Ir direto para o conteúdo
Resumo De
Letra maior em loja segura Capa da Bíblia Sagrada, tradução Nova Almeida Atualizada, letra maior, capa dura Comprar Bíblia SagradaTradução Almeida, letra maior e capa dura. Boa para ler todo dia. Melhor escolha. Site seguro

Link patrocinado

Resumo do Cântico dos Cânticos

Por Débora Arantes 13 min de leitura

WhatsApp
Mais opções
Facebook Telegram E-mail

Em 30 segundos

Dois apaixonados falam, e quase mais ninguém. O Cântico dos Cânticos é uma sequência de poemas em que uma jovem, chamada Sulamita, e o seu amado se procuram, se elogiam e se encontram, tendo as filhas de Jerusalém como coro. A voz dela abre e fecha o livro e ocupa a maior parte dele. Não há narrador nem enredo contínuo: há cenas, como a visita dele na primavera, duas buscas noturnas pela cidade, o cortejo de Salomão e os retratos que cada um faz do outro, com imagens de vinhas, jardins, rebanhos e perfumes. O ponto mais alto vem no fim: o amor é forte como a morte, e as muitas águas não podem apagá-lo (Cântico 8.6 e 7). Judeus e cristãos leram nesses versos também o amor entre Deus e o seu povo.

As três vozes do Cântico dos Cânticos em colunas, com falas de cada uma: a amada, o amado e as filhas de Jerusalém
Imagem: resumode.com.br

O mais belo dos cânticos

O primeiro versículo é o título: cântico dos cânticos, de Salomão. A construção é a maneira hebraica de dizer o grau máximo, a mesma de santo dos santos e rei dos reis. Entre todos os cânticos, este é o cântico. Daí vêm os nomes que o livro recebe nas edições em português: Cântico dos Cânticos, Cantares de Salomão, Cantares.

São oito capítulos de poesia de amor. Um homem e uma mulher se desejam, se chamam, se perdem e se encontram, e dizem isso um ao outro sem rodeios. O livro vem depois de Eclesiastes, entre os escritos de sabedoria ligados a Salomão, o rei de quem 1 Reis diz que compôs mais de mil cânticos.

Quem fala em cada verso

O Cântico não tem narrador. Ninguém avisa quem está falando nem onde a cena se passa. No hebraico, a forma das palavras distingue se a fala se dirige a um homem ou a uma mulher, e por isso muitas edições acrescentam indicações nas margens.

As vozes são três. A amada, que perto do fim é chamada de Sulamita, fala mais que todos: é dela a primeira palavra e a última. O amado responde, convida e a descreve. As filhas de Jerusalém formam um coro que pergunta, escuta e recebe os pedidos dela. Os irmãos da jovem aparecem de passagem.

O cenário também muda sem aviso: a vinha, o pasto, o quarto, as ruas da cidade à noite, um jardim, os montes do Líbano. O que dá unidade ao conjunto são as repetições, frases que voltam como refrão.

A guardiã de vinhas

Ela começa sem preâmbulo: que ele me beije com os beijos da sua boca, porque o seu amor é melhor que o vinho (1.2). Em seguida se apresenta às filhas de Jerusalém. É morena, queimada de sol, porque os irmãos se irritaram com ela e a puseram para guardar as vinhas. E a sua própria vinha ela não guardou.

Ela pergunta ao amado onde ele apascenta o rebanho ao meio-dia, para não vagar entre os rebanhos dos companheiros. Começa a troca de elogios. Ele a compara à égua dos carros do faraó. Para ela, ele é um saquinho de mirra junto ao peito e um cacho de hena das vinhas de En-Gedi.

É nesse diálogo que ela diz: eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales (2.1). Ele completa: como o lírio entre os espinhos é a minha querida entre as moças. Ela devolve: como a macieira entre as árvores do bosque é o meu amado entre os rapazes. A cena termina no primeiro refrão do livro. Ela conjura as filhas de Jerusalém, pelas gazelas e pelas cervas do campo, a que não acordem nem despertem o amor até que ele queira (2.7).

O inverno passou

O poema seguinte é ouvido de dentro de casa. Ela escuta a voz do amado, que vem saltando sobre os montes como uma gazela. Ele para atrás da parede, olha pelas janelas e chama: levanta-te, minha querida, e vem. O inverno passou, a chuva cessou, as flores aparecem na terra, chegou o tempo de cantar, e já se ouve a voz da rola (2.10 a 13).

Vêm então o pedido de apanhar as raposinhas que estragam as vinhas em flor e a frase que resume o livro: o meu amado é meu, e eu sou dele (2.16).

