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Resumo de 2 Pedro

Por Débora Arantes 11 min de leitura

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Em 30 segundos

Pedro sabe que vai morrer em breve e escreve para que os leitores se lembrem, depois da sua partida, do que receberam. A carta tem três capítulos e três assuntos. O primeiro firma a base: Deus deu tudo o que é preciso para a vida e a piedade, a fé deve crescer até o amor, e a vinda de Cristo não é fábula, porque o apóstolo ouviu a voz do Pai no monte santo. O segundo denuncia falsos mestres que negam o Senhor e prometem liberdade, sendo escravos da corrupção. O terceiro responde aos que zombam da demora: para o Senhor, mil anos são como um dia; ele é paciente, o seu dia virá como ladrão, e haverá novos céus e nova terra.

Duas colunas em pares: de um lado o que dizem os falsos mestres e os escarnecedores, do outro a resposta que 2 Pedro dá a cada ponto
Imagem: resumode.com.br

Antes de deixar a tenda

Quem assina é Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo, e escreve aos que receberam uma fé tão preciosa quanto a dos apóstolos. Mais adiante ele diz que esta é a segunda carta que lhes manda (3.1), o que a liga a 1 Pedro. Desde a antiguidade se discute essa autoria, por causa do estilo diferente; o texto se apresenta como palavra do apóstolo.

A situação é dita com clareza no primeiro capítulo. Pedro sabe que em breve vai deixar a sua tenda, isto é, o corpo, como o Senhor Jesus Cristo lhe revelou (1.14). Enquanto vive, quer despertar a memória dos leitores, e se esforça para que, depois da sua partida, eles possam se lembrar sempre dessas coisas.

É, portanto, uma carta de despedida. E o perigo que ela vê já não é o de 1 Pedro. Lá, a pressão vinha de fora, dos vizinhos que difamavam. Aqui vem de dentro: mestres que ensinam o contrário do que os apóstolos transmitiram e gente que zomba da esperança na vinda de Cristo.

Da fé ao amor, um degrau de cada vez

A carta começa pelo que Deus já fez. O seu poder deu tudo o que diz respeito à vida e à piedade, e as suas promessas, grandes e preciosas, fazem os que creem escaparem da corrupção do mundo e participarem da natureza divina (1.3-4).

Por isso mesmo, é preciso empenho. Pedro monta uma sequência em que cada qualidade pede a seguinte:

  • à fé, a virtude;
  • à virtude, o conhecimento;
  • ao conhecimento, o domínio próprio;
  • ao domínio próprio, a perseverança;
  • à perseverança, a piedade;
  • à piedade, a fraternidade;
  • à fraternidade, o amor.

Quem tem essas coisas e as faz crescer não fica inútil nem sem fruto. Quem não as tem é cego, enxerga só o que está perto e esqueceu que foi purificado dos pecados antigos. A ordem é confirmar o chamado e a eleição: assim ninguém tropeça, e a entrada no reino eterno é larga.

A voz no monte santo

O que garante o ensino dos apóstolos? Pedro responde com o que viu. Não seguimos fábulas habilmente inventadas quando vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo: fomos testemunhas oculares da sua majestade (1.16).

A cena é a transfiguração, que os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas contam. Jesus recebeu de Deus Pai honra e glória quando a voz disse: este é o meu Filho amado, em quem me agrado. Pedro acrescenta: nós ouvimos essa voz, vinda do céu, quando estávamos com ele no monte santo.

Ao testemunho ele junta a palavra profética, a que os leitores fazem bem em prestar atenção, como a uma candeia que brilha em lugar escuro até o dia clarear. O capítulo fecha com uma frase sobre a origem da Escritura: nenhuma profecia veio da vontade humana; homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo (1.21).

