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Resumo de Davi e Golias

Por Débora Arantes 11 min de leitura

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Em 30 segundos

Durante quarenta dias, de manhã e à tarde, um guerreiro filisteu de Gate desce ao vale de Elá e propõe decidir a guerra num combate entre dois homens. Saul e o exército de Israel escutam e têm medo. Davi, o filho mais novo de Jessé, chega ao acampamento para levar comida aos irmãos, ouve o desafio e se espanta de que alguém afronte os exércitos do Deus vivo. Levado a Saul, conta que já livrou ovelhas de leão e de urso, experimenta a armadura do rei e a devolve. Desce com o cajado, a funda e cinco pedras do riacho. Diante de Golias, declara que vem em nome do Senhor. Uma pedra crava na testa do filisteu, que cai; Davi lhe toma a espada e corta a cabeça. Os filisteus fogem.

Percurso de 1 Samuel 17 em cinco paradas: o desafio de Golias, a chegada de Davi, a conversa com Saul, o duelo e a perseguição aos filisteus
Imagem: resumode.com.br

Dois montes e um vale no meio

O duelo ocupa um capítulo inteiro de 1 Samuel, o 17, e vem logo depois da unção secreta de Davi em Belém. O leitor já sabe o que ninguém em cena sabe: o rapaz que vai chegar com os pães é o rei escolhido, e o rei que está na tenda foi rejeitado.

Os filisteus, os mesmos inimigos do tempo de Sansão, entram em território de Judá e acampam entre Socó e Azeca. Saul reúne Israel no vale de Elá. Cada exército ocupa um monte, com o vale entre os dois. Ninguém ataca.

O homem de Gate e a sua proposta

Do lado filisteu sai um guerreiro chamado Golias, da cidade de Gate. O narrador, que costuma economizar descrições, gasta quatro versículos com ele: seis côvados e um palmo de altura, capacete de bronze, couraça de escamas de cinco mil siclos, caneleiras de bronze, um dardo de bronze às costas, uma lança com haste grossa como eixo de tear e ponta de ferro de seiscentos siclos. À frente dele caminha um escudeiro.

A proposta é poupar a batalha. Israel escolhe um homem; se esse homem vencer, os filisteus serão servos de Israel, e, se perder, o contrário. Golias termina com uma afronta: hoje eu desafio as tropas de Israel; dai-me um homem, para lutarmos.

A reação vem numa linha: Saul e todo o Israel ficam apavorados (17.11). A cena se repete de manhã e à tarde, durante quarenta dias.

O caçula que veio trazer pão

O relato então recomeça de outro ponto, em Belém. Jessé tem oito filhos. Os três mais velhos seguiram Saul para a guerra. Davi, o mais novo, vai e vem entre o serviço do rei e as ovelhas do pai.

Jessé o manda ao acampamento com grão tostado e dez pães para os irmãos, dez queijos para o comandante, e uma encomenda: ver como eles estão e trazer notícia. Davi madruga, deixa o rebanho com um guarda e chega na hora em que as tropas saem para a linha gritando o grito de guerra. Larga a carga com o encarregado da bagagem e corre para junto dos irmãos.

Enquanto conversam, Golias sobe e repete as palavras de sempre. Davi ouve. Os homens de Israel recuam.

A pergunta que irrita Eliabe

No acampamento só se fala da recompensa: o rei dará riquezas a quem matar aquele homem, a filha em casamento e a isenção da casa paterna. Davi pergunta sobre isso, e acrescenta o que ninguém ali tinha dito: quem é esse filisteu incircunciso, para afrontar os exércitos do Deus vivo? (17.26). Para os soldados, Golias desafia Israel. Para Davi, desafia Deus.

Eliabe, o primogênito, o mesmo que Samuel quase ungiu por causa da aparência, se enfurece. Com quem deixaste aquelas poucas ovelhas? Conheço a tua presunção. Davi responde como irmão mais novo, o que foi que eu fiz agora, e continua perguntando a outros. As palavras dele chegam a Saul.

