Resumo de orações subordinadas: substantivas, adjetivas e adverbiais
Por Beatriz Amaral 10 min de leitura
Em 30 segundos
Uma oração subordinada é aquela que exerce uma função dentro de outra oração, chamada principal, em vez de existir sozinha. A classificação não depende da palavra que a inicia, e sim do papel que ela desempenha: se faz o papel de um substantivo, é substantiva; se faz o papel de um adjetivo, caracterizando um termo anterior, é adjetiva; se faz o papel de um advérbio, indicando circunstância, é adverbial. O teste mais rápido é a substituição. Substantiva aceita a troca por isso; adjetiva aceita a troca por um adjetivo e costuma vir introduzida por pronome relativo; adverbial responde a perguntas como quando, por quê, com que condição. Na adjetiva, a vírgula muda o sentido da frase, e não apenas a pontuação.
Antes de tudo: quantas orações há na frase
Cada verbo ou locução verbal marca uma oração. Uma frase com dois verbos tem duas orações, e aí ela deixa de ser período simples e passa a ser período composto.
Estudei. (um verbo, período simples)
Estudei porque a prova estava perto. (dois verbos, período composto)
Contar os verbos é o passo zero, e quem pula direto para a classificação costuma se perder em períodos longos.
Coordenação e subordinação
Em um período composto, as orações podem se relacionar de dois modos.
- Coordenação: as orações são independentes. Cada uma tem sentido próprio e poderia ficar sozinha. Cheguei em casa e liguei o computador.
- Subordinação: uma oração exerce função dentro da outra. Ela depende sintaticamente da principal, e sozinha fica incompleta. Quero que você venha.
O teste é isolar a segunda oração. Se ela se sustenta como frase inteira, é coordenada. Se fica pendurada no ar, é subordinada.
O critério de classificação
Uma única ideia organiza o assunto inteiro: a oração subordinada é classificada pela função que exerce, exatamente como se fosse um termo da frase.
| Se ela faz o papel de | Ela é | Aceita a substituição por |
|---|---|---|
| Substantivo | Substantiva | isso |
| Adjetivo | Adjetiva | um adjetivo ou o qual |
| Advérbio | Adverbial | uma circunstância: quando, por isso, se |
Classificar pela conjunção que abre a oração é o atalho que mais derruba candidato, porque a mesma palavra serve a funções diferentes.
Subordinadas substantivas
Ocupam um lugar que um substantivo ocuparia. O teste da troca por isso é praticamente infalível.
| Tipo | Função | Exemplo |
|---|---|---|
| Subjetiva | Sujeito | É necessário que todos participem |
| Objetiva direta | Objeto direto | Quero que você fique |
| Objetiva indireta | Objeto indireto | Preciso de que me avisem |
| Completiva nominal | Complemento nominal | Tenho certeza de que ele vem |
| Predicativa | Predicativo do sujeito | A verdade é que ninguém sabia |
| Apositiva | Aposto | Só peço uma coisa: que me escutem |
Um detalhe prático separa as duas primeiras: se ao trocar por isso a oração vira o sujeito do verbo da principal, é subjetiva; se vira o objeto, é objetiva.
Subordinadas adjetivas
Caracterizam um substantivo anterior e vêm introduzidas por pronome relativo: que, quem, qual, cujo, onde, quanto.
O ponto que a prova mais explora é a diferença entre os dois tipos.
Restritiva, sem vírgula. Limita o grupo:
Os funcionários que trabalham no setor noturno receberam adicional.
Só uma parte dos funcionários recebeu.
Explicativa, entre vírgulas. Acrescenta informação sobre o conjunto inteiro:
Os funcionários, que trabalham no setor noturno, receberam adicional.
Todos os funcionários trabalham no setor noturno e todos receberam.
A vírgula, aqui, não é ornamento de escrita: ela altera quem está incluído na afirmação. Em texto jurídico ou em enunciado de prova, essa diferença decide a resposta.
Subordinadas adverbiais
Exprimem circunstância, como um advérbio faria. São nove tipos, e vale reconhecer as conjunções típicas de cada um.
| Tipo | Ideia | Conjunções típicas |
|---|---|---|
| Causal | O motivo | porque, como, já que, visto que |
| Consecutiva | O efeito | tão… que, tanto… que, de modo que |
| Comparativa | A comparação | como, do que, tal qual |
| Concessiva | O obstáculo vencido | embora, ainda que, mesmo que, conquanto |
| Condicional | A hipótese | se, caso, desde que, a menos que |
| Conformativa | A conformidade | conforme, segundo, como, consoante |
| Final | A finalidade | para que, a fim de que |
| Proporcional | A simultaneidade proporcional | à medida que, quanto mais |
| Temporal | O tempo | quando, enquanto, assim que, logo que |
Duas confusões merecem atenção especial.
Causal e condicional. A causal apresenta algo que aconteceu: como estava chovendo, ficamos em casa. A condicional apresenta uma hipótese: se estivesse chovendo, ficaríamos em casa.
Concessiva e adversativa. A concessiva é subordinada e usa embora ou ainda que; a adversativa é coordenada e usa mas ou porém. As duas expressam contraste, e por isso aparecem juntas na mesma questão. Embora estivesse cansado, saiu equivale a estava cansado, mas saiu, com estruturas sintáticas diferentes.