Haverá falsos mestres entre vós

O capítulo 2 muda de tom. Assim como houve falsos profetas no povo, haverá falsos mestres entre os leitores. Eles introduzem ensinos destruidores, chegam a negar o Senhor que os resgatou, arrastam muitos atrás da sua vida dissoluta e, por ganância, exploram os fiéis com palavras fingidas. Por causa deles o caminho da verdade é difamado.

Pedro garante que o juízo não dorme e prova com três casos antigos, dois deles de Gênesis:

  • Deus não poupou os anjos que pecaram, e os guarda em trevas para o juízo;
  • não poupou o mundo antigo, mas preservou Noé, pregador da justiça, com mais sete pessoas, quando trouxe o dilúvio;
  • reduziu a cinzas Sodoma e Gomorra, e livrou o justo Ló, que se afligia com o que via e ouvia.

A conclusão tem dois lados: o Senhor sabe livrar da provação os piedosos e reservar os injustos para o dia do juízo (2.9). Os exemplos condenam, e também consolam quem vive cercado.

O caminho de Balaão

Segue o retrato desses mestres, um dos trechos mais ásperos do Novo Testamento. São atrevidos e arrogantes, desprezam a autoridade, falam mal do que não entendem. Banqueteiam-se em pleno dia, têm os olhos cheios de adultério, seduzem os inconstantes, têm o coração treinado na cobiça.

O modelo deles é Balaão, o profeta de Números que amou o pagamento da injustiça e foi repreendido por uma jumenta muda, que falou com voz humana. As imagens se acumulam: fontes sem água, névoas empurradas pela tempestade.

A frase que desmonta o ensino deles está em 2.19: prometem liberdade, sendo eles mesmos escravos da corrupção, porque cada um é escravo daquilo que o vence. Para quem conheceu o Senhor e se deixou enredar de novo, o último estado é pior que o primeiro. Dois ditos fecham o capítulo: o cão voltou ao seu vômito, e a porca lavada voltou a rolar na lama.

Onde está a promessa?

O capítulo 3 retoma o fio da lembrança. Os leitores devem ter em mente as palavras dos santos profetas e o mandamento do Senhor, transmitido pelos apóstolos, porque nos últimos dias virão escarnecedores. O argumento deles é o tempo: onde está a promessa da sua vinda? Desde que os pais morreram, tudo continua como desde o princípio da criação (3.4).

Pedro responde que eles esquecem de propósito uma coisa. O mundo não continuou sempre igual. Pela palavra de Deus existiram os céus e a terra, tirada da água, e pela água o mundo de então pereceu. Pela mesma palavra, os céus e a terra de agora estão guardados para o fogo, no dia do juízo.

Mil anos como um dia

A segunda resposta é sobre o relógio de Deus. Para o Senhor, um dia é como mil anos, e mil anos como um dia (3.8). O que parece atraso é paciência: ele não quer que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento.

O dia do Senhor, porém, virá, e virá como ladrão. Os céus passarão com estrondo, os elementos se desfarão pelo calor, e a terra com as suas obras ficará exposta. Daí Pedro tira uma pergunta sobre o presente: se tudo isso vai se desfazer, que tipo de gente convém ser, em santidade e piedade?

A última palavra do trecho é de esperança. Segundo a promessa, aguardamos novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça (3.13).

O amado irmão Paulo

A despedida pede que os leitores sejam achados em paz, sem mancha, e que tomem a paciência do Senhor como salvação. E cita um aliado: assim também escreveu o nosso amado irmão Paulo, segundo a sabedoria que lhe foi dada. Nas cartas dele há pontos difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis torcem, como fazem com as demais Escrituras, para a própria ruína (3.15-16).

É uma informação rara. A carta fala de todas as cartas de Paulo como de um conjunto conhecido dos leitores e as põe ao lado das Escrituras. Mostra também que a segunda geração tinha de aprender a ler os apóstolos sem a presença deles.

A frase final cabe numa linha: crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo; a ele a glória, agora e até o dia eterno (3.18). A imagem dos novos céus e da nova terra, que aqui ocupa um versículo, é a que o Apocalipse desenvolve nos seus dois últimos capítulos.

