Resumo de Sansão e Dalila
Por Débora Arantes 12 min de leitura
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Consagrado a Deus antes de nascer, Sansão recebe uma tarefa: começar a livrar Israel dos filisteus. Um anjo anuncia o menino à mulher estéril de Manoá e determina que navalha nunca passe em sua cabeça. Adulto, ele não reúne exército. Seus confrontos nascem de assuntos pessoais: um casamento em Timna, um enigma sobre um leão e mel, searas queimadas com trezentas raposas, mil homens mortos com uma queixada de jumento. No vale de Soreque, ama Dalila, a quem os chefes filisteus pagam para descobrir de onde vem tanta força. Três vezes ele inventa uma resposta; na quarta, fala do voto. Rapado enquanto dorme, é preso, cegado e posto a girar um moinho em Gaza. Numa festa ao deus Dagom, ora, empurra as duas colunas centrais e morre com os inimigos.
O último libertador de Juízes
Os capítulos 13 a 16 encerram a série de libertadores do livro de Juízes. Israel está nas mãos dos filisteus há quarenta anos, e dessa vez o texto nem registra que o povo tenha clamado por socorro. A libertação começa sem pedido, com um anúncio feito a um casal sem filhos.
Dalila, que dá nome à história, só aparece no último capítulo. Para entender o que se perde no colo dela, é preciso acompanhar o que vem antes: quem Sansão deveria ser e como ele viveu.
O menino anunciado duas vezes
Em Zorá, na tribo de Dã, vive Manoá, cuja mulher é estéril. O anjo do Senhor aparece a ela e anuncia um filho. Ela não deve beber vinho nem comer nada impuro, e sobre a cabeça do menino não passará navalha, porque ele será nazireu de Deus desde o ventre. A lei do nazireado, em Números 6, previa um voto feito por um tempo; aqui a consagração dura a vida inteira e é decidida antes do nascimento. A tarefa vem na mesma frase: ele começará a livrar Israel dos filisteus (Juízes 13.5).
Manoá ora para que o mensageiro volte, e ele volta, de novo à mulher, no campo. Quando Manoá pergunta o seu nome, ouve: por que perguntas pelo meu nome, que é maravilhoso? O casal oferece um cabrito sobre a rocha, e o anjo sobe na chama do altar. Manoá conclui que vão morrer, porque viram a Deus. A mulher raciocina melhor: se o Senhor quisesse matá-los, não teria aceitado a oferta nem anunciado tudo aquilo.
O menino nasce, recebe o nome de Sansão, e o Espírito do Senhor começa a movê-lo.
Timna: o leão, o mel e o enigma
A primeira ação de Sansão é descer a Timna, ver uma moça filisteia e exigir dos pais que a peçam em casamento: ela agrada aos meus olhos. Os pais protestam. O narrador avisa o leitor do que eles não sabiam: aquilo vinha do Senhor, que buscava uma ocasião contra os filisteus (14.4).
No caminho, um leão novo ruge contra ele. O Espírito do Senhor se apossa de Sansão, que o rasga de mãos vazias, como se rasga um cabrito, e não conta a ninguém. Tempos depois, encontra no corpo do animal um enxame de abelhas e mel. Come e dá aos pais, sem dizer de onde tirou.
Na festa de sete dias, propõe um enigma a trinta convidados, valendo trinta túnicas e trinta mudas de roupa: do que come saiu comida, e do forte saiu doçura. Sem resposta, eles ameaçam queimar a noiva e a casa do pai dela. Ela chora diante de Sansão até o sétimo dia, obtém a solução e a repassa. Furioso, ele desce a Asquelom, mata trinta homens e paga a aposta com as roupas deles. A mulher é dada a um dos companheiros da festa.
Raposas, uma queixada e os homens de Judá
A partir daí, cada golpe responde ao anterior. Impedido de ver a mulher, Sansão apanha trezentas raposas, amarra-as pelas caudas com tochas e incendeia searas, vinhas e olivais. Os filisteus queimam a mulher e o pai dela. Ele os fere em grande matança e se recolhe numa fenda de rocha, em Etã.
Os filisteus sobem contra Judá. Três mil homens de Judá vão até Sansão, não para segui-lo, mas para entregá-lo: não sabes que os filisteus dominam sobre nós? Ele se deixa amarrar com duas cordas novas. Em Leí, diante dos gritos dos inimigos, o Espírito se apossa dele, as cordas se desfazem como linho queimado, e com uma queixada de jumento ainda fresca ele mata mil homens.
