Resumo de 2 Macabeus
Por Débora Arantes 11 min de leitura
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2 Macabeus reconta os anos da perseguição de Antíoco IV e da revolta de Judas Macabeu, com outro foco: o templo de Jerusalém e a fé dos que morreram por ele. O autor, que resume uma obra maior de Jasão de Cirene, começa com o templo protegido de Heliodoro por um cavaleiro celeste e dois jovens, mostra sumos sacerdotes comprando o cargo e trazendo costumes gregos, e explica a perseguição como correção de Deus ao seu povo. O centro do livro são os mártires: o velho escriba Eleazar e uma mãe com seus sete filhos, que preferem a tortura a comer carne proibida e afirmam que o Rei do universo os ressuscitará. Depois deles a ira se muda em misericórdia, Judas purifica o templo, ora pelos soldados mortos e vence o general Nicanor.
Um autor que conversa com o leitor
2 Macabeus é um dos raros livros bíblicos em que o autor explica o que está fazendo. Depois de duas cartas de abertura, ele conta que Jasão de Cirene narrou em cinco livros a história de Judas Macabeu, da purificação do templo e das guerras contra Antíoco, e que ele se propõe a resumi-los em um só. Compara-se a quem prepara um banquete e a quem decora uma casa que outro construiu: o trabalho de condensar, diz, custou suor e noites sem dormir. Nos últimos versículos ele se despede com a mesma franqueza: se ficou bom, era o que eu queria; se ficou medíocre, foi o que consegui.
Esse cuidado literário marca o livro. Onde 1 Macabeus é seco e cronológico, 2 Macabeus é dramático: há aparições celestes, discursos, cenas de tortura descritas de perto e comentários do narrador. Os dois cobrem em parte os mesmos anos, e o segundo se concentra num único herói, Judas, e num único lugar, o templo.
As cartas iniciais
O livro abre com duas cartas dos judeus de Jerusalém aos do Egito, convidando-os a celebrar a festa da purificação do templo, em quisleu. A segunda inclui tradições sobre o fogo sagrado escondido no tempo do exílio e reencontrado por Neemias, e sobre Jeremias guardando a tenda e a arca numa gruta.
O templo protegido: Heliodoro
A narrativa começa num tempo bom. O sumo sacerdote Onias III é piedoso, e até os reis honram o santuário. Um administrador invejoso faz chegar ao rei Seleuco IV a notícia de que o tesouro do templo guarda riquezas imensas. O ministro Heliodoro é enviado para confiscá-las. A cidade entra em angústia: sacerdotes prostrados, mulheres nas ruas, o rosto de Onias mudando de cor.
Quando Heliodoro entra na sala do tesouro, aparece um cavalo com um cavaleiro de armadura de ouro, que o atinge com os cascos, e dois jovens o açoitam. Ele é levado numa maca, salvo pela oração de Onias, e volta ao rei dizendo: se tens algum inimigo, manda-o para lá. O capítulo estabelece o princípio do livro: enquanto o povo é fiel, o lugar é intocável.
O templo vendido
O princípio vale também ao contrário. Jasão, irmão de Onias, compra do novo rei, Antíoco IV, o sumo sacerdócio e a licença para um ginásio. Os sacerdotes largam o altar para correr aos exercícios. Três anos depois, Menelau oferece mais e leva o cargo; para pagar, rouba vasos do templo e manda matar Onias, que o denunciara.
Com a cidade dividida, Antíoco entra no templo guiado pelo próprio Menelau e saqueia tudo. O autor comenta: ele não percebia que o Senhor estava irado por pouco tempo por causa dos pecados dos habitantes; não foi por causa do lugar que Deus escolheu o povo, mas por causa do povo que escolheu o lugar (2 Macabeus 5.19). Em seguida vêm a proibição da lei, o templo dedicado a Zeus Olímpico e as execuções.