Os pontos centrais

  1. A fé deve ser completada, passo a passo, por virtude, conhecimento, domínio próprio, perseverança, piedade, fraternidade e amor (1.5-7).
  2. A vinda de Cristo não é fábula: Pedro foi testemunha ocular da sua majestade e ouviu a voz no monte santo (1.16-18).
  3. A profecia não nasceu de vontade humana; homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo (1.20-21).
  4. Os falsos mestres negam o Senhor que os resgatou, exploram os fiéis por ganância e prometem uma liberdade que não têm (2.1-3 e 2.19).
  5. A demora do dia do Senhor é paciência: ele não quer que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento (3.9).
  6. O dia do Senhor virá como ladrão, e a promessa é de novos céus e nova terra, onde habita a justiça (3.10-13).

Leituras que se afastam do texto

Mil anos são como um dia: com isso dá para calcular quando Jesus volta

A frase vem em mão dupla: um dia é para o Senhor como mil anos, e mil anos como um dia (3.8). Ela retoma o Salmo 90 e diz que Deus não mede o tempo como os homens medem. Serve para responder a quem zomba da demora, e a conclusão vem no versículo seguinte: o Senhor não atrasa, é paciente. Logo depois, o texto afirma que o dia virá como ladrão, sem aviso (3.10).

O cão que volta ao vômito é um ditado criado por Pedro

Pedro cita. A primeira metade é Provérbios 26.11, onde o cão que volta ao vômito é figura do insensato que repete a sua tolice. A segunda, a porca lavada que volta a rolar na lama, é outro dito corrente que ele acrescenta (2.22). Os dois são aplicados aos que conheceram o caminho da justiça e voltaram atrás, cujo último estado ficou pior que o primeiro.

Pedro e Paulo eram rivais e ensinavam coisas diferentes

A carta chama Paulo de nosso amado irmão e diz que ele escreveu segundo a sabedoria que lhe foi dada (3.15). Reconhece que nas cartas dele há pontos difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis torcem, como fazem com as demais Escrituras (3.16). O confronto entre os dois em Antioquia, contado em Gálatas 2, foi sobre a conduta de Pedro à mesa com os gentios, e não uma disputa entre dois evangelhos.

No fim, a terra acaba e os salvos passam a viver só no céu

O capítulo 3 fala de céus que passam com estrondo e de elementos que se desfazem pelo fogo (3.10), mas não para aí. A frase seguinte é de promessa: esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça (3.13). O texto compara esse juízo ao dilúvio, depois do qual o mundo continuou. A expressão vem de Isaías e reaparece no fim do Apocalipse.

Perguntas para estudo

8 perguntas

Como o autor se apresenta na primeira linha da carta?
Como Simão Pedro, servo e apóstolo de Jesus Cristo (2 Pedro 1.1).
Com que imagem Pedro fala da própria morte?
Diz que em breve deixará a sua tenda, como o Senhor Jesus Cristo lhe revelou (1.14).
A que a palavra profética é comparada em 2 Pedro 1.19?
A uma candeia que brilha em lugar escuro, até que o dia clareie e nasça a estrela da manhã.
Como Noé é chamado em 2 Pedro 2.5?
Pregador da justiça, guardado por Deus com mais sete pessoas quando veio o dilúvio.
Quem repreendeu o profeta Balaão, segundo a carta?
Uma jumenta muda, que falou com voz humana e conteve a loucura do profeta (2.16).
Com que imagens da natureza os falsos mestres são descritos?
São fontes sem água e névoas levadas pela tempestade (2 Pedro 2.17).
Que pergunta fazem os escarnecedores dos últimos dias?
Onde está a promessa da sua vinda? Para eles, tudo continua como desde a criação (3.4).
Qual é a última ordem da carta?
Crescei na graça e no conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (3.18).
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Débora Arantes

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