Ir direto para o conteúdo
Resumo De
Letra maior em loja segura Capa da Bíblia Sagrada, tradução Nova Almeida Atualizada, letra maior, capa dura Comprar Bíblia SagradaTradução Almeida, letra maior e capa dura. Boa para ler todo dia. Melhor escolha. Site seguro

Link patrocinado

Resumo do hino ao amor de 1 Coríntios 13

Por Débora Arantes 12 min de leitura

WhatsApp
Mais opções
Facebook Telegram E-mail

Em 30 segundos

Treze versículos interrompem uma discussão sobre dons espirituais para dizer o que vale mais que todos eles. A igreja de Corinto disputava quem tinha o dom mais admirável, e Paulo responde em três passos. Primeiro, três hipóteses: falar todas as línguas, conhecer todos os mistérios, dar tudo o que se tem; sem amor, o resultado é barulho, nada e nenhum proveito. Depois, um retrato feito de verbos: o amor é paciente e bondoso, não inveja, não se incha de orgulho, não procura o próprio interesse, tudo suporta. Por fim, a duração: profecias, línguas e conhecimento pertencem ao tempo presente, em que se vê como por espelho, e terão fim. Ficam a fé, a esperança e o amor, e o maior deles é o amor.

Três colunas com as três partes de 1 Coríntios 13: os dons sem amor, o que o amor faz e o que permanece quando os dons acabam
Imagem: resumode.com.br

Uma pausa no meio de uma disputa

O capítulo 13 de 1 Coríntios não é um texto avulso. Está no meio de um bloco de três capítulos, do 12 ao 14, em que Paulo responde a um problema da igreja de Corinto: os dons espirituais tinham virado motivo de comparação. Quem falava em línguas se julgava acima dos outros, e quem não tinha um dom vistoso se sentia de fora.

No capítulo 12, a resposta é a imagem do corpo. Os dons são muitos, o Espírito é um, e cada membro precisa dos demais. A última linha prepara a virada: aspirai aos dons melhores; e eu vos mostrarei um caminho ainda mais excelente (12.31).

O capítulo 13 é esse caminho. O 14 volta ao assunto prático, as línguas e a profecia nas reuniões, já com o critério estabelecido. Lido no lugar, o hino é um argumento: diz à comunidade o que falta a quem tem tudo.

O nome hino ao amor não está no texto. É título dado pelos leitores a uma página em prosa, de frases curtas e repetições marcadas, que soa diferente do resto da carta. A arrumação é simples, em três partes: o amor é indispensável (versículos 1 a 3), o amor age de certo modo (4 a 7), o amor permanece (8 a 13).

A palavra grega é agápe. As traduções antigas a vertiam por caridade, e as atuais preferem amor. Paulo a usa para o amor que se dá ao outro, e é nesse sentido que o capítulo a descreve.

Sem amor: três vezes nada

Os três primeiros versículos têm a mesma forma. Paulo fala na primeira pessoa, imagina um dom no grau máximo e conclui com a mesma condição: se eu não tiver amor.

Versículo 1. Ainda que ele falasse as línguas dos homens e até as dos anjos, sem amor seria como bronze que soa ou címbalo que retine. Faz barulho e não diz nada. É o dom mais prezado em Corinto, e vem primeiro.

Versículo 2. Ainda que tivesse o dom de profecia, conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e tivesse fé a ponto de transportar montes, sem amor ele nada seria. A frase não diz que os dons valeriam pouco. Diz que a pessoa seria nada.

Versículo 3. Ainda que distribuísse todos os seus bens para alimentar os pobres e entregasse o próprio corpo para ser queimado, sem amor nada lhe aproveitaria. Em alguns manuscritos antigos, o corpo é entregue para que ele se glorie. Nos dois casos é o maior sacrifício imaginável, e ele pode ser feito sem amor.

A ordem é crescente. Vai da palavra ao conhecimento e do conhecimento à entrega dos bens e da vida. O amor não é posto como mais um item da lista. É a condição que dá valor a todos.

Quinze verbos

Do versículo 4 ao 7, o eu desaparece, e o sujeito de todas as frases passa a ser o amor. Paulo não o define. Mostra o que ele faz.

Versículo 4. O amor é paciente, o amor é bondoso. Em seguida começam as negações: não tem inveja, não se vangloria, não se incha de orgulho.

