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Resumo de 1 Macabeus

Por Débora Arantes 10 min de leitura

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Em 30 segundos

Quarenta anos de guerra pela liberdade religiosa e depois política dos judeus estão em 1 Macabeus. O rei selêucida Antíoco IV Epífanes proíbe a lei de Moisés, a circuncisão e o sábado, e em 167 a.C. ergue um altar pagão dentro do templo de Jerusalém. Na aldeia de Modin, o velho sacerdote Matatias se recusa a sacrificar aos ídolos e foge para as montanhas com cinco filhos. Três deles lideram a revolta em sequência. Judas, apelidado Macabeu, vence exércitos maiores e purifica o templo em 164 a.C. Jônatas combina guerra e diplomacia e se torna sumo sacerdote. Simão conquista a independência em 142 a.C. e funda uma dinastia. O livro é sóbrio, cheio de datas e tratados, e atribui as vitórias à fidelidade à lei.

Os três irmãos que lideram a revolta em sequência: Judas reconquista o templo, Jônatas obtém o sumo sacerdócio e Simão alcança a independência
Imagem: resumode.com.br

O que aconteceu entre Malaquias e Mateus

Quem lê a Bíblia sem os livros dos Macabeus passa do império persa para o romano sem saber o que houve no meio. 1 Macabeus preenche parte desse intervalo. Ele explica de onde vêm coisas que o Novo Testamento encontra prontas: a festa da Dedicação, em que Jesus aparece no templo em João 10, o sumo sacerdócio como cargo político, a sensibilidade extrema em torno do templo e da lei.

O cenário é o mundo deixado por Alexandre, o Grande. O livro abre com ele em nove versículos: venceu Dario, chegou aos confins da terra, adoeceu e repartiu o reino entre seus generais. A Judeia fica primeiro sob os Ptolomeus do Egito e depois, a partir de 200 a.C., sob os Selêucidas da Síria. Com eles chega a pressão para adotar língua, costumes e religião dos gregos. O estilo do livro é o de uma crônica, com datas contadas pela era selêucida, cartas e tratados transcritos.

A perseguição

No reinado de Antíoco IV Epífanes, alguns em Israel propõem fazer aliança com as nações vizinhas. Com autorização do rei, constroem em Jerusalém um ginásio à moda grega e abandonam a aliança santa.

Voltando de uma campanha no Egito, Antíoco entra no templo e leva o altar de ouro, o candelabro, a mesa e os tesouros. Dois anos depois, um enviado saqueia e incendeia a cidade e instala uma guarnição síria numa fortaleza ao lado do templo, a Acra, que ficará ali por mais de vinte anos.

Vem então o decreto para todo o reino: que todos formem um só povo e cada um abandone seus costumes. Ficam proibidos os sacrifícios no templo, o sábado, as festas e a circuncisão. No dia quinze de quisleu de 167 a.C., é erguida sobre o altar a abominação da desolação, um altar pagão. Rolos da lei são rasgados e queimados; mães que circuncidaram os filhos são executadas com os bebês pendurados ao pescoço. Muitos em Israel, diz o texto, preferiram morrer a se contaminar.

Matatias: o estopim

Os oficiais do rei chegam a Modin para organizar o sacrifício e procuram primeiro Matatias, sacerdote respeitado, com promessa de ouro e do título de amigo do rei. Ele responde em voz alta: ainda que todas as nações obedeçam ao rei, eu, meus filhos e meus irmãos andaremos na aliança de nossos pais. Um judeu se adianta para sacrificar. Matatias o mata sobre o altar, mata o oficial, derruba o altar e grita pela cidade: quem tiver zelo pela lei e quiser manter a aliança, siga-me. Foge para os montes com os filhos.

Logo vem a primeira lição dura. Um grupo de fiéis escondido no deserto é atacado num sábado, recusa-se a lutar para não profanar o dia e morre inteiro, cerca de mil pessoas. Matatias e os seus decidem: se alguém nos atacar em dia de sábado, combateremos, para não morrermos todos.

