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Resumo de 2 João

Por Débora Arantes 9 min de leitura

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Em 30 segundos

Treze versículos, o bastante para uma folha de papiro: 2 João é um bilhete com endereço e pressa. Quem escreve se chama apenas o presbítero. A destinatária é a senhora eleita com seus filhos, modo de falar de uma comunidade e de seus membros. Ele se alegra por encontrar filhos dela andando na verdade e repete o mandamento recebido desde o princípio: amar uns aos outros, o que significa andar segundo os mandamentos de Deus. Vem então o aviso. Muitos enganadores saíram pelo mundo e não confessam Jesus Cristo vindo em carne. Quem chegar com esse ensino não deve ser recebido em casa nem saudado, para que ninguém se torne participante de sua obra. O resto fica para uma visita, face a face.

Percurso dos treze versículos de 2 João em quatro paradas: saudação, o mandamento do amor, o aviso contra os enganadores e a promessa de visita
Imagem: resumode.com.br

Uma folha, um remetente sem nome

Com treze versículos, 2 João é o livro de menos versículos da Bíblia. Cabe numa única folha de papiro, e tem tudo o que uma carta da época tinha: remetente, destinatário, saudação, um motivo de alegria, um pedido, um aviso e a despedida.

Quem escreve se apresenta como o presbítero, isto é, o ancião, e não diz o nome. A tradição o identifica com o apóstolo João; há quem pense em outro João, conhecido como o presbítero. O vocabulário é o mesmo de 1 João: verdade, mandamento, permanecer, anticristo. A diferença é que aqui o ensino tem endereço e termina numa instrução prática.

Quem é a senhora eleita

A carta é dirigida à senhora eleita e a seus filhos (versículo 1). O texto permite pensar numa mulher cristã e em sua família. Mas o modo de falar indica uma comunidade e os seus membros.

O presbítero passa do tu ao vós sem aviso. Diz que encontrou alguns dos filhos dela andando na verdade, como quem conheceu gente daquela igreja em outro lugar. E fecha com a saudação dos filhos da tua irmã eleita: outra comunidade, aquela de onde ele escreve. O mesmo costume aparece em 1 Pedro, que manda saudações da eleita que está em Babilônia.

Chamar uma igreja de senhora e os fiéis de filhos dá à carta um tom de casa. O assunto, de fato, vai ser a porta dessa casa.

Cinco vezes a palavra verdade

A saudação é mais longa que o costume, e uma palavra a domina. O presbítero ama a senhora e os filhos na verdade; com ele os amam todos os que conhecem a verdade; e isso por causa da verdade que permanece em nós e estará conosco para sempre. A graça, a misericórdia e a paz virão em verdade e amor (versículo 3).

Verdade, aqui, não é uma ideia solta. É o que foi anunciado sobre Jesus Cristo, o Filho do Pai, e que os leitores receberam. O amor entre as comunidades nasce dela: amam-se porque creem na mesma coisa.

O primeiro assunto é uma alegria. Muito me alegrei por ter encontrado alguns dos teus filhos andando na verdade, conforme o mandamento que recebemos do Pai (versículo 4). Andar é o verbo da carta. A verdade se conhece e também se percorre.

O mandamento que não é novo

Vem então o pedido, feito com delicadeza: e agora, senhora, peço-te. Não se trata de mandamento novo, mas do que tivemos desde o princípio: que nos amemos uns aos outros (versículo 5). É o mandamento que Jesus dá aos discípulos na última ceia, no evangelho de João, um dos quatro evangelhos.

A frase seguinte impede que o amor fique vago. O amor é isto: que andemos segundo os seus mandamentos (versículo 6). O raciocínio faz um círculo de propósito. O mandamento é amar, e amar é guardar os mandamentos. Quem ama a Deus faz o que ele manda, e o que ele manda é amar os irmãos.

Os que não confessam Jesus vindo em carne

O versículo 7 começa com um porque, e é ele que explica a insistência. Muitos enganadores saíram pelo mundo, os que não confessam Jesus Cristo vindo em carne. A carta dá a quem ensina assim dois nomes: o enganador e o anticristo.

O que eles negavam era que o Filho de Deus tivesse assumido de fato a condição humana. Para o presbítero, isso desfaz o evangelho inteiro, e por isso o aviso vem em duas frases fortes.

A primeira é sobre o que está em risco: cuidai de vós mesmos, para não perderdes o fruto do trabalho, mas receberdes a recompensa completa (versículo 8).

A segunda é um critério. Todo aquele que vai além e não permanece no ensino de Cristo não tem Deus. Quem permanece no ensino tem o Pai e o Filho (versículo 9). Os enganadores se apresentavam como gente que tinha avançado. A carta responde que, nesse assunto, avançar é sair.

