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Resumo da parábola do filho pródigo

Por Débora Arantes 12 min de leitura

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Em 30 segundos

Um homem tinha dois filhos, e é dos dois que a história trata. O mais novo pede a sua parte dos bens, vai para uma terra distante e gasta tudo. Vem a fome, ele acaba guardando porcos e decide voltar para pedir lugar de trabalhador. O pai o avista de longe, corre, abraça-o e manda trazer a melhor roupa, um anel, sandálias e o novilho cevado. O mais velho, ao chegar do campo, indigna-se e não quer entrar. O pai sai também atrás dele e explica: era preciso alegrar-se, porque o irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado. Jesus conta a parábola em Lucas 15, diante de fariseus e escribas que o criticavam por comer com pecadores, e a encerra sem dizer se o mais velho entrou.

Duas listas em paralelo com o percurso de cada filho na parábola: o mais novo, que parte e volta, e o mais velho, que fica e não quer entrar
Imagem: resumode.com.br

Uma queixa e três respostas

O capítulo 15 de Lucas começa com uma murmuração. Cobradores de impostos e pecadores se aproximam de Jesus para ouvi-lo, e fariseus e escribas murmuram: este recebe pecadores e come com eles (15.2). Tudo o que vem depois responde a essa frase.

Jesus conta três histórias seguidas. Um pastor deixa noventa e nove ovelhas para procurar uma. Uma mulher varre a casa por causa de uma moeda entre dez. As duas terminam em convite, alegrai-vos comigo, e na mesma conclusão: há alegria no céu por um pecador que se arrepende. A terceira é a mais longa das parábolas de Jesus e só existe no Evangelho de Lucas. Ela muda um detalhe decisivo das outras duas: desta vez, alguém da casa se recusa a participar da alegria.

A parte que me cabe

Um homem tinha dois filhos. O mais novo diz: pai, dá-me a parte dos bens que me cabe. O pedido é feito com o pai vivo e não recebe resposta em palavras. O texto registra só o gesto: ele repartiu os bens entre eles (15.12). O mais velho, portanto, também recebe.

Poucos dias depois, o mais novo junta tudo e parte para uma terra distante. Lá dissipa o que tinha, vivendo dissolutamente. O narrador não descreve os gastos. Interessa o resultado: quando o dinheiro acaba, ele está longe, sozinho e sem nada.

Fome entre os porcos

Uma grande fome atinge aquela terra, e ele começa a passar necessidade. Vai se agregar a um morador do lugar, que o manda para os campos guardar porcos. Para ouvintes judeus, a queda não podia ser maior: o porco é animal impuro pela lei (Levítico 11.7), e o filho de uma casa com servos e novilhos agora depende de um estrangeiro e cuida do rebanho dele.

O versículo seguinte desce mais um degrau. Ele desejava encher o estômago com as alfarrobas que os porcos comiam, e ninguém lhe dava nada.

Então, caindo em si, ele faz uma conta: quantos trabalhadores de meu pai têm pão de sobra, e eu aqui morro de fome. O que o move, no texto, é a fome e a lembrança da mesa do pai. Ele prepara um discurso em três frases: pai, pequei contra o céu e diante de ti; já não sou digno de ser chamado teu filho; trata-me como um dos teus trabalhadores. O plano é voltar para a casa em outra condição, como empregado pago por dia.

Ainda longe, o pai o viu

Ele se levanta e vai. O centro da parábola está no versículo 20, e o sujeito dos verbos passa a ser o pai: ainda longe, o pai o viu, encheu-se de compaixão, correu, lançou-se ao pescoço dele e o beijou.

Cada verbo conta. O pai o vê de longe. Compadece-se, com o mesmo verbo que Lucas usa para o viajante que para diante do ferido na parábola do bom samaritano. E corre, em vez de esperar o filho chegar e se explicar.