Antes de morrer, Matatias recorda aos filhos os exemplos de Abraão, José, Fineias, Josué, Davi, Elias e Daniel e reparte as funções: Simão será o conselheiro, Judas Macabeu, o chefe do exército.

Judas: o templo de volta

Judas luta como guerrilheiro que conhece o terreno. Derrota Apolônio e fica com sua espada. Em Bete-Horom, diante de soldados assustados com o número dos inimigos, diz que para o céu não há diferença entre salvar com muitos ou com poucos. Em Emaús, ataca de surpresa o acampamento sírio enquanto Górgias o procura nos montes. Em Bet-Zur, vence o próprio regente Lísias.

Com o caminho livre, sobe ao monte Sião. O santuário está deserto, o altar profanado, as portas queimadas, mato crescendo nos pátios. Eles rasgam as roupas e choram. Judas escolhe sacerdotes sem mancha. As pedras do altar contaminado são guardadas à parte, até que venha um profeta e diga o que fazer com elas; constrói-se um altar novo de pedras não lavradas, fazem-se novos utensílios, acendem-se as lâmpadas.

No dia vinte e cinco de quisleu de 164 a.C., três anos depois da profanação, o sacrifício é retomado com cânticos, cítaras e címbalos. A festa dura oito dias, e Judas e a assembleia determinam que se repita todos os anos. É a festa da Dedicação.

Guerras em volta e a morte de Judas

Os povos vizinhos reagem atacando as comunidades judaicas, e Judas e Simão fazem expedições de resgate à Galileia e a Gileade. Antíoco IV morre no Oriente, abatido pelas notícias. Seu sucessor marcha com elefantes de guerra; em Bete-Zacarias, Eleazar, irmão de Judas, se mete sob o maior deles, fere-o e morre esmagado.

O capítulo 8 é um elogio dos romanos, de quem Judas ouviu dizer que são fortes, leais aos amigos e que nenhum deles usa coroa. Ele envia embaixadores, e um tratado de amizade é gravado em bronze. Pouco depois, com a maior parte dos homens desertando diante de um exército de vinte mil, Judas recusa fugir e cai em Elasa. O lamento do povo imita o de Davi por Saul: como caiu o herói que salvava Israel?

Jônatas: a diplomacia

Jônatas assume e, por anos, apenas sobrevive. A sorte muda quando dois pretendentes disputam o trono da Síria e ambos precisam dele. Jônatas negocia com os dois. Em 152 a.C., Alexandre Balas o nomeia sumo sacerdote e amigo do rei, e ele veste as vestes sagradas na festa das Tendas. A família, que era sacerdotal, mas não da linhagem tradicional dos sumos sacerdotes, acumula a partir daí o poder religioso e o militar.

Jônatas renova os laços com Roma e escreve aos espartanos. Acaba preso por traição pelo general Trifão, em Ptolemaida, e é morto.

Simão: a independência

Simão, o último dos irmãos, obtém do rei Demétrio II a isenção de tributos. O texto marca o momento com solenidade: no ano cento e setenta, o jugo das nações foi tirado de Israel, e o povo começou a escrever nos documentos no primeiro ano de Simão, sumo sacerdote, general e chefe dos judeus. Ele expulsa a guarnição da Acra e entra nela com palmas e hinos.

O capítulo 14 descreve a paz em tom de poema, cada um sentado debaixo da sua videira e da sua figueira, e transcreve o decreto gravado em bronze pelo povo: Simão será chefe e sumo sacerdote para sempre, até que surja um profeta digno de fé.

Simão morre assassinado num banquete pelo próprio genro, com dois filhos. O terceiro, João Hircano, escapa e continua a linhagem.

