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Resumo das sete igrejas do Apocalipse

Por Débora Arantes 15 min de leitura

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Em 30 segundos

Sete comunidades da Ásia recebem, dentro do Apocalipse, uma carta cada uma, ditadas a João pelo Cristo que ele vê na ilha de Patmos, de pé entre sete candelabros de ouro. As cartas seguem o mesmo desenho: Cristo se apresenta, declara que conhece as obras da igreja, elogia, repreende, manda arrepender-se e promete um dom ao vencedor. Éfeso trabalha muito e abandonou o primeiro amor. Esmirna, pobre e perseguida, e Filadélfia, de pouca força, só ouvem encorajamento. Pérgamo e Tiatira toleram mestres que levam à idolatria. Sardes tem fama de viva e está morta. Laodiceia, rica e satisfeita, é morna e não recebe elogio algum. Todas terminam com o mesmo chamado: quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

Linha com as quatro partes que se repetem em cada carta às sete igrejas: a apresentação de Cristo, o elogio, a repreensão e a promessa ao vencedor
Imagem: resumode.com.br

João em Patmos, no dia do Senhor

As sete cartas ocupam os capítulos 2 e 3 do Apocalipse, e o capítulo 1 é a porta de entrada delas. Quem escreve se chama João e se apresenta como irmão e companheiro dos leitores na tribulação, no reino e na perseverança. Está na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus (Apocalipse 1.9).

No dia do Senhor, tomado pelo Espírito, ele ouve atrás de si uma voz forte, como de trombeta: escreve num livro o que vês e envia-o às sete igrejas, a Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia (1.11). As sete ficam na Ásia, nome que o texto dá à província romana no oeste da atual Turquia. A ordem dos nomes é a ordem das cartas.

Algumas dessas cidades aparecem em outras páginas do Novo Testamento. Em Éfeso Paulo trabalhou por mais de dois anos, como conta Atos no capítulo 19. Lídia, a vendedora de púrpura que o hospeda em Filipos, era de Tiatira (Atos 16.14). E a carta aos Colossenses manda saudações aos irmãos de Laodiceia (Colossenses 4.15).

Alguém no meio dos candelabros

João se volta para ver quem fala e vê sete candelabros de ouro. No meio deles está alguém semelhante a um filho de homem, expressão que vem das visões de Daniel. Veste uma túnica longa, com um cinto de ouro à altura do peito. A cabeça e os cabelos são brancos como lã, como neve; os olhos, como chama de fogo; os pés, como bronze polido na fornalha; a voz, como o som de muitas águas. Na mão direita tem sete estrelas, da boca sai uma espada afiada de dois gumes, e o rosto brilha como o sol na sua força (1.13-16).

João cai aos pés dele como morto. A figura põe a mão direita sobre ele e se identifica: não temas; eu sou o primeiro e o último, o que vive; estive morto, e estou vivo para sempre, e tenho as chaves da morte e do Hades (1.17-18). É o Cristo ressuscitado.

O capítulo termina explicando dois símbolos. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candelabros são as sete igrejas (1.20). Cristo aparece, portanto, entre as comunidades e com elas na mão antes de dizer qualquer coisa a qualquer uma. E cada carta será endereçada ao anjo da igreja.

Sete cartas com o mesmo desenho

Todas seguem a mesma sequência, com pequenas variações:

  • o endereço: ao anjo da igreja em tal cidade, escreve;
  • a apresentação: assim diz aquele que tem tal atributo, quase sempre um traço da visão do capítulo 1;
  • o diagnóstico, que começa por conheço: as tuas obras, a tua tribulação, o lugar onde moras;
  • o elogio e, em seguida, a repreensão, introduzida por tenho, porém, contra ti;
  • uma ordem, em geral a de se arrepender, com o aviso do que acontece se a igreja não ouvir;
  • a promessa ao vencedor e o refrão: quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas.

Nas três primeiras cartas o refrão vem antes da promessa; nas quatro últimas, depois dela.

