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Resumo da carta de Tiago

Por Débora Arantes 13 min de leitura

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Em 30 segundos

Fé que não aparece em atos está morta: é a frase que resume Tiago. A carta, endereçada às doze tribos da Dispersão, não constrói um argumento longo. Encadeia instruções curtas, à maneira dos sábios de Israel, sobre a vida de comunidades provadas e divididas. Pede alegria na provação e sabedoria a Deus, que dá sem censurar. Manda praticar a palavra, e não apenas ouvi-la. Condena a preferência pelo rico na assembleia. Mostra a língua como um fogo pequeno que incendeia uma floresta. Distingue a sabedoria do alto, pacífica, da que gera inveja. Corrige a presunção dos negociantes, ameaça os ricos que retêm o salário dos ceifeiros e termina com a oração pelos doentes e a paciência de quem espera a vinda do Senhor.

Seis cartões com os assuntos da carta de Tiago: provação, ouvir e praticar, parcialidade, fé e obras, a língua, humildade e paciência
Imagem: resumode.com.br

Às doze tribos da Dispersão

A carta se apresenta em uma linha: Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos que se encontram na Dispersão, saudações (1.1). Não há nome de cidade, notícia de viagem nem agradecimento. A tradição reconhece nesse Tiago o irmão do Senhor, que dirigia a igreja de Jerusalém e toma a palavra na assembleia de Atos 15; a identificação é discutida, mas o texto não oferece outro dado.

Os destinatários são cristãos de origem judaica espalhados fora da terra de Israel. O que a carta deixa ver deles é a vida de comunidades comuns: passam por provações, reúnem ricos e pobres na mesma assembleia, bajulam uns e desprezam outros, disputam o lugar de mestre, falam mal uns dos outros.

Tiago não avança por um argumento em linha reta. Escreve como os sábios de Israel: frases curtas, ordens em sequência, imagens do campo e do mar, assuntos que somem e voltam. O nome de Jesus aparece só duas vezes (1.1 e 2.1), mas a carta está cheia de ecos do Sermão da Montanha.

A provação, o pedido e o desejo

A primeira instrução surpreende: tende por motivo de grande alegria o passardes por várias provações (1.2). O motivo é o resultado. A fé provada produz perseverança, e a perseverança, levada até o fim, deixa a pessoa inteira, sem faltar em nada.

Quem não sabe como atravessar a prova deve pedir sabedoria a Deus, que dá a todos com generosidade e sem censurar. A condição é pedir com fé. Quem duvida é como a onda do mar, levada pelo vento de um lado para o outro, um homem de ânimo dividido.

Vem então uma distinção. Bem-aventurado quem suporta a provação, porque receberá a coroa da vida (1.12). Mas ninguém, ao ser tentado, diga que é Deus quem o tenta. Deus não é tentado pelo mal e não tenta ninguém. Cada um é atraído e seduzido pelo próprio desejo; o desejo concebe e dá à luz o pecado, e o pecado, consumado, gera a morte. De Deus vem o contrário: toda boa dádiva desce do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação (1.17).

O homem diante do espelho

A segunda metade do capítulo 1 trata da palavra recebida. Todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar (1.19). E, tendo ouvido, faça: sede praticantes da palavra, e não somente ouvintes (1.22).

A comparação é a do espelho. Quem ouve e não pratica olha o próprio rosto, vai embora e logo esquece como era. Quem fixa os olhos na lei perfeita, a da liberdade, e persevera nela, esse é feliz no que faz.

O capítulo fecha com uma definição. Se alguém se julga religioso e não refreia a língua, a sua religião é vã. A religião pura diante de Deus é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se da corrupção do mundo (1.27).

O anel de ouro e a roupa suja

O capítulo 2 abre com uma cena. Entram na assembleia dois homens, um de anel de ouro e roupa esplêndida, outro pobre, de roupa suja. Ao primeiro se diz: senta-te aqui, no lugar de honra. Ao segundo: fica aí em pé, ou senta-te no chão, junto ao estrado dos meus pés.

Tiago chama isso de acepção de pessoas e a declara incompatível com a fé em Jesus Cristo. Deus escolheu os pobres deste mundo para serem ricos na fé e herdeiros do reino (2.5). Os ricos, lembra ele, são os que oprimem a comunidade e a arrastam aos tribunais.