Versículo 5. Não se comporta de modo inconveniente, não procura os próprios interesses, não se irrita, não guarda na conta o mal recebido.

Versículo 6. Não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.

Versículo 7. Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

A contagem ajuda a ver o desenho. São duas afirmações, oito negações, uma afirmação que serve de dobradiça e quatro frases com a palavra tudo. O centro do retrato é feito do que o amor recusa.

Dois detalhes do vocabulário pesam na leitura. O verbo do fim do versículo 5 vem da contabilidade: é lançar numa conta. O amor não mantém registro do mal que sofreu. E, no versículo 7, os dois verbos do meio, crê e espera, já anunciam a fé e a esperança que fecharão o capítulo. As quatro frases não pedem ingenuidade. Dizem que o amor não desiste: aguenta no começo da lista e aguenta no fim.

Corinto vista ao avesso

As negações não são escolhidas ao acaso. Quem leu a carta desde o começo reconhece em várias delas a própria igreja de Corinto.

  • Não tem inveja: havia entre eles inveja e contendas (3.3).
  • Não se incha: o verbo é o mesmo com que Paulo descreve os coríntios orgulhosos dos seus mestres e tolerantes com um escândalo (4.6, 18; 5.2), e o mesmo de o conhecimento incha, o amor edifica (8.1).
  • Não procura os próprios interesses: é o que ele tinha pedido a propósito da carne dos ídolos, que ninguém busque o seu interesse, e sim o do outro (10.24).

O retrato do amor é, traço por traço, o contrário do que as notícias de Corinto contavam. Paulo não precisa acusar ninguém neste capítulo. Basta descrever.

O que passa e o que não passa

A terceira parte muda de assunto: da conduta para a duração.

Versículo 8. O amor jamais acaba. As profecias desaparecerão, as línguas cessarão, o conhecimento passará. São justamente os três dons do começo do capítulo.

Versículos 9 e 10. A razão: conhecemos em parte e profetizamos em parte. Quando chegar o que é completo, o que é parcial terá fim.

Versículo 11. Vem uma comparação tirada da vida de qualquer pessoa. Quando era menino, Paulo falava, sentia e pensava como menino. Feito homem, deixou as coisas de menino. Os dons pertencem a uma idade, e ela não é a última.

Versículo 12. A segunda comparação é a do espelho. Agora vemos como por espelho, de modo obscuro; então veremos face a face. Agora conheço em parte; então conhecerei plenamente, como também sou conhecido. O conhecimento que os coríntios exibiam é verdadeiro e é incompleto, como um reflexo. E a última frase desloca o centro: antes de conhecer, a pessoa já é conhecida. Paulo tinha dito o mesmo capítulos antes: quem ama a Deus é conhecido por ele (8.3).

Estes três

Versículo 13. Agora permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; e o maior deles é o amor.

A tríade não nasce aqui. Paulo já a usa na abertura de 1 Tessalonicenses, ao agradecer pela obra da fé, pelo trabalho do amor e pela firmeza da esperança daquela igreja (1.3). Em Corinto, ela serve de contraponto aos três dons que passam. Profecia, línguas e conhecimento são coisas que alguns têm e outros não. Fé, esperança e amor são de todos.

O texto não explica por que o amor é o maior, mas o capítulo inteiro dá a medida. É o único dos três de que se disse que jamais acaba, e o único cuja falta reduz a nada todo o resto.

Segui o amor

A frase seguinte, já no capítulo 14, faz a ponte de volta: segui o amor e buscai com zelo os dons espirituais. Dali em diante, cada regra para o culto aplica o hino. Quem fala em língua que ninguém entende edifica a si mesmo; quem profetiza edifica a igreja. Por isso um fala de cada vez, com alguém que interprete, e tudo se faz para que todos aprendam.

A carta termina no mesmo tom. Entre os últimos avisos está este: tudo o que fizerdes seja feito com amor (16.14).

Fora de Corinto, Paulo repete a mesma ordem de grandeza. Na carta aos Gálatas, o amor é o primeiro nome do fruto do Espírito, e a lei inteira se cumpre em amar o próximo. E 1 João dá o passo que o hino não dá: onde Paulo descreve o amor pelo que ele faz, João diz de onde ele vem, de Deus, que amou primeiro.

