Ir direto para o conteúdo
Resumo De

Resumo de Max Weber: ação social, tipo ideal e a ética protestante

Por Otávio Ribeiro 10 min de leitura

Em 30 segundos

Para Weber, a sociologia deve compreender o sentido que as pessoas dão às próprias ações. O ponto de partida não é uma estrutura que se impõe de fora, como em Durkheim, e sim a ação social: toda conduta orientada pelo comportamento de outras pessoas. Ele distingue quatro tipos de ação, conforme o motivo: racional com relação a fins, racional com relação a valores, afetiva e tradicional. Para estudar a realidade, usa tipos ideais, modelos que exageram traços típicos para permitir comparação. Sua obra mais conhecida mostra a afinidade entre a ética de certos grupos protestantes, que valorizava o trabalho metódico e a poupança, e o espírito do capitalismo moderno. Weber descreve ainda a racionalização crescente da vida moderna e os tipos de dominação.

Os quatro tipos de ação social de Weber em quatro quadros, com o tipo ideal como régua de comparação e os três tipos de dominação legítima
Ilustração: resumode.com.br

Compreender, e não só explicar

Max Weber é, com Durkheim e Marx, um dos três autores clássicos da sociologia. O que o diferencia é o ponto de partida.

Para Weber, a vida social é feita de ações de indivíduos que dão sentido ao que fazem. Por isso a tarefa do sociólogo não é apenas medir regularidades de fora: é compreender o sentido que os agentes atribuem às suas ações. O nome dessa abordagem é sociologia compreensiva.

Compreender não significa aprovar nem simpatizar. Significa reconstruir o motivo de uma conduta para poder explicá-la. E Weber exige do pesquisador neutralidade axiológica: separar o que se observa dos próprios juízos de valor.

Ação social

Nem toda ação é social. Weber chama de ação social a conduta cujo sentido está orientado pelo comportamento de outras pessoas, que podem estar presentes, ausentes ou até ser desconhecidas.

  • Esbarrar em alguém sem querer não é ação social.
  • Pedir desculpas em seguida é.
  • Poupar dinheiro pensando no que os outros vão pagar amanhã também é.

Os quatro tipos de ação

Tipo O que move a ação Exemplo
Racional com relação a fins O cálculo dos meios mais eficientes para atingir um objetivo Escolher um curso pela empregabilidade
Racional com relação a valores A convicção num valor, independentemente das consequências Recusar uma vantagem por considerá-la desonesta
Afetiva Emoções e estados de ânimo Reagir com raiva a uma ofensa
Tradicional O costume arraigado Seguir um ritual familiar porque sempre foi assim

Na vida real, as ações misturam motivos. A classificação serve para identificar o que predomina.

O tipo ideal

Para comparar fenômenos tão variados, Weber propõe o tipo ideal: um modelo construído pelo pesquisador que acentua traços característicos de um fenômeno e os organiza de forma coerente.

“Capitalismo”, “burocracia” e “líder carismático” podem ser tratados como tipos ideais. Nenhum caso real é idêntico ao modelo, e é justamente por isso que ele é útil: medindo a distância entre o caso e o tipo, o pesquisador enxerga o que é particular em cada situação.

Ideal, aqui, vem de ideia. Não é um modelo a ser seguido.

A ética protestante e o espírito do capitalismo

É a obra mais cobrada. Weber parte de uma observação feita na Alemanha de sua época: regiões e grupos protestantes pareciam mais presentes na vida empresarial e técnica. A pergunta é que tipo de mentalidade estaria por trás disso.

A resposta passa por grupos protestantes de tradição calvinista e puritana:

  • a ideia de vocação transformava o trabalho cotidiano num dever religioso;
  • a doutrina da predestinação gerava a busca de sinais de uma vida aprovada, e o êxito no trabalho disciplinado podia ser lido assim;
  • o ascetismo condenava o gasto com luxo e prazer.

O resultado prático era uma vida de trabalho metódico, lucro reinvestido e poupança. Weber vê uma afinidade entre essa conduta e o espírito do capitalismo, entendido como a disposição de ganhar dinheiro de forma racional e contínua, como fim em si.

Dois cuidados são essenciais:

  1. Não é uma explicação de causa única. O próprio autor diz que não quer trocar a explicação econômica exclusiva por uma religiosa igualmente exclusiva.
  2. O espírito se desprende da origem. Com o tempo, o capitalismo já estabelecido não precisa mais de motivação religiosa; funciona por conta própria, como uma engrenagem.

Racionalização e desencantamento

A modernidade, para Weber, é marcada pela racionalização: cálculo, previsibilidade, regras escritas, especialização, ciência e técnica organizando cada vez mais áreas da vida.

Junto com isso vem o desencantamento do mundo: as explicações mágicas perdem espaço, e o mundo passa a ser visto como algo que pode, em princípio, ser dominado pelo cálculo. O processo traz eficiência e também perda de sentido, e Weber não esconde a ambiguidade.