Antes de narrar o pior, o autor para e fala ao leitor (6.12 a 17): não se desanimem com estas desgraças; elas aconteceram para correção do nosso povo, e não para a sua ruína.
Os mártires
Eleazar, um dos principais escribas, de noventa anos, é forçado a abrir a boca para comer carne de porco. Cospe-a. Velhos conhecidos encarregados do banquete lhe propõem, à parte, trazer carne permitida e apenas fingir. Ele recusa: não fica bem à nossa idade fingir, e muitos jovens seriam enganados por mim; ainda que eu escape agora dos homens, não escaparei, vivo ou morto, das mãos do Todo-poderoso. Morre sob os golpes, deixando, diz o texto, um exemplo de nobreza.
O capítulo 7 é a página mais conhecida do livro. Sete irmãos são presos com a mãe e torturados diante do rei, um por um, do mais velho ao mais novo. Cada um fala antes de morrer, e as falas constroem uma doutrina:
- o segundo: o Rei do universo nos ressuscitará para uma vida eterna, a nós que morremos por suas leis;
- o terceiro estende as mãos: do céu as recebi, e dele espero recebê-las de novo;
- o quarto: para ti, porém, não haverá ressurreição para a vida;
- o sexto: sofremos por causa dos nossos pecados; não penses que ficarás impune.
A mãe assiste a tudo e anima cada filho na língua dos pais: não sei como aparecestes em meu ventre; não fui eu que vos dei o espírito e a vida; o Criador do mundo vos devolverá ambos. Ao mais novo, a quem o rei promete riqueza, ela pede: olha o céu e a terra e reconhece que Deus os fez do que não existia; aceita a morte, para que eu te receba de volta com teus irmãos. Ele morre, e por último, a mãe.
A ira que se muda em misericórdia
Logo depois dos mártires, Judas Macabeu entra na história, e o narrador liga as duas coisas: a ira do Senhor se havia mudado em misericórdia (2 Macabeus 8.5). Judas vence Nicanor, que tinha levado mercadores para comprar os prisioneiros como escravos. Antíoco IV morre no Oriente, consumido por dores e vermes, reconhecendo tarde demais o Deus que desafiara. Judas e os seus retomam o templo, purificam-no e celebram oito dias, lembrando que pouco antes tinham passado a festa das Tendas escondidos em grutas.
A oração pelos mortos
Depois de uma batalha, ao recolher os corpos, os homens de Judas encontram sob as túnicas dos caídos amuletos de ídolos, e entendem por que morreram. Todos oram para que o pecado seja apagado. Judas faz uma coleta e envia a Jerusalém cerca de duas mil dracmas para um sacrifício pelo pecado.
O autor comenta o gesto: foi uma ação bela e nobre, inspirada no pensamento da ressurreição, porque, se ele não esperasse que os caídos ressuscitariam, seria inútil orar pelos mortos (2 Macabeus 12.44). É a passagem em que a tradição católica apoia a oração pelos falecidos.
Nicanor e o sonho de Judas
O último bloco opõe Judas a Nicanor, agora governador. Há um intervalo curioso em que os dois se tornam amigos, até que intrigas de um ex-sumo sacerdote levam o rei a exigir a prisão de Judas. Nicanor estende a mão para o templo e jura arrasá-lo.
Na véspera da batalha, Judas conta aos soldados um sonho: o sumo sacerdote Onias, de mãos estendidas, orava por todo o povo; e junto dele um homem de cabelos brancos, que Onias apresenta como Jeremias, o profeta, aquele que muito ora pelo povo e pela cidade santa. Jeremias entrega a Judas uma espada de ouro. Nicanor é vencido e morto, e sua mão é pendurada diante do santuário que ameaçara.
O que este livro acrescenta
2 Macabeus traz, em forma narrativa, ideias que o restante do Antigo Testamento apenas esboça e que o Novo recebe como conhecidas: a ressurreição dos corpos, o juízo depois da morte, a criação a partir do nada, a intercessão dos justos que já morreram e a oração dos vivos pelos mortos. A carta aos Hebreus, ao falar dos que foram torturados e não aceitaram ser libertados, para alcançar uma ressurreição melhor, tem diante dos olhos as cenas do capítulo 7.