Leão, urso e uma armadura devolvida

Diante do rei, Davi é quem encoraja: que ninguém desanime; o teu servo irá e lutará. Saul vê o óbvio. Davi é um moço, e o outro é guerreiro desde a juventude.

A resposta de Davi vem do pasto. Quando um leão ou um urso levava uma ovelha, ele ia atrás, feria o animal e tirava a presa da boca dele. E tira a conclusão: o Senhor, que me livrou das garras do leão e do urso, me livrará da mão desse filisteu (17.37). Saul cede: vai, e o Senhor seja contigo.

O rei o equipa com as próprias armas, capacete, couraça e espada. Davi tenta andar e desiste: não posso ir com isto, porque nunca o usei. Tira tudo. Pega o cajado, escolhe cinco pedras lisas no riacho, guarda-as na bolsa de pastor e desce com a funda na mão.

Em nome do Senhor dos Exércitos

A luta dura dois versículos. As falas antes dela ocupam mais espaço. É ali que o capítulo põe o peso.

Golias avança com o escudeiro, repara que o adversário é jovem, ruivo e de boa aparência, e o despreza. Sou algum cão, para vires a mim com paus? Amaldiçoa Davi pelos seus deuses e promete dar a carne dele às aves e aos animais.

Davi responde com um discurso longo: tu vens a mim com espada, lança e dardo; eu vou a ti em nome do Senhor dos Exércitos, o Deus das tropas de Israel, que tu afrontaste (17.45). Anuncia o que fará, e para quê: toda a terra saberá que há Deus em Israel, e toda esta assembleia saberá que o Senhor não salva com espada nem com lança, porque do Senhor é a guerra (17.47).

A pedra, a espada e a debandada

O filisteu se move, e Davi corre na direção dele. Mete a mão na bolsa, tira uma pedra, gira a funda e o atinge na testa. A pedra se crava, e Golias cai com o rosto em terra.

O narrador faz questão de registrar: Davi venceu com uma funda e uma pedra, e não havia espada na mão dele. Ele corre, sobe sobre o filisteu, puxa a espada dele da bainha, acaba de matá-lo e corta-lhe a cabeça.

Os filisteus não cumprem o trato proposto por seu campeão: fogem. Israel e Judá os perseguem até Gate e as portas de Ecrom e voltam para saquear o acampamento. Davi guarda as armas de Golias em sua tenda.

O capítulo fecha com uma pergunta de Saul ao comandante Abner: de quem é filho esse jovem? Abner não sabe. Davi, ainda com a cabeça do filisteu na mão, responde por si: sou filho do teu servo Jessé, de Belém.

O rei na tenda

O povo tinha pedido um rei para sair à frente e combater as suas guerras (1 Samuel 8.20). E tinha recebido Saul, o homem mais alto de Israel, uma cabeça acima de todos. Diante do campeão dos filisteus, é ele quem deveria descer ao vale. Ele oferece prêmios e, no fim, a própria armadura.

Quem ocupa o lugar vazio é o pastor ungido às escondidas no capítulo anterior, onde ficou dito que o homem vê a aparência e o Senhor vê o coração. Todos olham para o tamanho de Golias: os soldados, Eliabe, Saul, o próprio Golias. Davi é o único que mede a cena por outra coisa, e por isso é o único que fala de Deus.

A espada guardada em Nobe

As consequências começam na página seguinte. Jônatas, filho de Saul, se liga a Davi. As mulheres saem cantando que Saul matou os seus milhares, e Davi, os seus dez milhares, e o ciúme do rei nasce desse refrão.

A espada de Golias reaparece quando Davi foge de Saul. Sem armas, ele passa pelo santuário de Nobe, e o sacerdote Aimeleque lhe oferece a única que há ali, guardada atrás do éfode, envolta num pano. Davi a reconhece: não há outra igual (1 Samuel 21.9).