Os pontos centrais

  1. O capítulo é anunciado em 12.31 como um caminho ainda mais excelente, e a discussão sobre os dons continua em 14.1.
  2. Os versículos 1 a 3 trazem três hipóteses levadas ao extremo, cada uma fechada pela mesma condição: se eu não tiver amor.
  3. Os versículos 4 a 7 descrevem o amor só com verbos, quinze ao todo, e oito deles dizem o que o amor não faz.
  4. Várias das recusas respondem a faltas que a carta já tinha apontado em Corinto, como a inveja (3.3) e o orgulho (4.18; 5.2).
  5. Profecias, línguas e conhecimento são parciais e terão fim; o amor é o único que o texto diz que jamais acaba (13.8).
  6. O capítulo compara o presente a ver por espelho e o futuro a ver face a face, conhecendo como se é conhecido (13.12).

Leituras que se afastam do texto

O amor de 1 Coríntios 13 é um sentimento

Nos versículos 4 a 7, o texto grego descreve o amor com verbos, quinze ao todo, e não com adjetivos. O amor espera com paciência, age com bondade, não inveja, não se vangloria, não se irrita, não leva em conta o mal, suporta. Tudo ali é conduta que se vê de fora, numa comunidade em conflito. As traduções costumam passar os dois primeiros verbos para adjetivos, paciente e bondoso, e a leitura solta desses dois é que sugere um estado de alma.

A caridade de que Paulo fala é dar esmola

Traduções antigas trazem caridade, do latim caritas, onde as atuais dizem amor, e a palavra passou a significar ajuda aos pobres. O próprio capítulo separa as duas coisas: ainda que eu distribua todos os meus bens para sustento dos pobres, se não tiver amor, nada disso me aproveita (13.3). A maior esmola possível aparece ali como exemplo de gesto que pode existir sem amor. O termo grego é agápe.

Deus é amor é uma frase do hino ao amor

A frase está em 1 João 4.8 e 4.16. Em 1 Coríntios 13, o sujeito das frases é o amor, e nem a palavra Deus nem o nome de Cristo aparecem nos treze versículos. O capítulo descreve como age quem ama e o que dura para sempre. A confusão vem de os dois textos serem as páginas mais citadas da Bíblia sobre o assunto e de circularem juntos em cartões, quadros e cerimônias.

Paulo escreveu o capítulo 13 para dizer que os dons não importam

O capítulo vem entre duas ordens sobre os dons. A anterior manda aspirar aos melhores (12.31); a seguinte diz: segui o amor e buscai com zelo os dons espirituais, sobretudo o de profetizar (14.1). Paulo não joga um contra o outro. Diz que os dons, sem amor, não valem nada, e que são provisórios. O amor é o caminho por onde eles devem andar, e o capítulo 14 mostra como: o que conta é edificar os outros.

Perguntas para estudo

8 perguntas

Como Paulo apresenta o amor no fim do capítulo 12?
Como um caminho ainda mais excelente, que ele passa a mostrar (1 Coríntios 12.31).
A que instrumentos é comparado quem fala todas as línguas sem amor?
Ao bronze que soa e ao címbalo que retine: som alto e sem sentido (13.1).
Que imagem Paulo usa para a maior fé possível?
A fé capaz de transportar montes, que mesmo assim, sem amor, deixa a pessoa sendo nada (13.2).
Quais são as duas primeiras afirmações sobre o amor no versículo 4?
Que o amor é paciente e que o amor é bondoso; só depois vêm as negações.
Com o que o amor se alegra e com o que não se alegra?
Não se alegra com a injustiça; alegra-se com a verdade (1 Coríntios 13.6).
Quantas vezes a palavra tudo aparece no versículo 7?
Quatro vezes: o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
Que exemplo da própria vida Paulo usa no versículo 11?
O do menino que fala, pensa e raciocina como menino e, homem feito, deixa essas coisas.
Como o capítulo 14 retoma o hino logo na primeira linha?
Com a ordem segui o amor, antes de voltar a tratar da profecia e das línguas (14.1).
WhatsApp
Mais opções
Facebook Telegram E-mail

Débora Arantes

Resumos da Bíblia

Escreve os resumos da estante Bíblia, livro por livro, com estrutura, contexto e as leituras de cada tradição. Lê cada livro inteiro em mais de uma tradução antes de escrever e marca, capítulo por capítulo, onde o texto muda de gênero ou de voz. É desse mapa que sai a estrutura de cada resumo.

Voltar para Bíblia