagar as despesas com os impostos da província e ameaçando quem interferir.

O templo é concluído e dedicado no sexto ano de Dario, 516 a.C. A Páscoa é celebrada, e o texto observa que o Senhor tinha mudado em favor deles o coração do rei.

O segundo retorno: Esdras e a lei

Entre o capítulo 6 e o 7 passam-se quase sessenta anos, período em que se situa a história de Ester, na Pérsia. Em 458 a.C., sétimo ano de Artaxerxes, sobe da Babilônia um novo grupo, bem menor, liderado por Esdras.

A apresentação dele é a mais completa do livro. Sua genealogia remonta a Arão. Ele é escriba, especialista na lei. E há a frase que virou modelo de quem ensina: Esdras tinha disposto o coração para estudar a lei do Senhor, para praticá-la e para ensinar em Israel os seus estatutos (Esdras 7.10), nessa ordem.

A carta de Artaxerxes, transcrita em aramaico, lhe dá ouro e prata para o templo, isenção de impostos para os que servem nele e autoridade para nomear juízes e ensinar a lei de Deus a quem não a conhece.

A viagem leva quatro meses. Junto ao rio Aava, Esdras nota que não há levitas no grupo e manda buscá-los. Depois proclama um jejum: ele tem vergonha de pedir soldados ao rei depois de ter afirmado que a mão de Deus guarda os que o buscam. O ouro é pesado na saída e conferido na chegada. Nada falta.

A crise e a confissão

Pouco depois, os chefes procuram Esdras com uma notícia: o povo, incluindo sacerdotes e levitas, não se separou dos povos da terra e tomou suas filhas como esposas, e os líderes foram os primeiros. Esdras rasga a túnica e o manto, arranca cabelos da cabeça e da barba e fica sentado, atônito, até a hora do sacrifício da tarde.

Então se ajoelha, estende as mãos e ora (Esdras 9). A oração não pede nada. É confissão do começo ao fim, e Esdras, que não tinha cometido a falta, fala em nós: as nossas iniquidades se multiplicaram sobre a nossa cabeça. Ele lembra que o exílio veio por infidelidade, que Deus deixou um resto e deu um pouco de vida, e pergunta se depois de tudo voltariam a violar os mandamentos.

Uma multidão se reúne chorando. Um dos presentes, Secanias, propõe um pacto. Convoca-se todo o povo a Jerusalém em três dias. A assembleia acontece na praça do templo, sob chuva forte, com o povo tremendo pelo assunto e pelo frio. Decide-se examinar caso a caso, por uma comissão, ao longo de três meses. O livro termina com a lista dos envolvidos.

Templo e lei: a forma que fica

Esdras mostra uma restauração feita de coisas pequenas: um altar antes das paredes, uma obra interrompida e retomada, uma lista de nomes. Sem rei e sem independência, a comunidade se reorganiza em torno de dois eixos, o templo e a lei, e é essa forma de vida que chega ao tempo do Novo Testamento.

O final abrupto pede continuação, e ela existe. Esdras reaparece no livro de Neemias, lendo a lei em voz alta diante do povo reunido.

Os pontos centrais

  1. O decreto de Ciro (Esdras 1), apresentado como cumprimento da palavra de Jeremias e ponto de partida da restauração.
  2. A ordem da reconstrução: primeiro o altar e o culto, depois os alicerces, e só mais tarde o edifício (Esdras 3).
  3. A mistura de júbilo e choro no lançamento dos alicerces, quando os idosos comparam a nova casa com o templo de Salomão.
  4. A interrupção da obra por oposição local e a retomada com Ageu e Zacarias, até a dedicação no sexto ano de Dario (Esdras 4 a 6).
  5. O perfil de Esdras: dispôs o coração para estudar a lei do Senhor, praticá-la e ensiná-la (Esdras 7.10).
  6. A oração de confissão do capítulo 9, em que Esdras se inclui na culpa do povo.

Leituras que se afastam do texto

Esdras liderou a volta do exílio e reconstruiu o templo

Esdras só aparece no capítulo 7. Quem conduz o primeiro retorno e a obra do templo são Zorobabel e Jesua, e o templo fica pronto em 516 a.C. Esdras chega por volta de 458 a.C., duas gerações mais tarde, e sua tarefa é outra: ensinar a lei e reorganizar a vida da comunidade.

Os vizinhos foram recusados na obra do templo por preconceito

O texto os apresenta como adversários de Judá e Benjamim, e eles mesmos dizem cultuar a Deus desde que o rei da Assíria os trouxe para ali, a mistura de cultos descrita em 2 Reis 17. A recusa de Zorobabel é religiosa: a comunidade, que acabara de voltar de um exílio causado pela idolatria, não aceita dividir o culto.

Os muros de Jerusalém foram reconstruídos em Esdras

O assunto de Esdras é o templo e, depois, a lei. A muralha continua em ruínas até a chegada de Neemias, em 445 a.C. A carta do capítulo 4, que menciona muros, é um documento posterior inserido ali para ilustrar a oposição, e a tentativa que ela relata foi embargada.

A proibição dos casamentos em Esdras é uma regra racial

A preocupação declarada na oração do capítulo 9 são as abominações, isto é, os cultos dos povos vizinhos, o mesmo motivo dado em Deuteronômio 7. A própria Bíblia põe estrangeiras que aderiram ao Deus de Israel na linhagem de Davi, como Rute. O que está em jogo é a sobrevivência religiosa de uma comunidade pequena.

Perguntas para estudo

7 perguntas

Que rei autoriza os judeus a voltar e reconstruir o templo?
Ciro, rei da Pérsia, no primeiro ano depois de conquistar a Babilônia.
Quem são os dois líderes do primeiro retorno?
Zorobabel, governador e descendente de Davi, e Jesua, o sumo sacerdote.
O que Ciro devolve aos exilados?
Os utensílios do templo que Nabucodonosor tinha levado de Jerusalém.
Quais profetas incentivam a retomada da obra?
Ageu e Zacarias, no segundo ano do rei Dario.
Em que ano o segundo templo é concluído?
Em 516 a.C., no sexto ano de Dario, cerca de setenta anos depois da destruição do primeiro.
Qual era a profissão de Esdras?
Sacerdote da linhagem de Arão e escriba, especialista na lei de Moisés.
Por que Esdras não pede escolta militar ao rei para a viagem?
Porque tinha dito ao rei que a mão de Deus protege os que o buscam; em vez disso, proclama um jejum.
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Débora Arantes

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