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Resumo da carta aos Hebreus

Por Débora Arantes 12 min de leitura

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Em 30 segundos

Cansados, pressionados e tentados a voltar atrás: assim estão os cristãos que recebem esta palavra de exortação. A resposta é mostrar quem é Jesus. Ele é o Filho por quem Deus falou por último, maior que os anjos, que Moisés e que os sacerdotes descendentes de Arão. É sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque, e entrou no santuário do céu uma vez por todas, com o próprio sangue, como mediador da nova aliança anunciada por Jeremias. O que o tabernáculo e os sacrifícios repetidos mostravam em sombra, ele realizou. Por isso a carta alterna ensino e advertência, lembra os que viveram pela fé, de Abel a Raabe, e pede perseverança na corrida, com os olhos em Jesus.

Duas colunas em pares comparam a primeira aliança e a nova em Hebreus: sacerdotes, santuário, sangue, repetição dos sacrifícios e sombra diante da realidade
Imagem: resumode.com.br

Um sermão sem assinatura

Hebreus não começa como carta. Não há remetente, destinatário nem saudação: a primeira frase já é doutrina. Só no último capítulo aparecem notícias e cumprimentos, e ali o autor dá nome ao que escreveu: palavra de exortação (13.22). É um sermão posto por escrito e enviado a uma comunidade que ele conhece e pretende visitar.

O texto não diz quem o escreveu. A tradição antiga, sobretudo no Oriente, ligou-o a Paulo; desde cedo se notou que o estilo é outro, e vários nomes foram lembrados.

Os destinatários aparecem aos poucos. São cristãos de segunda geração, que receberam a mensagem dos que ouviram o Senhor (2.3). Já sofreram: foram expostos a insultos, compadeceram-se dos presos, aceitaram com alegria o confisco dos bens (10.32-34). Agora estão cansados. Alguns deixaram de frequentar as reuniões (10.25), e o perigo é desistir. O título aos Hebreus é antigo e combina com o conteúdo, todo construído sobre o culto de Israel.

Deus falou pelo Filho

A abertura é uma frase única e solene. Muitas vezes e de muitos modos Deus falou aos pais pelos profetas; nestes últimos dias, falou pelo Filho, herdeiro de tudo, por quem fez o universo. Ele é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser. Depois de fazer a purificação dos pecados, sentou-se à direita da Majestade (1.1-3).

O primeiro degrau do argumento compara o Filho com os anjos, por meio de uma série de citações, a maioria dos Salmos: a nenhum anjo Deus disse tu és meu Filho, nem senta-te à minha direita. O capítulo 2 explica por que, sendo tão alto, ele desceu. Foi feito por um pouco menor que os anjos para provar a morte por todos, destruir o poder dela e libertar os que viviam escravos do medo de morrer. Tornou-se em tudo semelhante aos irmãos, e por isso pode socorrer os que são tentados (2.14-18).

Moisés, o deserto e o descanso

O segundo degrau é Moisés. Ele foi fiel na casa de Deus como servo; Cristo é fiel como Filho, sobre a casa (3.5-6).

A comparação puxa uma advertência longa, tirada do Salmo 95: hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o coração. A geração que saiu do Egito ouviu a promessa e não entrou na terra, por incredulidade. A carta conclui que a promessa continua de pé. Se Josué tivesse dado o descanso definitivo, o salmo não falaria, tanto tempo depois, de outro dia. Resta um repouso para o povo de Deus (4.9), e o leitor está, como aquela geração, diante de uma palavra que precisa ser recebida com fé. Essa palavra é viva e mais cortante que espada de dois gumes (4.12).

Um sumo sacerdote que conhece a fraqueza

Aqui começa o assunto central. Temos um grande sumo sacerdote, Jesus, o Filho de Deus, que atravessou os céus. Ele se compadece das nossas fraquezas, porque foi tentado em tudo, mas sem pecado. Daí o convite: aproximemo-nos com confiança do trono da graça (4.14-16).

Ninguém se faz sacerdote por conta própria. Arão foi chamado por Deus, e Cristo também, pela palavra do Salmo 110: tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque. Nos dias da sua vida terrena, ofereceu orações com forte clamor e lágrimas, e, embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelo que sofreu (5.7-8).

Antes de explicar Melquisedeque, o autor interrompe. Os ouvintes já deviam ser mestres e ainda precisam de leite, não de alimento sólido (5.12). Depois da repreensão, o tom se abranda: Deus jurou a Abraão, e essa esperança é âncora da alma, firme, que alcança o interior do véu, onde Jesus entrou primeiro (6.19-20).