O filho começa o discurso ensaiado e diz as duas primeiras frases. A terceira não vem. O pai já está falando com os servos: trazei depressa a melhor roupa e vesti-o, ponde um anel no dedo e sandálias nos pés, trazei o novilho cevado e matai-o. São sinais de filho, e não de empregado, dados diante da casa toda. A razão vem em duas imagens: este meu filho estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado (15.24). E começaram a festejar.

Se a parábola terminasse aqui, seria igual às duas anteriores. Ela continua.

Música ouvida do campo

O filho mais velho estava no campo. Ao se aproximar da casa, ouve música e danças. Não entra para ver: chama um criado e pergunta. A resposta é direta: teu irmão voltou, e teu pai matou o novilho cevado, porque o recuperou com saúde.

Ele se indigna e não quer entrar. E o pai faz pela segunda vez o mesmo movimento: sai da casa e vai ao encontro de um filho. Com o mais novo, correu. Com o mais velho, insiste.

A queixa do mais velho ocupa dois versículos (15.29-30). Há tantos anos te sirvo, sem nunca desobedecer a uma ordem tua, e nunca me deste um cabrito para eu festejar com os meus amigos. Mas, quando veio esse teu filho, que devorou os teus bens com meretrizes, mataste para ele o novilho cevado.

Ele não chama o pai de pai, como o irmão fez nas duas vezes em que falou. Não diz meu irmão. E descreve a própria vida na casa com o verbo servir.

Tudo o que é meu é teu

A resposta do pai começa com uma palavra de carinho: filho. Tu estás sempre comigo, e tudo o que é meu é teu. Ele não desmente os anos de trabalho nem repreende a raiva. Corrige duas coisas. A primeira é a ideia de que faltava algo ao mais velho: o cabrito, o novilho e a casa já eram dele. A segunda é o parentesco que o filho tinha cortado: era preciso festejar e alegrar-se, porque esse teu irmão estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado (15.32).

A parábola acaba nessa frase. Não se sabe se o mais velho entrou. Os fariseus e escribas que murmuravam no começo do capítulo estão na mesma posição que ele: do lado de fora de uma festa, ouvindo o convite.

Dois filhos que falam como empregados

Lida até o fim, a história mostra dois afastamentos. O do mais novo é visível: ele vai embora e gasta tudo. O do mais velho acontece sem sair de casa.

Os dois, cada um a seu modo, pensam a relação com o pai em termos de trabalho e pagamento. O mais novo planeja voltar como trabalhador, porque acha que perdeu o direito de ser filho. O mais velho diz que serve há anos e cobra o que lhe seria devido. O pai recusa as duas contas com a mesma palavra. Ao primeiro, antes que termine o discurso, chama de este meu filho. Ao segundo diz: filho, tu estás sempre comigo.

Nas duas parábolas anteriores, alguém sai à procura do que se perdeu. Aqui ninguém vai à terra distante. Mas o pai sai de casa duas vezes, uma para cada filho, e a alegria que ele defende é a mesma do pastor e da mulher: achei o que estava perdido.

Irmãos que se reencontram

A cena do abraço tem um antecedente em Gênesis. Quando Jacó volta para casa depois de anos longe, temendo o irmão que tinha enganado, Esaú corre ao encontro dele, abraça-o, lança-se ao seu pescoço e o beija (Gênesis 33.4). Os gestos são os mesmos do pai da parábola, e a situação também: quem volta esperava cobrança e encontra um abraço.

Gênesis é cheio de pares de irmãos em que o mais novo passa à frente e o mais velho precisa decidir o que fazer com isso. Jesus retoma o molde e deixa a decisão em suspenso.

Lucas volta ao assunto alguns capítulos adiante, em Jericó. Jesus entra na casa de Zaqueu, chefe dos cobradores de impostos, e todos murmuram de novo. A resposta dispensa a parábola e repete o seu vocabulário: o Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido (Lucas 19.10).