O critério é a lei régia, amarás o teu próximo como a ti mesmo, que vem de Levítico. Quem faz distinção entre pessoas a transgride, e quem tropeça em um ponto da lei se torna culpado de toda ela. A seção termina numa frase que serve de regra: a misericórdia triunfa sobre o juízo (2.13).

Mostra-me a tua fé

Segue o trecho mais conhecido. De que adianta alguém dizer que tem fé, se não tem obras? O exemplo é doméstico. Um irmão ou uma irmã está sem roupa e sem o alimento do dia, e alguém lhe diz: ide em paz, aquecei-vos e fartai-vos, sem lhe dar o necessário. Assim é a fé sem obras: está morta em si mesma (2.17).

Tiago imagina um objetor e responde com um desafio: mostra-me a tua fé sem as obras, e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras. Crer que Deus é um só é pouco. Os demônios também creem, e estremecem.

Dois exemplos vêm da Escritura. Abraão ofereceu o filho Isaque sobre o altar; a fé agia junto com as obras e por elas chegou à perfeição, e ele foi chamado amigo de Deus. Raabe, a prostituta, acolheu os mensageiros e os fez sair por outro caminho. A conclusão usa uma comparação: como o corpo sem espírito está morto, assim também a fé sem obras (2.26).

Um leme pequeno, um fogo pequeno

O capítulo 3 começa por um aviso a quem quer ensinar: não sejam muitos os mestres, porque serão julgados com mais rigor. O assunto é a língua, e Tiago o trata por imagens.

  • O freio na boca do cavalo dirige o animal inteiro.
  • O leme, muito pequeno, leva o navio grande para onde o piloto quer.
  • Uma faísca incendeia uma floresta.

A língua é esse fogo. O homem doma feras, aves, répteis e animais do mar, mas ninguém consegue domar a língua. Com ela se bendiz o Senhor e Pai, e com ela se amaldiçoam os homens, feitos à semelhança de Deus. Da mesma fonte não jorram água doce e água amarga, e a figueira não dá azeitonas.

O capítulo termina opondo duas sabedorias. A que se mistura com inveja amarga e rivalidade é terrena e produz desordem. A que vem do alto é primeiro pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos (3.17).

De onde vêm as guerras entre vós

O capítulo 4 pergunta pela origem das brigas na comunidade e responde: vêm dos desejos que guerreiam dentro de cada um. Cobiçam e não têm; pedem e não recebem, porque pedem mal, para gastar nos próprios prazeres. A amizade do mundo é inimizade contra Deus.

O remédio vem de um versículo de Provérbios: Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes (4.6). Dele saem as ordens seguintes. Sujeitai-vos a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós; chegai-vos a Deus, e ele se chegará a vós. Quem fala mal do irmão se põe acima da lei, e há um só legislador e juiz.

O mesmo orgulho aparece nos negociantes que planejam o ano e o lucro sem saber o que será o amanhã. A vida é um vapor que aparece por um pouco e se desfaz. O certo é dizer: se o Senhor quiser (4.15).

O salário retido e a chuva esperada

A passagem mais dura abre o capítulo 5 e se dirige aos ricos, no tom dos profetas. As riquezas apodreceram, as roupas foram roídas pela traça, o ouro e a prata enferrujaram. O salário dos trabalhadores que ceifaram os campos, retido com fraude, clama, e o clamor chegou aos ouvidos do Senhor dos Exércitos (5.4).

Aos irmãos, a palavra é paciência até a vinda do Senhor. O lavrador espera o fruto da terra e as chuvas do começo e do fim da estação. Os profetas sofreram e esperaram. E a perseverança de Jó terminou mostrando que o Senhor é cheio de compaixão. Enquanto isso, nada de juramentos: o sim seja sim, e o não, não.

Uma carta que acaba orando

As últimas linhas voltam à oração, com que a carta tinha começado. Alguém sofre? Ore. Está alegre? Cante louvores. Está doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor (5.14). A oração da fé salvará o enfermo, e, se tiver cometido pecados, serão perdoados. O exemplo é Elias, homem sujeito aos mesmos sentimentos que nós, cuja oração fechou e abriu o céu.

Não há saudação final nem bênção. A última frase ainda é uma instrução: quem traz de volta um pecador do seu caminho errado salva uma vida da morte e cobre uma multidão de pecados (5.20).