Melquisedeque, rei de Salém

O capítulo 7 volta a Gênesis. Quando Abraão regressa da vitória sobre os reis, vem ao seu encontro Melquisedeque, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, que o abençoa e recebe dele o dízimo de tudo. O nome quer dizer rei de justiça; o título, rei de paz. Gênesis não lhe dá pai, mãe, genealogia nem fim.

A carta tira três conclusões. Quem abençoa é maior que o abençoado, e assim Melquisedeque está acima de Abraão e de Levi, seu descendente. O Salmo 110, escrito quando o sacerdócio levítico já existia, anuncia um sacerdote de outra ordem: logo, aquele não bastava. E Jesus, que é da tribo de Judá, não é sacerdote por descendência, mas pelo poder de uma vida que não acaba (7.14-16).

Os sacerdotes de Israel foram muitos, porque a morte os impedia de continuar. Jesus permanece para sempre, e por isso pode salvar por completo os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder (7.23-25).

Aliança nova, santuário verdadeiro, uma só oferta

O autor avisa que chegou ao ponto principal (8.1). Jesus exerce o sacerdócio no santuário do céu, do qual a tenda de Moisés era cópia e sombra. E é mediador de uma aliança melhor: o capítulo 8 transcreve a promessa de Jeremias, com a lei escrita no coração e os pecados não mais lembrados.

O capítulo 9 descreve o tabernáculo. No primeiro recinto os sacerdotes entravam todos os dias. No segundo, o Santo dos Santos, só o sumo sacerdote, uma vez por ano, com sangue, no rito do Dia da Expiação que Levítico regula. Cristo entrou no próprio céu, não com sangue de bodes e novilhos, mas com o seu próprio sangue, uma vez por todas (9.12).

A repetição dos sacrifícios provava o seu limite: é impossível que sangue de touros e de bodes tire pecados (10.4). A diferença aparece numa imagem: o sacerdote fica de pé todos os dias, oferecendo de novo; Cristo, tendo oferecido um único sacrifício, sentou-se (10.11-12). Onde há perdão, não resta oferta pelo pecado.

Cinco avisos no caminho

O ensino nunca corre sozinho. Cinco vezes a carta para e adverte, cada vez com mais força.

Onde O risco A imagem ou o exemplo
2.1-4 Desviar-se, descuidar da salvação A lei dada por meio de anjos
3.7 a 4.13 Endurecer o coração A geração do deserto
5.11 a 6.12 Parar na infância e cair A terra que só dá espinhos
10.26-31 Pecar de propósito, desprezando o Filho Cair nas mãos do Deus vivo
12.25-29 Recusar aquele que fala do céu O fogo consumidor

Os avisos são severos, e dois deles, o do capítulo 6 e o do capítulo 10, falam de uma queda sem retorno. Todos vêm seguidos de ânimo: de vós esperamos coisas melhores (6.9); não somos dos que recuam (10.39).

Pela fé, de Abel a Raabe

Quem precisa perseverar precisa de exemplos. O capítulo 11 define a fé como certeza do que se espera e prova do que não se vê e percorre a história com a mesma expressão repetida: pela fé.

Abel oferece, Enoque agrada a Deus, Noé constrói a arca. Abraão sai sem saber para onde vai, mora em tendas e entrega Isaque. Sara, Isaque, Jacó e José olham para o que ainda não existe. Moisés prefere o sofrimento do seu povo aos tesouros do Egito. Caem os muros de Jericó, e Raabe é poupada. O tempo falta para Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, Samuel e os profetas (11.32).

O capítulo não esconde o preço. Todos eles morreram sem receber o prometido, porque Deus tinha preparado algo melhor, para que não chegassem à perfeição sem nós (11.39-40).

A corrida e o lado de fora do acampamento

Esses nomes formam uma nuvem de testemunhas em volta do estádio. Os leitores correm agora, e devem correr com perseverança, olhando para Jesus, autor e consumador da fé, que suportou a cruz (12.1-2). O sofrimento deles é lido como disciplina de pai. E o lugar aonde chegaram não é o Sinai, com fogo e trevas, mas o monte Sião, a Jerusalém do céu (12.18-24).

O último capítulo desce ao cotidiano: amor fraterno, hospitalidade, lembrança dos presos, casamento honrado, vida sem apego ao dinheiro. No meio, a frase mais citada: Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre (13.8).