Igreja Como Cristo se apresenta Elogio Repreensão Promessa ao vencedor
Éfeso (2.1-7) Tem as sete estrelas e anda entre os candelabros Trabalho, perseverança, falsos apóstolos postos à prova Abandonou o primeiro amor Comer da árvore da vida
Esmirna (2.8-11) O primeiro e o último, que esteve morto e reviveu Pobre, mas rica; firme na tribulação Nenhuma Não sofrer o dano da segunda morte
Pérgamo (2.12-17) Tem a espada afiada de dois gumes Não negou a fé onde está o trono de Satanás Abriga o ensino de Balaão e o dos nicolaítas O maná escondido e uma pedrinha branca com um nome novo
Tiatira (2.18-29) O Filho de Deus, de olhos como chama de fogo Amor, fé, serviço e obras que crescem Tolera Jezabel, que se diz profetisa Autoridade sobre as nações e a estrela da manhã
Sardes (3.1-6) Tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas Só a uns poucos, que não mancharam as vestes Tem nome de viva e está morta Vestes brancas e o nome mantido no livro da vida
Filadélfia (3.7-13) O santo, o verdadeiro, que tem a chave de Davi Pouca força, mas guardou a palavra Nenhuma Ser coluna no templo de Deus
Laodiceia (3.14-22) O Amém, a testemunha fiel e verdadeira Nenhum É morna e acha que de nada precisa Sentar-se com Cristo no seu trono

As duas igrejas que não ouvem repreensão são justamente a pobre e a de pouca força. A única que não ouve elogio é a que se declara rica.

Éfeso, Esmirna e Pérgamo

Éfeso recebe um elogio longo ao trabalho: suporta, não se cansa, não tolera os maus e pôs à prova os que se dizem apóstolos e não são, achando-os mentirosos. Também odeia as obras dos nicolaítas, grupo que o texto nomeia sem descrever. A queixa vem numa linha: abandonaste o teu primeiro amor (2.4). O remédio são três verbos: lembra-te de onde caíste, arrepende-te e volta às primeiras obras. A ameaça é a mais grave que uma igreja poderia ouvir de quem anda entre os candelabros: removerei o teu candelabro do lugar.

Esmirna ouve a carta mais curta. Cristo conhece a tribulação e a pobreza dela e corrige a conta: tu és rica. Conhece também a calúnia que ela sofre. Vem então um aviso sem rodeios: o diabo lançará alguns na prisão, para que sejam postos à prova, e a tribulação durará dez dias. A ordem é uma só: sê fiel até a morte, e eu te darei a coroa da vida (2.10).

Pérgamo mora onde está o trono de Satanás, expressão que a carta não explica. Ali foi morto Antipas, chamado de minha testemunha fiel, e nem então a igreja negou a fé. O problema está dentro. Alguns seguem o ensino de Balaão, que instruiu Balaque a armar uma cilada para os filhos de Israel, levando-os a comer o que fora sacrificado a ídolos e à imoralidade; outros seguem o dos nicolaítas. Se não houver arrependimento, Cristo virá combatê-los com a espada da sua boca, a mesma com que se apresentou no começo da carta.

Tiatira e Sardes

A carta a Tiatira é a mais longa das sete. O elogio é o mais completo: amor, fé, serviço, perseverança, e as últimas obras são mais numerosas que as primeiras (2.19). Éfeso manteve as obras e deixou o amor; Tiatira tem amor e deixa passar o erro. Ela tolera uma mulher que a carta chama de Jezabel, que se diz profetisa e ensina os servos de Cristo a praticar a imoralidade e a comer o que foi sacrificado a ídolos. Jezabel teve tempo para se arrepender e não quis. O juízo anunciado cai sobre ela e sobre os que a seguem, e todas as igrejas saberão que Cristo é aquele que sonda mentes e corações (2.23). Aos demais, que não conheceram o que os seguidores dela chamam de coisas profundas de Satanás, não se impõe outro peso: conservem o que têm até que ele venha.

