Resumo de placas tectônicas: deriva continental, limites e terremotos
Por Otávio Ribeiro 10 min de leitura
Em 30 segundos
A camada rígida externa da Terra não é uma casca inteiriça: está partida em placas que se movem poucos centímetros por ano sobre uma camada quente e plástica do manto. Esse movimento é lento demais para ser percebido e forte o bastante para abrir oceanos e levantar cordilheiras. Onde duas placas se afastam, material do manto sobe e cria crosta nova; onde elas se aproximam, uma mergulha sob a outra ou as duas se amassam e formam montanhas; onde deslizam lado a lado, a fricção se acumula e é liberada em terremotos. A ideia de que os continentes se moveram foi proposta em 1912 e rejeitada por décadas, porque faltava explicar o que os empurraria. A resposta apareceu no fundo do mar, nos anos 1960.
O que existe abaixo do chão
A Terra é organizada em camadas de composição e comportamento diferentes.
| Camada | Característica |
|---|---|
| Crosta | A casca externa de rocha. Fina sob os oceanos, mais espessa e menos densa sob os continentes |
| Manto | A camada mais volumosa, de rocha quente. A parte superior é capaz de escoar lentamente |
| Núcleo externo | Metálico e líquido. É o movimento nele que gera o campo magnético do planeta |
| Núcleo interno | Metálico e sólido, apesar da temperatura altíssima, por causa da pressão |
Para a tectônica, importa uma segunda divisão, que separa as camadas pelo comportamento mecânico e não pela composição:
- Litosfera: a crosta somada ao topo do manto. É rígida e quebradiça, e é ela que está partida em placas.
- Astenosfera: logo abaixo, é rocha sólida e quente que se deforma devagar, permitindo que as placas deslizem sobre ela.
A astenosfera não é um oceano de lava. É rocha que flui na escala de milhões de anos, o que é bem diferente de rocha derretida.
A ideia que ninguém aceitou
Em 1912, o meteorologista alemão Alfred Wegener apresentou a hipótese da deriva continental: as terras emersas já formaram um bloco único, que ele chamou de Pangeia, e depois se separaram.
Os indícios reunidos por ele eram bons:
- o encaixe entre a costa leste da América do Sul e a costa oeste da África;
- fósseis da mesma espécie em continentes hoje separados por oceanos, de animais que não atravessariam o mar;
- formações rochosas e cadeias de montanhas que continuam de um lado ao outro do Atlântico;
- marcas de glaciação antiga em regiões hoje tropicais.
Faltava responder à pergunta decisiva: que força seria capaz de mover continentes inteiros? Sem mecanismo, a comunidade científica rejeitou a hipótese, e ela ficou quase cinquenta anos à margem.
O mecanismo apareceu no fundo do mar
O mapeamento do assoalho oceânico, a partir da década de 1950, mudou o quadro. Descobriu-se uma cadeia de montanhas submarinas atravessando os oceanos, as dorsais, e constatou-se algo surpreendente: a rocha do fundo do mar é tanto mais nova quanto mais perto da dorsal, e tanto mais antiga quanto mais longe.
A explicação, proposta por Harry Hess, é a expansão do fundo oceânico: material quente sobe pela dorsal, solidifica e empurra para os lados a crosta já existente.
A confirmação veio do magnetismo. O campo magnético da Terra inverte de polaridade de tempos em tempos, e cada faixa de rocha nova registra a polaridade vigente quando se solidificou. O resultado é um padrão de faixas simétricas dos dois lados da dorsal, como um par de códigos de barras espelhados. Era a prova que faltava.
Nos anos 1960, deriva continental e expansão oceânica se uniram na teoria da tectônica de placas.
Os três tipos de limite
Quase tudo o que a prova cobra está aqui.
| Limite | Movimento | O que produz | Exemplo |
|---|---|---|---|
| Divergente | As placas se afastam | Crosta nova, dorsais, vulcanismo, rifte | Dorsal Mesoatlântica, Islândia |
| Convergente | As placas se aproximam | Fossas, cordilheiras, vulcões, terremotos profundos | Andes, Himalaia, Japão |
| Transformante | As placas deslizam lado a lado | Terremotos frequentes, sem criar nem destruir crosta | Falha de San Andreas |
O limite convergente tem três casos distintos, e a diferença entre eles cai com frequência:
- Oceânica com continental. A placa oceânica, mais densa, mergulha sob a continental. É a subducção, que cria uma fossa profunda no mar e uma cordilheira com vulcões em terra. É a origem dos Andes.
- Oceânica com oceânica. Uma mergulha sob a outra e forma um arco de ilhas vulcânicas, como o arquipélago japonês.
- Continental com continental. Nenhuma das duas é densa o bastante para afundar, e o resultado é amassamento. Assim se formou o Himalaia, que continua ganhando altura.
Terremotos e vulcões não estão espalhados ao acaso
Se você marcar num mapa os epicentros dos terremotos e a posição dos vulcões ativos, eles desenham linhas. Essas linhas são os limites das placas, e é essa coincidência que sustenta a teoria.
A concentração mais conhecida é o Círculo de Fogo do Pacífico, faixa que contorna aquele oceano e reúne a maior parte da atividade sísmica e vulcânica do planeta, justamente onde há subducção em quase toda a volta.
O terremoto ocorre quando o atrito entre duas placas trava o movimento, a rocha acumula deformação e, ao romper, libera a energia guardada em ondas que se propagam a partir do hipocentro, no interior da Terra. O ponto da superfície logo acima é o epicentro. Quando o deslocamento acontece no fundo do mar, a coluna de água é empurrada e pode gerar um tsunami.