A porta da casa

A instrução prática ocupa dois versículos. Se alguém vem a vós e não traz esse ensino, não o recebais em casa nem o saudeis. Quem o saúda participa das suas obras más (versículos 10 e 11).

Para entender o peso da ordem, é preciso lembrar como o evangelho se espalhava. Pregadores viajavam de cidade em cidade e dependiam dos irmãos para dormir, comer e seguir viagem. As igrejas se reuniam nas casas. Receber um mestre era lhe dar teto, mesa e ouvintes. A hospitalidade, tão elogiada no Novo Testamento, era o que mantinha a missão de pé.

Por isso mesmo podia ser usada pelo erro. A carta não manda tratar mal ninguém nem fala de descrentes em geral. Fala de quem chega para ensinar e traz outra doutrina sobre Cristo. Abrir-lhe a casa seria abrir-lhe a igreja.

Sem papel e tinta

A despedida explica a brevidade. O presbítero tem muito a escrever, mas não quer fazê-lo com papel e tinta. Espera visitar a comunidade e falar face a face, para que a alegria seja completa (versículo 12). A última linha é a saudação dos filhos da irmã eleita.

2 João forma par com a carta seguinte. Aqui, a hospitalidade recebe um limite: há um hóspede a quem a casa não se abre. Em 3 João, escrita pelo mesmo presbítero, o caso é o inverso. Gaio é elogiado por acolher os irmãos que viajam pelo evangelho, e Diótrefes é repreendido por se recusar a recebê-los. Lidas juntas, as duas cartas mostram os dois lados da mesma porta: aberta para quem serve à verdade, fechada para quem a nega.

Os pontos centrais

  1. A carta é do presbítero à senhora eleita e a seus filhos, amados na verdade por todos os que conhecem a verdade (versículo 1).
  2. Verdade e amor andam juntos desde a saudação: graça, misericórdia e paz estarão conosco em verdade e amor (versículo 3).
  3. O mandamento não é novo: amar uns aos outros, e amar é andar segundo os mandamentos (versículos 5 e 6).
  4. Os enganadores não confessam Jesus Cristo vindo em carne; a carta os chama de o enganador e o anticristo (versículo 7).
  5. Quem traz outro ensino não deve ser recebido em casa nem saudado, para não se participar de suas obras más (versículos 10 e 11).

Leituras que se afastam do texto

A senhora eleita era, com certeza, uma mulher amiga de João

O texto permite pensar numa cristã em cuja casa a igreja se reunia, mas os sinais apontam para uma comunidade. O presbítero passa do tu ao vós (versículos 8, 10 e 12), fala de filhos dela que encontrou em outro lugar e termina com a saudação dos filhos da tua irmã eleita, que soa como outra igreja. Em 1 Pedro 5.13, uma comunidade é chamada do mesmo modo: a eleita que está em Babilônia.

2 João manda fechar a porta a quem não é cristão ou pensa diferente

O versículo 10 trata de um caso preciso: alguém que vem à comunidade como mestre e não traz o ensino sobre Cristo, isto é, nega Jesus vindo em carne. Pregadores itinerantes dependiam das casas para dormir, comer e ensinar. Hospedá-los e saudá-los era dar apoio à missão, e por isso o versículo 11 fala em participar das obras deles. A carta não trata de vizinhos, parentes ou visitas.

Para João, o que importa é amar; a doutrina é detalhe

A carta não deixa separar as duas coisas. Logo depois de pedir que nos amemos uns aos outros, define o amor como andar segundo os mandamentos (versículo 6) e emenda com um porque: muitos enganadores saíram pelo mundo (versículo 7). Quem não permanece no ensino de Cristo não tem Deus (versículo 9). A palavra verdade aparece cinco vezes nos quatro primeiros versículos, sempre ao lado do amor.

Perguntas para estudo

7 perguntas

Como o autor de 2 João se apresenta?
Apenas como o presbítero, palavra que significa ancião, sem dizer o próprio nome.
Que três dons a saudação de 2 João anuncia?
Graça, misericórdia e paz, da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, o Filho do Pai.
O que deixou o presbítero muito alegre?
Ter encontrado alguns dos filhos da senhora eleita andando na verdade (versículo 4).
Como 2 João define o amor?
O amor é andar segundo os mandamentos de Deus, como se ouviu desde o princípio (versículo 6).
O que a carta diz de quem vai além e não permanece no ensino de Cristo?
Que não tem Deus; quem permanece no ensino tem o Pai e também o Filho (versículo 9).
Por que o presbítero não escreve mais?
Prefere não usar papel e tinta: espera visitar e falar face a face, para a alegria ser completa.
Quem manda saudações no último versículo?
Os filhos da irmã eleita da destinatária, isto é, os membros de outra comunidade.
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Débora Arantes

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