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Resumo de 1 Pedro

Por Débora Arantes 11 min de leitura

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Em 30 segundos

Espalhados por cinco províncias da Ásia Menor, cristãos de conversão recente viraram estranhos na própria terra: os vizinhos os difamam porque deixaram a vida de antes. Pedro escreve para firmá-los. Lembra primeiro quem eles são: nascidos de novo para uma esperança viva, resgatados pelo sangue de Cristo, pedras vivas de uma casa espiritual, sacerdócio real e povo de Deus. Depois mostra como viver entre quem os calunia: boa conduta diante das autoridades, dos senhores e dentro de casa, sem pagar mal com mal, prontos a dar a razão da esperança. O modelo é Cristo, que sofreu sem revidar. Por fim, pede que não estranhem o fogo da provação, orienta os presbíteros e manda resistir ao diabo, que ronda como leão.

Três colunas em sequência mostram o caminho de 1 Pedro: quem os leitores são, como viver entre quem calunia e como atravessar o sofrimento
Imagem: resumode.com.br

Forasteiros em cinco províncias

O endereço da carta já contém o assunto. Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, escreve aos eleitos que são forasteiros da Dispersão no Ponto, na Galácia, na Capadócia, na Ásia e na Bitínia (1.1). São cinco regiões da Ásia Menor, a atual Turquia, e a carta foi feita para circular entre elas.

Dispersão era a palavra para os judeus que viviam fora de Israel. Aqui ela é aplicada a comunidades formadas em boa parte por gentios: gente que vivia na ignorância, que herdou dos pais um modo vazio de viver, que antes não era povo (1.14, 1.18 e 2.10). A conversão os tornou estrangeiros sem sair de casa. Os antigos companheiros estranham que não os acompanhem mais nos excessos de antes e, por isso, falam mal deles (4.4).

Esse é o sofrimento de que a carta trata: calúnia, insulto, suspeita, o nome de Cristo usado como acusação. Pedro responde em três movimentos. Diz quem eles são, como devem viver no meio dos que os difamam e como atravessar a prova.

Nascidos de novo para uma esperança viva

Em vez de agradecimento, a carta começa com um louvor. Bendito seja Deus, que nos regenerou para uma esperança viva, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos (1.3). O que espera os leitores é uma herança que não se estraga, não se mancha e não murcha, guardada nos céus.

Por isso podem se alegrar, embora por pouco tempo sejam entristecidos por várias provações. A fé deles, mais preciosa que o ouro, passa pelo fogo como o ouro passa. Pedro, que andou com Jesus, admira a situação de quem veio depois: vós o amais sem o ter visto (1.8).

A salvação que receberam foi investigada pelos profetas, que anunciaram de antemão os sofrimentos de Cristo e as glórias que viriam. São coisas que até os anjos desejam contemplar.

O preço do resgate

Da esperança sai a primeira exigência. Como filhos obedientes, não voltem aos desejos de antes: sede santos, porque eu sou santo (1.16), ordem trazida de Levítico.

O motivo é o preço pago. Eles foram resgatados do modo vazio de viver não com coisas que perecem, como prata ou ouro, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha (1.18-19). Nasceram de novo de uma semente que não morre, a palavra de Deus. Toda carne é como a erva, cita Pedro de Isaías, mas a palavra do Senhor permanece para sempre. Como crianças recém-nascidas, devem desejar esse leite.

Pedras vivas de uma casa

A imagem seguinte é de construção. Cristo é a pedra viva, rejeitada pelos homens e escolhida por Deus. Quem se aproxima dele é também pedra viva, posta numa casa espiritual para ser sacerdócio santo. Pedro junta três textos sobre a pedra: a angular assentada em Sião, a que os construtores rejeitaram e a que faz tropeçar.

Vem então a frase central da primeira parte. Vós sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo que pertence a Deus, para anunciar as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua luz (2.9). São os títulos dados a Israel ao pé do Sinai, no Êxodo, agora ditos a gentios convertidos. Antes não eram povo; agora são povo de Deus.