Sardes é o avesso de Esmirna. Tem nome de quem vive e está morta (3.1). As suas obras não foram achadas completas diante de Deus. A ordem é vigiar e fortalecer o que resta e está para morrer; se não vigiar, Cristo virá como ladrão, numa hora que ela não saberá. Sobram em Sardes uns poucos nomes que não mancharam as vestes, e esses andarão com ele de branco.

Filadélfia e Laodiceia

Filadélfia tem pouca força, e mesmo assim guardou a palavra e não negou o nome de Cristo. Ele se apresenta como o que tem a chave de Davi, que abre e ninguém fecha, e põe diante dela uma porta aberta que ninguém pode fechar (3.7-8). Os adversários da igreja virão prostrar-se aos pés dela e saberão que ela é amada. Há uma promessa a mais: porque guardou a palavra, será guardada da hora da provação que virá sobre o mundo inteiro. A única ordem é conservar o que tem, para que ninguém lhe tome a coroa.

Laodiceia fecha a série com a carta mais severa. Não és frio nem quente; quem dera fosses frio ou quente. Porque és morno, estou para te vomitar da minha boca (3.15-16). O versículo seguinte diz em que consiste a mornidão: a igreja afirma sou rica, enriqueci e de nada preciso, e não sabe que é infeliz, miserável, pobre, cega e nua. O conselho responde ponto por ponto: comprar de Cristo ouro refinado no fogo para a pobreza, vestes brancas para a nudez, colírio para os olhos.

A dureza tem explicação no próprio texto: eu repreendo e disciplino a quantos amo (3.19). E a cena final mostra Cristo do lado de fora da sua igreja: eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele (3.20).

Balaão, Jezabel e a chave de Davi

As cartas falam às igrejas com nomes tirados das Escrituras de Israel. Balaão é o adivinho de Números, chamado por Balaque para amaldiçoar Israel; depois das bênçãos que ele acaba pronunciando, o povo se entrega à idolatria em Baal-Peor, e Números 31.16 atribui a queda ao conselho dele. Jezabel é a rainha de 1 Reis, mulher de Acabe, que sustentava os profetas de Baal. A chave de Davi vem de Isaías 22.22, onde é posta sobre o ombro do administrador do palácio. O maná é o pão do deserto, e a árvore da vida é a do jardim de Gênesis.

Com esses nomes, as cartas põem as igrejas da Ásia diante do mesmo perigo que Israel conheceu. A perseguição vem de fora, e Esmirna e Filadélfia a suportam sem ouvir uma queixa. O que rende repreensão é o acordo por dentro: em Pérgamo e em Tiatira a questão concreta é a mesma, a comida sacrificada a ídolos e a imoralidade, ensinadas por gente da própria comunidade.

O vencedor reaparece no fim do livro

As promessas ao vencedor não ficam soltas. Quase todas voltam nos últimos capítulos do Apocalipse, quando a visão chega ao seu termo. A árvore da vida prometida a Éfeso está na cidade final, dando fruto todos os meses (22.2). A segunda morte, da qual o vencedor de Esmirna é poupado, é nomeada no capítulo 20. A nova Jerusalém, cujo nome será escrito no vencedor de Filadélfia, desce do céu no capítulo 21. O livro da vida, de onde o nome dos fiéis de Sardes não será apagado, é aberto no juízo (20.12). A estrela da manhã de Tiatira é o próprio Jesus, que assim se chama em 22.16. O trono oferecido a Laodiceia é o trono de Deus e do Cordeiro, no centro da cidade (22.3).

Os capítulos 2 e 3 dizem, assim, para quem o resto foi escrito: sete comunidades com nome, com obras conhecidas uma a uma. Logo depois da última carta, João vê uma porta aberta no céu (4.1), e a visão que começa ali é mostrada a essas mesmas igrejas.