Em seguida vem a primeira oração de Sansão. Morto de sede, ele clama, e Deus abre uma fonte no lugar. O capítulo fecha com a nota de que ele julgou Israel por vinte anos (15.20).
No vale de Soreque
O capítulo 16 começa em Gaza, onde Sansão vê uma prostituta e passa a noite. Cercado, levanta-se à meia-noite, arranca as portas da cidade e as leva ao alto de um monte.
Depois disso, ele ama uma mulher do vale de Soreque, Dalila. É a única vez em que o narrador diz que Sansão amou alguém. Os chefes dos filisteus a procuram com uma oferta, mil e cem peças de prata de cada um, e uma encomenda precisa: descobrir em que consiste a força dele e como dominá-lo.
Ela pergunta sem rodeios, e ele responde três vezes com invenções:
- sete cordas de arco frescas, ainda não secas: ele as arrebenta como fio de estopa perto do fogo;
- cordas novas, nunca usadas: rompem-se nos braços dele como linha;
- as sete tranças do cabelo tecidas no tear: ele acorda e arranca o pino com a urdidura.
Em todas, ela faz o que ele disse e grita: os filisteus vêm sobre ti, Sansão. A terceira resposta já ronda a verdade, porque fala do cabelo.
Tudo o que tinha no coração
Dalila muda de argumento: como dizes que me amas, se o teu coração não está comigo? Insiste todos os dias, até que ele se cansa de viver. Então Sansão lhe abre todo o coração: nunca passou navalha em sua cabeça, porque é nazireu de Deus desde o ventre da mãe; rapado, ficaria fraco como qualquer homem.
Ela percebe que desta vez é verdade e manda chamar os chefes, que sobem com a prata. Adormece Sansão sobre os joelhos, chama um homem, e as sete tranças são rapadas. Ao grito de sempre, ele acorda pensando sair como das outras vezes. A frase seguinte é a mais grave da história: ele não sabia que o Senhor se tinha retirado dele (16.20).
Os filisteus o prendem, furam-lhe os olhos, levam-no a Gaza em correntes de bronze e o põem a girar o moinho da prisão. O narrador acrescenta uma linha: o cabelo começou a crescer de novo.
Entre as duas colunas
Os chefes se reúnem para um grande sacrifício a Dagom, seu deus, a quem atribuem a captura. Alegres, mandam buscar Sansão para diverti-los. A casa está cheia, e só no terraço há cerca de três mil homens e mulheres olhando.
Sansão pede ao rapaz que o conduz pela mão que o deixe tocar as colunas que sustentam o edifício. E ora pela segunda vez: Senhor Deus, lembra-te de mim e dá-me força só esta vez (16.28). Apoia uma mão em cada coluna central, diz morra eu com os filisteus e empurra. A casa cai sobre os chefes e sobre o povo. Os mortos daquele dia são mais numerosos que os de toda a vida dele. A família desce, recolhe o corpo e o sepulta no túmulo de Manoá.
Os olhos de Sansão
A história é contada em torno do olhar. Sansão vê a moça de Timna e a quer porque agrada aos seus olhos; vê a prostituta de Gaza; termina sem olhos, guiado pela mão de um rapaz, e ora pedindo vingança por eles. O livro que fecha dizendo que cada um fazia o que parecia certo aos próprios olhos tem nele o seu retrato mais nítido.
Ao mesmo tempo, o texto nunca solta o fio do capítulo 13. A força é dada de fora, pelo Espírito, a um homem que só se dirige a Deus duas vezes, e ambas na necessidade. A força lhe é tirada quando o último sinal da consagração cai, e é devolvida a pedido.
Uma obra que fica pela metade
O anjo tinha dito começará, e o verbo se cumpre à risca. Quando Sansão morre, os filisteus continuam senhores da região. A luta atravessa todo o livro de 1 Samuel, com a arca capturada, as guerras de Saul e o duelo de Davi e Golias, e só Davi a encerra.
O anúncio a uma mulher sem filhos também volta. Ana promete que navalha não passará sobre a cabeça do filho que pede, Samuel (1 Samuel 1.11), e o anjo diz de João Batista que ele não beberá vinho (Lucas 1.15). A carta aos Hebreus inclui Sansão, sem comentário, na lista dos que agiram pela fé, ao lado de Gideão, Baraque e Jefté (Hebreus 11.32).