Boa conduta entre os que caluniam

A segunda parte começa em 2.11. Como peregrinos e forasteiros, os leitores devem manter entre os gentios um comportamento tão bom que os caluniadores, vendo as boas obras, acabem por glorificar a Deus.

Pedro desce aos lugares em que essa conduta é observada:

  • diante das autoridades: sujeição ao rei e aos governadores, por causa do Senhor e como pessoas livres; honrai a todos, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei (2.17);
  • os servos da casa: respeito aos senhores, inclusive aos duros, porque sofrer injustamente por fazer o bem tem valor diante de Deus;
  • as esposas: que os maridos descrentes sejam ganhos sem palavras, pelo modo de viver delas, cujo adorno é o espírito manso e tranquilo;
  • os maridos: convivência com entendimento e honra à mulher, herdeira com eles da graça da vida.

No meio da instrução aos servos está o trecho mais denso. Cristo sofreu e deixou exemplo, para que sigam os seus passos. Não cometeu pecado; insultado, não revidava; entregava-se àquele que julga com justiça. Levou os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, e pelas suas feridas fostes sarados (2.24). As frases vêm do servo sofredor de Isaías 53. Os leitores eram ovelhas desgarradas e voltaram ao Pastor e Bispo das suas almas.

Para todos, a regra é uma: não pagar mal com mal nem insulto com insulto, mas abençoar.

A razão da esperança

E se, fazendo o bem, ainda sofrerem? Felizes são. Não devem ter medo das ameaças, e sim estar sempre prontos a responder a quem pedir a razão da esperança que há neles, com mansidão e respeito (3.15-16).

Pedro volta ao exemplo: Cristo morreu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir a Deus. Morto na carne, foi vivificado no espírito, anunciou aos espíritos em prisão, os desobedientes do tempo de Noé, e subiu ao céu, onde anjos e poderes lhe estão sujeitos. A arca, em que oito pessoas foram salvas através da água, é figura do batismo, que não é a remoção da sujeira do corpo, mas o compromisso de uma boa consciência com Deus (3.21).

A consequência é prática. Basta o tempo gasto na vida de antes. O fim de todas as coisas está próximo: sejam sóbrios para orar, amem-se intensamente, porque o amor cobre uma multidão de pecados, pratiquem a hospitalidade sem reclamar, e cada um sirva com o dom que recebeu.

O fogo que não deve causar espanto

Em 4.12 o tom sobe. Amados, não estranheis o fogo ardente que surge no meio de vós para vos provar, como se algo estranho estivesse acontecendo. Participar dos sofrimentos de Cristo é motivo de alegria.

Pedro faz uma separação. Ninguém sofra como homicida, ladrão ou malfeitor. Mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe: glorifique a Deus por esse nome (4.16). O juízo começa pela casa de Deus, e os que sofrem segundo a vontade dele entreguem a vida ao Criador fiel, fazendo o bem.

O rebanho e o leão

O último capítulo se dirige aos presbíteros. Pedro se apresenta como presbítero com eles e testemunha dos sofrimentos de Cristo. Devem pastorear o rebanho de Deus de boa vontade, sem ganância e sem dominar, como modelos. Quando o Supremo Pastor aparecer, receberão a coroa da glória.

Os mais jovens se sujeitem, e todos se vistam de humildade. Lançai sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele cuida de vós (5.7). E logo depois: sede sóbrios, vigiai. O diabo, vosso adversário, anda em volta como leão que ruge, procurando a quem devorar. Resisti-lhe firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos atingem os irmãos espalhados pelo mundo.

Por Silvano, desde Babilônia

A despedida traz três nomes. A carta foi escrita por meio de Silvano, o irmão fiel, em geral identificado com o Silas que acompanha Paulo em Atos. Mandam saudações a comunidade que está em Babilônia e Marcos, a quem Pedro chama de filho. Babilônia é o nome da capital do império também no Apocalipse.