Os pontos centrais

  1. A visão de Apocalipse 1.12-20 mostra Cristo entre sete candelabros de ouro, com sete estrelas na mão direita, e o próprio texto explica os dois símbolos.
  2. Cada carta segue o mesmo desenho: apresentação de Cristo, conheço, elogio, repreensão, chamado ao arrependimento e promessa ao vencedor.
  3. Esmirna (2.8-11) e Filadélfia (3.7-13) não recebem repreensão; Laodiceia (3.14-22) é a única sem elogio algum, e em Sardes ele cabe só a uns poucos (3.4).
  4. Em Pérgamo e em Tiatira o problema é interno: mestres que levam a comer o que foi sacrificado a ídolos (2.14 e 2.20).
  5. Os títulos com que Cristo se apresenta retomam a visão do capítulo 1, como a espada de dois gumes em Pérgamo e os olhos de fogo em Tiatira.
  6. As promessas ao vencedor reaparecem no fim do livro: a árvore da vida (22.2), a nova Jerusalém (21.2) e o livro da vida (20.12).

Leituras que se afastam do texto

Laodiceia é morna porque fica em cima do muro entre o bem e o mal

A carta não trata frio como mal e quente como bem: Cristo diz que preferia qualquer um dos dois (3.15). O que é ser morno vem explicado logo adiante, e não é indecisão. A igreja diz sou rica e de nada preciso, sem saber que é pobre, cega e nua (3.17). O engano nasce de ler a imagem sozinha, como termômetro de fervor, sem a frase que a acompanha. A acusação é de autossuficiência.

Eis que estou à porta e bato é um convite a quem ainda não crê

A frase de Apocalipse 3.20 é dita a uma igreja, a de Laodiceia, logo depois de eu repreendo e disciplino a quantos amo. Quem está do lado de fora é Cristo, e a porta é a da sua própria comunidade, que se julga completa sem ele. O uso em convites à conversão vem da pregação e de quadros muito difundidos. No texto, a cena fecha uma repreensão a cristãos e termina numa refeição em comum.

A igreja de Éfeso perdeu o primeiro amor

O verbo de Apocalipse 2.4 é abandonar, deixar: abandonaste o teu primeiro amor. A carta não descreve um sentimento que esfriou sozinho, e sim algo que a igreja largou enquanto mantinha o trabalho, a perseverança e o zelo contra falsos apóstolos. Por isso o remédio vem em verbos de ação: lembra-te, arrepende-te, volta a praticar as primeiras obras (2.5). A troca por perder suaviza a acusação.

Cada carta foi enviada em separado, só para a sua igreja

João recebe a ordem de escrever um livro e mandá-lo às sete (1.11), e as cartas fazem parte dele. Cada uma termina com o mesmo refrão no plural: ouça o que o Espírito diz às igrejas. Em Tiatira o texto diz que todas as igrejas saberão quem sonda os corações (2.23). Laodiceia ouvia o elogio de Esmirna, e Esmirna ouvia a repreensão de Laodiceia. O engano vem de ler cada carta como bilhete avulso.

Perguntas para estudo

8 perguntas

Onde João está quando recebe a ordem de escrever às sete igrejas?
Na ilha de Patmos, por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus (Apocalipse 1.9).
O que são as sete estrelas e os sete candelabros da visão?
As estrelas são os anjos das sete igrejas, e os candelabros são as próprias igrejas (1.20).
Que refrão aparece no fim de todas as sete cartas?
Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas, sempre junto da promessa ao vencedor.
Quem é Antipas?
A testemunha fiel de Cristo morta em Pérgamo, único mártir citado pelo nome nas cartas (2.13).
Qual é a carta mais longa, e qual é a mais curta?
A de Tiatira é a mais longa, com doze versículos, e a de Esmirna a mais curta, com quatro.
O que Cristo ameaça fazer a Éfeso se ela não se arrepender?
Remover do lugar o candelabro dela, que na visão representa a própria igreja (2.5).
O que Laodiceia é aconselhada a comprar de Cristo?
Ouro refinado no fogo, vestes brancas para cobrir a nudez e colírio para ungir os olhos (3.18).
Que igreja tem diante de si uma porta aberta?
Filadélfia: Cristo põe diante dela uma porta aberta que ninguém pode fechar (3.8).
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Débora Arantes

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