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Resumo de 3 João

Por Débora Arantes 10 min de leitura

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Em 30 segundos

Gaio vinha hospedando pregadores que chegavam à sua igreja sem conhecer ninguém, e o presbítero lhe escreve para agradecer e pedir que continue. Em poucas linhas, a carta põe três nomes lado a lado. Gaio anda na verdade e pratica o amor com irmãos que eram estranhos para ele. Diótrefes, que gosta de ser o primeiro, não aceita a autoridade do presbítero, fala mal dele, recusa os missionários e expulsa da igreja quem os recebe. Demétrio tem bom testemunho de todos e é recomendado. No meio dos retratos vem uma regra curta: não imites o mal, mas o bem. O presbítero promete ir pessoalmente e deixa o resto para a conversa. Quem acolhe os que saíram pelo Nome torna-se, diz ele, cooperador da verdade.

Três colunas com os três homens citados em 3 João, Gaio, Diótrefes e Demétrio, e o que a carta diz de cada um
Imagem: resumode.com.br

O presbítero e o amado Gaio

3 João é um bilhete, um dos textos mais breves de toda a Bíblia. Ao contrário das cartas dirigidas a igrejas inteiras, tem um só destinatário: Gaio, que o remetente chama quatro vezes de amado.

Quem escreve se apresenta como o presbítero, o ancião, sem acrescentar nome. É o mesmo título que abre 2 João. A tradição antiga reconhece nele o apóstolo João, já idoso, a quem também se ligam o quarto dos evangelhos e a primeira carta. O vocabulário confirma o parentesco: verdade, amor, testemunho, ser de Deus.

A abertura segue o costume das cartas da época, com um voto de bem-estar. O presbítero deseja que tudo vá bem a Gaio e que ele tenha saúde, assim como vai bem a sua alma (versículo 2). A frase já contém um elogio: a alma de Gaio está em ordem, e o resto é que deve acompanhá-la.

A maior alegria de quem escreve

O motivo imediato da carta são notícias. Alguns irmãos passaram pela igreja de Gaio, voltaram e contaram o que viram: ele permanece na verdade e anda nela. O presbítero se alegrou muito, e diz por quê: não tenho alegria maior do que ouvir que os meus filhos andam na verdade (versículo 4).

Duas coisas se notam aqui. A primeira é o tom de pai. Gaio é contado entre os filhos do presbítero, o que indica uma relação antiga, de quem ensinou e acompanha de longe. A segunda é o verbo. Nas cartas de João, a verdade não é só algo em que se crê. É um caminho em que se anda, e a prova está na conduta. A carta inteira vai mostrar essa conduta num ponto muito concreto: a porta da casa.

Estrangeiros que saíram pelo Nome

Naquele tempo, pregadores viajavam de comunidade em comunidade. O anúncio do evangelho dependia de cristãos que abrissem a casa, dessem comida e provessem o necessário para a etapa seguinte da viagem. O livro de Atos mostra o mesmo costume nas viagens de Paulo, hospedado por Lídia em Filipos e por outros irmãos em cada cidade.

Gaio fazia isso, e com gente que ele não conhecia. O presbítero destaca o detalhe: procedes com fidelidade no que fazes pelos irmãos, mesmo sendo eles estrangeiros (versículo 5). Os hóspedes, de volta, deram testemunho do amor de Gaio diante da igreja. O pedido é que ele continue e os encaminhe na viagem de um modo digno de Deus.

A razão vem em seguida. Esses homens saíram por causa do Nome, expressão que designa o próprio Jesus, e nada recebem dos gentios (versículo 7). Não cobram de quem os ouve nem pedem sustento a quem não crê, para que a mensagem não pareça comércio. Por isso cabe aos irmãos sustentá-los. E quem o faz não é só benfeitor: torna-se cooperador da verdade (versículo 8). Quem hospeda participa da obra de quem prega.

Diótrefes, que gosta de ser o primeiro

O quadro muda no versículo 9. O presbítero conta que escreveu alguma coisa à igreja, mas Diótrefes, que gosta de ser o primeiro entre eles, não o acolhe. A carta anterior, ao que parece, foi ignorada ou retida. Esta segue então por outro caminho, direto a Gaio.

A lista de acusações é precisa, e cada item agrava o anterior:

  • não reconhece a autoridade do presbítero;
  • fala contra ele com palavras maldosas;
  • não recebe os irmãos que chegam;
  • impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja.

Nenhuma dessas faltas é de doutrina. A carta não diz que Diótrefes ensinava algo errado sobre Cristo. O que ela descreve é um homem que tomou a comunidade para si e trata como ameaça tudo o que vem de fora, inclusive os enviados do presbítero. O remédio anunciado é simples: se eu for, lembrarei as obras que ele pratica (versículo 10). O presbítero pretende tratar do caso em pessoa e diante de todos.

Imitar o bem: a regra e o exemplo de Demétrio

Entre o retrato de Diótrefes e o seguinte, o presbítero se volta para Gaio com a única ordem geral da carta: amado, não imites o mal, mas o bem. Quem faz o bem é de Deus; quem faz o mal não viu a Deus (versículo 11). A frase funciona como dobradiça. O mau exemplo acaba de ser descrito, e o bom vem logo.

Demétrio aparece sem apresentação, o que sugere que Gaio o conheceria em breve, provavelmente por ser ele o portador da carta. Recebe três testemunhos: o de todos, o da própria verdade e o do presbítero, que acrescenta: e sabes que o nosso testemunho é verdadeiro (versículo 12). Era assim que um viajante desconhecido ganhava crédito numa comunidade distante: alguém de confiança respondia por ele por escrito. Demétrio é exatamente o tipo de irmão que Diótrefes deixaria do lado de fora.