Poder, dominação e Estado

Weber diferencia:

  • Poder: a probabilidade de impor a própria vontade numa relação social, mesmo contra resistência.
  • Dominação: a probabilidade de uma ordem ser obedecida por quem a reconhece como legítima.

E propõe três tipos de dominação legítima:

Tipo Base da legitimidade Exemplo típico
Tradicional Os costumes e a santidade da tradição Patriarcas, monarquias hereditárias
Carismática Qualidades extraordinárias atribuídas a um líder Profetas, heróis, líderes de movimentos
Legal ou burocrática Regras impessoais e procedimentos Administração pública moderna

É nesse contexto que aparece sua definição de Estado moderno: a comunidade que reivindica com sucesso o monopólio do uso legítimo da força física dentro de um território.

Weber, Durkheim e Marx

Durkheim Weber Marx
Ponto de partida Fato social Ação social Relações de produção
Método Tratar os fatos como coisas Compreender o sentido da ação Materialismo histórico
Ênfase Coesão e normas Sentido e racionalização Conflito de classes

Como cair bem numa prova sobre Weber

Comece pela ação social. É o conceito que separa Weber de Durkheim.

Explique o tipo ideal como régua. Nunca como algo desejável.

Fale em afinidade na ética protestante. Dizer que o protestantismo causou o capitalismo é o erro que a questão costuma plantar.

O que costuma cair

  1. A definição de ação social e o que distingue a sociologia compreensiva de Weber do método de Durkheim.
  2. Os quatro tipos de ação social e exemplos de cada um.
  3. O tipo ideal como instrumento de análise, e não como modelo de conduta.
  4. A tese da afinidade entre ética protestante e espírito do capitalismo, sem leitura de causa única.
  5. Os tipos de dominação e a definição de Estado como monopólio do uso legítimo da força.

Onde quase todo mundo erra

Weber disse que o protestantismo criou o capitalismo

A tese é mais cuidadosa. Weber aponta uma afinidade entre certa ética religiosa, que via no trabalho metódico e na vida disciplinada sinais de uma conduta aprovada, e a mentalidade de acumulação racional típica do capitalismo moderno. Ele afirma explicitamente que não pretende substituir uma explicação econômica unilateral por uma explicação religiosa igualmente unilateral.

Tipo ideal é o modelo ideal, aquilo que deveria ser

Ideal aqui vem de ideia, não de perfeição. O tipo ideal é uma construção mental que acentua traços característicos de um fenômeno para servir de régua na comparação com casos reais. Nenhum caso concreto corresponde exatamente a ele, e ele não diz nada sobre como as coisas deveriam ser.

Ação social é qualquer coisa que uma pessoa faz

Só é ação social a conduta cujo sentido está orientado pelo comportamento de outras pessoas, presentes, ausentes ou até futuras. Abrir o guarda-chuva porque começou a chover não é ação social. Abrir o guarda-chuva porque todos abriram, para não destoar, passa a ser.

Weber defendia o uso da violência pelo Estado

A frase sobre o monopólio do uso legítimo da força física é uma definição do que caracteriza o Estado moderno, e não uma defesa. Weber observa que o Estado é a comunidade que reivindica com sucesso esse monopólio num território. O foco está em legitimidade: a força só é aceita quando reconhecida como autorizada.

Weber e Durkheim estudavam a sociedade do mesmo jeito

Durkheim parte do fato social, exterior e coercitivo, e propõe tratá-lo como coisa, observando de fora. Weber parte da ação individual e do sentido que o agente atribui a ela, e propõe compreendê-lo. Um enfatiza a sociedade que molda o indivíduo; o outro, os indivíduos cujas ações, somadas, formam as relações sociais.

Cards de revisão

6 perguntas

O que é ação social para Weber?
A conduta humana cujo sentido está orientado pelo comportamento de outras pessoas.
Quais são os quatro tipos de ação social?
Racional com relação a fins, racional com relação a valores, afetiva e tradicional.
Dê um exemplo de ação tradicional.
Seguir um costume de família em datas festivas simplesmente porque sempre foi assim, sem calcular fins nem refletir sobre valores.
O que é desencantamento do mundo?
O processo pelo qual explicações mágicas perdem espaço para explicações racionais e técnicas na vida moderna.
Quais são os tipos de dominação legítima?
Tradicional, baseada nos costumes; carismática, baseada nas qualidades extraordinárias de um líder; e legal, baseada em regras impessoais, típica da burocracia.
Como Weber define o Estado moderno?
Como a comunidade humana que reivindica com sucesso o monopólio do uso legítimo da força física dentro de um território.

Otávio Ribeiro

Resumos de história e ciências humanas

Escreve os resumos de história e de ciências humanas, com atenção a causas, disputas e consequências. Começa pelo fim: escreve primeiro qual foi a consequência duradoura do processo e depois volta para explicar como se chegou até ali.

Voltar para Escola