Os pontos centrais
- O prefácio do autor (2 Macabeus 2.19 a 32), que explica seu método: resumir cinco livros num só e torná-lo agradável de ler.
- A interpretação da perseguição (2 Macabeus 6.12 a 17): os castigos visam corrigir o povo, e não destruí-lo.
- O martírio da mãe e dos sete irmãos (2 Macabeus 7), com as afirmações mais claras do Antigo Testamento sobre a ressurreição.
- A frase da mãe ao filho mais novo, de que Deus fez o céu e a terra do que não existia (2 Macabeus 7.28).
- O sacrifício pelos soldados mortos (2 Macabeus 12.38 a 45), feito por Judas pensando na ressurreição.
- A visão de Judas antes da batalha final (2 Macabeus 15), com Onias e o profeta Jeremias intercedendo pelo povo.
Leituras que se afastam do texto
2 Macabeus continua a história onde 1 Macabeus parou
Ele volta no tempo. Começa antes de 1 Macabeus, com fatos do reinado de Seleuco IV, e termina bem antes, com Judas ainda vivo e vitorioso sobre Nicanor. Jônatas e Simão quase não aparecem. É um segundo relato, independente, de parte do mesmo período, com interesse no templo e nos mártires.
Eleazar, o mártir, é o irmão de Judas que morreu sob o elefante
São homens diferentes com o mesmo nome. O de 2 Macabeus 6 é um escriba de noventa anos que recusa até fingir que come carne de porco, para não dar mau exemplo aos jovens. O irmão de Judas, apelidado Auarã, é um guerreiro e morre em batalha, em 1 Macabeus 6.
Os sete irmãos mártires são os Macabeus, filhos de Matatias
O livro não dá nome à mãe nem aos sete filhos, e eles não têm parentesco com a família de Matatias, que teve cinco filhos, todos mortos em combate ou por traição. A tradição cristã passou a chamá-los de santos Macabeus por estarem neste livro, e daí nasceu a confusão.
O livro apresenta a perseguição como sinal de que Deus abandonou o seu povo
O autor interrompe a narrativa justamente para dizer o contrário: com as outras nações Deus espera a medida se completar, mas ao seu povo ele corrige logo, e isso é sinal de grande bondade. Os próprios mártires dizem que sofrem pelos pecados do povo e que o rei é quem não escapará.
Perguntas para estudo
8 perguntas
- Quem escreveu a obra original resumida em 2 Macabeus?
- Jasão de Cirene, autor de cinco livros que não chegaram até nós.
- O que acontece com Heliodoro ao tentar confiscar o tesouro do templo?
- Um cavaleiro de armadura dourada e dois jovens o derrubam e açoitam, e ele sai carregado.
- Quem era Onias III?
- O sumo sacerdote piedoso, deposto pelo irmão Jasão e depois assassinado.
- Como Jasão e Menelau obtêm o sumo sacerdócio?
- Oferecendo dinheiro ao rei; Jasão ainda paga para construir um ginásio em Jerusalém.
- Por que Eleazar recusa a proposta de fingir que come a carne?
- Porque os jovens pensariam que ele, aos noventa anos, tinha passado para os costumes estrangeiros.
- O que o segundo dos sete irmãos diz ao rei antes de morrer?
- Que o rei lhes tira a vida presente, mas o Rei do universo os ressuscitará para a vida eterna.
- O que Judas encontra sob as túnicas dos soldados caídos?
- Amuletos dos ídolos de Jâmnia, proibidos pela lei; ele manda fazer uma coleta para um sacrifício pelo pecado.
- Qual general é derrotado no último capítulo?
- Nicanor, que ameaçara o templo; sua derrota passa a ser comemorada em 13 de adar.
Débora Arantes
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