Os pontos centrais

  1. A parábola responde à murmuração de Lucas 15.2, este recebe pecadores e come com eles, e é a terceira de uma série: ovelha, moeda, filho.
  2. O pai reparte os bens entre os dois filhos (15.12): o mais velho também recebe a sua parte no começo da história.
  3. O filho resolve voltar quando cai em si e compara a sua fome com o pão dos trabalhadores do pai (15.17).
  4. O pai corre, abraça e beija o filho antes de ouvir qualquer palavra (15.20); a confissão vem depois do abraço.
  5. A frase estava morto e reviveu, estava perdido e foi achado aparece duas vezes: aos servos (15.24) e ao filho mais velho (15.32).
  6. O mais velho diz esse teu filho (15.30), e o pai devolve esse teu irmão (15.32); a parábola termina com ele ainda do lado de fora.

Leituras que se afastam do texto

Pródigo quer dizer arrependido, aquele que volta para casa

Pródigo vem do latim e significa gastador, esbanjador: é quem gasta sem medida. A palavra nem aparece na parábola. Ela está nos títulos que as edições da Bíblia põem acima do texto e resume o versículo 13, em que o filho dissipa os bens. Como a história ficou conhecida pelo retorno, o adjetivo passou a ser usado para qualquer pessoa que volta, sentido que ele não tem.

O filho gastou a herança com prostitutas

O narrador diz apenas que ele dissipou os bens vivendo dissolutamente (15.13), sem detalhar como. Quem fala em meretrizes é o irmão mais velho, na queixa ao pai (15.30), e ele não esteve na terra distante nem tinha ainda conversado com o irmão. O texto deixa a acusação na boca de quem a faz. Ela revela mais sobre a raiva do mais velho do que sobre os gastos do mais novo.

O pai só perdoou depois que o filho pediu perdão

A ordem do texto é a inversa. O filho ainda vinha longe quando o pai o viu, encheu-se de compaixão, correu, lançou-se ao pescoço dele e o beijou (15.20). Só no versículo seguinte o filho começa a frase que tinha ensaiado, e não a termina: o pedido para ser tratado como um dos trabalhadores fica sem ser dito, porque o pai já está dando ordens aos servos sobre a roupa e a festa.

O irmão mais velho ficou sem nada enquanto o mais novo levou a herança

Lucas 15.12 diz que o pai repartiu os bens entre eles, os dois. Pela regra de Deuteronômio 21.17, ao primogênito cabia porção dobrada. E o pai confirma no fim: tudo o que é meu é teu (15.31). O que o mais velho reclama é outra coisa, um cabrito para festejar com os amigos, e a queixa mostra que ele vivia na casa como quem serve por obrigação, sem usar o que já era seu.

Perguntas para estudo

8 perguntas

O que o filho mais novo pede ao pai no começo da parábola?
A parte dos bens que lhe cabe; poucos dias depois, junta tudo e parte para uma terra distante.
Que trabalho ele aceita quando a fome chega àquela terra?
Guardar porcos nos campos de um morador do lugar, a quem tinha ido se agregar (15.15).
O que ele desejava comer enquanto cuidava dos porcos?
As alfarrobas que os porcos comiam, e o texto acrescenta que ninguém lhe dava nada (15.16).
Que parte da frase ensaiada o filho não chega a dizer ao pai?
O pedido final: trata-me como um dos teus trabalhadores (15.19), ausente da fala em 15.21.
O que o pai manda os servos trazerem depressa?
A melhor roupa, um anel para o dedo, sandálias para os pés e o novilho cevado para a festa.
Como o filho mais velho fica sabendo da volta do irmão?
Ao voltar do campo, ouve música e danças e pergunta a um dos criados o que estava acontecendo.
De que o filho mais velho se queixa ao pai?
De servir há tantos anos sem desobedecer e nunca ter recebido um cabrito para festejar com os amigos.
Que duas parábolas vêm antes desta no mesmo capítulo?
A da ovelha perdida, uma entre cem, e a da moeda perdida, uma entre dez (Lucas 15.3-10).
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Débora Arantes

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