Ir direto para o conteúdo
Resumo De
Livro físico em loja segura Capa de Memórias Póstumas de Brás Cubas, edição de luxo Comprar Brás CubasEdição de luxo do romance de Machado. Ótima para presentear. Melhor escolha. Site seguro

Link patrocinado

Resumo de Memórias Póstumas de Brás Cubas

Por Beatriz Amaral 9 min de leitura

WhatsApp
Mais opções
Facebook Telegram E-mail

Em 30 segundos

Brás Cubas escreve as próprias memórias depois de morto. Essa condição libera o narrador de qualquer compromisso com a boa imagem: ele conta, sem filtro e com ironia, uma vida inteira de privilégio, oportunidades desperdiçadas e vaidade. Nasce rico, é mimado, inventa um remédio que não funciona, tem um caso longo com Virgília, mulher casada, flerta com a política, com a filosofia e com a caridade, e não termina nada. No último capítulo, faz o balanço: o único saldo positivo da sua existência foi não ter tido filhos, e portanto não ter passado adiante a herança da nossa miséria.

Duas linhas do tempo sobrepostas: a vida de Brás Cubas de 1805 a 1869 e a narração, que começa pela morte e volta ao nascimento
Imagem: resumode.com.br

A inversão que abre o livro

O romance começa pelo fim. Nos primeiros capítulos, Brás Cubas narra o próprio velório, com onze amigos presentes, e explica a escolha: se tivesse escrito em vida, teria precisado poupar gente. Morto, não precisa mais.

Essa inversão não é um truque decorativo. Ela resolve, de uma vez, o maior problema de qualquer memória escrita por alguém interessado na própria imagem. Um autobiógrafo vivo está sempre se defendendo. Um narrador que já morreu não tem reputação a preservar, herança a garantir nem inimigo a poupar. Daí o tom do livro inteiro: solto, irônico, capaz de rir da própria falência.

O livro se dedica “ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver”. A dedicatória avisa, antes do primeiro capítulo, que ali não haverá reverência a nada.

O que acontece na vida narrada

Brás Cubas nasce em 1805, em família rica do Rio de Janeiro. É filho único, criado com mimo e sem limite, e o livro registra com precisão as consequências: uma criança que aprende cedo que pode tudo, e um adulto que nunca precisou concluir nada.

Os episódios principais:

  • Marcela, a cortesã que o consome financeiramente na juventude e que, na formulação do próprio narrador, o amou durante certo tempo e certa quantia de dinheiro;
  • Coimbra, onde se forma em direito sem esforço, sustentado pela família;
  • Virgília, o grande caso da vida adulta. Eles se aproximam, ela é encaminhada a um casamento mais vantajoso com Lobo Neves, e o romance continua clandestino por anos, com a cumplicidade involuntária de Dona Plácida, empregada pobre que serve de cobertura;
  • a política, em que Brás consegue uma cadeira de deputado e faz um discurso memorável sobre o tamanho da barretina da Guarda Nacional;
  • o emplasto, um remédio que ele pretende inventar para curar a melancolia humana e, de quebra, tornar seu nome imortal. Morre sem terminá-lo, de uma pneumonia contraída justamente enquanto pensava nele.

Nenhum desses fios se resolve. Todos servem para mostrar a mesma coisa por ângulos diferentes.

A forma: por que os capítulos são assim

São mais de 160 capítulos em um livro curto. Alguns têm meia página. Um deles, “Do velho diálogo de Adão e Eva”, é feito quase só de pontuação. Outro se chama “O capítulo dos chapéus”. Vários interrompem a história para discutir se a história deve ser interrompida.

Essa forma cumpre três funções:

  1. imita a memória real, que salta, esquece e volta, em vez de correr em linha reta;
  2. impede a identificação sentimental, porque o leitor nunca é deixado mergulhar na cena antes de o narrador aparecer e comentar;
  3. espelha a vida narrada, feita de começos sem fim.

Machado também usa o recurso de conversar com o leitor, ora acusando-o de pressa, ora agradecendo sua paciência. Esse leitor interpelado não é decoração: ele é chamado para julgar, e às vezes para se reconhecer.

Quincas Borba e o Humanitismo

Quincas Borba é um antigo colega de escola que Brás reencontra na miséria e depois rico. Ele apresenta uma filosofia própria, o Humanitismo, segundo a qual existe um princípio único que anima tudo, e os indivíduos são apenas manifestações passageiras desse princípio.

A consequência prática da doutrina aparece no exemplo mais conhecido: duas tribos famintas, uma batata que só alimenta uma delas, uma guerra. Para o Humanitismo, a guerra não é uma tragédia, é o meio pelo qual o princípio maior seleciona quem sobrevive. Ao vencedor, as batatas.