Os pontos centrais
- A missão anunciada em Juízes 13.5 é limitada: Sansão começará a livrar Israel dos filisteus, sem concluir a obra.
- A frase de Juízes 14.4: os pais não sabiam que o desejo de Sansão pela mulher de Timna vinha do Senhor, que buscava ocasião contra os filisteus.
- A fórmula que acompanha três das façanhas: o Espírito do Senhor se apossa dele (14.6, 14.19 e 15.14).
- A progressão das respostas a Dalila: cordas de arco, cordas novas, as tranças no tear e, por fim, a navalha (16.7-17).
- O centro da queda em Juízes 16.20: ele não sabia que o Senhor se tinha retirado dele.
- As duas orações de Sansão, pela água em Leí (15.18) e pela força em Gaza (16.28), únicas vezes em que ele se dirige a Deus.
Leituras que se afastam do texto
Dalila era a esposa de Sansão
O texto diz apenas que Sansão amou uma mulher do vale de Soreque chamada Dalila (Juízes 16.4), sem falar em casamento. A esposa é outra, anterior e sem nome: a filisteia de Timna, do capítulo 14, com quem ele celebra sete dias de festa. As duas se confundem porque fazem a mesma coisa. Pressionada pelos conterrâneos, a de Timna também chora e insiste até arrancar dele um segredo, a resposta do enigma.
Dalila, sozinha, cortou o cabelo de Sansão enquanto ele dormia
Ela o faz dormir sobre os joelhos e chama um homem, e é assim que as sete tranças são rapadas (Juízes 16.19). Em várias traduções, quem maneja a navalha é esse homem, a mando dela. A imagem de Dalila com a tesoura na mão vem da pintura e do cinema, que resumiram a cena em duas figuras. No texto ela não age sozinha: os chefes filisteus já estão na casa, com a prata.
Sansão foi enganado sem desconfiar de nada
Dalila pergunta abertamente, desde a primeira vez, com que ele poderia ser amarrado e subjugado (Juízes 16.6). Três vezes ela faz exatamente o que ele disse e grita que os filisteus chegaram, com homens escondidos no quarto. Sansão sabe o que acontece cada vez que responde. O capítulo não descreve um ardil bem montado: descreve um homem que cede ao cansaço da insistência diária, até a alma se angustiar de morte (16.16).
Sansão comandou Israel na guerra contra os filisteus
Em nenhum momento ele convoca tribos ou lidera tropas, como fazem Baraque, Gideão e Jefté. Age sozinho, e por motivos pessoais. A única vez em que israelitas se reúnem em grande número na história dele é para prendê-lo: três mil homens de Judá o amarram e o entregam aos filisteus, lembrando-lhe que são eles que mandam ali (Juízes 15.11-13). O texto diz que ele julgou Israel, não que o tenha conduzido à batalha.
Perguntas para estudo
8 perguntas
- De que tribo e de que cidade é a família de Sansão?
- Da tribo de Dã, da cidade de Zorá; o pai se chama Manoá, e o nome da mãe não é dito.
- O que o anjo responde quando Manoá pergunta o seu nome?
- Pergunta por que ele quer saber o seu nome, e diz que esse nome é maravilhoso.
- Qual é o enigma que Sansão propõe na festa de casamento?
- Do que come saiu comida, e do forte saiu doçura: alusão ao mel achado no corpo do leão.
- Como Sansão queima as plantações dos filisteus?
- Prende trezentas raposas duas a duas pela cauda, com uma tocha acesa em cada par, e as solta nas searas.
- O que Sansão faz com as portas da cidade de Gaza?
- Arranca-as à meia-noite, com os batentes e a tranca, e as carrega até o alto de um monte.
- Quanto os chefes filisteus prometem a Dalila?
- Mil e cem peças de prata da parte de cada um deles, entregues quando ela descobre o segredo.
- O que acontece com o cabelo de Sansão na prisão?
- Começa a crescer de novo depois de rapado, detalhe que o texto registra antes da festa de Dagom.
- Onde Sansão é sepultado?
- Entre Zorá e Estaol, no túmulo de Manoá, seu pai, para onde os irmãos e a família o levam.
Débora Arantes
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