Onde o Brasil se encaixa
O território brasileiro fica bem no interior da placa Sul-Americana, longe das bordas. Duas consequências diretas:
- Baixa atividade sísmica. Tremores acontecem, e alguns são sentidos pela população, mas raramente atingem magnitudes destrutivas.
- Relevo antigo e desgastado. Sem dobramentos recentes, as formas do relevo brasileiro resultam sobretudo da erosão ao longo de muito tempo, o que explica planaltos rebaixados e a ausência de cordilheiras jovens.
A borda oeste da mesma placa, em contato com a placa de Nazca, é outra história: ali está a subducção que levantou os Andes e que faz de Chile e Peru países de terremoto frequente.
Como isso costuma cair
Relacione limite e forma de relevo. A questão dá o exemplo e pede o tipo, ou o contrário.
Separe a hipótese da teoria. Wegener propôs o movimento; os anos 1960 explicaram a causa.
Use o argumento das provas. Fóssil, encaixe, rocha e magnetismo são quatro evidências independentes que apontam para a mesma conclusão, e é essa convergência que a prova quer que você reconheça.
O que costuma cair
- A diferença entre a hipótese da deriva continental e a teoria da tectônica de placas, separadas por cerca de cinquenta anos.
- As provas que sustentam a teoria: encaixe dos continentes, fósseis, formações rochosas e o magnetismo registrado no fundo do oceano.
- Os três tipos de limite entre placas e a forma de relevo que cada um produz.
- A relação entre limites de placa e a distribuição de terremotos e vulcões, sobretudo no Círculo de Fogo do Pacífico.
- A posição do Brasil no interior de uma placa e o que isso significa para a atividade sísmica no país.
Onde quase todo mundo erra
Os continentes flutuam sobre um mar de lava
Abaixo da litosfera está a astenosfera, que é rocha sólida e muito quente, capaz de escoar lentamente ao longo de milhões de anos, como asfalto num dia de calor. Magma existe em bolsões e em pontos específicos, não numa camada contínua de líquido. A imagem do continente boiando em lava atrapalha entender por que o movimento é tão lento e tão constante.
Wegener criou a teoria das placas tectônicas
Ele propôs a deriva continental em 1912, reunindo indícios fortes de que os continentes já estiveram unidos, e não conseguiu explicar que força os moveria. Por isso a hipótese ficou marginal por décadas. A tectônica de placas só se firmou nos anos 1960, quando o estudo do fundo oceânico revelou o mecanismo que faltava. Chamar as duas de mesma coisa apaga o problema que travou a ciência no meio do caminho.
Terremoto é o choque repentino de duas placas
As placas se movem o tempo todo, devagar e sem espetáculo. O que acontece de repente é a ruptura: o atrito trava o contato entre elas durante anos, a rocha vai acumulando deformação como uma mola comprimida, e num instante essa energia é liberada em ondas. O tremor é o fim de um processo longo, não um encontrão.
No Brasil não existe terremoto
Existem, apenas costumam ser fracos e pouco noticiados. O país fica no interior da placa Sul-Americana, longe das bordas, onde a maior parte da energia é liberada; ainda assim, falhas antigas e ajustes internos da placa produzem tremores registrados em vários estados. A frase correta é que o Brasil tem baixa atividade sísmica, não que não tenha nenhuma.
Um terremoto de magnitude 8 é duas vezes mais forte que um de magnitude 4
As escalas de magnitude são logarítmicas, e cada ponto inteiro representa cerca de trinta vezes mais energia liberada. Entre 4 e 8 há quatro pontos de diferença, o que significa uma diferença de milhões de vezes, e não de duas. É por isso que tremores de magnitude 3 passam despercebidos e os de magnitude 8 destroem cidades inteiras.
Vulcão só aparece onde uma placa mergulha sob a outra
A subducção é o caso mais conhecido, mas não o único. Nas dorsais oceânicas, onde as placas se afastam, o material que sobe forma vulcões submarinos ao longo de toda a cadeia, e na Islândia isso acontece em terra firme. Há ainda os pontos quentes, plumas de material aquecido que atravessam o interior da placa e formam ilhas como as do Havaí, longe de qualquer limite.
Cards de revisão
7 perguntas
- Quais são as camadas da Terra, do exterior para o interior?
- Crosta, manto e núcleo, sendo o núcleo dividido em externo, líquido, e interno, sólido.
- Qual é a diferença entre litosfera e astenosfera?
- A litosfera é a camada rígida que reúne a crosta e o topo do manto; a astenosfera, logo abaixo, é sólida e plástica, e escoa lentamente.
- O que foi a Pangeia?
- O supercontinente que reunia as terras emersas e começou a se fragmentar há cerca de 200 milhões de anos.
- Quais são os três tipos de limite entre placas?
- Divergente, quando se afastam; convergente, quando se aproximam; e transformante, quando deslizam lateralmente.
- O que é subducção?
- O mergulho de uma placa mais densa sob outra, num limite convergente, formando fossas oceânicas e cadeias vulcânicas.
- Como se formou a cordilheira do Himalaia?
- Pela colisão entre duas placas continentais, a Indiana e a Eurasiática, que se amassaram em vez de uma mergulhar sob a outra.
- O que é o Círculo de Fogo do Pacífico?
- A faixa em torno do oceano Pacífico onde se concentram a maioria dos vulcões ativos e dos terremotos do planeta, coincidindo com limites de placas.
Otávio Ribeiro
Resumos de história e ciências humanas
Escreve os resumos de história e de ciências humanas, com atenção a causas, disputas e consequências. Começa pelo fim: escreve primeiro qual foi a consequência duradoura do processo e depois volta para explicar como se chegou até ali.