Resumo de regência verbal e nominal
Por Beatriz Amaral 6 min de leitura
Em 30 segundos
Regência é a relação de dependência entre uma palavra e o termo que completa seu sentido. Na regência verbal, quem organiza a relação é o verbo: assistir, no sentido de ver, pede a preposição a na norma-padrão, como em assistir ao filme; obedecer também pede a, como em obedecer às regras. Na regência nominal, o termo regente é um substantivo ou adjetivo: respeito pelos outros, favorável ao acordo e apto a participar são construções em que a preposição faz parte da relação. O caminho seguro é descobrir primeiro qual palavra está exigindo complemento, identificar o sentido empregado e só então verificar a preposição. Ouvir uma frase ajuda, mas não resolve sozinho, porque o uso cotidiano pode variar e a prova pode explorar justamente a diferença entre fala corrente, norma-padrão e mudança de sentido.
A palavra que pede uma continuação
Algumas palavras parecem completas, mas deixam uma relação em aberto. Quem diz “obedecer” normalmente precisa indicar a quem ou a quê se obedece. Quem diz “favorável” precisa indicar a que proposta, pessoa ou posição algo é favorável. Essa exigência é a regência.
O termo que exige o complemento é chamado regente. O termo que completa a relação é o regido. A preposição funciona como uma ponte entre os dois quando a construção a exige. Em “obedecer às regras”, o verbo obedecer é regente, “as regras” é complemento e a preposição a aparece contraída com o artigo as.
Regência verbal depende do sentido
O erro mais caro é decorar uma única preposição para cada verbo e aplicá-la sem ler a frase. O sentido pode mudar a relação.
Em “assisti ao documentário”, assistir significa ver e, na norma-padrão, pede a preposição a. Em “o médico assistiu o paciente”, assistir significa prestar assistência e o complemento aparece sem a mesma relação. Em “assisti em casa”, a expressão indica o lugar em que a pessoa viu algo, não o complemento exigido pelo verbo.
O verbo preferir também é um bom teste. A construção tradicional é “preferir uma coisa a outra”, como em “prefiro leitura a vídeos”. A forma “prefiro mais” aparece na fala, mas o mais já está embutido na ideia de preferência e pode ser tratado como redundante em uma questão de norma-padrão.
Regência nominal trabalha com nomes
Na regência nominal, a palavra principal não é um verbo. Adjetivos como “favorável”, “apto”, “contrário” e “dependente” organizam relações com complementos: favorável ao acordo, apto a participar, contrário à proposta, dependente de autorização.
Substantivos também fazem isso. “Respeito pelos outros”, “necessidade de descanso” e “aversão a ruídos” mostram relações diferentes. A preposição não é enfeite; ela informa como o segundo termo se conecta ao primeiro.
Nem toda escolha é imutável em todos os períodos e variedades da língua. O uso pode mudar, e dicionários e gramáticas registram mais de uma possibilidade em certos casos. Em prova, porém, o enunciado, o gênero textual e o padrão exigido indicam se a questão quer a construção formal, a alternativa aceita pelo uso ou a mudança de sentido.
Como resolver uma questão
- Encontre a palavra que parece pedir uma continuação.
- Pergunte qual sentido ela tem naquela frase.
- Separe o complemento que completa a relação.
- Verifique se há preposição e se ela combina com artigo, pronome ou outro termo.
- Releia a frase inteira para testar se a relação e o sentido continuam os mesmos.
Esse procedimento evita o chute por sonoridade. A frase “o relatório visa ao resultado” e a frase “o relatório visa o resultado” podem aparecer em discussões de uso e registro. A questão precisa ser lida antes de uma decisão, porque não basta reconhecer uma forma que você já ouviu.
Regência não é concordância
Concordância pergunta se as palavras combinam em número e pessoa: “os alunos chegaram”. Regência pergunta como uma palavra se liga ao complemento: “os alunos obedeceram às regras”. Uma mesma oração pode exigir as duas análises, mas elas respondem a problemas diferentes.
Para estudar, monte pares curtos em vez de listas soltas. Escreva “assistir ao filme”, “obedecer às regras”, “apto a participar” e “dependente de autorização”. Depois troque o sentido ou o termo complementado e explique o que mudou. A memória fica ligada ao mecanismo, não apenas à preposição.
O que costuma cair
- A questão costuma pedir a preposição exigida por um verbo ou nome em uma construção formal, não a memorização de uma lista isolada.
- O sentido do verbo precisa ser identificado antes da regência, pois a mesma palavra pode aceitar relações diferentes em usos diferentes.
- A troca ou a retirada da preposição pode alterar o sentido, a transitividade ou a adequação da frase à norma-padrão.
Onde quase todo mundo erra
Escolher a preposição apenas porque a frase parece natural na fala.
A fala cotidiana admite variações, mas a questão pode pedir a regência da norma-padrão. Primeiro identifique o termo regente e depois compare a construção exigida pelo sentido.
Tratar todo verbo com complemento como se tivesse a mesma regência em qualquer sentido.
A regência depende do significado. Assistir a uma sessão, assistir ao filme e assistir alguém podem organizar complementos e sentidos diferentes.
Confundir regência com concordância e procurar no verbo a marca de número.
Concordância trata da combinação de número e pessoa; regência trata da relação entre uma palavra e seu complemento, frequentemente por meio de preposição.
Cards de revisão
5 perguntas
- O que é regência?
- É a relação em que uma palavra exige ou seleciona um complemento para completar seu sentido.
- Quem rege na regência verbal?
- O verbo rege, isto é, organiza a forma como seu complemento se liga à oração.
- Qual é a regência de assistir no sentido de ver?
- Na norma-padrão, assistir no sentido de ver rege a preposição a: assistir ao filme.
- O que é regência nominal?
- É a relação exigida por substantivo, adjetivo ou advérbio, como respeito por alguém ou apto a agir.
- Por que o sentido precisa ser identificado?
- Porque uma mesma palavra pode mudar de regência quando muda de significado ou de construção.
Beatriz Amaral
Coordenação editorial e resumos de literatura e língua portuguesa
Coordena a linha editorial do site e escreve os resumos de obras literárias. Lê a obra inteira antes de escrever, monta o esqueleto da narrativa em um diagrama e só depois redige. Se o diagrama não fecha, o resumo ainda não está pronto.