Orações reduzidas
São subordinadas sem conjunção, com o verbo numa das formas nominais.
| Forma | Exemplo | Desenvolvida |
|---|---|---|
| Infinitivo | É preciso estudar mais | É preciso que se estude mais |
| Gerúndio | Chegando cedo, pegamos lugar | Se chegarmos cedo, pegamos lugar |
| Particípio | Terminada a prova, saímos | Depois que a prova terminou, saímos |
Para classificar uma reduzida, desenvolva-a mentalmente: devolva a conjunção e conjugue o verbo. A classificação da desenvolvida é a mesma da reduzida.
Roteiro de classificação
- Conte os verbos e separe as orações.
- Verifique a dependência. A oração se sustenta sozinha? Se sim, é coordenada e o assunto é outro.
- Tente trocar por isso. Funcionou? Substantiva. Agora identifique qual função ela ocupa.
- Procure o termo retomado. Se a oração se liga a um substantivo anterior e aceita o qual, é adjetiva. Veja a vírgula para decidir entre restritiva e explicativa.
- Pergunte pela circunstância. Quando, por quê, com que finalidade, apesar do quê. É adverbial, e a resposta dá o tipo.
O que ler antes de marcar
Em questão de classificação, leia a frase inteira antes de olhar para a conjunção. Como, que, se e quando mudam de função conforme o resto do período, e a alternativa errada quase sempre oferece a classificação que a palavra sugere fora de contexto.
O que costuma cair
- A distinção entre coordenação e subordinação, e por que a segunda cria dependência sintática.
- A classificação das substantivas pela função que ocupam: sujeito, objeto, complemento nominal, predicativo ou aposto.
- A diferença entre oração adjetiva restritiva e explicativa, com o efeito de sentido que a vírgula produz.
- O reconhecimento das adverbiais mais cobradas, sobretudo concessiva, condicional, consecutiva e causal.
- As orações reduzidas de infinitivo, gerúndio e particípio, que continuam sendo subordinadas sem conjunção.
- A diferença entre o que conjunção integrante e o que pronome relativo, que separa substantiva de adjetiva.
Onde quase todo mundo erra
A vírgula na oração adjetiva é só uma questão de estilo
Ela muda o que a frase afirma. Em os alunos que estudaram passaram, sem vírgula, apenas uma parte dos alunos estudou e só essa parte passou; a oração restringe o grupo. Em os alunos, que estudaram, passaram, com vírgulas, todos estudaram e todos passaram; a oração apenas acrescenta uma informação sobre o grupo inteiro. Escolher errado inverte o conteúdo do período.
Se a oração começa com que, ela é adjetiva
O que aparece nos dois papéis. Em espero que você venha, ele é conjunção integrante e a oração equivale a isso, portanto substantiva. Em o livro que você trouxe é ótimo, ele retoma livro, pode ser substituído por o qual e a oração caracteriza o substantivo, portanto adjetiva. O teste da troca por o qual resolve quase todos os casos em segundos.
A oração subordinada vem sempre depois da principal
A posição é livre e serve a efeitos de ênfase. Em quando o sinal tocou, a sala se esvaziou, a subordinada abre o período e mesmo assim continua sendo subordinada, porque a dependência é sintática e não posicional. Em alguns casos ela aparece encaixada no meio da principal, entre vírgulas, e continua exercendo a mesma função.
Toda oração iniciada por como é comparativa
O como serve a pelo menos três usos distintos. Em fez o trabalho como o professor pediu, é conformativa, indica conformidade. Em como chovia muito, adiamos a viagem, é causal, e está no lugar de já que. Em ele corre como quem foge, é comparativa. Só o sentido da frase inteira decide, e reconhecer a conjunção isolada não basta.
Sem conjunção não há subordinação, então oração reduzida é coordenada
As reduzidas não trazem conjunção e vêm com o verbo no infinitivo, no gerúndio ou no particípio, mas continuam exercendo função dentro da principal. Em terminada a prova, saímos, o sentido é depois que a prova terminou, uma adverbial temporal reduzida de particípio. Para classificá-la, basta desenvolvê-la mentalmente, devolvendo conjunção e verbo conjugado.
Cards de revisão
7 perguntas
- O que caracteriza uma oração subordinada?
- Ela exerce uma função sintática dentro de outra oração, a principal, e não tem autonomia para existir isolada.
- Como se reconhece uma oração subordinada substantiva?
- Pela possibilidade de substituí-la por isso, já que ela ocupa uma função própria de substantivo, como sujeito ou objeto.
- Qual é a diferença entre adjetiva restritiva e explicativa?
- A restritiva limita o grupo de que se fala e não usa vírgula; a explicativa acrescenta informação sobre o todo e vem entre vírgulas.
- Como distinguir o que conjunção integrante do que pronome relativo?
- O pronome relativo retoma um termo anterior e aceita a troca por o qual; a conjunção integrante apenas liga, e a oração aceita a troca por isso.
- O que é uma oração subordinada adverbial concessiva?
- A que indica um obstáculo que não impede o fato da principal, introduzida por embora, ainda que ou apesar de.
- Qual é a diferença entre condicional e causal?
- A causal apresenta um fato ocorrido que provoca o outro; a condicional apresenta uma hipótese da qual o outro depende.
- O que é uma oração reduzida?
- A subordinada sem conjunção, com o verbo no infinitivo, gerúndio ou particípio, que continua exercendo a mesma função sintática.
Beatriz Amaral
Coordenação editorial e resumos de literatura e língua portuguesa
Coordena a linha editorial do site e escreve os resumos de obras literárias. Lê a obra inteira antes de escrever, monta o esqueleto da narrativa em um diagrama e só depois redige. Se o diagrama não fecha, o resumo ainda não está pronto.