Entre as cartas do Novo Testamento, Tiago ocupa o lugar que os livros de sabedoria têm no Antigo. Paulo explica como alguém se torna justo diante de Deus. Tiago olha a mesma fé um passo adiante, na mesa, na assembleia, na boca e no bolso, e pergunta o que se vê dela.

Os pontos centrais

  1. A provação da fé produz perseverança, e por isso deve ser recebida com alegria; a tentação, porém, não vem de Deus (1.2-4 e 1.13-15).
  2. A palavra pede prática: quem só ouve é como o homem que se olha no espelho, sai e esquece como era (1.22-25).
  3. Dar o melhor lugar ao rico e deixar o pobre em pé é pecado contra a lei régia do amor ao próximo (2.1-9).
  4. A fé sem obras é morta, como o corpo sem espírito; Abraão e Raabe são os exemplos (2.14-26).
  5. A língua é pequena como o leme de um navio e, como uma faísca, incendeia uma floresta inteira (3.1-12).
  6. O doente chama os presbíteros, que oram por ele e o ungem com óleo em nome do Senhor (5.14-16).

Leituras que se afastam do texto

Tiago ensina que a salvação vem pelas obras, ao contrário de Paulo

Tiago não discute a circuncisão nem as obras da lei, assunto de Paulo. Fala de quem diz ter fé e despede o irmão com fome sem lhe dar nada (2.15-16). A fé que ele rejeita é a que os demônios também têm: saber que Deus é um só (2.19). Obras, aqui, são os atos que mostram a fé viva. Paulo, por sua vez, fala da fé que atua pelo amor (Gálatas 5.6).

Tiago, o autor da carta, é o apóstolo irmão de João

Tiago, filho de Zebedeu e irmão de João, foi morto à espada por ordem de Herodes logo no começo da igreja (Atos 12.2). A tradição atribui a carta a outro Tiago, o irmão do Senhor, que Paulo conheceu em Jerusalém (Gálatas 1.19) e que fala na assembleia de Atos 15. A confusão nasce de haver vários homens com esse nome no Novo Testamento, dois deles entre os Doze.

Jó suportou tudo calado, e é essa a paciência de que Tiago fala

Tiago diz: ouvistes da perseverança de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu (5.11). No livro de Jó, ele lamenta o dia em que nasceu e discute longamente com os amigos e com Deus. O que Tiago elogia é ter permanecido, sem largar a Deus, até o desfecho. A imagem de um Jó que nunca se queixa vem de ler só os dois primeiros capítulos do livro.

Fazer planos para o futuro é falta de fé

O trecho fala de negociantes que dizem: hoje ou amanhã iremos a tal cidade, passaremos lá um ano e teremos lucro (4.13). Tiago não manda desistir da viagem. Corrige a jactância de quem conta com o amanhã como coisa sua, sendo um vapor que logo se desfaz. A forma certa mantém o plano e muda o dono dele: se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo (4.15).

Perguntas para estudo

8 perguntas

O que deve fazer quem tem falta de sabedoria, segundo Tiago 1.5-6?
Pedir a Deus, que dá a todos com generosidade e sem censurar, e pedir com fé, sem duvidar.
Como Tiago define a religião pura e sem mácula?
Visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições e guardar-se da corrupção do mundo (Tiago 1.27).
Que mandamento Tiago chama de lei régia?
Amarás o teu próximo como a ti mesmo, citado em Tiago 2.8 e vindo de Levítico 19.18.
Que título Abraão recebe em Tiago 2.23?
Ele é chamado amigo de Deus, depois de a carta lembrar que creu e ofereceu Isaque.
Como Tiago descreve a sabedoria que vem do alto?
Primeiro pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos (3.17).
Que provérbio Tiago cita sobre soberbos e humildes?
Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes (Tiago 4.6), tirado de Provérbios 3.34.
Que clamor chega aos ouvidos do Senhor dos Exércitos?
O dos ceifeiros cujo salário os ricos retiveram com fraude (Tiago 5.4).
Por quanto tempo não choveu depois da oração de Elias, segundo Tiago?
Por três anos e seis meses; depois ele orou de novo, e o céu deu chuva (Tiago 5.17-18).
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Débora Arantes

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