A imagem final vem, mais uma vez, de Levítico. No Dia da Expiação, os corpos dos animais eram queimados fora do acampamento. Jesus também sofreu fora da porta da cidade (13.11-12). A carta, que passou treze capítulos dentro do santuário, termina convidando a sair: vamos a ele, fora do acampamento, porque não temos aqui cidade permanente e buscamos a que há de vir (13.13-14). O culto que sobra não usa animais: é o louvor dos lábios e o bem repartido (13.15-16).

Os pontos centrais

  1. A abertura: Deus falou muitas vezes pelos profetas e, por último, pelo Filho, resplendor da sua glória (Hebreus 1.1-4).
  2. O argumento em degraus: Jesus é maior que os anjos (capítulos 1 e 2), que Moisés (3) e que o sacerdócio de Arão (5 a 7).
  3. O sacerdócio segundo a ordem de Melquisedeque, apoiado no Salmo 110.4 e na cena de Gênesis 14 (Hebreus 7).
  4. O sacrifício único: Cristo entrou no santuário uma vez por todas, com o próprio sangue (9.12; 10.10-14).
  5. A nova aliança de Jeremias 31.31-34, transcrita por inteiro no capítulo 8, com a lei escrita no coração.
  6. O capítulo 11, com os que viveram pela fé, e a corrida do capítulo 12, de olhos postos em Jesus (12.1-2).

Leituras que se afastam do texto

Paulo assina a carta aos Hebreus

O texto não traz nome de autor nem a saudação com que Paulo abre todas as suas cartas. Quem escreve se inclui entre os que receberam a mensagem dos que ouviram o Senhor (2.3) e dá notícias de Timóteo (13.23), o que o põe perto do círculo do apóstolo. Foi a tradição antiga que a ligou a Paulo, e por isso ela vem depois das cartas dele em muitas edições. O título com o nome dele não faz parte do texto.

Melquisedeque era o próprio Jesus aparecendo a Abraão

A carta diz que Melquisedeque foi feito semelhante ao Filho de Deus (7.3): compara os dois, não os identifica. Sem pai, sem mãe, sem genealogia descreve o modo como Gênesis 14 o apresenta, sem registro de origem, de descendência ou de morte, diferente de todo sacerdote de Israel. O raciocínio depende de serem dois: Jesus é sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, como anuncia o Salmo 110.4.

Os heróis da fé de Hebreus 11 receberam o que Deus prometeu

O capítulo diz duas vezes o contrário. Os patriarcas morreram na fé sem ter recebido as promessas, vendo-as de longe (11.13), e todos eles, embora aprovados pela fé, não obtiveram o que fora prometido (11.39). A lista inclui vitórias, mas também gente torturada, apedrejada e errante (11.35-38). A carta define a fé justamente pelo que ainda não se vê, e o engano vem de lembrar só os livramentos.

Hebreus ensina que o Antigo Testamento ficou sem valor

O que a carta declara superado é o sistema de sacerdotes e sacrifícios repetidos, que ela chama de sombra dos bens futuros (10.1). As Escrituras de Israel são a base de cada passo do argumento e são citadas como voz atual de Deus: como diz o Espírito Santo, hoje, se ouvirdes a sua voz (3.7). O autor não deixa a Lei de lado; lê Levítico, os Salmos e Jeremias para mostrar aonde eles apontavam.

Perguntas para estudo

8 perguntas

Como o autor chama o próprio escrito?
Palavra de exortação, que ele diz ter escrito de forma resumida (13.22).
Que salmo sustenta a advertência sobre o descanso?
O Salmo 95, com o apelo: hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o coração (3.7-8).
Com que a palavra de Deus é comparada no capítulo 4?
Com uma espada de dois gumes, viva e eficaz, que discerne pensamentos e intenções (4.12).
O que Abraão entregou a Melquisedeque?
O dízimo de tudo, depois de ser abençoado por ele na volta da batalha (7.1-2).
De que tribo é Jesus, e por que isso pesa no argumento?
De Judá, tribo sobre a qual Moisés nada disse a respeito de sacerdotes (7.14).
Que imagem a carta usa para a esperança?
A âncora da alma, segura e firme, que penetra até o interior do véu (6.19).
Como o capítulo 11 define a fé?
Como a certeza das coisas que se esperam e a prova das que não se veem (11.1).
Que notícia o final dá sobre Timóteo?
Que ele foi posto em liberdade e talvez acompanhe o autor na visita (13.23).
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Débora Arantes

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