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Resumo da Revolução Industrial

Por Otávio Ribeiro 9 min de leitura

Em 30 segundos

A Revolução Industrial é a passagem de uma produção feita à mão, em oficinas e no campo, para uma produção feita por máquinas, em fábricas, movida por energia comprada. Começou na Inglaterra na segunda metade do século XVIII porque ali se reuniram capital acumulado no comércio, carvão abundante, mão de obra liberada do campo, mercado consumidor e um Estado favorável aos negócios. A primeira fase gira em torno de carvão, vapor, ferro e tecido de algodão. A segunda, a partir de 1870, muda a fonte de energia para eletricidade e petróleo e espalha a industrialização por outros países. O efeito mais duradouro não é técnico: é a reorganização do trabalho, do tempo e da cidade.

As duas primeiras fases da Revolução Industrial comparadas por energia, material, transporte e organização do trabalho
Ilustração: resumode.com.br

Por que na Inglaterra e não em outro lugar

A pergunta não é retórica: outros países tinham inventores, minas e comerciantes. O que a Inglaterra reuniu foi a combinação completa.

  • Capital disponível. Séculos de comércio marítimo, incluindo o tráfico de pessoas escravizadas e o comércio colonial, acumularam recursos em mãos privadas e criaram um sistema bancário capaz de financiar investimento.
  • Mão de obra liberada. Os cercamentos transformaram terras de uso comunal em propriedade privada cercada, voltada à criação de ovelhas e à agricultura comercial. Milhares de famílias camponesas perderam acesso à terra e foram para as cidades sem alternativa a não ser vender a própria força de trabalho.
  • Carvão e ferro. As duas matérias-primas essenciais existiam em abundância e próximas uma da outra, o que reduzia o custo de transporte.
  • Mercado. O império colonial garantia fornecimento de algodão e compra de tecido, e a população interna já tinha alguma capacidade de consumo.
  • Ambiente institucional. Depois das revoluções do século XVII, o poder real estava limitado pelo Parlamento, a propriedade era protegida e o Estado apoiava a expansão comercial.

A isso se soma uma cultura técnica prática: oficinas, mecânicos, associações de melhoramentos e patentes que davam retorno a quem aperfeiçoava um processo.

Primeira fase: carvão, vapor e algodão

O setor onde tudo começa é o têxtil de algodão. A sequência de invenções, da spinning jenny ao tear mecânico, aumenta a produção de fio e de tecido em ordens de grandeza. O gargalo se desloca de uma etapa para outra e cada gargalo estimula a invenção seguinte.

A máquina a vapor, aperfeiçoada por James Watt, é o que liberta a fábrica da necessidade de ficar à beira de um rio para usar roda d’água. A partir daí, a fábrica pode ser instalada onde houver carvão e trabalhadores, o que concentra a produção nas cidades.

Em seguida vem o transporte: a locomotiva e o navio a vapor barateiam o deslocamento de matéria-prima e de mercadoria, integrando mercados antes separados.

A mudança mais profunda, porém, é organizacional. No trabalho artesanal, a pessoa controlava o ritmo, dominava o processo inteiro e trabalhava por tarefa. Na fábrica, o ritmo é da máquina, a tarefa é fragmentada, a jornada é medida por relógio e a disciplina é imposta por multa e vigilância. É essa passagem, mais do que qualquer engenho específico, que define a industrialização.

Segunda fase: eletricidade, petróleo e aço

A partir de 1870, o processo muda de patamar e deixa de ser inglês.

Primeira fase Segunda fase
Energia carvão e vapor eletricidade e petróleo
Material ferro aço
Setores têxtil siderurgia, química, elétrica
Transporte ferrovia, navio a vapor automóvel, navio de aço
Organização fábrica com disciplina de horário linha de montagem e tarefa fragmentada
Alcance Inglaterra Alemanha, Estados Unidos, França, Japão

Surgem a produção em série, a padronização de peças, a administração científica do trabalho e as grandes empresas com estrutura gerencial. A concentração de capital cria monopólios, cartéis e trustes.

É também nessa fase que a industrialização se liga diretamente ao imperialismo. Produzir mais exige mais matéria-prima e mais consumidores, e as potências industriais passam a disputar territórios na África e na Ásia com esse objetivo econômico somado a motivações políticas e ideológicas.

O custo humano e a reação

Nas primeiras décadas, as cidades industriais cresceram muito mais rápido do que saneamento, moradia e abastecimento. Bairros operários se formaram sem água tratada nem esgoto, com surtos de cólera e tifo. Estudos da época registram queda da expectativa de vida em centros como Manchester em comparação com áreas rurais.

Jornadas de doze a dezesseis horas eram comuns. Crianças trabalhavam em minas e em fábricas, muitas vezes por serem pequenas o suficiente para alcançar espaços que adultos não alcançavam.

