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Resumo De

Resumo de concordância verbal e nominal

Por Beatriz Amaral 10 min de leitura

Em 30 segundos

Concordância é a combinação entre palavras que dependem umas das outras. Na verbal, o verbo acompanha o sujeito em número e pessoa, e o segredo é achar o sujeito mesmo quando ele vem depois do verbo: chegaram as encomendas. Os casos mais cobrados são os verbos impessoais, que não têm sujeito e ficam no singular, como haver no sentido de existir e fazer indicando tempo: houve problemas, faz dez anos. Com o pronome se, é preciso separar a voz passiva, em que o verbo concorda com o sujeito, vendem-se casas, do sujeito indeterminado, em que fica no singular, precisa-se de vendedores. Na nominal, adjetivos e determinantes acompanham o substantivo, e algumas palavras exigem atenção: meio, bastante, menos, anexo e é proibido.

Um caminho de decisão para a concordância verbal que começa por achar o sujeito e separa verbos impessoais, voz passiva com se e sujeito indeterminado, e ao lado as palavras que variam ou não na concordância nominal
Ilustração: resumode.com.br

Concordar é combinar

Concordância é o nome da combinação entre palavras que dependem umas das outras na frase. Há dois tipos:

  • concordância verbal: o verbo se ajusta ao sujeito, em número e pessoa;
  • concordância nominal: artigos, adjetivos, pronomes e numerais se ajustam ao substantivo, em gênero e número.

A regra geral é intuitiva, e quase ninguém erra em frases simples. A prova cobra os lugares onde a intuição falha: sujeito fora do lugar esperado, verbo sem sujeito e palavras que às vezes variam e às vezes não.

Concordância verbal: primeiro, ache o sujeito

A pergunta que resolve a maior parte das questões é qual é o sujeito deste verbo?

Sujeito depois do verbo

Na ordem direta, o sujeito vem antes do verbo e a concordância sai sem esforço. Quando ele vem depois, o ouvido costuma falhar:

  • Chegaram as encomendas.
  • Faltam três dias para a prova.
  • Ocorreram vários acidentes na estrada.

Um bom teste é colocar a frase na ordem direta: as encomendas chegaram.

Sujeito composto

Com sujeito composto antes do verbo, o verbo vai ao plural: o diretor e os alunos chegaram.

Com sujeito composto depois do verbo, o plural continua correto, e também se aceita a concordância com o núcleo mais próximo: chegaram o diretor e os alunos, ou chegou o diretor e os alunos.

Quando os núcleos são de pessoas gramaticais diferentes, a primeira pessoa prevalece sobre a segunda e a terceira, e a segunda sobre a terceira:

  • eu e você vamos;
  • tu e ele ides, ou, no uso mais comum no Brasil, vão.

Verbos sem sujeito

Este é o caso mais cobrado. Alguns verbos são impessoais: não têm sujeito. Sem sujeito com quem concordar, ficam na terceira pessoa do singular.

Haver, no sentido de existir, acontecer ou indicando tempo decorrido:

  • Houve muitos problemas.
  • Havia poucas pessoas na sala.
  • anos que não o vejo.

Fazer, indicando tempo decorrido ou fenômeno da natureza:

  • Faz dez anos que ela se mudou.
  • Fez dias muito frios em julho.

Dois cuidados:

  1. O auxiliar herda a impessoalidade: deve haver soluções, vai fazer dois meses.
  2. Existir, acontecer e ocorrer não são impessoais. Eles têm sujeito e concordam: existem soluções, aconteceram problemas. Trocar haver por existir na mesma frase muda a concordância.

O pronome se

O se aparece em duas situações que a prova adora comparar.

Voz passiva sintética. Com verbo transitivo direto, o se é pronome apassivador, e o termo que parece objeto é, na verdade, o sujeito paciente. O verbo concorda com ele:

  • Vendem-se casas. (casas são vendidas)
  • Alugam-se salas comerciais.
  • Consertam-se relógios.