O que observar

O livro admira seus heróis sem esconder a mudança de natureza da luta. Ela começa pela lei e pelo templo, com um sacerdote idoso numa aldeia, e termina com tratados internacionais e um Estado. E repete, em três momentos diferentes, a espera por um profeta que ainda virá, sinal de que seus protagonistas sabiam governar um tempo provisório.

Os pontos centrais

  1. O programa de helenização forçada de Antíoco IV (1 Macabeus 1) e a profanação do templo, chamada de abominação da desolação.
  2. O gesto de Matatias em Modin (1 Macabeus 2) e a decisão de combater mesmo em dia de sábado, depois do massacre de fiéis que não se defenderam.
  3. As vitórias de Judas em desvantagem e a frase a vitória na guerra não depende do tamanho do exército, mas da força que vem do céu (1 Macabeus 3.19).
  4. A purificação e a rededicação do templo (1 Macabeus 4), com festa de oito dias, origem da Hanucá.
  5. A passagem da luta religiosa para a política com Jônatas e Simão, incluindo alianças com Roma e Esparta.
  6. O decreto em honra de Simão (1 Macabeus 14), que o faz chefe e sumo sacerdote até que surja um profeta fiel.

Leituras que se afastam do texto

Macabeus era o sobrenome da família de Matatias

Macabeu é o apelido de um só dos filhos, Judas, em geral explicado como martelo. Os irmãos têm outros apelidos: João Gadi, Simão Tassi, Eleazar Auarã, Jônatas Afus. A família é chamada de hasmoneia, do nome de um antepassado. O apelido de Judas acabou dando título aos livros e, por extensão, a todo o grupo.

O milagre do azeite que durou oito dias está em 1 Macabeus

O livro conta que o altar profanado foi demolido, outro foi construído, as lâmpadas foram acesas e a festa durou oito dias com alegria. A história do frasco de azeite puro que bastava para um dia e ardeu oito vem da tradição judaica posterior, registrada no Talmude, e não dos livros dos Macabeus.

A revolta foi uma guerra apenas de judeus contra estrangeiros

O primeiro capítulo mostra judeus pedindo ao rei licença para adotar os costumes gregos, construindo um ginásio em Jerusalém e disfarçando a circuncisão. A primeira pessoa que Matatias mata é um judeu que se adianta para sacrificar. O conflito começa dentro do povo, entre os que aderem à helenização e os que guardam a lei.

1 e 2 Macabeus são volume um e volume dois da mesma obra

São dois livros independentes, de autores diferentes. O primeiro cobre quarenta anos, de Matatias a Simão, em estilo de crônica. O segundo não continua o primeiro: volta ao início e reconta só o período de Judas, com outro tom e outros episódios. A numeração indica ordem na Bíblia, e não sequência de enredo.

Perguntas para estudo

8 perguntas

De qual império Antíoco IV era rei?
Do reino selêucida da Síria, um dos que surgiram da divisão do império de Alexandre.
O que Antíoco instala no templo em 167 a.C.?
Um altar pagão sobre o altar dos holocaustos, onde se oferecem sacrifícios proibidos pela lei.
Quem inicia a revolta, e onde?
O sacerdote Matatias, na aldeia de Modin, ao recusar o sacrifício exigido pelos oficiais do rei.
Quais são os cinco filhos de Matatias?
João, Simão, Judas, Eleazar e Jônatas.
Como morre Eleazar, irmão de Judas?
Esmagado por um elefante de guerra que ele mesmo fere por baixo, pensando que levava o rei.
Em que batalha morre Judas Macabeu?
Em Elasa, em 160 a.C., quando enfrenta com oitocentos homens um exército muito maior.
Qual irmão se torna o primeiro sumo sacerdote da família?
Jônatas, nomeado em 152 a.C. por Alexandre Balas, pretendente ao trono sírio.
Sob qual irmão a Judeia fica livre de tributos?
Sob Simão, em 142 a.C., quando o povo passa a datar os documentos pelo governo dele.
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Débora Arantes

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