As reações se organizaram em etapas:

  1. Ludismo, nas primeiras décadas do século XIX: destruição de máquinas como resposta imediata à perda do emprego. Reação direta, sem programa.
  2. Associações de socorro mútuo e primeiros sindicatos, à medida que a organização por ofício se torna possível.
  3. Cartismo, a partir de 1838: um movimento político de massa que reivindica ao Parlamento sufrágio universal masculino, voto secreto e remuneração de parlamentares, para que trabalhadores pudessem ser eleitos.
  4. Legislação fabril, com limites progressivos de jornada e de idade mínima, conquistados por pressão e por preocupação de setores da própria elite com a saúde da força de trabalho.

O que levar para a prova

A Revolução Industrial costuma ser cobrada de dois modos. O primeiro pede a identificação de fases, invenções e datas. O segundo, mais frequente em provas bem construídas, pede a relação entre técnica e sociedade.

Nesse segundo caso, a frase que resume o raciocínio é simples: a máquina não eliminou o trabalho, redistribuiu quem trabalha, em que ritmo e por qual salário. Foi essa redistribuição que criou a cidade moderna, a classe trabalhadora organizada e a disputa política em torno das condições de trabalho que continua até hoje.

O que costuma cair

  1. Por que a Revolução começou na Inglaterra, com os cinco fatores que costumam ser cobrados em conjunto.
  2. A diferença entre a primeira e a segunda fase quanto a energia, material, transporte e forma de organizar o trabalho.
  3. As consequências sociais: urbanização acelerada, formação do proletariado, jornada longa, trabalho infantil e surgimento do sindicalismo.
  4. As reações dos trabalhadores, com destaque para o ludismo e o cartismo, e a diferença entre eles.
  5. A relação entre industrialização e imperialismo no fim do século XIX, pela busca de matéria-prima e de mercado.

Onde quase todo mundo erra

James Watt inventou a máquina a vapor

Máquinas a vapor já existiam antes, como a de Thomas Newcomen, usada para bombear água de minas. Watt aperfeiçoou o modelo a partir de 1765, com um condensador separado que reduziu drasticamente o desperdício de energia e tornou o uso industrial viável. A distinção entre inventar e viabilizar é o que a questão pede.

A Revolução Industrial foi uma virada rápida

O processo levou décadas e avançou de forma desigual entre setores e regiões. Convivem, no mesmo período, fábricas mecanizadas e trabalho artesanal em domicílio. Chamar de revolução é uma escolha de historiadores para marcar a profundidade da mudança, não a sua velocidade.

Confundir ludismo com cartismo

O ludismo, no início do século XIX, respondia à mecanização destruindo máquinas, sem programa político. O cartismo, a partir de 1838, era um movimento político organizado que apresentava uma carta ao Parlamento com demandas como sufrágio universal masculino e voto secreto. Um é reação direta à máquina; o outro é luta por direitos.

Supor que a industrialização melhorou de imediato a vida dos trabalhadores

Nas primeiras décadas, a jornada podia passar de catorze horas, o trabalho infantil era comum, a moradia urbana era insalubre e a expectativa de vida em cidades industriais caiu. As melhorias vieram depois, por legislação e por pressão organizada, e não como resultado automático do progresso técnico.

Cards de revisão

6 perguntas

Por que a Revolução Industrial começou na Inglaterra?
Pela combinação de capital acumulado no comércio, carvão e ferro abundantes, mão de obra liberada pelos cercamentos, mercado interno e colonial e um Estado favorável aos negócios.
O que foram os cercamentos?
A privatização de terras comunais na Inglaterra, que expulsou camponeses do campo e criou a mão de obra disponível para as fábricas.
Qual a diferença entre a primeira e a segunda fase?
A primeira usa carvão e vapor no setor têxtil, sobretudo na Inglaterra. A segunda, a partir de 1870, usa eletricidade e petróleo, com aço e química, e se espalha por vários países.
O que foi o ludismo?
O movimento de trabalhadores que destruíam máquinas no início do século XIX, como reação direta à substituição do trabalho humano pela mecanização.
O que o cartismo reivindicava?
Direitos políticos, entre eles sufrágio universal masculino, voto secreto e fim da exigência de propriedade para ser parlamentar.
Como a industrialização se liga ao imperialismo?
A produção em escala exigia matéria-prima barata e novos mercados, o que estimulou a disputa por colônias na África e na Ásia no fim do século XIX.

Otávio Ribeiro

Resumos de história e ciências humanas

Escreve os resumos de história e de ciências humanas, com atenção a causas, disputas e consequências. Começa pelo fim: escreve primeiro qual foi a consequência duradoura do processo e depois volta para explicar como se chegou até ali.

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