O capítulo 3 abre com a primeira cena noturna. De noite, no leito, ela procura aquele a quem ama e não o encontra. Levanta-se, percorre as ruas e as praças, pergunta aos guardas que fazem a ronda. Mal passa por eles, encontra-o. Agarra-se a ele e não o solta até levá-lo à casa de sua mãe. O refrão sobre não despertar o amor fecha a cena.

Sessenta valentes e um jardim fechado

Algo sobe do deserto como colunas de fumaça, perfumado de mirra e de incenso. É a liteira de Salomão, cercada por sessenta valentes com a espada à cinta. O rei fez para si um palanquim de madeira do Líbano, com colunas de prata e assento de púrpura, e as filhas de Sião são chamadas a vê-lo com a coroa do dia do seu casamento (3.6 a 11).

No capítulo 4 o amado descreve a amada de cima para baixo. Os olhos são pombas por trás do véu. Os cabelos, um rebanho de cabras descendo os montes de Gileade. Os dentes, ovelhas tosquiadas saindo do lavadouro. O pescoço, a torre de Davi com mil escudos pendurados. As comparações não buscam semelhança de fotografia. Reúnem o que a terra tem de mais vistoso e valioso, rebanhos, torres, frutos e especiarias, e põem tudo ao lado dela.

Ele a chama de noiva e diz que ela lhe roubou o coração com um só olhar. Depois vem a imagem central do capítulo: ela é um jardim fechado, uma fonte selada, um pomar de romãs com nardo, açafrão, canela, mirra e aloés (4.12 a 14). Ela chama o vento para espalhar os aromas e convida: venha o meu amado ao seu jardim. Ele responde que já entrou.

Eu dormia, mas o meu coração velava

A segunda cena noturna é mais sofrida que a primeira. Ela dorme, e o coração vigia. O amado bate: abre-me, minha irmã, minha querida, porque a minha cabeça está cheia de orvalho. Ela hesita. Já tirou a túnica, já lavou os pés. Quando se levanta para abrir, com as mãos gotejando mirra sobre a tranca, ele já se foi.

Ela sai, chama, não tem resposta. Desta vez os guardas a encontram, batem nela, ferem-na e lhe tiram o manto. Ela pede às filhas de Jerusalém que, se o acharem, digam que ela desfalece de amor (5.8).

O coro pergunta o que o amado dela tem a mais que os outros. A resposta é o único retrato dele no livro: alvo e rosado, o primeiro entre dez mil, a cabeça de ouro fino, os cabelos pretos como o corvo, as pernas como colunas de mármore. E conclui: assim é o meu amado, assim é o meu amigo (5.16). Perguntam para onde ele foi, e ela sabe: desceu ao seu jardim. Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu (6.3).

Formosa como a lua

Ele volta a elogiá-la. É bela como Tirza e encantadora como Jerusalém. Há sessenta rainhas e oitenta concubinas, e uma só é a pomba dele. Quem é esta, pergunta-se, que desponta como a aurora, formosa como a lua, brilhante como o sol? (6.10)

No capítulo 7 a descrição recomeça, agora dos pés, nas sandálias, até a cabeça, erguida como o monte Carmelo. A estatura dela é a de uma palmeira. Ela responde com a terceira forma da frase de pertença, eu sou do meu amado, e o desejo dele é para mim, e faz o convite: vem, saiamos ao campo, vejamos se as vides já florescem. O capítulo 8 começa com um desejo dela, o de poder beijá-lo na rua sem que ninguém a desprezasse, e com a última repetição do refrão sobre o amor que não se desperta antes da hora.

Um selo sobre o coração

O fim do livro reúne falas curtas. A primeira é a mais citada. Ela pede: põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço. E dá a razão, na única passagem em que o poema deixa de falar dos dois e fala do amor em si. O amor é forte como a morte. As suas brasas são brasas de fogo. As muitas águas não poderiam apagá-lo, nem os rios afogá-lo. Se alguém oferecesse por ele todos os bens da sua casa, seria desprezado (8.6 e 7).

Os irmãos lembram a irmã pequena, que querem proteger. Ela responde que é um muro e que encontrou a paz aos olhos do amado. Salomão tem uma vinha arrendada por mil peças de prata. Ela tem a sua: a minha vinha é minha, está diante de mim (8.12). A jovem que no primeiro capítulo não guardara a própria vinha agora dispõe dela.

As duas últimas falas deixam o livro em aberto. Ele pede para ouvir a voz dela. Ela o chama a correr como a gazela sobre os montes perfumados.

Do casal a Israel e à Igreja

O Cântico quase não nomeia Deus e não cita a lei, o templo nem a história do povo. Nisso se parece com Ester. Lido no seu sentido direto, canta o amor entre um homem e uma mulher como coisa boa, e prolonga a alegria do primeiro casal diante um do outro no jardim de Gênesis.