Sujeito indeterminado. Com verbo que pede preposição, com verbo intransitivo ou de ligação, o se é índice de indeterminação do sujeito, e o verbo fica no singular:

  • Precisa-se de funcionários.
  • Trata-se de casos raros.
  • Vive-se bem nesta cidade.

O teste é tentar a voz passiva com ser. Se der certo, casas são vendidas, o verbo concorda. Se não der, de funcionários são precisados não existe, fica no singular.

Expressões partitivas e quantidades

Com expressões como a maioria de, grande parte de e metade de seguidas de plural, as duas concordâncias são aceitas:

  • A maioria dos alunos faltou.
  • A maioria dos alunos faltaram.

Com mais de um, o verbo concorda com o numeral: mais de um candidato desistiu. Com mais de dois, plural: mais de dois candidatos desistiram.

Com um dos que, a forma preferida pela norma é o plural: ele é um dos que mais trabalham, porque o sujeito de trabalham é que, que retoma os que.

O verbo ser

O verbo ser tem regras próprias, porque às vezes concorda com o predicativo:

  • São duas horas. É uma hora. É meio-dia e meia.
  • Tudo são flores. (com tudo, isto, isso, aquilo como sujeito, o verbo pode concordar com o predicativo)

Concordância nominal

A regra geral

Artigo, adjetivo, pronome e numeral concordam com o substantivo a que se referem: os livros novos, aquelas casas antigas.

Quando um adjetivo se refere a dois ou mais substantivos:

  • depois deles, pode ir ao plural ou concordar com o mais próximo: língua e literatura portuguesas, ou língua e literatura portuguesa. Com gêneros diferentes, o plural fica no masculino: o livro e a revista usados;
  • antes deles, concorda com o mais próximo: bela casa e jardim.

Palavras que variam ou não conforme a função

Palavra Varia quando Não varia quando
meio é numeral, metade: meia hora, meio quilo é advérbio, um pouco: meio cansada
bastante é adjetivo, muitos: bastantes livros é advérbio, muito: bastante cansados
é adjetivo, sozinho: elas estão sós é advérbio, somente: só elas vieram; e na locução a sós
menos nunca sempre: menos pessoas
anexo, incluso sempre concordam: seguem anexas as fotos na locução em anexo
obrigado, mesmo, próprio sempre concordam: muito obrigada, elas mesmas -

É proibido, é necessário, é bom

Essas expressões dependem da presença de determinante:

  • sem artigo, ficam invariáveis: é proibido entrada, é necessário paciência, água é bom para a saúde;
  • com artigo ou determinante, concordam: é proibida a entrada, é necessária a sua paciência, esta água é boa.

Por que a concordância pesa tanto

Na fala espontânea de muitas regiões e grupos sociais do Brasil, a marca de plural aparece só no primeiro elemento: os menino chegou. É uma regra própria de variedades da língua, com lógica interna, e não falta de lógica.

Ao mesmo tempo, a concordância é um dos traços mais notados e mais julgados socialmente. Por isso a prova cobra a norma padrão com tanta insistência, e a redação de vestibular e concurso a trata como critério de domínio da escrita formal. Dominar a norma e reconhecer a variação não se contradizem: são duas competências sobre a mesma língua.

Roteiro para a prova

  1. Ache o sujeito, mesmo que ele esteja depois do verbo.
  2. Verifique se o verbo é impessoal: haver no sentido de existir, haver e fazer indicando tempo.
  3. Com se, faça o teste da passiva: deu certo, concorda; não deu, singular.
  4. Na nominal, pergunte a função: meio e bastante são advérbios ou determinam um substantivo?
  5. Desconfie das expressões com é: há artigo ou não?