É uma paródia. No século XIX circulavam com prestígio o positivismo, o evolucionismo aplicado à sociedade e várias doutrinas que explicavam a desigualdade como lei natural. O Humanitismo leva esse raciocínio ao limite para mostrar o que ele autoriza: qualquer crueldade, desde que praticada pelo lado que ganhou.

O que o livro diz sobre o Brasil da época

Sem nunca fazer denúncia direta, o romance registra:

  • uma elite que vive de renda, herança e favor, sem produzir nada;
  • casamentos decididos por cálculo de posição social;
  • a presença de pessoas escravizadas tratada como paisagem natural, inclusive no episódio em que Brás recorda ter usado um menino escravizado como cavalo na infância e o reencontra adulto, agora batendo em outro;
  • a caridade como instrumento de vaidade, não de compaixão.

Brás não denuncia nada disso, porque faz parte. É o leitor que vê.

A negativa final

No último capítulo, Brás faz as contas. Não alcançou a celebridade do emplasto, não foi ministro, não foi califa, não conheceu o casamento. Restou-lhe, diz, um pequeno saldo: não ter transmitido a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.

É a frase mais seca do livro e a mais coerente com ele. Depois de duzentas páginas de ironia, a conclusão não é um arrependimento nem uma redenção. É a constatação de que a única coisa boa de uma vida inútil foi não tê-la multiplicado.

O que costuma cair

  1. O narrador defunto autor, a inversão que dá ao livro liberdade de tom e o distingue de qualquer autobiografia convencional.
  2. A abertura do Realismo brasileiro em 1881 e a ruptura com a idealização romântica de amor, família e caráter.
  3. A estrutura em capítulos curtos, as digressões, os títulos irônicos e a interpelação direta do leitor.
  4. O Humanitismo de Quincas Borba como paródia das filosofias deterministas que circulavam no século XIX.
  5. O capítulo final e a chamada negativa: a conclusão de que não deixar descendentes foi o pequeno saldo de uma vida inútil.

Onde quase todo mundo erra

Dizer que o livro é narrado por um fantasma

Machado é preciso na distinção: não é um autor defunto, é um defunto autor. Brás não volta como assombração para contar a história; ele escreve a partir da morte, o que é uma convenção literária deliberada. A diferença importa porque ela é a piada de abertura e a chave do tom.

Ler as opiniões de Brás Cubas como opiniões de Machado de Assis

Brás é um narrador vaidoso, preconceituoso e autoindulgente, e o livro existe para expor isso. Quando ele trata escravizados, mulheres ou pobres com desdém, o texto está mostrando a mentalidade da elite carioca, não subscrevendo a mentalidade dela.

O Humanitismo é a filosofia que o livro defende

O Humanitismo de Quincas Borba é uma sátira. Ao concluir que ao vencedor cabem as batatas e que a dor alheia é apenas parte de um plano superior, a doutrina serve para ridicularizar o darwinismo social e o cientificismo consolador da época.

Procurar um enredo linear com começo, meio e fim

O livro é feito de fragmentos, saltos e interrupções, incluindo um capítulo só de reticências. A desorganização é proposital: ela imita uma vida sem projeto e sem realização, e responde à pergunta sobre a forma tanto quanto o conteúdo responde sobre o tema.

Cards de revisão

6 perguntas

O que significa a expressão defunto autor?
Que Brás Cubas escreve depois de morto, e não que um autor vivo narre a morte. A ordem das palavras é a piada e a chave do livro.
Por que o romance abre o Realismo no Brasil?
Porque em 1881 rompe com a idealização romântica e traz ironia, análise psicológica e crítica social sem consolo.
Quem é Virgília e qual o papel dela no enredo?
A mulher com quem Brás mantém um longo caso. Ela se casa com Lobo Neves por conveniência e revela o cálculo social que move a elite.
O que é o Humanitismo?
A filosofia inventada por Quincas Borba, que justifica a desgraça alheia como parte de um princípio maior. Funciona como paródia do cientificismo do século XIX.
Qual é a conclusão do capítulo final?
Que o saldo da vida de Brás foi negativo, com um único ganho: não ter tido filhos e não ter transmitido a ninguém a herança da miséria humana.
Por que o emplasto Brás Cubas é significativo?
Porque resume o personagem: uma invenção movida por vaidade e desejo de fama, nunca concluída, que só traz sofrimento ao inventor.
WhatsApp
Mais opções
Facebook Telegram E-mail

Beatriz Amaral

Coordenação editorial e resumos de literatura e língua portuguesa

Coordena a linha editorial do site e escreve os resumos de obras literárias. Lê a obra inteira antes de escrever, monta o esqueleto da narrativa em um diagrama e só depois redige. Se o diagrama não fecha, o resumo ainda não está pronto.

Voltar para Escola