A tradição judaica o lê também como o amor entre o Senhor e Israel, à maneira dos profetas, que falam da aliança como casamento, e por isso o proclama na Páscoa. A tradição cristã reconhece nele o amor entre Cristo e a Igreja, imagem que Paulo desenvolve em Efésios 5 e que o Apocalipse leva às bodas do Cordeiro.

Uma leitura não desfaz a outra. Os livros vizinhos tratam o amor com a prudência dos sábios: Provérbios adverte o jovem e o manda alegrar-se com a mulher da sua mocidade. O Cântico dá voz aos próprios amantes e, em vez de conselho, entrega o canto.

Os pontos centrais

  1. O título como superlativo hebraico: cântico dos cânticos quer dizer o mais belo dos cânticos, como santo dos santos (Cântico 1.1).
  2. A forma do livro: poemas em diálogo entre a amada, o amado e as filhas de Jerusalém, sem narrador que explique as cenas.
  3. O predomínio da voz feminina, que abre o livro pedindo beijos (1.2) e o fecha chamando o amado para os montes (8.14).
  4. O pedido repetido às filhas de Jerusalém: não acordeis nem desperteis o amor até que ele queira (2.7, 3.5 e 8.4).
  5. A fórmula de pertença mútua, o meu amado é meu e eu sou dele (2.16), retomada em 6.3 e de novo no capítulo 7.
  6. A declaração final sobre o amor, forte como a morte, que as muitas águas não apagam e que nenhuma riqueza compra (8.6 e 7).

Leituras que se afastam do texto

No Cântico, é Jesus quem diz: eu sou a rosa de Sarom

Em Cântico 2.1 quem fala é a amada, descrevendo a si mesma como flor do campo: eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales. O amado responde no versículo seguinte, comparando-a a um lírio entre os espinhos. O uso da expressão como título de Cristo vem de hinos e da leitura que vê no livro o amor entre ele e a Igreja. No texto, a frase está na boca dela.

O Cântico conta a história do casamento de Salomão com a Sulamita

O livro não tem narrador nem sequência de fatos: é uma série de poemas em diálogo. Salomão aparece no título, no cortejo do capítulo 3 e na vinha do capítulo 8, sempre mencionado por outra voz. O amado que fala surge ora como rei, ora como pastor que apascenta entre os lírios. Montar um enredo com começo, meio e fim exige completar o que o texto deixa em aberto.

Cantares de Salomão e Cântico dos Cânticos são dois livros diferentes

É o mesmo livro, de oito capítulos. O primeiro versículo diz: cântico dos cânticos, de Salomão. Algumas edições tiraram o título do começo da frase, outras do fim, e por isso se encontram Cântico dos Cânticos, Cantares de Salomão, Cantares e Cântico de Salomão. O conteúdo é idêntico, e a posição também: logo depois de Eclesiastes.

Perguntas para estudo

8 perguntas

Com que pedido o livro começa?
Com a voz da amada: que ele me beije com os beijos da sua boca, porque o seu amor é melhor que o vinho (1.2).
Por que a amada tem a pele queimada de sol?
Porque os irmãos a puseram para guardar as vinhas, e da sua própria vinha ela não cuidou (1.6).
Que animais pequenos estragam as vinhas em flor?
As raposinhas, que o poema manda apanhar antes que destruam as vinhas (Cântico 2.15).
Quantos valentes cercam a liteira de Salomão?
Sessenta valentes de Israel, todos armados de espada por causa dos temores da noite (3.7 e 8).
A que o amado compara a amada no capítulo 4?
A um jardim fechado e a uma fonte selada, onde crescem romãs, nardo, mirra e outras especiarias.
O que acontece quando o amado bate à porta no capítulo 5?
Ela demora a abrir, e ele já se foi; ao sair para procurá-lo, é ferida pelos guardas da cidade.
Como a amada pede para ser guardada pelo amado no capítulo 8?
Como um selo sobre o coração e sobre o braço dele, porque o amor é forte como a morte (8.6).
Em que festa o livro é lido na tradição judaica?
Na Páscoa, a festa da saída do Egito, celebrada na primavera, a estação dos poemas.
WhatsApp
Mais opções
Facebook Telegram E-mail

Débora Arantes

Resumos da Bíblia

Escreve os resumos da estante Bíblia, livro por livro, com estrutura, contexto e as leituras de cada tradição. Lê cada livro inteiro em mais de uma tradução antes de escrever e marca, capítulo por capítulo, onde o texto muda de gênero ou de voz. É desse mapa que sai a estrutura de cada resumo.

Voltar para Bíblia