O que costuma cair

  1. Identificar o sujeito posposto ao verbo e fazer a concordância com ele.
  2. Os verbos impessoais: haver no sentido de existir ou ocorrer, e haver e fazer indicando tempo decorrido.
  3. A diferença entre existir, que tem sujeito e vai ao plural, e haver, que é impessoal.
  4. A voz passiva sintética com se e o se como índice de indeterminação do sujeito.
  5. Sujeito composto anteposto e posposto ao verbo, e sujeito com pessoas gramaticais diferentes.
  6. Palavras que variam ou não conforme a função: meio, bastante, menos, só, anexo, obrigado e mesmo.
  7. Expressões como é proibido, é necessário e é bom, com e sem artigo.

Onde quase todo mundo erra

Houveram muitos problemas na reunião

No sentido de existir ou acontecer, haver é impessoal: não tem sujeito, e muitos problemas é o objeto. Sem sujeito com quem concordar, o verbo fica na terceira pessoa do singular: houve muitos problemas. A impessoalidade passa para o auxiliar: deve haver soluções, e não devem haver. Já existir tem sujeito e concorda: existiram muitos problemas.

Fazem dez anos que ela se mudou

Indicando tempo decorrido ou fenômeno da natureza, fazer é impessoal e fica no singular: faz dez anos, fez dias muito quentes. Dez anos não é sujeito, é complemento. A mesma regra vale para o auxiliar: vai fazer dois meses, e não vão fazer.

Aluga-se salas comerciais

Com verbo transitivo direto, o se forma voz passiva, e o termo que parece objeto é o sujeito paciente: salas comerciais são alugadas. Por isso o verbo concorda com ele: alugam-se salas comerciais. O singular só é obrigatório quando o se indetermina o sujeito, o que acontece com verbo que pede preposição: precisa-se de funcionários, trata-se de casos raros.

Ela ficou meia confusa com a explicação

Meio, no sentido de um pouco, é advérbio e não varia: meio confusa, meio cansados. Só concorda quando é numeral e significa metade: meia hora, meio quilo, meia porção. A mesma lógica vale para bastante: bastantes livros, quando equivale a muitos, e bastante cansados, quando equivale a muito.

Havia menas pessoas do que no ano passado

Menas não existe na norma padrão. Menos é invariável em qualquer situação: menos pessoas, menos dinheiro, menos tempo. O erro vem de aplicar a menos a flexão de feminino que outras palavras de quantidade têm, como muitas e poucas.

Segue anexo as fotos do evento

Anexo é adjetivo e concorda com o substantivo, e o sujeito aqui é as fotos, posposto ao verbo. A forma padrão é seguem anexas as fotos. Quem quiser uma forma invariável pode usar a locução em anexo: segue em anexo o relatório, seguem em anexo as fotos. O mesmo vale para incluso, obrigado e mesmo: elas mesmas, muito obrigada.

Cards de revisão

8 perguntas

Qual é a concordância de haver no sentido de existir?
Terceira pessoa do singular, porque é impessoal: houve falhas, havia dúvidas.
Qual é a concordância de existir?
Concorda com o sujeito, que vai ao plural quando necessário: existem falhas.
Vende-se casas ou vendem-se casas?
Vendem-se casas. É voz passiva, e casas é o sujeito paciente.
Precisa-se de vendedores ou precisam-se de vendedores?
Precisa-se de vendedores. O verbo pede preposição, o se indetermina o sujeito e o verbo fica no singular.
Como concordar com a maioria dos alunos?
O verbo pode ficar no singular, com a maioria, ou ir ao plural, com alunos. As duas formas são aceitas.
É proibido entrada ou é proibida entrada?
É proibido entrada, sem artigo. Com artigo, a expressão concorda: é proibida a entrada.
Eu e você vamos ou vão?
Vamos. Com sujeitos de pessoas diferentes, prevalece a primeira pessoa sobre as outras.
Mais de um aluno faltou ou faltaram?
Faltou, no singular, concordando com o numeral um.

Beatriz Amaral

Coordenação editorial e resumos de literatura e língua portuguesa

Coordena a linha editorial do site e escreve os resumos de obras literárias. Lê a obra inteira antes de escrever, monta o esqueleto da narrativa em um diagrama e só depois redige. Se o diagrama não fecha, o resumo ainda não está pronto.

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