Tinta, pena e boca a boca

O final explica a brevidade. O presbítero tinha muito a escrever, mas não quis fazê-lo com tinta e pena. Espera ver Gaio em breve e conversar de viva voz.

A despedida é a de quem escreve a uma casa conhecida. Paz a ti. Os amigos daqui saúdam, e Gaio deve saudar os amigos de lá nome por nome. Depois de uma carta sobre quem é recebido e quem é barrado, a última linha pede que cada um seja lembrado individualmente.

A porta que uma carta fecha e a outra abre

2 João e 3 João são cartas gêmeas no tamanho, no título do remetente e no fecho, e tratam do mesmo gesto em direções opostas. A segunda manda não receber em casa nem saudar quem não traz o ensino de Cristo. A terceira manda receber, sustentar e encaminhar quem saiu pelo Nome. Lidas juntas, dão o critério inteiro: a hospitalidade cristã tem porta, e a porta abre para a verdade.

O que 3 João acrescenta ao Novo Testamento é o rosto. As grandes cartas tratam de doutrina e de igrejas; esta mostra três homens de uma comunidade pequena e o modo como a fé de cada um aparece no trato com quem chega. O alerta contra os que se infiltram nas igrejas, que aqui fica em segundo plano, é o assunto inteiro da carta que vem logo depois, a de Judas.

Os pontos centrais

  1. O remetente se apresenta apenas como o presbítero e escreve a um indivíduo, Gaio, a quem ama na verdade (versículo 1).
  2. A maior alegria do presbítero é ouvir que os seus filhos andam na verdade (versículo 4).
  3. Os missionários saíram por causa do Nome e nada aceitam dos gentios; quem os acolhe é cooperador da verdade (versículos 7 e 8).
  4. Diótrefes gosta de ser o primeiro, rejeita o presbítero, recusa os irmãos e expulsa da igreja quem os recebe (versículos 9 e 10).
  5. A regra do versículo 11: não imitar o mal, mas o bem, porque quem faz o bem é de Deus.
  6. Demétrio recebe três testemunhos a seu favor: o de todos, o da própria verdade e o do presbítero (versículo 12).

Leituras que se afastam do texto

3 João 2 promete saúde e prosperidade a todo cristão

O versículo é o voto de abertura de uma carta a um amigo: o presbítero deseja que tudo vá bem a Gaio e que ele tenha saúde, assim como vai bem a sua alma. Cartas da época costumavam começar com um desejo de saúde, e o remetente segue o costume. O engano nasce de ler a frase solta, como promessa geral. No texto, ela é um desejo pessoal, e o que se elogia em seguida é a fidelidade de Gaio.

Diótrefes era um falso mestre que ensinava heresia

A carta não menciona nenhum erro de doutrina dele. As acusações são de conduta: gosta de ser o primeiro, não recebe o presbítero, espalha palavras maldosas, nega acolhida aos irmãos e expulsa quem quer acolhê-los (versículos 9 e 10). A confusão vem de 2 João, a carta vizinha, que trata de enganadores que negam a vinda de Cristo em carne. Em 3 João o problema é de poder.

O Gaio de 3 João é o Gaio companheiro de Paulo

Gaio era um dos nomes mais comuns do mundo romano. O Novo Testamento cita um Gaio da Macedônia e um de Derbe em Atos, e um de Corinto, batizado por Paulo e seu hospedeiro. A carta não dá cidade nem outro dado que permita ligar o destinatário a qualquer um deles. O que ela informa é o que basta: um cristão fiel, querido do presbítero e conhecido por hospedar irmãos de fora.

O autor se apresenta na carta como o apóstolo João

O nome João não aparece em nenhum versículo. Quem escreve se chama apenas de o presbítero, palavra que significa ancião, o mesmo título que abre 2 João. A atribuição ao apóstolo vem da tradição antiga e da semelhança de vocabulário com o evangelho e com 1 João: verdade, amor, testemunho, ser de Deus. O título da carta, 3 João, foi dado depois, quando os escritos foram reunidos.

Perguntas para estudo

8 perguntas

Como o remetente de 3 João se identifica?
Somente como o presbítero, isto é, o ancião, sem dizer o próprio nome (versículo 1).
Que voto o presbítero faz a Gaio no começo da carta?
Que tudo lhe vá bem e que tenha saúde, assim como vai bem a sua alma (versículo 2).
Como o presbítero ficou sabendo da conduta de Gaio?
Irmãos que passaram por lá voltaram e deram testemunho da sua verdade e do seu amor diante da igreja.
De quem os missionários não aceitavam ajuda?
Dos gentios, isto é, dos que não criam; por isso dependiam da acolhida das igrejas (versículo 7).
Como a carta chama quem hospeda os pregadores itinerantes?
Cooperadores da verdade, porque participam do trabalho de quem anuncia (versículo 8).
O que Diótrefes faz com quem deseja receber os irmãos?
Proíbe a acolhida e expulsa essas pessoas da igreja, segundo o versículo 10.
Por que a carta é tão curta, segundo o próprio autor?
Porque ele tinha muito a dizer, mas não queria fazê-lo com tinta e pena; esperava ver Gaio em breve.
Como termina 3 João?
Com um voto de paz, as saudações dos amigos e o pedido de saudar os amigos de lá, nome por nome.
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Débora Arantes

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