Os guerreiros de Gate ainda voltam em 2 Samuel 21, onde quatro deles caem diante de Davi e dos seus homens. E os fundeiros da Bíblia têm história anterior: o livro de Juízes já falava dos atiradores de Benjamim, que não erravam um fio de cabelo. A arma de Davi era a de um soldado leve; o que o capítulo apresenta como novo é a frase que ele diz antes de usá-la.

Os pontos centrais

  1. A pergunta de Davi em 1 Samuel 17.26 muda o assunto do acampamento: quem é esse filisteu para afrontar os exércitos do Deus vivo?
  2. O argumento de Davi diante de Saul (17.34-37): o Senhor que o livrou do leão e do urso o livrará também desse filisteu.
  3. A recusa da armadura em 17.39: Davi não consegue andar com ela porque nunca a tinha usado, e escolhe as armas que conhece.
  4. O discurso de 17.45-47, centro do capítulo: espada, lança e dardo de um lado, o nome do Senhor dos Exércitos do outro.
  5. O detalhe de 17.50: não havia espada na mão de Davi, e a que corta a cabeça de Golias é a do próprio filisteu.
  6. O papel que Saul deixa vago: o rei pedido para sair à frente do povo e combater (1 Samuel 8.20) fica na tenda.

Leituras que se afastam do texto

A armadura de Saul ficou grande demais em Davi

O texto não fala de tamanho. Saul veste Davi com as próprias roupas de guerra, o capacete de bronze e a couraça; Davi cinge a espada, tenta dar alguns passos e diz que não pode andar com aquilo porque nunca o usou (1 Samuel 17.39). O problema é a falta de costume. A imagem do menino sumindo dentro da couraça nasce de ilustrações. No capítulo anterior, um servo de Saul já descreve Davi como homem valente e de guerra (16.18).

Davi pegou cinco pedras porque Golias tinha quatro irmãos

O capítulo diz que ele escolheu cinco pedras lisas do riacho e as guardou na bolsa de pastor (1 Samuel 17.40). Não diz por que cinco. A explicação dos irmãos vem de outro livro: 2 Samuel 21.15-22 conta que, anos depois, quatro guerreiros de Gate, descendentes dos gigantes, foram mortos por Davi e por seus homens. Alguém somou os dois textos. É uma dedução engenhosa, que 1 Samuel 17 não faz.

A funda de Davi era um brinquedo de pastor

Na Bíblia, a funda é arma de guerra. Juízes 20.16 fala de setecentos homens de Benjamim capazes de atirar uma pedra num fio de cabelo sem errar, e 1 Crônicas 12.2 lista fundeiros entre os guerreiros que se juntam a Davi. Golias zomba do cajado, não da funda: pergunta se é um cão, para que venham a ele com paus (1 Samuel 17.43). A desproporção que o texto destaca está em 17.45, entre as armas e o nome do Senhor.

Perguntas para estudo

8 perguntas

De que cidade filisteia vem Golias?
De Gate; o texto dá a sua altura como seis côvados e um palmo e descreve a armadura de bronze peça por peça.
O que Golias propõe aos israelitas?
Um combate entre ele e um homem escolhido por Israel: o povo do perdedor serviria ao povo do vencedor.
O que Jessé manda Davi levar ao acampamento?
Grão tostado e dez pães para os irmãos, e dez queijos para o comandante da tropa deles.
Quais filhos de Jessé estão no exército de Saul?
Os três mais velhos: Eliabe, Abinadabe e Samá; Davi é o mais novo de oito irmãos.
Que recompensa se comenta no acampamento para quem vencer o filisteu?
Grandes riquezas, a filha do rei em casamento e a isenção de tributos para a casa do pai.
Do que Eliabe acusa Davi?
De presunção e de má intenção, por ter largado as poucas ovelhas no deserto só para ver a batalha.
Até onde os israelitas perseguem os filisteus depois da queda de Golias?
Até Gate e as portas de Ecrom; na volta, saqueiam o acampamento filisteu.
Onde a espada de Golias reaparece na história de Davi?
No santuário de Nobe, guardada atrás do éfode, de onde o sacerdote Aimeleque a entrega a Davi em fuga.
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Débora Arantes

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