O pescador da Galileia que os evangelhos mostram negando Jesus por medo escreve aqui a gente amedrontada, e o que lhes pede é que não se envergonhem do nome. Uma segunda carta com o seu nome, 2 Pedro, trata de outro perigo: já não a pressão de fora, mas os falsos mestres de dentro.

Os pontos centrais

  1. Deus regenerou os crentes para uma esperança viva, pela ressurreição de Jesus Cristo, e para uma herança guardada nos céus (1.3-5).
  2. O resgate não foi pago com prata ou ouro, mas com o sangue de Cristo, como de cordeiro sem defeito e sem mancha (1.18-19).
  3. A comunidade recebe os títulos de Israel: raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo que pertence a Deus (2.9-10).
  4. Cristo sofreu deixando exemplo: insultado, não revidava, e levou os pecados em seu corpo sobre o madeiro (2.21-24).
  5. Quem sofre por fazer o bem deve estar pronto a dar a razão da sua esperança, com mansidão e respeito (3.14-16).
  6. O fogo da provação não é coisa estranha: é participação nos sofrimentos de Cristo e motivo de alegria (4.12-14).

Leituras que se afastam do texto

Pedro escreveu da cidade de Babilônia, na Mesopotâmia

A carta diz apenas: a que está em Babilônia, também eleita, vos saúda (5.13). A tradição antiga entende que Pedro fala de Roma com o nome da capital que destruiu Jerusalém e exilou o povo, a mesma figura usada no Apocalipse. Combina com o tema da carta, que trata os cristãos como forasteiros e dispersos. O engano nasce de ler o nome como endereço comum.

Cristão foi o nome que os seguidores de Jesus escolheram para si

A palavra aparece só três vezes no Novo Testamento, e nas três vem de fora. Em Antioquia os discípulos foram chamados cristãos (Atos 11.26); o rei Agripa a usa diante de Paulo (Atos 26.28). Em 1 Pedro 4.16 ela soa como acusação, ao lado de ladrão e homicida: se alguém sofre como cristão, não se envergonhe. Entre si, eles se chamavam irmãos, santos, eleitos.

1 Pedro manda obedecer a qualquer autoridade em qualquer coisa

O texto pede sujeição às instituições humanas por causa do Senhor e como pessoas livres, servas de Deus (2.13-16). A frase final distribui os verbos com cuidado: honrai a todos, amai os irmãos, temei a Deus, honrai o rei (2.17). O rei recebe a mesma honra devida a todos; o temor fica só para Deus. O próprio Pedro disse ao Sinédrio que importa obedecer a Deus antes que aos homens (Atos 5.29).

Perguntas para estudo

8 perguntas

Quais são as cinco regiões citadas no endereço de 1 Pedro?
Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, todas na Ásia Menor (1 Pedro 1.1).
A que a fé provada é comparada em 1 Pedro 1.7?
Ao ouro, que perece e mesmo assim é provado pelo fogo; a fé vale mais do que ele.
Que ordem de Levítico Pedro repete aos leitores?
Sede santos, porque eu sou santo, citada em 1 Pedro 1.16.
Que títulos Cristo recebe em 1 Pedro 2.25?
Pastor e Bispo das almas, a quem as ovelhas desgarradas voltaram.
Quantas pessoas foram salvas na arca, segundo 1 Pedro 3.20?
Oito pessoas, salvas através da água, nos dias de Noé.
O que Pedro diz que cobre uma multidão de pecados?
O amor intenso de uns pelos outros, que ele põe acima de tudo (1 Pedro 4.8).
A que animal o diabo é comparado no último capítulo?
A um leão que ruge e anda em volta, procurando a quem devorar (1 Pedro 5.8).
Quem Pedro chama de meu filho na despedida?
Marcos, que manda saudações junto com a comunidade de Babilônia (5.13).
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Débora Arantes

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